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Remarques générales concernant les TP de spécialité du secteur A

Dans le document Répartition des admis par académie (Page 195-199)

A mudança prática na pesquisa de estratégia e no programa de pesquisa da estratégia como prática (JOHNSON; MELIN; WHITTINGTON, 2003) implica um interesse explícito em reconsiderar os pressupostos epistemológicos e teóricos, então, comumente adotados (TSOUKAS; KNUDSEN, 2002). Particularmente, teorias, metodologias e perspectivas, baseadas em epistemologias construtivistas, desempenham um importante papel, explícita ou implicitamente. Olhando para as principais contribuições de pesquisa da estratégia como prática, ao longo dos últimos anos, evidencia-se alguns padrões dominantes (JOHNSON et al., 2007), em um nível em que a tomada de estratégia empírica é vista como algo que envolve vários processos e atividades, com diversos atores distribuídos dentro e fora da organização, em múltiplas camadas organizacionais.

No plano teórico, o estudo de fazer estratégia como prática exige perspectivas que contemplem essa heterogeneidade de processos, atividades e atores e sua contextualização, por meio da imersão e idiossincrasia. Em nível epistemológico, a ênfase de fazer estratégia como prática requer uma reflexão da própria pesquisa científica como prática (KNORR CETINA, 2002).

Os programas construtivistas compartilham quatro preocupações fundamentais, sendo a primeira delas, o desafio do predomínio das dicotomias inquestionáveis, nas ciências sociais, entre micro e macro, ou entre as atividades situadas e práticas coletivas (BOURDIEU; WACQUANT, 1996). Em segunda análise, a agência não é, automaticamente, associada a entidades particulares (indivíduos, organizações), mas deve ser estudada como distribuída e relacionada, de maneira particular, em contextos particulares (LATOUR, 2005). Em terceiro plano, os programas construtivistas questionam uma concepção de "realidade" como algo que é "objetivamente dado", explicando por que as

perspectivas construtivistas implicam considerações epistemológicas. Por último, os programas construtivistas, explicitamente, estudam o status de "conhecimento" (TSOUKAS, 2005), a relação com o "mundo" (GOODMAN, 1987) ou o estatuto de criação de conhecimento científico (KNORR CETINA, 2002).

Embora os programas construtivistas compartilhem grandes preocupações, eles se diferem no que diz respeito às suas premissas básicas (HACKING, 1999; KNORR CETINA, 1989). O programa de pesquisa de construção social é incorporado em uma reinterpretação fenomenológica das ciências sociais (HUSSERL, 1931; SCHÜTZ, 1932), estudando a "realidade" e o "conhecimento" como resultado de processos de construção social, na qual a realidade é sempre uma realidade para os seres humanos e dos seres humanos. Assim, é importante compreender como é possível que determinadas realidades sejam aceitas como “objetivo”, “dado”, “externo” ou “natural”.

Na perspectiva do programa de pesquisa de construção social, o conhecimento é estudado como resultado de processos de construção social e, em particular, a institucionalização, objetivação e legitimação (BERGER; LUCKMANN, 1967). Cada fenômeno pode, portanto, ser estudado como resultado dos processos de construção social (HACKING, 1999). Embora essa perspectiva tenha sido influente nas ciências sociais e na maioria das discussões das epistemologias construtivistas é, muitas vezes, citada, sem uma consideração cuidadosa de suas premissas subjacentes (GRAND; RUEGG-STURM; ARX, 2010).

Em linha com esta crítica e a fim de identificar uma base conceitual mais explícita, o construtivismo pode ser entendido como a epistemologia e metodologia da teoria de sistemas. A cognição humana em atividades diárias e prática científica não está representada como algo objetivo, “mundo dado”,

cabendo-lhe um processo ativo de construção e de inventar a realidade (WATZLAWICK, 1984).

Não há correspondência entre o mundo exterior e sua “representação” ou “construção” em nossos cérebros. O processo de cognição em si não funciona de uma maneira dada e estável. Em vez disso, ele próprio sofre um desenvolvimento histórico e um processo de diferenciação, dependendo da cognição prévia e da experiência. Com base em tal entendimento, informação ou conhecimento não são considerados como entidades dadas, mas como processos de informação e conhecimento (GRAND; RUEGG-STURM; ARX, 2010). O construtivismo sistêmico, portanto se esforça, para explicar o social, não de estruturas mentais do indivíduo, mas por conceber o social como um domínio de realidade autônoma (LUHMAAN, 1986).

Ao contrário dos outros dois programas de investigação, o programa empírico do construtivismo argumenta que é problemático pré-assumir qualquer teoria de construção, porque isso implica que o estudo dos processos de construção é pré-concebido e não, empiricamente, analisado (LATOUR, 2005). O programa empírico do construtivismo argumenta que é fundamental para estudar os múltiplos processos de construção envolvidos na criação de "realidade", do "mundo" ou "conhecimento". Eles são estudados como resultante de múltiplas atividades, heterogêneas, situadas e frágeis (KNORR CETINA, 1989).

O processo de pesquisa não é guiado por premissas teóricas, mas por um repertório específico de dispositivos de pesquisa e práticas metodológicas. Desse modo, o programa empírico está procurando o autoevidente, o que é tido como certo e deve ser desconstruído pelo processo de pesquisa, abrindo as caixas- pretas da "realidade" social (LATOUR, 1999). Como conseqüência, este programa de pesquisa está interessado em estudar o inerentemente controverso, o heterogêneo, a natureza frágil situada de qualquer fenômeno social.

A preocupação principal da pesquisa é, portanto, o desenvolvimento de metodologias que nos permitem estudar a "criação do mundo" (KNORR CETINA, 1989) como a "fabricação" contínua de conhecimento em condições de incerteza (KNORR CETINA, 2002). O programa de pesquisa se propaga em um entendimento de pesquisa que está preocupada com o mundo "como ele poderia ser", em vez de se concentrar no mundo "como ele é", porque o mundo é o resultado de processos de construção. O critério para a “boa” pesquisa é a criação de novas visões e perspectivas de mundo não convencionais (KNORR CETINA, 1989).

Nesse caso, se o mundo é visto como "construído", como se argumenta em epistemologias construtivistas, isto implica que poderia ser de outra forma. Obviamente, esta consciência da contingência é uma questão metodológica, mas também pode ser vista como o ponto de partida, para mudar o mundo como ele é e, assim como uma postura pragmática e normativa, em vários graus de engajamento construtivista (HACKING, 1999). Os graus de engajamento construtivista podem ser encontrados, em diferentes programas de pesquisa construtivistas, incluindo o programa de pesquisa da estratégia como prática, que não se concentra apenas em descrever a prática da estratégia, mas em explorar formas alternativas de estratégia (JOHNSON et al., 2007; WHITTINGTON, 2007).

Independente do seu nível de engajamento, epistemologias construtivistas compartilham intuições básicas. Primeiro, as epistemologias construtivistas não só discutem o mundo “como ele é”, mas refletem a contingência da "realidade" e "conhecimento", o que leva a um interesse na identificação dos mundos possíveis, “como eles poderiam ser” (LATOUR, 2005) ou mesmo em mudar o mundo "como é" (HACKING, 1999). Em segundo lugar, epistemologias construtivistas exploram o que é necessário para poder estar falando de "agência" individual e organizacional (KNORR CETINA;

CICOUREL, 1981). Em terceiro lugar, isso implica uma tentativa de descrever os fenômenos sociais além das dicotomias tradicionais (BOURDIEU; WACQUANT, 1992). Em quarto lugar, uma consideração explícita da incerteza e da abertura de qualquer interação social e o desenvolvimento futuro é crucial (GOMEZ; JONES, 2000). Quinto, a pesquisa é vista como a construção de "realidade" e "conhecimento", enfatizando a criatividade e a autorreflexividade da pesquisa.

Do ponto de vista das epistemologias construtivistas, uma alternativa seria a de transcender algumas oposições fundamentais, que estão na base da diferenciação da estratégia como prática, como um novo programa de pesquisa em estratégia, como é entendida em discursos dominantes acadêmicos e gerenciais (JOHNSON et al., 2007). Pesquisa em estratégia deve enfatizar a importância fundamental de, constantemente, desvelar e desconstruir conceitos tomados como certos na pesquisa em estratégia e gestão estratégica. Estratégias de abrir as caixas-pretas, desmontar e remontar (LATOUR, 2005) podem ser identificadas como um foco principal.

Para ser capaz de desmontar a caixa - preta da estratégia e caixas - pretas relacionados com a estratégia, é importante cultivar perspectivas alienantes (LATOUR, 2005). Um padrão comum das epistemologias construtivistas é, exatamente, esse efeito alienante que é, muitas vezes, criticado como o uso de vocabulário abstrato (LATOUR, 2005; LUHMANN, 2002). É exatamente a insistência em alienar as perspectivas que, ao mesmo tempo, cria-se uma condição prévia para poder considerar particularidades, contextos e idiossincrasias na pesquisa empírica. Uma abordagem relacionada na pesquisa empírica é a tentativa de excluir qualquer perspectiva teórica e conceito a partir da entrada inicial no campo (GLASER; STRAUSS, 1967).

Esta reflexão de pesquisas indica que a pesquisa é a criação e a reconstrução, devendo esta ser ativada por meio de metodologias específicas,

tecnologias e práticas de criação e reconstrução. Na perspectiva de um programa de pesquisa construtivista, para estudar a elaboração da estratégia, implica descrever e refletir as tecnologias de construção (KNORR CETINA, 1989) que os gerentes utilizam e o uso dos investigadores para criarem, estabelecerem, manterem e mudarem conceitos de estratégia e práticas particulares estratégicas.

Rasche e Chia (2009) indicam que, no contexto cultural da teoria da prática, a estratégia como prática social é vista por seus teóricos com ênfase no que as pessoas fazem nas organizações e não no que as organizações têm. Desta forma, fica evidente o foco nas pessoas, considerando-se o contexto/relação e a sociedade na qual estas se encontram. A teoria social baseada na prática representa um possível caminho para teorizar a prática. Esse caminho passa por diferentes abordagens determinadas, de acordo com o foco do pesquisador ou do estrategista, sendo a construtivista uma das possibilidades.

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