L'identication de patterns dans les environnements à multi-fenêtrage
4.1 Les représentations graphiques au service de la recherche de patterns temporels
2.3.4.1.Perturbações do Desenvolvimento Motor
As perturbações do domínio motor podem ser caracterizadas por apresentarem limitações ao nível das funções e das estruturas corporais, tanto ao nível das articulações e das estruturas ósseas, como ao nível muscular ou do movimento. Essas características podem influenciar a realização, parcial ou total, de algumas actividades e interacções entre as condições de saúde e os factores contextuais, e condicionar o nível de actividade e de participação nos distintos domínios motores básicos e específicos (OMS, 2001 e Pereira, 2004).
Pereira (2004) concorda com Silva (2000), ao referir que o conceito de perturbações no desenvolvimento motor se aplica quando se verifica índices de competência, na realização das habilidades motoras básicas, abaixo do desejado para o seu grupo etário. Pelas razões apresentadas, será de prever a observação de eventuais desajustamentos na cronologia do processo de desenvolvimento das conexões e da maturação do sistema nervoso (Silva, 2004).
2.3.4.2.Estrabismo
A visão caracteriza-se por ser o sentido que consegue captar o maior número de impressões sensoriais (Holle, 1979). Contudo para que essas consigam possuir uma significação, torna-se necessário a interacção de todos os intervenientes deste sistema, que passa essencialmente pela retina e pelas áreas occipital e córtex cerebrais (Ladeira e Queirós, 2002). Quando se verifica uma diminuição excessiva da capacidade da visão, podemos constatar a presença da deficiência visual (Nielsen, 1999).
Entre os dois extremos da capacidade visual, podem-se encontrar um conjunto de patologias, como o estigmatismo, a hipermetropia, a miopia, o estrabismo, entre outros, que não estabelecem uma relação directa com a deficiência visual, mas que devem ser alvo de atenção, principalmente na fase da primeira infância (Gil, 2000).
O estrabismo é concebido pelo posicionamento desacertado do globo ocular o que deriva num desvio dos eixos globais e numa deficiência na visão binocular, que se traduz na dificuldade ou na incapacidade de focalização convergente de ambos os olhos (Ladeira e Queirós, 2002). Nielsen (1999) pensa que esse desvio pode ser explicado pela descoordenação dos músculos exteriores do olho. As consequências desta perturbação sob o domínio motor podem exteriorizar-se quando a criança tropeça nos objectos ou apresenta nítidas dificuldades em avaliar as distâncias (Holle, 1979). Neste sentido, o diagnóstico e a avaliação são momentos que devem acompanhar todo o processo educativo e reabilitativo, para evitar que se atinjam situações irreversíveis (Ladeira e Queirós, 2002).
2.4.PSICOMOTRICIDADE
2.4.1.CONCEITO
O conceito primitivo de psicomotricidade surge com contornos que parecem divergir das concepções hoje defendidas. Esta evolução esteve directamente relacionada com o progresso da significação do corpo ao longo da civilização humana (Fonseca, 1992). Ou seja, nos seus primórdios, em meados de 1870, a psicomotricidade envolve o corpo, mais concretamente em relação às funções motoras, que através da sua coordenação e sincronização no espaço e no tempo, derivar em estímulos que dão significação ao movimento (Molinari e Sens, 2003 e Rozario, 2004).
Actualmente pensa-se que a palavra «psicomotricidade», já contextualizada no âmbito científico, se deve a Wallon em 1925. Este mesmo autor acaba por ser o principal responsável pelo movimento da reeducação psicomotora, pelo que em 1963 o seu trabalho foi reconhecido ao certificar a
psicomotricidade como um meio de reeducação2 (Fonseca, 1992).
2A reeducação psicomotora é “dirigida às crianças que sofrem perturbações instrumentais (dificuldades ou atrasos
Antes de tentarmos encontrar uma definição de psicomotricidade, teremos de a distinguir e de a diferenciar de outro conceito, clinicamente distinto, a motricidade. Este último encontra-se relacionado com o défice, essencialmente ligado a perturbações motoras e neurológicas. Já a psicomotricidade se distingue por abordar múltiplas informações, como são exemplo as motoras, neurológicas, perceptivas, linguísticas, cognitivas, entre outras (Bergés, 1985).
A definição de psicomotricidade é, contudo, entendida como imprecisa, multidimensional e pouco objectiva, pelo que o seu objecto de estudo não pode resumir-se “num conhecimento tão egocêntrico” (Rozario, 2004:16 e Fonseca, 2001). Foram vários os autores que a descreveram e a conceituaram, tais como P. Vayer (1986) e Le Boulch (cit. Bagatini, 2002), como uma acção pedagógica e psicológica que existe para normalizar ou potenciar o desenvolvimento da criança; J. Ajuriaguerra (1970) que a define como uma ciência do pensamento e da mente através da entidade corporal; ou J. Costa (1978) e C. Bignon, cit. Viana et al. (1981), que observaram na psicomotricidade o resultado de uma combinação de múltiplos pontos de vista, de ordem biológica, psicológica, psicanalítica, sociológica e linguística (Molinari e Sens, 2003).
Segundo Fonseca (1992), a psicomotricidade é entendida como a
“integração superior da motricidade, produto de uma relação inteligível entre a criança e o meio, e instrumento privilegiado através do qual a consciência se forma e se materializa” (pág. 16). Ou seja, este autor tenta-nos transmitir que todo o movimento é construído com um objectivo, que se transforma em comportamento através das estruturas psicomotoras – capacidade de expressão (Fonseca, 1988). No entanto, e indo ao encontro do que já foi referido anteriormente, este autor parece estar convicto que este conceito tende a ser reconceptualizado, visto se encontrar numa época de constantes evoluções e progressões, e por ser uma área que estabelece uma grande integração nos distintos domínios do saber, originando assim, inúmeras explicações multidisciplinares, passíveis de serem rectificadas e actualizadas. Neste contexto, apresentamos alguns investigadores que nortearam as suas pesquisas para este ramo, tais como Lièvre e Staes (1992), Núñez e Vidal (1994), Berruezo (1995) e Muniáin (1997).
Em 2000, Barreto declara que a psicomotricidade é uma forma de educação através de um movimento direccionado e consciente, pelo que o seu objectivo passa por permitir o menor dispêndio de energia possível privilegiando a manutenção ou o incremento da qualidade. Por sua vez, Molinari e Sens em 2003 acrescentam que é a capacidade de se relacionar “através da acção, como um meio de tomada de consciência que une o ser corpo, o ser mente, o ser espírito, o ser natureza e o ser sociedade” (pág. 86).
“A psicomotricidade conquistou, assim, uma expressão significativa, já que se traduz em solidariedade profunda e original entre o pensamento e a actividade motora.”
(Molinari e Sens, 2003:86)
2.4.2.OBJECTIVOS
Uma intervenção ostentada pelos parâmetros intrínsecos da psicomotricidade permite que alguns objectivos possam ser alcançados, sejam eles do domínio motor, sensorial, perceptivo ou cognitivo. Berruezo (1995) defende esta concepção, pelo que considera que a finalidade da psicomotricidade passa pelo desenvolvimento das capacidades motoras, expressivas e criativas, do indivíduo na sua globalidade, a partir do corpo. Assim, este é conduzido a convergir a sua actividade e investigação sobre o movimento e o acto, incluindo tudo o que deriva dela, como são os casos das disfunções, patologias, estimulações, aprendizagens, entre outros.
Segundo vários autores, a psicomotricidade possibilita que a criança possa alcançar um conjunto de benefícios básicos ao nível das suas estruturas psicomotoras, ou seja, a locomoção, a manipulação e o tónus muscular, os quais interagem com a organização espaço-temporal, as coordenações finas e amplas, a coordenação óculo-segmentar, o equilíbrio, a lateralidade, o ritmo e o relaxamento (Molinari e Sens, 2003 e Núñez e Berruezo, 2003).
“Em sua prática, a psicomotricidade empenha-se a mostrar que o homem é o seu corpo. Sendo assim, como ser falante, fala por seu corpo e seu corpo também fala por ele.”
A psicomotricidade também se encontra associada ao desenvolvimento dos valores sociais e afectivos, uma vez que o indivíduo para se expressar com o próximo necessita de utilizar o seu corpo (Meur e Staes, 1989 e Molinari e Sens, 2003). Torna-se deste modo importante salientar que esta capacidade não se encontra tão desenvolvida nas crianças com deficiência devido às dificuldades e lacunas presentes no domínio motor (Molinari e Sens, 2003).
No que respeita aos objectivos provenientes da educação, com mais propriedade designada de reeducação psicomotora, observa-se um consenso relativamente às suas vantagens, principalmente na capacidade de reorganização dos processos de aprendizagem dos gestos e acções motoras, através de uma extensa e sucessiva promoção dos aspectos sensório- perceptivo-motores (Núñez e Berruezo, 2003; Núñez et al., 2002; Berruezo, 1995 e Fonseca, 1995).
Bagatini (2002), na sua obra, apresenta um conjunto de objectivos que serão passíveis de serem atingidos pela psicomotricidade, pelo que os enuncia na seguinte ordem: promover a integração social e escolar; favorecer as aprendizagens do foro escolar; desenvolver uma formação de base que possibilita à criança uma melhor preparação na aprendizagem de futuras capacidades; e normalizar ou aperfeiçoar, de forma gradual, o comportamento geral da criança através da “consciência do próprio corpo, domínio do equilíbrio, controle da inibição voluntária e da responsabilidade, controle e eficácia das diversas coordenações globais e segmentárias, organização do esquema corporal e orientação do espaço, (…) melhor possibilidade de adaptação ao mundo exterior” (pág. 68).