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7 Quelques remarques sur le climat général pour conclure

A instituição escolhida para ser campo de pesquisa pertence à Rede Municipal de Maceió e fica localizada no bairro Tabuleiro dos Martins, na parte alta da cidade. A mesma atende um total de 161 crianças de pré-escola em idades de 4 a 5-6 anos que frequentam os 1º e 2º períodos, nos turnos matutino e vespertino. As crianças e suas famílias, em sua maioria, são consideradas de baixa renda e residem próximo à instituição. Conforme informações contidas no Projeto Político Pedagógico da instituição (PPP, 2016), grande parte dessas famílias é numerosa e reside quase sempre em um mesmo domicílio (pai, mãe, avô, avó, tios, filhos e agregados).

Em seu PPP, a instituição traz como objetivo do seu trabalho junto às crianças a condução de uma educação que priorize a função de educar e cuidar, com ações

8 Compreende-se por ajustamentos secundários o que afirma Goffman (1974) enquanto estratégias de resistências mútuas e de quebra das regras adultas.

complementares à família, garantindo às crianças o direito à infância. Traz ainda como objetivos pedagógicos garantir que o CMEI seja um espaço de alegria, prazer e aprendizagem, onde o direito à infância seja respeitado; a valorização da cultura infantil e das múltiplas linguagens da criança como forma de expressão e comunicação com o mundo através da brincadeira, do jogo, da expressão corporal e simbólica, da arte, da literatura, da música, da cultura popular dentre outras.

Cita ainda como suas prioridades desenvolver um trabalho intencional com diversos campos de experiências da criança de modo que esta possa ampliar suas potencialidades, ser portadora de história e produtora de cultura. O PPP reconhece o brincar como um direito que deve ser defendido e promovido e a criança como principal protagonista da ação educativa, tendo como principio básico para as práticas pedagógicas as interações e as brincadeiras, em consonância com as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (BRASIL, 2009).

A opção pelo trabalho nesta instituição não foi por acaso, mas sim por ter tomado conhecimento de outras experiências realizadas por alunos do estágio em educação infantil do Curso de Pedagogia, CEDU/UFAL, por este ser um espaço de realização de pesquisas junto à universidade, o que possibilitou as trocas de experiências com alunos dos estágios e membros do Grupo de Pesquisa Educação Infantil e Desenvolvimento Humano (GPEIDH), liderado pela professora Dra. Lenira Haddad. Ao tomar ciência de trabalhos desenvolvidos neste CMEI e da forma de organização da rotina pedagógica, optou-se pelo mesmo para realizar a pesquisa. Para além do que consta em seu projeto político pedagógico, mencionado acima, a instituição tem uma organização particular diferente da grande maioria das instituições do município. A mesma passou a adotar no ano de 2015 a organização por salas temáticas, que também são denominadas por salas de referência: Jogos simbólicos, Ateliê, Conhecimento de mundo, Videoteca e Jogos de raciocínio e musicalização. Esta última fica localizada no espaço externo coberto. Estas salas de referência são as salas permanentes de cada turma e, uma vez por semana, há um rodízio entre as salas por turma.

Figura 1 –Área externa da instituição Figura 2 - espaço externo coberto

Fonte: arquivo do autor Fonte: arquivo do autor

Figura 3 – área externa da instituição Figura 4 - corredor (acesso a sala da direção)

Fonte: arquivo do autor Figu Fonte: arquivo do autor

Figura 5– corredor

Em relação à estrutura física e recursos materiais, a instituição é toda coberta com telhas feitas em cerâmica, à exceção da sala da direção, dos banheiros, da dispensa e duas saletas, que possuem forros em PVC, e a cozinha tem cobertura em laje. Conta com um grande espaço externo aberto, com cerca de 300m² (ver figuras 1 e 3), com características de um grande quintal por ser amplo, ter árvores, ser todo na areia, ter pequenas partes acidentadas, escorregas, balanços artesanais, um pequeno campo de futebol, além de um tanque revestido por cerâmica, que se assemelha a uma piscina, mas que não fica com água cotidianamente.

O pátio coberto possui um pátio grande e coberto em telha Brasilit (ver figura 2), onde se realizam reuniões, palestras e atividades de musicalização, recreativas e festivas, o qual tem um tamanho aproximado de 100m² e tem a altura aproximada de 10m. O CMEI possui ainda uma única sala que se divide em secretaria e sala de leitura. Há ainda duas saletas, uma destinada à atividade com vídeo/projeção e armazenamento de materiais didáticos e a outra à sala de reuniões.

Como recursos didáticos, a instituição possui livros de literatura infantil, cd‟s, aparelho de som, televisão, DVD, caixa amplificadora, dentre outros. Em relação à formação das professoras, a maioria é formada em pedagogia, sendo algumas das professoras graduadas em matemática e biologia, possuindo habilitação nos cursos de Magistério (Curso Normal), algumas delas especialistas. Conta ainda com uma diretora e vice-diretora e uma coordenadora pedagógica, todas formadas em Pedagogia.

A rotina é organizada em função dos objetivos da instituição e das salas de referência, em que acontecem as atividades circulares, ou seja, uma rotina em que durante a semana todas as turmas passam por todas as salas, o que revela um caráter de respeito à rotina pedagógica, em contraposição a uma ideia de rotina engessada, de caráter permanente. A instituição assume como compromisso curricular retirar o foco do ensino, para a possibilidade de ampliação das experiências e vivências das crianças (PPP, 2016, p. 27).

Conforme o PPP as atividades são distribuídas em um quadro que determina um tempo didático semanal para cada uma delas, o qual tem a intenção de organizar e otimizar o tempo didático. O documento reforça que este possui um caráter flexível e, dependendo das necessidades do grupo-classe, pode vir a sofrer modificações. Esta rotina contempla atividades como rodas, atividades individuais e em grupo, leituras e/ou trabalho com leitura,

contos, cantos, artes, linguagem matemática, linguagem oral e “escrita”, projetos, jogos simbólicos e atividades na sala de vídeo.

O documento é aqui trazido para contextualizar o lócus da pesquisa, histórica e socialmente, tendo em vista que os sujeitos que dela fazem parte também merecem ser situados. Além disso, é importante explicitar os fundamentos que dão sustentação à prática pedagógica na instituição para se entender o porquê de uma rotina e organização física e pedagógica diferenciada em relação à grande maioria das instituições do município de Maceió.

Serão apresentadas a descrição e imagens fotográficas do ambiente estruturado da Sala do Jogo Simbólico em dois momentos: no ano de 2016, quando iniciou a imersão da pesquisadora no campo e foi realizada parte das etapas da pesquisa com o grupo 1, e a sala organizada no início do ano letivo de 2017. É neste último ambiente que ocorreram as oficinas de brincadeira de família.

A sala do Jogo Simbólico, em 2016, era estruturada da seguinte maneira: área da beleza e da fantasia, que continha uma arara com diversas fantasias, um cabideiro com alguns chapéus, um armário em que eram guardados panos e algumas caixas. Abaixo do armário, havia alguns bonecos e brinquedos diversos. Separada pelo armário, estava a área da casa, composta por um colchonete, por objetos que representam um quarto, à altura das bonecas: cama, armário, criado mudo, bonecas, mesas de passar ferro e ferros de passar roupa. Ao lado do “quarto” havia alguns objetos de cozinha, como armários pequenos, fogão em plástico e uma mesa com quatro cadeiras à altura das bonecas. Dentro dos armários e sobre a mesa havia panelas, alguns talheres, algumas réplicas de eletrodomésticos. Ao lado do fogão ficava uma pequena caixa com espelho em cima, que tinha a função de penteadeira. Nela havia secadores, perfumes, maquiagens, etc. Ao lado, existia um tanque de lavar louça/roupa com alguns recipientes de alimentos. Atrás do tanque, havia uma estante, e por trás dela duas mesas com quatro cadeiras à altura das crianças. No centro da sala, havia outra mesa com cadeiras e uma espécie de enfeite nesta mesa.

Figura 6 – área da casa 2016 Figura 7 – Sala do Jogo Simbólico 2016

Fonte: arquivo do autor Fonte: arquivo do autor

No início do ano letivo de 2017, a Sala do Jogo Simbólico foi reorganizada pela própria instituição, e a pesquisadora também levou alguns materiais para compor o ambiente. A mesma continuou dividida em área da casa e área da beleza e da fantasia. A primeira é composta pelos seguintes espaços: cozinha (mesa com cadeiras à altura das crianças, armário confeccionado pelas professoras, tanque de lavar louça, aventais, panelas e diversos recipientes alimentícios, talheres, garrafas de café, xícaras, forno micro-ondas, fogão feito em madeira com objetos de um fogão convencional como grelhas, “bocas” de ferro, válvula do botijão de gás, forno que abre e fecha); o espaço do espaço do quarto, que variou à medida que objetos foram sendo acrescentados no decorrer das oficinas (cama em madeira, bacia de dar banho na boneca, bonecas, estantes com função reversível, carrinho de bonecas, tábuas de passar roupa e ferros de passar roupa, bancos, criado mudo, aparelho de telefone fixo, livros de literatura infantil, mamadeiras e diversos objetos de uso das bonecas: chupetas, fraldas descartáveis, pentes, escovas, desodorantes, calcinhas, bolsas de tecido, estetoscópio, toalha); no espaço da área de serviço (máquina de lavar roupa confeccionada pelas professoras, prateleira com produtos de limpeza, vassoura, pá de apanhar lixo, cesto de roupas, lixeira).

A área da beleza e da fantasia é organizada com arara de fantasias, armário que era utilizado no ano anterior para guardar objetos. Este ganha outra função após ser pintado e passa a ser utilizado como camarim. Ganhou uma cortina e ao atravessar a porta as crianças têm espaço livre dentro do “camarim”. Há ainda penteadeira grande, composta por uma prancha em madeira com badulaques, acessórios, cremes, maquiagens, esmaltes, etc., dois

espelhos em cima, cadeiras grandes. Uma estante, que contém os mesmos produtos e secadores, chapinhas, e uma penteadeira pequena com um espelho pequeno acima

Figura 8 – Sala do Jogo Simbólico 2017

Figura 9 – Área do quarto 2017

Fonte: arquivo do autor Fonte: arquivo do autor

4.2 Sujeitos da Pesquisa

Os sujeitos deste estudo são um grupo de 7 crianças, três do sexo masculino e quatro do sexo feminino, com idade de 5 anos, que frequentam a mesma turma do 2º período, no turno vespertino, em uma pré-escola pública municipal de Maceió.

Para a composição do referido grupo de crianças foram levadas em consideração suas interações e brincadeiras compartilhadas, respeitando-se o critério de parcerias privilegiadas entre as crianças (CARVALHO e PEDROSA, 2002), que implica em conhecimentos já previamente compartilhados pelos parceiros. Tais interações e parcerias foram observadas no momento que correspondeu à etapa de observação participante. A escolha por parceiros de brincadeira se deu pelo enriquecimento e desencadeamento mais rápido das situações de interação e brincadeiras.

É importante ressaltar que, tratando-se da ética na pesquisa, assume-se um compromisso com a obtenção do assentimento informado das crianças, como exigência do Comitê de Ética em Pesquisa da UFAL. Conforme ressalta Ferreira (2010), o assentimento procede, primeiramente, de um consentimento dado pelos adultos ou responsáveis legais pelas

crianças, respeitando-se sua privacidade, anonimato e confidencialidade. Em respeito às crianças, que aqui são reconhecidas como sujeito de direitos, atores sociais, ter o assentimento destas significa ter “[...] entre outros, os direitos a ser informada e a ser ouvida em assuntos que lhe dizem respeito” (BUSS-SIMÃO, 2012, p. 16).

Tal procedimento coloca em evidência esta criança protagonista, rompendo com a visão adultocêntrica de que esta ainda não tem maturidade ou não compreende o que é uma pesquisa. Desse modo, após reunião para consentimento dos responsáveis, os quais assinaram o termo de autorização de participação da pesquisa, foi realizada a sessão de assentimento das crianças, a qual foi videogravada e ocorreu no mesmo dia da primeira oficina com as crianças (oficina preliminar). Neste momento, a pesquisadora sentou em círculo com o grupo de crianças e conversou com elas sobre a pesquisa, explicando do que se tratava, o que iria acontecer, apresentou-se novamente, já que as crianças já a conheciam desde as sessões de observação participante, e apresentou a auxiliar de pesquisa e sua função no decorrer do estudo. Após conversa, todas as crianças informaram verbalmente desejarem participar da pesquisa.

Considerando-se toda a trajetória da pesquisa de campo, desde março de 2016 a março de 2017, a riqueza dos dados construídos em todo este período, ressalta-se que algumas reflexões que são trazidas nas considerações finais deste trabalho só foram possíveis devido a todo o período de imersão no campo. Tais reflexões são muito pertinentes para se pensar a educação infantil e fazem parte do processo de reflexividade da pesquisadora, que a constituíram como tal e que construíram os procedimentos metodológicos no campo (FERREIRA, 2002). Os dados gerados nas oficinas de brincadeira de família (ver item 3.3), que correspondem aos episódios de planejamento e de brincadeira dizem respeito apenas ao grupo formado neste ano de 2017, com o qual a pesquisa foi concluída.

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