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Research and Knowledge Transfer

Dans le document Conservation agriculture and climate change (Page 26-43)

Ao se pensar em produção científica, é pertinente retomar o conceito de ciência, pois é nesse âmbito que se desenvolvem os processos e produtos da atividade científica. A ciência, por ser uma atividade social/coletiva que objetiva a construção do conhecimento, apropria-se de métodos e teorias, além de contar com o consentimento dos pares. Neste sentido, Merton (2013, p. 183) apresenta as seguintes definições para a ciência:

(1) um conjunto de métodos característicos por meio dos quais o conhecimento é certificado; (2) um estoque de conhecimento acumulado que se origina da aplicação desses métodos; (3) um conjunto de valores e costumes culturais que governam as atividades denominadas científicas; ou (4) qualquer combinação das três anteriores.

Na visão de Ziman (1979), a ciência também poder ser concebida como o conhecimento científico publicado, aprovado previamente pelos pares e resultado de um consenso. O autor ainda descreve os seguintes atributos à noção de ciência, ao afirmar que ela é precisa, metódica, acadêmica, lógica e prática. Portanto, a ciência requer pesquisadores comprometidos com métodos, técnicas e teorias reconhecidos e compartilhados pela comunidade científica.

Ao ressaltar o aspecto social da atividade científica, Trevisol Neto (2015, p. 25) explica que a ciência é desenvolvida por

grupos de indivíduos e instituições. Cada grupo, especializado em determinado campo de conhecimento, determina seus objetos de estudo e adota teorias e terminologias próprias. Os indivíduos, participantes desse processo, são tradicionalmente denominados de cientistas, pesquisadores que objetivam realizar novas descobertas científicas e gerar novos conhecimentos. O conhecimento científico é um produto dessa atividade.

Tradicionalmente, é missão das universidades, centros de pesquisa e institutos atuar no processo de construção do conhecimento científico por meio das atividades de ensino, pesquisa e extensão, as quais se refletem na produção dos pesquisadores e instituições.

Na visão de Lara (2006), a produção científica consiste na divulgação dos resultados de pesquisas seja no formato de livros, de capítulos ou artigos, os quais podem ser publicados em formato impresso ou digital. Já para Pinto e Matias (2011), a produção científica compreende todas as tipologias documentais, tais como: artigos, livros, capítulos de livros, trabalhos publicados em eventos e documentos técnicos. Os autores compreendem-na como tudo o que se produz na ciência, pois a partir da atividade do pesquisador gera-se um produto final. Para tanto, consideram-se também as orientações de mestrado e doutorado, uma vez que

representam a formação e o treinamento de novos pesquisadores. Além disso, Pinto e Matias destacam que

o Brasil não explora aspectos próprios das áreas científicas e busca, muitas vezes, importar modelos externos, como a questão de indagar e priorizar quanto se publica em revistas científicas internacionais (PINTO; MATIAS, 2011, p. 6).

No entendimento de que a produção científica nacional não pode ser mensurada apenas em artigos científicos, há autores que sugerem a mensuração das publicações (tipologias documentais) registradas no Currículo Lattes. Estas podem ser utilizadas para compreender a realidade da pesquisa nacional e gerar, assim, indicadores abrangentes, indo além dos artigos publicados em revistas conceituadas e indexadas em bases como a Web of Science (WoS) e SCOPUS (SILVA, 2004; BALANCIERI et al., 2005; CAVALCANTE et al., 2008; PINTO; MOREIRO-GONZÁLEZ, 2010; LEITE; MUGNAINI; LETA, 2011; PINTO; MATIAS, 2011).

Para avaliar a atividade científica é possível utilizar indicadores que abranjam todos os itens produzidos e não apenas os mais prestigiados pelas principais agências de fomento (CAPES, CNPq), tais como artigos publicados em periódicos conceituados pelo (Qualis/CAPES).

Noronha e Maricato (2008) destacam que durante o processo de geração do conhecimento científico, devemos levar em consideração, de forma geral, dois grandes momentos em sua avaliação, nos quais caracterizam os indicadores de Input (insumo) e Output (produto). Para as autoras Población e Oliveira (2006, p. 68), input é “uma combinação dos fatores que viabilizam a produção de determinada quantidade de bens e serviços (output)”. Deste modo, Noronha e Maricato (2008, p. 119) reforçam,

como indicadores de input há que se considerar a importância dos insumos necessários ao fortalecimento da comunidade científica de pesquisadores e as condições encontradas para a efetivação de suas investigações. Por outro lado, como indicadores de output, têm-se as medidas dos produtos, isto é, a validação do conhecimento gerado, comprovada com a aceitação pelos pares (disseminação) e pela sociedade (divulgação).

A produção científica torna-se válida a partir do momento que é publicada e compartilhada entre os membros da comunidade científica, ou seja, os processos de produção e comunicação na ciência são interdependentes, se complementam. Neste sentido, Merton (2013) destaca o Comunismo como uma norma do ethos científico a ser respeitada, pois se fundamenta no livre acesso à comunicação dos resultados dos estudos, e no qual se condena as práticas dos pesquisadores que retardam ou obstruem a comunicação das pesquisas.

Segundo esse preceito, as descobertas científicas são frutos da colaboração social e destinam- se à sociedade, em geral.

A comunicação na ciência pode ser classificada a partir das características inerentes à tipologia documental. A comunicação formal é composta por estudos já concluídos e com ampla divulgação, tais como livros, artigos científicos e literatura cinzenta (dissertações e teses). Por sua vez, a comunicação informal ocorre pela conversa face a face, pela troca de e- mails, pela apresentação em eventos/conferências e preprints; neste caso, as pesquisas ainda estão em andamento e os contatos são particulares, restritos aos poucos participantes. No entanto, independente do tipo de comunicação, o conhecimento só assume status científico quando é validado pelos pares (MEADOWS, 1999; MUELLER, 2007). Le Coadic (2004) representa as diferenças entre comunicação formal e informal no quadro a seguir:

Quadro 2 - Diferenças entre os elementos formais e os elementos informais da comunicação da informação

ELEMENTO FORMAL ELEMENTO INFORMAL

Pública (audiência potencial importante) Privada (audiência restrita) Informação armazenada de forma permanente,

recuperável Informação não armazenada, não recuperável Informação relativamente velha Informação recente

Informação comprovada Informação não comprovada Disseminação uniforme Direção do fluxo escolhida pelo autor Redundância moderada Redundância às vezes muito importante Ausência de interação direta Interação direta

Fonte: Le Coadic, 2004, p.36.

Targino e Neyra (2006) expõem uma nova classificação quanto ao tipo de comunicação, denominando-a de comunicação semiformal, caracterizada por apresentar tanto os aspectos formais quanto informais, permitindo a discussão entre os pares, o que pode conduzir a modificações ou na confirmação do texto original. Neste caso, tem-se como exemplo os trabalhos apresentados em eventos, os quais passaram também pela avaliação dos pares, embora, no momento da apresentação, seja possível repensar as críticas ou contribuições dos participantes, o que pode alterar o texto final.

Nesse contexto de produção e comunicação na ciência, Bourdieu (1983, 2004) inseriu o conceito de campo científico para elucidar as disputas entre os cientistas em busca da

autoridade científica, como também as formas empregadas na conquista de prestígio e reconhecimento entre os pares concorrentes.

O sociólogo explica que o campo científico é um lugar de luta na qual os pesquisadores disputam pela autoridade nesse campo, onde existem dominantes e dominados, sendo que suas ações são motivadas por interesses, no intuito de aumentar seu reconhecimento perante os pares. Para fortalecer seu capital científico puro, os cientistas publicam com agilidade suas pesquisas e escolhem os canais de comunicação mais prestigiados, pois objetivam ser lidos e citados pela comunidade à qual pertencem. Sendo assim, quanto maior for o volume de capital científico puro que o cientista deter, mais autoridade ele terá para agir e falar perante os pares concorrentes.

Contudo, os resultados das atividades desenvolvidas por grupos de pesquisadores e cientistas envolvendo universidades e institutos refletem na produção do conhecimento científico, levando em consideração um conjunto de fatores que viabilizam a produção de bens e serviços, os quais devem ser difundidos e democratizados por meio dos canais de comunicação da área, levando à sociedade informações para o desenvolvimento econômico e social.

Dans le document Conservation agriculture and climate change (Page 26-43)

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