2.3 Une repr´esentation de l’homog´en´eit´e
2.3.2 Repr´esentation sous forme de distribution de coefficients de
A comunicação social é a principal fonte de informações sobre crime e segurança para uma percentagem significativa da população mundial. Um estudo efetuado no Canadá, revela que 95% dos entrevistados usam a media como a principal fonte de informações sobre questões relacionadas com o crime (Dubois, 2002).
A cobertura mediática da prática de crimes ou da existência corrente de atos delituosos e incivilidades no espaço público condiciona e afeta a sua imagem com consequências na sua apropriação e uso. Mas, também, influencia a opinião pública e política. Assim, é determinante avaliar se a influência é forte ou fraca. Neste contexto, Carli, Capobianco e Sagant (2008) descrevem que vários estudos críticos, práticas e parcerias no campo da prevenção da criminalidade e da segurança urbana, efetuados por diversos autores (Dubois, 2002; Ericson, Baranek & Chan, 1991), sugerem que a comunicação social exerce influências positivas e negativas
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na opinião pública e política. Sendo, no entanto, o impacto dos media relevante na prevenção da criminalidade, pelo alerta social que a cobertura noticiosa pode determinar.
A fim de examinar esta função, é importante reconhecer que os media não são uma fonte única de investigação, mas incluem uma série de elementos que permitem a sua análise e a avaliação da influência dos meios de comunicação de crime na opinião pública e justiça criminal e prevenção, bem como na construção de políticas e práticas.
No entanto, os media podem também, por outro lado, prejudicar as políticas de prevenção da criminalidade no processo de recolha e difusão de informações sobre o crime. As representações da comunicação social podem influenciar negativamente as perceções sobre questões relacionadas com o crime, e interferir na execução de política e estratégias de prevenção da criminalidade. A cobertura mediática do crime pode ser imprecisa, tendenciosa e promover políticas inadequadas e prejudiciais sobre o controle da criminalidade, a imagem aleatória do crime violento que é comunicada pela comunicação social conduz a uma compreensão do crime e da justiça que se traduz em políticas públicas que na maioria das vezes procura soluções simples para problemas complexos (Yanich, 2001). O que faz com que cada vez mais exista uma preocupação relativamente ao facto das principais características dos meios de comunicação não contribuírem necessariamente para a prevenção da criminalidade e para a criação de sentimentos de segurança ao uso do espaço público.
O processamento da informação pelos meios de comunicação, sobre o crime baseia-se no curto prazo, numa pesquisa rápida e superficial, o que pode limitar os tipos de informações divulgadas, e desviar as atenções das questões fundamentais. Além disso, a rápida análise dos meios de comunicação e respetiva avaliação das tendências da criminalidade e os resultados da implementação de políticas públicas a nível local pode dificultar a efetiva e bem-sucedida prevenção por dar uma visão distorcida de realidade e poder criar estigmas sociais com consequências nos
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Os praticantes de prevenção da criminalidade enfatizam a importância da prevenção estratégias que são caracterizadas por ações a longo prazo, e num diagnóstico sólido que leva em conta a complexidade das causas do crime e das suas interações. As abordagens rápidas de formulação das notícias, não são, por isso compatíveis com o rigor com que deve ser feita a informação sobre os acontecimentos relativos às práticas criminais e delituosas.
Por outro lado, na imprensa, os media podem apresentar um retrato impreciso do crime. A imprensa influencia a opinião pública sobre as tendências da criminalidade, aumentando cobertura de certos crimes desproporcionalmente à quantidade de crimes que se verificam numa comunidade, o que tem consequências sociais graves no domínio dos sentimentos de segurança e na prevenção (Hubbard & DeFleur, 1975).
A forma como a comunicação social notícia o crime, inclui, muitas vezes, aspetos sensacionalistas dos eventos, segundo a qual o interesse jornalístico assenta nas histórias que atuem ao nível emocional mais do que na verdade, levando à criação de estigmas que afetam as comunidades e áreas urbanas.
Há no entanto atividades delituosas e crimes que são muitas vezes ignorados pelos meios de comunicação, tais como crimes de "colarinho branco" e crimes ambientais por não suscitarem tanto impacto público. O resultado pode consistir em consolidar perceções ambíguas sobre a criminalidade e levar a decisões políticas inadequadas, que dificultam as estratégias de prevenção do crime eficazes e sustentáveis por assentarem mais em estereótipos que na realidade (Hackler, 2007).
A redação entre a prática do crime, a sua divulgação noticiosa e o sentimento do medo na sociedade é difícil de avaliar. A cobertura da comunicação social pode contribuir para a vitimização crescente e para os sentimentos de insegurança, em termos de localidades com aptidão para a prática do crime, declínio social e degradação urbana decorrente da desorganização da vida urbana, caracterizada por símbolos da desordem e do crime: degradação do espaço público, adolescentes nas ruas; prédios abandonados; graffitis; drogas ilegais; embriaguez pública;
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vandalismo. O que faz aumentar a inquietação urbana e, consequentemente, o medo do crime (Rogers, s.d.).
A cobertura dos media pode influenciar negativamente a implementação de novas medidas, segundo as quais um evento isolado pode influenciar mudanças em larga escala, mesmo que as medidas anteriores não tenham ainda sido avaliados ou produzidos efeitos. No entanto, Carli, Sagant e Capobianco (2008) afirmam que a comunicação social deve relatar o requerer da adoção de políticas criminais “pesadas” e atitudes punitivas para uma contínua tarefa desafiadora.
Há debates em curso sobre a extensão em que os meios de comunicação desempenham um papel na produção da violência. A influência direta ainda não foi provada. Contudo, os pressupostos apontam mais ou menos para um vínculo de causalidade. De acordo com Brown (1996), do Instituto Australiano de Criminologia, os estudos efetuados sobre a televisão e os filmes de violência não sugerem uma relação causal direta entre a exposição dos media e o comportamento agressivo, mas sim se referir a uma relação complexa que identifica a interação de variáveis.
Em 2002, o relatório da WHO (World Health Organization, 2002) sobre a violência e os estados de saúde expõe que uma breve exibição de violência na televisão ou filme produz a curto prazo um aumento do comportamento agressivo e os efeitos parecem ser maiores para os jovens com tendências agressivas. Assim, os meios de comunicação podem desempenhar um papel para facilitar o comportamento agressivo, mas as evidências permanecem vagas e não confirmações. Os estudos demonstraram uma forte relação entre a exposição dos
media e a dessensibilização de certos atos delituosos. Srivastva e Agarwal (2004)
referem que os media são como um instrumento poderoso para "comunicar
ideias".31
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A cobertura informativa focalizada sobre grupos-alvo (minorias étnicas e culturais, estrangeiros, imigrantes e refugiados) e a sua referenciação nas estatísticas de criminalidade podem reduzir as perceções públicas, e infundir um medo falso, estereótipos e racismo, aumentando a intolerância e a implementação de políticas sociais discriminatórias (Dixon & Azócar, 2007; Gilliam & Iyengar, 2000).
A estigmatização atinge sobretudo algumas áreas urbanas, sobretudo as áreas centrais degradadas e a periferia urbana, cujas malhas se tornaram os alvos principais para as reportagens dos media sobre o crime. Yanich (2001, p.222) argumenta que a comunicação social apresenta uma “dimensão urbana e
suburbana do crime”32, considerando aquelas áreas como perigosas. O resultado,
como foi observado por Souza (2007), é o medo de certas comunidades, que pode ser contra produtivo para as estratégias de prevenção, uma vez que marginaliza indivíduos que vivem dentro da comunidade alvo. A redução nos preços dos imóveis em determinado lugar decorre da deterioração da qualidade de vida da população, devido ao medo e ao aumento na perceção do local de violência e à maior fragilidade nas relações sociais aí existentes. Além de que, também, os sentimentos de isolamento e a desvalorização da autoimagem dificultam o investimento futuro e a instalação de serviços naquelas áreas (Souza, 2007).
O papel da comunicação social como principais provedores de informação deve ser visto no aparecimento e evolução das políticas de prevenção da criminalidade e na formação da perceção do público sobre o crime e sua resposta. No entanto, é importante notar que o impacte ou efeitos dos meios de comunicação sobre o desenvolvimento de sentimentos de insegurança, e estigmatização continua a ser difícil de avaliar com precisão.
Os meios de comunicação podem desempenhar um papel democrático quando se trata da questão da prevenção do crime. Com mais e melhores informações, os
media educam a população sobre determinadas questões, estimula o pensamento
crítico sobre os comportamentos sociais e promovem a responsabilidade por parte
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das instituições, organizações e governo, local e nacional (Carli, Sagant & Capobianco 2008; Alat, 2006).
A comunicação social pode ajudar a promover o "jornalismo cívico", que promove a responsabilidade por parte dos meios de comunicação social para fornecer informação confiável e se empregar em iniciativas positivas de prevenção da criminalidade. Em suma, a prevenção do crime é fortalecida através da construção de parcerias através de uma política de comunicações.