2. SAFETY PRINCIPLES AND REQUIREMENTS
2.3. Requirements for storage facilities
De modo geral, os(as) coordenadores(as) que participaram da pesquisa concordam com o “destaque” do uso do inglês na ciência. Quando perguntados(as) sobre o uso do idioma na área de educação e ensino de ciências, os informantes acederam que o conhecimento de língua inglesa é importante para “proporcionar troca de experiência com pesquisadores de outros países”, para favorecer a “participação em eventos no exterior”, ter acesso a textos em línguas adicionais, possibilitar o diálogo com pesquisadores internacionais e estabelecer “comunicação com público internacional”. A coordenadora do PPGEC comentou sobre o trabalho que o Programa faz envolvendo os estudantes com o contato com outras línguas, como o espanhol e o francês, aproximando-os de seus referenciais teóricos e favorecendo o intercâmbio destes em
países de Língua Francesa ou Espanhola. Essa visão abrangente é imprescindível para que a relação com o conhecimento seja uma via de mão dupla, no qual pesquisadores vêm de outros países para o Brasil e pesquisadores brasileiros também levem e façam pesquisas no exterior. As trocas culturais estabelecidas na comunicação em mais de uma língua favorecem o alcance do conhecimento a povos que, por não conhecerem a língua do outro, teriam acesso limitado a essas pesquisas. Quanto ao inglês, os informantes destacam a sua posição privilegiada levando em consideração a divulgação do conhecimento científico como característica pujante no reconhecimento da pesquisa. A pergunta inicial feita às coordenações foi se eles consideram
importante que o(a) pesquisador(a) em Ensino de Ciências saiba inglês e a resposta foi
SIM, porque todas confirmaram o inegável status dessa língua na ciência, porém outros idiomas também fazem parte da política linguística dos Programas, embora tenha sido mais enfatizado por uma coordenação, levando à conclusão de que INGLÊS TAMBÉM É IMPORTANTE, pois não é a língua que muda as situações e resolve os problemas, é o conhecimento construído. O idioma é apenas o canal de ligação entre o informante e o informado. Havendo mais canais ou pontes de ligação, mais informação estará chegando a diferentes povos, consolidando seu poder e influência por entre culturas e nações.
Sim, a língua inglesa é importante, pois proporciona uma troca de experiências com pesquisadores de outros países, bem como a participação em eventos no exterior. Além disso, a leitura de textos em inglês é imprescindível para estudos em pós- graduação (C. PECEM).
Sim, pois o inglês abre portas para o diálogo com pesquisadores do mundo todo e fornece possibilidade de contato com dados de pesquisa em bases importantes como Scopus e Webscience. (C.A).
Considero que uma língua estrangeira é fundamental para o pesquisador da área e, quando esta é o inglês, são aumentadas as oportunidades de interação e relacionamento com outros pesquisadores e instituições internacionais, inclusive com aquelas que contribuem com financiamento de pesquisas e estágios no exterior. Observa-se que alguns doutorandos preferem investir no aprendizado de Língua Espanhola ou Francesa, isso porque seus referenciais teóricos principais escreveram originalmente nesses idiomas. Outras vezes porque visam realizar intercâmbio em um país de Língua Francesa ou Espanhola. Ou mesmo porque pretendem intensificar relações, principalmente com pesquisadores e instituições de países da Iberoamérica. Os motivos podem ser diversos para a escolha por outros idiomas que não seja o inglês. E há também dificuldades para investimentos em mais de um idioma durante o mestrado ou doutorado, especialmente quando não se desenvolveram tais habilidades anteriormente. Contudo, em termos de divulgação e comunicação para um público internacional, a Língua Inglesa traz de fato muitas vantagens e é importante para o pesquisador da área ter um nível razoável de compreensão desta língua. (C. PPGEC)
Após conhecer a visão das coordenações quanto ao uso do inglês em sua área de pesquisa, quis saber a opinião delas quanto ao estatuto do inglês como língua franca da
culturais, políticas e econômicas que envolvem a ascensão de uma língua para se constituir como tal, mas é interessante a visão de que o idioma é uma alternativa válida, mas não superior a outras línguas, conforme as afirmações abaixo:
Ao longo do tempo acabou se constituindo como tal, e poderia ter sido outra língua, mas em termos de relevância histórica ao longo do tempo, ela se constituiu. Eu não vejo como mal isso, apenas a gente precisa estar atento. Poderia ter sido o Espanhol, poderia ter sido o Português, poderia ter sido o Italiano, poderia ter sido qualquer língua, mas já que foi o inglês, a gente precisa estar atento, porque quando a gente vai nos eventos, a comunicação, apesar de sempre ter a língua do país, mas sempre colocam o inglês como a língua universal do pesquisador. (C. PPGEFHC).
Acredito ser fundamental para que aproxime diferentes culturas e dê coesão para ações entre pesquisadores de diferentes nacionalidades (C.A)
Acho muito interessante as possibilidades que são criadas diante do surgimento de novas demandas. É um fato o fenômeno da comunicação mundial, a quebra das barreiras territoriais e a expansão dos diálogos interculturais. Se houve momento em que o inglês significava domínio e imposição de uma potência econômica, talvez hoje a existência de contextos e comunidades multilíngues mude o cenário. Temos inúmeras possibilidades para interação com falantes de diferentes nacionalidades e nesses contextos o inglês é usado para estabelecer a comunicação de um modo funcional e efetivo. Não se trata da afirmação de uma normatividade externa, mas da (re)criação de uma língua para tornar possível a interação e comunicação entre falantes nativos e não nativos. Entre falantes de idiomas diferentes, o inglês passa a ser uma ferramenta útil, não sendo esperado do não nativo excelência no uso do idioma. A propósito, percebe-se que tem havido relativa flexibilidade nas exigências de níveis de inglês para certas atividades acadêmicas no exterior, o que tem facilitado a participação de brasileiros e outros falantes não nativos do inglês nessas oportunidades. Não vejo com preocupação extra a expansão do inglês no mundo atual, acho que faz parte de uma transformação global, da qual a ciência não escapa. Acho que esse fenômeno em particular não coloca em risco a diversidade cultural, justamente por conta da capacidade da recriação inerente às comunidades e à força de outras línguas no contexto da produção da ciência. Ou seja, há ciência sendo produzida em diferentes contextos sociais e linguísticos e atendendo a diferentes demandas e relações com a sociedade. A ciência sempre esteve na mira do poder e dos processos de dominação e, como antes, há parcelas da comunidade científica extremamente vinculadas a setores econômicos, atendendo de forma muito particularizada ao mercado. Ainda que os processos comunicacionais e linguísticos estejam associados a processos de dominação, não são eles por si só que a produzem. Parece-me que mais importante hoje é empoderar países e comunidades portadoras de uma ciência para o bem comum, para a educação e para os direitos humanos. E, nesta tarefa, buscar fortalecer as redes, a comunicação, o diálogo e a interação para a difusão de conhecimentos e procedimentos técnicos e tecnológicos competentes para transformação das realidades sociais desfavoráveis. Neste caminho, o inglês pode funcionar como língua franca, sempre que não crie mais desigualdade na produção da ciência. (PPGEC-UFRPE).
O inglês tem a vantagem de ter sua gramática simples, o que facilita seu aprendizado. Assim , seu uso acabou tornando-se importante para os pesquisadores.(PECEM/UEL)
Sobre as colocações acima, a coordenadora do PPGEFHC chama a atenção do pesquisador para o destaque do uso do inglês na ciência, no sentido de poder participar de eventos internacionais cuja língua oficial seja o inglês. Esse comentário é relevante por ser a
língua inglesa, assim como qualquer outra língua franca, um idioma de conveniência, de caráter transcultural, que vem sendo debatido por sua hegemonia linguística que pressiona pesquisadores a conhecerem o idioma a fim de que possam participar de eventos internacionais. É certo que o pesquisador deve conhecer o idioma prioritário da ciência, mas é inegável que essas questões sejam debatidas, principalmente no sentido de dar voz a pesquisadores que queiram apresentar as suas pesquisas no idioma que lhes for mais confortável, pois, ao mesmo tempo que é importante que o conhecimento da língua “dê coesão para ações entre pesquisadores de diferentes nacionalidades” (C.A), exclui muitos que não o dominam, mas têm pesquisas relevantes a serem difundidas nesses espaços.
O registro da coordenadora do PPGEC demonstra um posicionamento bastante crítico nesta temática, pois o uso da língua inglesa no contexto atual é visto por ela como algo “funcional e efetivo”. Ela desmistifica a visão do idioma como significando “domínio e imposição de uma potência econômica”, mas o apresenta como uma possibilidade que contribui para a “comunicação mundial, a quebra das barreiras territoriais e a expansão dos diálogos interculturais” em um contexto de não “afirmação de uma normatividade externa, mas da (re)criação de uma língua para tornar possível a interação e comunicação entre falantes nativos e não nativos”. A coordenadora, inclusive, comemora a “relativa flexibilidade nas exigências de níveis de inglês para certas atividades acadêmicas no exterior”. A visão desta coordenação vai ao encontro do que defendo, pois, assim como ela, entendo a expansão do inglês como “parte de uma transformação global, da qual a ciência não escapa” e que a comunicação nessa língua “não coloca em risco a diversidade cultural”, visto que “há ciência sendo produzida em diferentes contextos sociais e linguísticos e atendendo a diferentes demandas e relações com a sociedade”.
O multilinguismo que envolve o uso de inglês e de outros idiomas e o empoderamento de pesquisas em línguas não hegemônicas também devem ser debatidos com o objetivo de “buscar fortalecer as redes, a comunicação, o multiculturalismo, o diálogo e a interação para a difusão de conhecimentos e procedimentos técnicos e tecnológicos competentes para transformação das realidades sociais desfavoráveis”, “empoderar países e comunidades portadoras de uma ciência para o bem comum, para a educação e para os direitos humanos”, usar o conhecimento linguístico nos idiomas mais variados para diminuir as desigualdades na produção e divulgação da ciência. Quanto maior a produção acadêmica em idiomas diferentes, maior o acesso à pesquisa e maior a comunicação entre pesquisadores nas esferas locais e globais.
Outro ponto que precisa ser considerado é que o conhecimento construído em nossos espaços não deve reforçar a hegemonia ideológica e linguística dos países anglófonos nas publicações em periódicos nacionais ou internacionais. Como afirma Canagarajah (2002. p. 12):
A publicação de acordo com as convenções e os termos estabelecidos pelas comunidades acadêmicas centrais influencia, em grande medida, a representação do conhecimento da periferia. Os requisitos de publicação, paradigmas epistemológicos e convenções de comunicação estabelecidas pelo centro moldam o conhecimento que é construído nesses periódicos. Esse conhecimento serve mais aos interesses do centro do que da periferia. Assim, os periódicos divulgam conhecimento partidário em nível global107.
Os grupos centrais dos países hegemônicos decidem quais textos podem ser publicados, geralmente seguindo o mesmo padrão de escritores nativos e o conhecimento que lhes for aprazível, por terem o poder de decisão em suas mãos, prejudicando aqueles cuja escrita e conteúdo textual não são aprovados pelo avaliador. É certo que haja um padrão na escrita científica, mas o olhar do avaliador deve ser sempre o de contribuir para que o conhecimento seja divulgado. Por isso, a necessidade de empoderamento do pesquisador para que, conhecendo a língua, sinta-se confortável para fazer as adequações e ponderações, rejeitando posição de subalternidade.
Na questão seguinte do questionário dirigido aos coordenadores, apresentei os dados do relatório 2018 da agência de intercâmbio Education First publicado na sua página (disponível em https://www.ef.com.br/epi/), o qual envolveu 1,3 milhão de participantes, demonstrando o índice de proficiência em inglês de um total de 88 países e territórios. Neste ranking, o Brasil encontra-se no 53º lugar e o seu índice de proficiência na língua foi considerado baixo. Nos dados consta que a América Latina é a única região do mundo que passou por um leve declínio na proficiência em inglês. Com esses dados, quis saber a opinião dos(as) coordenadores108(as) sobre as razões para esse declínio do Brasil em relação ao nível de proficiência em inglês.
Não consigo colocar posição plausível sobre isso, pois a amostragem Brasil é muito ampla e não possuo conhecimento sobre a mesma. (CA).
Eu diria, por hipótese, que o Brasil e o México são países que não investem na educação formal de línguas estrangeiras no ensino básico, entre elas o inglês. Além
107 No original: Publishing according to the conventions and terms set by the center academic communities
influences in no small way the representation of periphery knowledge. The publishing requirements, epistemological paradigms, and communicative conventions established by the center shape the knowledge that gets constructed through these journals. Such knowledge serves the interests of the center more than the periphery. The journals thereby disseminate partisan knowledge globally.
108 Quando fiz a entrevista a coordenadora do PPGEFHC, essa pergunta não constou, em função disso não teremos a sua participação nesta questão.
disso, na academia, há uma linha média de produção acadêmica que não “obriga” o pesquisador a fazer incursões e intercâmbios para se manter na profissão, havendo uma margem bastante ampla para o trabalho com o ensino de graduação e a pesquisa de alcance nacional. (C.PPGEC).
Porque o ensino de inglês no Brasil ainda está engatinhando. O ensino dessa língua na escola pública, ou até mesmo particular, segue a lei vigente para esse ensino na Educação Básica, que determina mais gramática e pouca leitura, interpretação e fala. De uma forma metafórica, inicia-se o ano ensinando o verbo to be e acaba-se com o
to have, ou na linha do the book is on the table. Quem sabe no Ensino Médio, inicie-
se o there to be. (C.PECEM).
Nas declarações acima, um participante se eximiu a fazer comentários pela ampla dimensão da pesquisa, porém os demais informantes atribuem os baixos resultados nos níveis de proficiência linguística em inglês no Brasil ao sistema de ensino de línguas estrangeiras no país desde o ensino básico até o médio, bem como ao pouco incentivo de uso de línguas adicionais no ensino superior. Existem muitas pesquisas que tratam dessa problemática no ensino brasileiro. Cox e Assis-Peterson (2008), ao analisarem a história brasileira de ensino de inglês na escola pública, concluem que o ensino desse idioma tem sido um fracasso. Primeiro, não houve obrigatoriedade do ensino de língua estrangeira durante 35 anos (de 1961 a 1996). Esse movimento só começou a ocorrer no final da década de 1970, quando houve um considerável crescimento de escolas de idiomas que procuravam atender a demanda das classes médias e altas, as quais disponibilizavam turmas pequenas e homogêneas quanto ao nível de domínio da língua e utilizavam método de ensino funcional e comunicativo. Porém, as escolas regulares não tiveram esse investimento e os cursos de Letras, por mais que tenha havido a vontade de implementação, tiveram dificuldade para reproduzir as condições ideais para que o ensino e a aprendizagem fossem efetivos.
Por mais que a Constituição Federal garanta como princípio o acesso à educação e a universalização do Ensino Básico no Brasil, ela não regula a sua oferta. Esta função é exercida pela Lei de Diretrizes e Bases (LDB/Lei nº 9.394/1996), que tem como premissa a descentralização das tarefas sobre a gestão dos sistemas de ensino entre as esferas de poder estadual e municipal, as quais têm autonomia para o desenvolvimento de suas políticas de educação baseadas nos Parâmetros Curriculares do Ensino Fundamental para as Línguas Estrangeiras (PCNLE), que são diretrizes federais que orientam as secretarias estaduais e municipais com relação ao conteúdo a ser ofertado, os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM) e Orientações Curriculares para o Ensino Médio (OCEM). Nesses documentos voltados para o ensino de língua estrangeira, embora haja a tendência de ruptura com o modelo tradicional de ensino de língua, apontado muitas vezes como o principal responsável pelo fracasso do ensino de língua estrangeira(LE), são documentados, por vezes,
“desacreditados por aqueles a quem se destinam, professores do ensino fundamental e médio, mediante o argumento de serem herméticos, além de impositivos – “de cima pra baixo” –, não espelhando os anseios e a realidade da comunidade escolar” (COX; ASSIS-PETERSON, 2008, p. 34). Com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), homologada em 14 de dezembro de 2018, o ensino de língua inglesa passa a ter uma nova diretriz, porque além de o inglês se tornar uma disciplina obrigatória a partir do 6º ano do ensino fundamental II, há uma defesa do ensino do inglês para a sua oralidade e para o seu uso, havendo um trabalho mais expressivo com as quatro habilidades linguísticas: falar, ouvir, ler, escrever, além de focar na dimensão intercultural. Porém, se trata de mais uma imposição “de cima para baixo” pois tira o direito de as comunidades escolares escolherem a LA que quer estudar com base nas suas vivências locais.
Somados a esses fatores, outros aspectos emperram o ensino de LA: baixos salários, desvalorização da profissão, ausência de tempo para estudo, baixo status da língua estrangeira na grade curricular, currículos de Letras conservadores, relação disfuncional entre teoria e prática, distância entre universidade e ensino básico e entre pesquisa e ensino etc. ( PESSOA, 2013, p. 33), podendo se salvar as escolas de idiomas, por fazerem um trabalho diferenciado incluindo as quatro habilidades (ler, escrever, ouvir e falar) e turmas menores e menos heterogêneas, porém pouco acessíveis em função de a oferta demandar altos investimentos financeiros. Por toda essa realidade, as afirmações dos(as) coordenadores(as) a respeito do ensino de línguas estrangeiras convergem com a de pesquisadores da área. É preciso mudar o antagonismo entre o ensino de LA na rede pública de ensino e nas escolas de idiomas. Enquanto o primeiro não devolve à sociedade resultados promissores, o ensino de LA em centros de idiomas consegue mostrar resultados positivos em tempo menor.
A pergunta de número 5 do questionário trata da escrita de textos acadêmicos. Até aquele momento 42 pessoas haviam respondido o questionário para estudantes. Após apresentar os resultados da participação dos estudantes dos programas, mostrando a sua insatisfação em relação ao seu nível de proficiência de língua inglesa na escrita (66,7% ou 28 participantes se declararam “insatisfeitos” ou “pouco satisfeitos” com o seu nível de proficiência, sendo que 31 (73%) estudantes nunca publicaram artigos em inglês), perguntei-lhes a que se devia a
dificuldade do pesquisador em ensino de ciências com a escrita acadêmica em inglês e como esse resultado reflete nos Programas de Pós-Graduação e na formação de novos pesquisadores.
Essa dificuldade se deve à formação escolar e de ensino superior desses pesquisadores. Isso impacta de maneira que os resultados obtidos por esses
pesquisadores apenas são socializados em território nacional e não projetam suas ideias ao redor do mundo. (C-A).
Não há na trajetória escolar da maioria dos nossos ingressantes a aprendizagem de outra língua. Poucos são aqueles que possuem um histórico de formação em escolas privadas de línguas ou são autodidatas ou valem-se dos instrumentos de educação a distância para aprender uma língua estrangeira. Em muitos casos, são estudantes oriundos da escola pública onde esse aprendizado é pouco explorado e, mesmo em escolas privadas, não é corriqueiro que estejam habilitados na leitura e escrita em inglês. Parece-me que o interesse em fazer um mestrado, que se inicia durante o curso de graduação, é um elemento motivador para tal aprendizado e, a partir de então, iniciam-se os esforços nesse sentido. Para ingresso no nosso Programa, assim como em outros, há a exigência de leitura e interpretação de textos, podendo a prova ser respondida em Língua Portuguesa. Esse resultado reflete-se no esforço dobrado do discente para adquirir em curto espaço de tempo uma proficiência mínima para lidar com alguma produção acadêmica de língua inglesa; ou uma proficiência média para participar de algum intercâmbio ou oportunidade de estágio no exterior. No segundo caso, cursos de curta duração tem sido a alternativa para obter os índices necessários de proficiência. Evidentemente que o aprendizado aligeirado acarreta prejuízos, tanto do ponto de vista pessoal do discente, que sente-se cobrado a atender os requisitos, quanto do aproveitamento das oportunidades, visto que a pouca familiaridade com o idioma estrangeiro permite-lhe um aproveitamento parcial dos estudos (C. PPGEC). A dificuldade vem do fato de não se ter intimidade com essa língua. Se a pessoa estivesse acostumada desde pequena a conversar em inglês, a ler e interpretar, pensando em inglês, teria mais facilidade para escrever em inglês. Outro fato, mais ligado à área, seria o de que se tem muitos textos dessa área em espanhol e francês. Esse resultado reflete no fato de termos poucas publicações em inglês. Quando