Muitos autores têm explorado análises de sistemas lacustres por meio de imagens de satélites dos sensores orbitais. Para a região Amazônica, os sistemas lacustres de planícies inundáveis, nesta última década, têm sido alvo de alguns estudos com aplicabilidade de métodos para obtenção das respostas espectrais dessa região. No Amapá, pouco se tem de informação quanto ao uso do sensoriamento remoto para estudo das características ambientais dos sistemas lacustres, como por exemplo, técnicas e métodos para detecção e delineamento de corpos d’água (Fortin et al., 2000).
Com o uso da imagem de satélite do sensor CBERS 2 CCD1XS adquirida para a data de 12 de setembro de 2005, foi aplicado o método do NDWI (Índice de Diferença Normalizada da Água), com o objetivo de delinear ambientes de águas abertas, automatizando a determinação do limiar entre a água e a terra (vegetação terrestre e solo), que permite: maximizar a reflectância típica da água usando o comprimento de onda da luz verde, minimizar a baixa reflectância dos corpos de água no infravermelho-próximo e realçar o contraste entre a água e a superfície terrestre proporcionada pela banda infravermelha (Mcfeeters, 1996). O método de NDVI (Índice de Vegetação de Diferença Normalizada), tem o objetivo de contrastar o crescimento e o vigor de vegetação (Ponzoni, 2001), no caso, macrófitas aquáticas emersas e vegetação densa das margens dos lagos (Figura 5.27).
As equações 1) e 2), mostras os cálculos dos métodos:
Onde na equação 1) o NDWI produz o valor 1 para corpos d’água e próximo de - 1 para as demais feições. Na prática, devido aos baixos valores de brilho registro na imagem NIR, o valor NDWI oscila em torno de zero para corpos d’água e – 1 para outras
Na equação 2) é aplicada diretamente sobre cada par de pixel (R, NIR), produzindo um valor pertencente ao intervalo [-1, 1]. Quanto mais próximo de 1, maior é a certeza de estar se tratando de um pixel de vegetação (Jensen, 2000).
Figura 5.27 – Imagens de satélite Cbers 2 de 2005, com aplicação dos Métodos de índices (NDWI e NDVI).
Com base nas análises dos métodos aplicados à morfologia lacustre, foi possível delinear e mensurar a forma dos lagos e estimar em área (km² e m²) ocupada por macrófitas aquáticas (Figura 5.28).
Os dados morfométricos dos lagos foram obtidos pela interpretação e análises da imagem de radar de 1972 e CBERS 2 CCD1XS de 12/09/2005, no período seco.
O primeiro dos lagos, o Lagos dos Ventos, se apresenta com uma forma triangular norte-sul, sua área é de 3,9 km², e seus canais de entrada e saída encontram-se no sentido oeste-leste, e possui ligação direta com o Lago Mutuco, na parte leste.
O Lago Mutuco, é o maior entre todos os lagos estudados com uma área de 37,24 km²; possui uma forma semelhante a um S no sentido norte-sul, com um comprimento na longitudinal de 12,8 km, e sua largura máxima se encontra na parte abaixo dos canais de saída, com 3,3 km de largura.
O Lago Comprido de Baixo é o menor dos lagos, com uma área de 3,07 km² e sua forma se orienta de oeste-leste, com largura máxima na parte leste de 1,4 km. Este último lago tem sua forma infletida para sul onde irá se conectar com o Igarapé Tabaco.
A Figura 5.28, apresenta um cenário da área dos lagos com estimativa da área densamente ocupada pelas macrófitas aquáticas. Observa-se que a área reduz consideravelmente. De uma área total de 44,44 km² (considerando a margem real), a área com a presença dessa vegetação aquática reduz para 36,05 km².
No lago dos Ventos, praticamente 1/3 de sua área é ocupada pelas macrófitas, com 1,9 km². A maioria dessa vegetação desce dos lagos que se encontram mais a oeste deste e também são trazidas pelo fluxo do Lago Mutuco a leste, com a ajuda dos ventos, que contribuem para deslocar para oeste as ilhas emersas de macrófitas.
O Lago Mutuco, devido suas características morfométricas, em largura e extensão, é o lago que menos apresentou ocupação pelas macrófitas, devido a maior área e onde as macrófitas podem movimentar-se com mais facilidade. A presença dessa vegetação é predominante na margem leste, onde a atuação dos ventos é reduzida e menor turbulência da massa líquida, permitindo que a vegetação encontre um gradiente propício a sua fixação a margem, em relação à margem real que é de 37,24 km², com a presença das macrófitas, reduz para 32, 5 km².
Já o Lago Comprido de baixo também apresenta uma variação significativa devido à forte presença das macrófitas aquáticas, sendo sua área reduzida para 1,5 km² de um total de 3,07 km², principalmente na parte centro-oeste do lago, com a deposição do sedimento, este rico em nutrientes favorece a fixação das macrófitas. A deposição do sedimento se dá no sentido oeste-leste, reservando apenas um canal de navegação na parte sul. Tanto o Lago dos Ventos como o Lago Comprido de Baixo, são os mais afetados pela proliferação das macrófitas aquáticas.
A Figura 5.28 mostra os valores estimados de áreas ocupadas pelas macrófitas em 2005. Como pode ser observado, e comparando com os números anteriores, o Lago dos Ventos e Comprido de Baixo já possuem aproximadamente 50% de áreas úteis de água ocupadas por macrófitas. No total somando a área dos três Lagos, são 8,39 km² ocupada por macrófitas. Para o Lago dos Ventos a ocupação por macrófitas, foi estimada
em 1,9 km², o Lago Mutuco em 4,7 km² e o Lago Comprido de Baixo em 1,5 km². Em percentuais às suas áreas representam: 49%, 8% e 48% respectivamente.
Figura 5.28 – Estimativa da ocupação das margens pelas macrófitas aquáticas na região dos Lagos dos Ventos, Mutuco e Comprido de Baixo. 1) Lago dos Ventos, parte noroeste do lago com indicação da seta em vermelho da margem ocupada pelas macrófitas; 2) Lago Mutuco, margem sudeste com indicação da seta em vermelho da margem ocupada pelas macrófitas; 3) Lago Comprido de Baixo, parte sul do com indicação da seta em vermelho da margem ocupada pelas macrófitas.