1.2 Bruit de phase
1.2.2 Représentation du bruit de phase
Em Alberto (2008) verifica-se que o modelo de iniciativa local tem como ponto central para o desenvolvimento regional, a inovação. Segundo a autora, “é através da inovação que empresas regionais se vão afirmar num contexto económico global e participar activamente nos fluxos comerciais, o que permitirá gerar um maior valor acrescentado bruto regional.” Esse pensamento se confirma através de Santos (2005) que já comprovava na década de 1980 o surgimento dessa nova perspectiva de desenvolvimento endógeno. A característica diferenciadora para o modelo é o apoio à inovação tecnológica como prioridade para a consecução do desenvolvimento regional.
Volta-se aqui, à questão central para o desenvolvimento regional sob o ponto de vista endógeno: o sucesso ou o fracasso do modelo tem como protagonistas os actores locais, responsáveis por organizar a implantação de ambientes inovadores. O conceito de ambientes inovadores está relacionado ao Groupe de Recherche Européen sur les Mileux innovateurs (GREMI), que recebeu contribuição significativa de autores franceses, italianos e suíços como Aydalot, Camagni, Maillat, Perrin, Crevoisier e outros, conforme Amaral Filho (2001). De acordo com Cavalcante (2008), esses autores preocuparam-se com as externalidades de natureza tecnológica que decorreriam dos vínculos de cooperação e interdependência estabelecidos entre as empresas através de formação de redes de inovação. Nesse sentido, Simões (2005) afirma que o desenvolvimento de uma região e sua dinâmica territorial dependem da capacidade ou não dos territórios em construírem
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trajectórias qualificantes de desenvolvimento fundamentadas no investimento do potencial regional de inovação.
Está claro que o desenvolvimento regional no modelo de iniciativa local ainda que seja descentralizado e responsabilidade de actores locais, depende da conciliação das políticas, que promovam o crescimento, com os objectivos locais. Ainda que surjam ao longo do processo questões centrais em nível nacional, os actores locais podem se organizados, transformar essas questões em resultados que contribuam para o desenvolvimento da região. A criação de redes de inovação envolvendo instituições de ensino superior, institutos de tecnologias e investigação, organismos voltados para o desenvolvimento etc. constitui um factor de extrema importância para a criação de um sistema regional de inovação, conforme estudos realizados por autores como Henry Etzkowitz e Loet Leydesdorf. Nesse sentido, Armstrong et al. (1993) ressaltam a necessidade de desenvolver estímulos que levem a processos inovativos: Para a concretização dessas necessidades acções estratégicas devem ser implementadas, tais como: a criação de centros tecnológicos, agências de investimentos, empresas de capital de risco, melhoria das infra-estruturas de transportes e comunicações, bem como, o estabelecimento de serviços de consultoria para as novas empresas, especialmente, as micro e pequenas empresas.
Amaral Filho (2001) ressalta que o papel do estado nos novos paradigmas de desenvolvimento local tem-se baseado fortemente no resultado de processos e de dinâmicas económico-sociais determinados por comportamentos dos actores, dos agentes e das instituições locais. Para o autor, há um amplo consenso em relação à ideia de que os processos e as instâncias locais levam enorme vantagem sobre as instâncias governamentais centrais, na medida em que estão mais bem situados em termos de proximidade com relação aos usuários finais dos bens e serviços. Nessa perspectiva, supõe-se que as instâncias locais podem captar melhor as informações, além de poderem manter uma interacção, em tempo real, com produtores e com consumidores finais.
Está claro, segundo Lugones et al. (2008), que uma região deve procurar e aproveitar as vantagens decorrentes de seus recursos naturais. No entanto, uma estratégia de inserção externa baseada tão-somente no aproveitamento de vantagens estáticas pode resultar desfavorável quando não é acompanhada por, pelo menos, duas acções complementares associadas à busca de vantagens dinâmicas:
Uma é a de procurar maximizar a transformação doméstica dos produtos primários e a agregação de valor aos mesmos de tal forma que, ao ser colocados nos mercados externos, levem incorporados o maior grau de industrialização possível.
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A outra é a de diversificar a estrutura produtiva e de exportações com uma crescente participação de bens oriundos da transformação de conhecimento, aliado a processos produtivos de maior complexidade tecnológica.
Essas acções complementares podem, por certo, fundir-se em uma só. Isto ocorre, por exemplo, quando produtos baseados em recursos naturais são transformados em bens de maior valor através da aplicação de conhecimentos de biotecnologia que diferem acentuadamente a partir de sua condição inicial, quer nas suas características ou nos seus desempenhos.
Considerando os pressupostos do modelo de iniciativa local abordados, pode-se afirmar que o modelo de desenvolvimento endógeno constitui a melhor referência para alavancar o desenvolvimento de uma região. O sucesso ou o fracasso da empreitada reside na habilidade dos actores locais em desenvolver e consolidar uma rede regional de inovação.
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3 A competitividade como factor de desenvolvimento regional
No que se refere à competitividade, Porter (2001) ressalta que a verdadeira fonte de vantagem competitiva de um país ou região é a inovação, incluindo melhorias tecnológicas e melhores métodos ou modo de fazer coisas. A inovação pode manifestar-se em mudanças nos produtos, mudanças nos processos, novas formas de comercialização, novas formas de distribuição e novas concepções do âmbito competitivo. Quando se considera o território nesse contexto, pode-se ressaltar a definição de Lopes (1998) para a Competitividade Territorial como sendo a capacidade de uma dada comunidade territorial para assegurar as condições económicas do desenvolvimento sustentado. O autor destaca que se trata de um conceito de natureza multifacetada, já que as condições do desenvolvimento se reportam tanto à capacidade de produzir riqueza, como à eficiência relativa com que a economia do território gera essa riqueza, como ainda a interface social inerente ao funcionamento económico, de que são expressão, nomeadamente, a capacidade de atrair e fixar população e a capacidade de criar emprego, especialmente qualificado.
Certamente um dos factores que contribuem para a produção de riqueza é a inovação. Considerando que a mesma é fundamental para o desenvolvimento de uma região, estratégias devem ser formuladas para que se possa alavancar esse processo. Daí o reconhecimento da importância de se implantar políticas públicas de inovação em uma região como forma de consolidar a sua competitividade territorial. Macgregor et al. (2010) destacam que o objectivo da política de inovação é a criação de um ambiente favorável no qual os indivíduos e as empresas são encorajados a melhorar continuamente produtos, processos e práticas. Dessa forma, a intervenção política adequada pode tornar-se o gatilho para iniciar e facilitar a difusão de inovações emergentes.
3.1 Conceito
Segundo Rainey (2010), o ambiente de negócios global mudou dramaticamente ao longo da última década. Isso se deve em grande medida à globalização, o poder das novas tecnologias e produtos, a intensidade das expectativas do cliente para baixos preços, produtos de alta qualidade e serviços, a expansão da concorrência extrema, e a proliferação de informações e dados, especialmente através da Internet. Embora estas mudanças proporcionem novas oportunidades e desafios, elas estão fazendo o ambiente global de negócios mais complexos, interligados e interdependentes, e turbulento. Em outras palavras, o ambiente de negócios está a cada dia mais competitivo.
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O autor relata que na última década, muitas empresas grandes, médias e pequenas se fundiram e / ou adquiriram concorrentes para atingir o tamanho, força e posição que eles assumem como necessário para ter sucesso no exigente mundo cheio de concorrentes de classe mundial. Entidades de negócio de hoje funcionam a gama de poderosos gigantes globais dos países desenvolvidos altamente agressivos, aliado às empresas emergentes nos países em desenvolvimento que competem para serem as líderes no futuro. O cenário dos negócios também é caracterizado pelas dezenas de milhares de médias e pequenas empresas empreendedoras em todo o mundo que estão tentando expandir suas presenças e posições, tirando partido da globalização e da interdependência do ambiente de negócios.
De acordo com Di Serio et al. (2009:139)
Para que as empresas possam competir com sucesso são necessários ganhos crescentes de produtividade, derivados principalmente de inovações tecnológicas. O conjunto das empresas em competição, angariando maiores níveis de produtividade, contribui para que se elevem o padrão de vida das pessoas e o bem-estar da região ou nação em que essas empresas se localizam.
Para que isso ocorra, as organizações e instituições devem estar estrategicamente alinhadas, o que resulta em maior eficiência económica. Sendo a produtividade das empresas o factor que determina a prosperidade de uma nação, é papel do estado criar um ambiente institucional que alavanque e fomente o aumento da produtividade. As empresas, por sua vez, devem buscar aperfeiçoar suas competências (capabilities), como forma de produzir bens diferenciados e de alto valor agregado.
Segundo Leite (2008), Pereira (2005) e Krugman (1994) actualmente, observa-se um crescente número de estudos a cerca de competitividade. No entanto, o conceito de competitividade nem sempre tem o mesmo significado para diversos autores em função dos diferentes níveis de análise considerados, empresa, sector, região, país ou blocos económicos. Autores como Haguenauer (1989), Coutinho et al. (1994) e Porter (2001) compartilham dessa visão reconhecendo dificuldades para atribuir um conceito genérico de competitividade em vista da ampla utilização como referência para comparar pessoas e entidades nos mais diversos ramos da actividade humana. Dessa forma, qualquer conceito atribuído ao termo, não será amplamente aceito por não ser capaz de abranger todas as interpretações e todos os pontos de vista.
Contudo, serão apresentados aqui alguns conceitos e abordagens relacionados à competitividade.
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Para Chiavenato et al. (2009), o aumento da competitividade dos países está associado ao aumento da competitividade de suas organizações, embora muitas vezes a discussão se concentre nos incentivos e programas de governo. Os autores, ressaltam que a competitividade global das organizações pressupõe o entendimento do mercado global como o mercado de actuação das organizações. Nesse sentido, parece haver um consenso quanto ao valor estratégico da inovação. Entretanto, na prática, o processo que sustenta o fluxo contínuo de boas ideias e soluções para o mercado é um processo de pesquisa e desenvolvimento caro e arriscado. Isso justifica o porquê de muitas empresas procurarem balancear a pesquisa original e um desenvolvimento imitativo.
Leite (2008) ressalta que a competitividade pode ser vista sob os enfoques micro e macroeconómico. No enfoque microeconómico, a competitividade é centrada sobre a actuação da empresa, principalmente relacionada a sua aptidão na produção e na venda de determinado produto em relação aos seus concorrentes. No enfoque macroeconómico, a competitividade aparece como a capacidade de as economias nacionais apresentarem resultados em nível internacional.
Em nível de organização empresarial, Costa (2007) conceitua competitividade como o resultado positivo ou negativo de um confronto real ou potencial, actual ou futuro, da empresa ou instituição, com suas concorrentes reais ou potenciais, em uma disputa pela preferência da sua clientela ou de seu público alvo, em um ambiente de livre concorrência.
De acordo com Hitt et al. (2014), obtém-se competitividade estratégica quando uma empresa consegue formular e implantar com sucesso uma estratégia de criação de valor. Segundo os autores, uma estratégia é um conjunto integrado e coordenado de compromissos e acções definido para explorar competências essenciais e obter vantagem competitiva. Uma vantagem competitiva se concretiza na medida em que uma empresa implementa uma estratégia que os concorrentes não conseguem copiar ou acham custosa demais para imitar.
Para Fiates et al. (2008) competitividade é a capacidade de a empresa formular e implementar estratégias concorrenciais, que lhe permitam ampliar ou conservar, de forma duradoura, uma posição sustentável no mercado e seu ambiente de actuação.
Di Serio et al. (2009) atribuem um conceito mais intuitivo de competitividade como sendo a participação do mercado mundial que um país tem para seus produtos tornando a competitividade um jogo em que os ganhos de cada país ocorrem em detrimento de outros países.
Budd et al. (2004) relatam que o Departamento de Comércio e Indústria do Reino Unido aborda a questão da correlação existente entre competitividade e eficiência. Esse
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órgão estabelece a competitividade como a habilidade de produzir bens e serviços de forma eficiente e que atendam às necessidades dos clientes.
Sob a óptica da Organization for Economic Co-operation and Development (OECD, 2010) a competitividade deve levar em consideração a questão da sustentabilidade. A preocupação com os eventos catastróficos de características naturais coloca na ordem do dia problemas oriundos da acção do homem sobre a natureza. Nesse sentido, a OECD entende competitividade como a capacidade de empresas, indústrias, regiões, países ou blocos económicos gerarem de forma sustentável rendimentos de factores e qualidade de vida consideravelmente elevados na disputa pelo mercado de consumidores.
De acordo com a Commission of the European Communities (2006) a competitividade é entendida como um aumento sustentado dos níveis de vida de uma nação ou região e um nível de desemprego involuntário, o mais baixo possível. Ao nível de um sector industrial, a competitividade é entendida como manter e melhorar sua posição no mercado global. Nesse sentido, se estabelece uma relação entre competitividade e globalização. Em uma análise mais abrangente, uma empresa se torna ou não competitiva em função da sua participação no cenário económico internacional. No que se refere à competitividade local, um dos factores determinantes para o sucesso ou fracasso reside no aumento da qualidade de vida da população com o aumento do nível de empregabilidade na região.
De facto se percebe que os pontos de vista apresentados acerca da competitividade possuem elementos comuns, com questões específicas indicadas por cada autor ou instituição. Esclarecendo essa afirmação, cita-se como exemplo, as duas instituições referenciadas nos parágrafos anteriores. A OECD enfatiza a questão da sustentabilidade, enquanto a Commission of the European Communities enfatiza a questão da empregabilidade como indicador de competitividade.
Diversos autores, como Veliyath et al. (2000), entendem que a competitividade está directamente relacionada com a tecnologia e inovação. Os autores argumentam que é a tecnologia que determina a criação de produtos, quer sejam bens ou serviços, com alto valor agregado, obtidos a partir da utilização de mão-de-obra altamente qualificada.
De acordo com Lugones et al. (2008), o conteúdo de um maior conhecimento dos produtos através da inovação tecnológica é a chave mestra para o sucesso das empresas, que lhes permitam competir nos mercados de bens diferenciados caracterizados por seu dinamismo e as suas melhores preços.
Ocorre que para dispor de recursos humanos altamente qualificados, desenvolver produtos de alta tecnologia, e contribuir para a competitividade territorial local, as organizações devem estar inseridas em uma rede de conhecimento e inovação. Nesse sentido, os actores locais percebem a necessidade de convergir para a criação de um
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sistema capaz de beneficiar não só as organizações envolvidas, mas a região como um todo. Um sistema regional de inovação constitui uma resposta positiva a ser trabalhada. A interacção entre os agentes locais amadurece a criação de uma estrutura em rede capaz de potencializar o desempenho organizacional rumo à externalização da competitividade empresarial e territorial.