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4 Présentation des résultats

4.2 La dimension DÉVELOPPEMENT

4.2.2 Le renforcement des compétences et de la confiance en soi

Ao trabalhar com as histórias em quadrinhos, nos deparamos com diversos fatores, positivos e negativos. Primeiramente não encontramos dificuldades em explicar o que são as histórias em quadrinhos, já que possuem uma percepção abrangente de sua função e funcionamento. Também por serem um veículo extremamente rico de informações, das mais diversas, e acerca dos mais variados temas e formatos. O que nos garante uma fonte de dados praticamente inesgotável. Por outro lado, as histórias em quadrinhos por serem amplamente conhecidas têm suas funções e propósitos circunscritos àqueles conhecidos pelo senso comum o que dificulta perceber seu significado e seus elementos. Além de que, ainda não dispomos de nenhuma teoria geral das histórias em quadrinhos que possa abranger sua diversidade e permitir sua interpretação. O que fazemos é uma “bricolagem intelectual” (Groenstee apud Quella- Guyot, 1994) que permeia outras expressões como a literatura, a televisão e o cinema, por exemplo, apesar de nenhum deles ter o alcance social que as histórias em quadrinhos têm sem qualquer distinção. Mas numa perspectiva sociológica, à qual se pretende constituir este trabalho, além das premissas teóricas logicamente instituídas para a análise de um meio de comunicação, fez-se necessário, acima de tudo fazer recurso à semiologia, que nos forneceu os subsídios necessários para analisar a revista Holy Avenger, percebendo seus códigos e linguagens propostas, de maneira a explicitar sua natureza e sua relação com o social.

Uma grande problemática nos símbolos presentes nas histórias em quadrinhos se deve ao seu fator de representação cultural, nada mais que retransmitir os signos compartilhados pelo grupo produtor do veículo. As relações entre significado e signi- ficante vão, portanto, mediar a transmissão destas informações vitais, para a

compreensão da mensagem. Apesar dos quadrinhos possuírem uma relação entre linguagem e imagem, de profunda complementaridade, como nos afirma Barthes (1997), esta “ancoragem” pode se apresentar de maneira polissêmica ou ambígua. Isso pode ocorrer porque, para entender o significado, é preciso conhecer o significante e conhecer também, o conjunto de elementos pré-sintagmáticos. Assim num primeiro nível de identificação, é necessário apenas conhecimento da ordem lingüística, mas num segundo momento, são exigidos outros conhecimentos culturais. São as convenções, especificadas no âmbito de cada cultura que nos fornecem os subsídios necessários para decifrar cada um destes signos. As histórias em quadrinhos oriundas de outras culturas traduzem, na grande maioria das vezes, apenas o textual, esquecendo de outros elementos ligados à linguagem gráfica, tais como sons (as onomatopéias) e outros ainda mais pictóricos, tais como as declamações das ações, fator notadamente presente no universo nipônico (devido ao contexto das artes marciais) e representado exaustivamente nos mangás. Estes são, por usa vez, re-significados nos mangás nacionais como símbolos da estética nipônica e de sua identificação com a mesma. É devido a estes fatores, que houve uma preocupação em analisar a revista Holy Avenger, visando identificar seus símbolos, especificando as características de uma produção nipo-brasileira, na tentativa de perceber quais elementos seriam “nacionais” e quais se manteriam iguais ao original japonês. Como lembrado por outros autores (Silva, 2002; Quela-Guyot, 1994; Cirne, 2000) cada tipo de quadrinho, exige-nos uma abordagem específica e ao mesmo tempo fragmentada. Como exemplo da produção de “Mangá Nacional”, foi escolhida esta revista que, desenvolvida na linguagem acima mencionada, obteve índices extraordinários de vendagem, distribuição e aceitação por parte do público consumidor e profissionais especializados, pois chegou a receber o

prêmio “HQ Mix”19 de “Melhor HQ Nacional”, prêmio este, instituído pela Associação dos Cartunistas do Brasil e pelo Instituto do Museu de Artes Gráficas do Brasil. Esta revista em quadrinhos foi apresentada ao público em 40 edições mensais de 23 páginas, totalizando uma história completa de 920 páginas. A análise se preocupou em avaliar todas as edições, identificando não só os personagens que compuseram as histórias, mas também aspectos específicos da linguagem dos quadrinhos, como os tipos de requadros utilizados, as vinhetas, as onomatopéias e recursos metalingüísticos. Preocupou-se em investigar que elementos eram oriundos do mangá e quais apresentavam uma proximidade com a produção brasileira, com o objetivo de tornar explícitos os conhecimentos culturais necessários para a compreensão e identificação do produto. Este trabalho se compõe portanto, de uma tentativa de exemplificar as resultantes conseqüências da inserção do mangá no Brasil, para a produção de quadrinhos e do surgimento de um quadrinho nacional baseado nesta inserção. O que isso pode vir a acarretar? Ou ainda, como se manifesta a produção do mangá nacional? Assim nos deparamos com a grande questão desta pesquisa: o mangá nacional representaria uma reprodução da linguagem das histórias em quadrinhos estrangeira no Brasil, ou uma manifestação da globalização da modernidade num processo de hibridização cultural entre elementos nacionais, japoneses e americanos?

Na tentativa de responder a estas questões é que avaliamos a revista Holy Avenger, resultante direta desta inserção de histórias em quadrinhos estrangeiras, exógenas a cultura que a consome e que a produziu. Nenhum exemplo mais claro que o fenômeno do Mangá, que se apresenta não só no Brasil, como em todas as grandes metrópoles,

19

De acordo com o site da instituição o Troféu HQ MIX , já em sua 16 edição, foi criado no ano de 1988 pelo editor Gualberto Costa e pelo cartunista JAL, dentro do programa TV MIX na TV Gazeta de São Paulo, com o apadrinhamento do comunicador Serginho Groisman, com a intenção de divulgar, valorizar e premiar a produção de quadrinhos, humor gráfico, animação e assemelhados.

ser uma grande influência, tão notória quanto foi a dos quadrinhos americanos na década de 1940 e 1950.

Encontrar o ponto de abordagem teórico-metodológico, para analisar os quadrinhos e este fenômeno mangá que acomete o Brasil, não é fácil. Ao mesmo tempo em que buscávamos desenvolver uma abordagem sociológica sobre as histórias em quadrinhos no Brasil, nos preocupávamos em demonstrar sua importância para a sociologia, como fato social, na tentativa de poder disponibilizar para outros pesquisadores a gama de informações que podem advir desta arte seqüencial. Interessava-nos também, o rascunho de uma nova abordagem teórico-metodológica sobre as histórias em quadrinhos. A literatura disponível tem realizado esta abordagem, tendo em vista a presença nos quadrinhos de componentes relacionados à imagem e ao texto, predominantemente sobre o texto, de sua mensagem, de sua construção. Nossa intenção, no entanto, foi propor uma visão de análise mais voltada para a imagem, que da mesma forma que o texto, nos propiciaria as informações que buscávamos.

As relações de proximidade entre o mangá japonês e o mangá nacional foram, sobretudo, observadas em função da imagem. Portanto, foi preciso desenvolver nossos esforços em torno deste ideal. A questão da imagem, aqui diretamente ligada às histórias em quadrinhos, tem uma crescente importância na sociedade contemporânea e nos delega novas abordagens em meio a sua predominância, assim como as análises baseadas em categorias clássicas não satisfazem mais sua compreensão, por isso a necessidade de adaptar nossa abordagem.

Capítulo 2 .

IDENTIFICANDO NOS QUADRINHOS

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