Chapitre 2 : Fabrication de microcellules à cristaux liquides à base de polymères
2. Briques technologiques développées
2.5. Remplissage des cellules à CL
(a) Média da velocidade do
vento no Verão (b) Média da velocidade má-xima do vento no Verão
Figura 2.9: Intensidade média e máxima do vento (m/s), no Verão. Dados de observações no período 2000-2010.
Atlas Climatológico de Portugal Continental, que em Portugal predominam os ventos do quadrante Norte, abarcando as direcções Noroeste (NW) e Nordeste (NE), sobretudo na região costeira ocidental. Já no interior, tanto a Norte, pelas influências da orografia, como a Sul, verifica-se a ocorrência de ventos predominantemente de Oeste, desde Sudoeste (SW) a Sudeste (SE), muito embora seja possível considerar a ocorrência de ventos de Nordeste em determinadas zonas, sobretudo ao longo de vales de rios orientados nessa direcção. Já na região a Sul, junto à costa algarvia, o vento é oriundo predominantemente de Sudoeste.
2.3 A Floresta em Portugal
A actual expressividade da floresta em Portugal é resultado de uma intensa e continu- ada intervenção humana (vincada pelos fogos, pelo pastoreio e pelo corte), tendo como coadjuvante as condições do clima (de influência mediterrânica) e dos solos que ocupa.
A floresta portuguesa ocupa uma fracção muito significativa do território nacional, estendendo-se por cerca de 3,4 milhões de hectares (AFN, 2010), o que corresponde a, aproximadamente, 38% da área de Portugal Continental, sendo este espaço, na sua maioria, pertencente a privados. A figura 2.10 representa a distribuição das classes de cobertura de solo em Portugal Continental, segundo os dados Corine Land Cover, na edição de 2006.
O sector florestal português desempenha um papel importante no contexto da economia nacional, quer através da produção lenhosa (pinheiro-bravo, eucalipto, etc.), não lenhosa (resina, cortiça, papel) e de produtos derivados da floresta (mel, frutos silvestres, castanha, pinhão, etc.), quer pela empregabilidade que a floresta e as actividades correlacionadas
Figura 2.10: Mapa de caracterização do uso e ocupação do solo em 2006 para Portugal Continental, segundo o projecto Corine Land Cover. Fonte dos dados: Instituto Geográfico Português.
geram.
Em Portugal Continental, é considerada (Correia et al., 2009) a existência de três espécies que ocupam a maior parte da área florestal:
• pinheiro bravo (Pinus pinaster), distribuído ao longo da faixa litoral que abarca desde as bacias do Tejo e Sado até ao rio Minho, estendendo-se para o interior nas regiões norte e centro do país. Apesar de, num passado não muito distante, o pinheiro bravo ter sido a espécie mais representativa no território português, a área que ocupa tem vindo, desde a década de oitenta do século XX, a diminuir, como resultado da ocorrência de fogos florestais. O inventário florestal nacional, na edição de 2010 (AFN, 2010), estima que no período compreendido entre 1995 e 2005, a área ocupada
2.3 A Floresta em Portugal
por pinheiro bravo foi reduzida em cerca de 9%, tendência decrescente confirmada pelos resultados preliminares do 6º inventário florestal nacional, que apontam para uma forte redução, de cerca de 13%, da área ocupada por pinheiro bravo, no período 1995-2010.
• eucalipto (Eucalyptus globulus), uma espécie não autóctone4introduzida em Portugal no século XIX, e que, apesar dos impactos ambientais que traz para o território nacional, é explorada avidamente pela indústria papeleira. O eucalipto distribui- se geograficamente ao longo de quase todo o território português, com particular destaque na faixa litoral ocidental e predominância na região centro. Os resultados preliminares da 6ª edição do inventário florestal nacional revelam um crescimento, para o período de 1995-2010, da área de eucalipto em cerca de 16%, tornando-se, assim, a espécie que maior área da floresta portuguesa ocupa, em detrimento do pinheiro bravo.
• sobreiro (Quercus suber), uma das espécies primitivas da floresta portuguesa, mais característico da paisagem a sul do rio Tejo, que pode encontrar-se integrando dois tipos de sistemas florestais: o sobreiral e o montado. O primeiro é caracterizado pela existência de um elevado número de sobreiros, com a presença de um estrato arbustivo muito desenvolvido, ao passo que o segundo constitui um sistema cultural mantido pela acção do homem através de pastoreio ou controlo da vegetação espon- tânea, composto sobretudo por comunidades vegetais de herbáceas em associação com azinheiras, dispersas.
Muito embora as três espécies enunciadas sejam as mais representativas em termos de área de ocupação, a diversidade de espécies é grande, podendo ainda encontrar-se pinheiro manso (Pinus pinea), Azinheira (Quercus ilex) e Castanheiro (Castanea sativa), entre outras. O Inventário Florestal Nacional, na sua quarta edição, providenciou dados que permitem apreciar, de forma expedita, a distribuição geográfica das espécies que povoam a área florestal portuguesa, à data do estudo, conforme ilustrado na figura 2.11.
A floresta portuguesa assim constituída, que muito se distancia da laurisilva existente antes da última glaciação e da fagosilva, que, naturalmente lhe sucedeu, tem uma histó- ria relativamente recente (Correia et al., 2009). Não obstante, o estudo da distribuição espacial da floresta em Portugal, bem como a sua caracterização, assumem, ao longo dos tempos, uma dimensão de problemáticas diversas. No Portugal oitocentista, o território constituía, de um modo geral, um problema envolto em incertezas de várias índoles, facto
4Em Portugal, a extensão de eucaliptal que se observa é resultado de acção antrópica e não de dispersão
natural. Discute-se actualmente que a espécie, em Portugal, possa ser considerada como invasora, tal como acontece, por exemplo, em Espanha e noutras regiões de clima Mediterrânico (Gassó et al., 2010).
Figura 2.11: Distribuição distrital das espécies de árvores existentes nas florestas portugue- sas. Fonte dos dados: software Areastat, do ICNF.
extensível à floresta, quer no que respeita à quantificação da área florestal nacional, quer no que concerne à sua distribuição espacial. O reconhecimento das limitações inerentes à cartografia do território permitiu que fossem encetadas algumas iniciativas com vista à aquisição de conhecimento sobre a área e a localização de espaços florestais. Surge assim, em 1868, a primeira estimativa de 100000 hectares para a superfície florestal (Radich e Alves, 2000). A transição de um Portugal praticamente desarborizado, em finais do século XIX, em virtude dos imperativos relacionados com a expansão marítima, até ao século XVII, a construção da ferrovia, em meados do século XIX, entre outras razões, para uma mancha florestal ocupando cerca de um terço do país, demorou cerca de um século (Pereira et al., 2009), impulsionada pelo reconhecimento das potencialidades de expansão da área flores- tal na Carta Agrícola e Florestal, que constitui a primeira fonte, de uma precisão notável para a época, de dados sobre áreas agrícolas, florestais e incultas do território nacional (Radich e Alves, 2000). Algumas das medidas encetadas no decurso dos séculos XIX e XX, com particular destaque para o Plano de Povoamento Florestal, a Lei n.º 2069, de 1954, o Fundo de Fomento Florestal de 1963, o Projecto Florestal Português, o Programa de Desenvolvimento Florestal, entre outros, marcam a intervenção do Estado Português sobre a floresta portuguesa, até à integração do país na União Europeia, transferindo-se,