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As contribuições apresentadas na seção 2.1 são uma amostra das pesquisas realizadas e divulgadas nos primeiros anos após o impacto da divulgação do trabalho de Stokoe no periódico Sign Language Studies. Esses estudos foram aprofundados em trabalhos posteriores, os principais – dentro do escopo de interesse da tese – serão apresentados nas próximas seções.

Retomando os conceitos, definições e propriedades, relacionados aos interesses da presente tese, apresentados nestes primeiros trabalhos, após a sistematização dos dados e visualização dos vídeos com objetivo de realizar uma análise preliminar foi possível destacar alguns resultados.

Como por exemplo, a necessidade de discutir o papel da orientação da mão na formação dos sinais terminológicos. Pensando na proposta de Battison (1974) esse seria um elemento constitutivo do sinal equivalente a um fonema das línguas orais. Além desses elementos seria necessário rever também a classificação das outras 3 unidades formacionais propostas por Stokoe, procurando contribuir para a compreensão e identificação de fenômenos querológicos e morfológicos.

Com a pesquisa de Battison (1974) confirmou-se a necessidade de descrever as possibilidades de configurações de mão e dos locais de realização do sinal, pois o mesmo também apresentou um inventário dessas unidades formacionais a partir de seus dados. Além disso, o pesquisador confirmou a dificuldade para descrever as possibilidades de movimento, posição essa ratificada por Klima e Bellugi (1979) e que já se mostrava complexa na tentativa de usá-la como filtro no Glossário Letras-Libras. Refletindo sobre essa dificuldade apontada pelo pesquisador foi possível prever antecipadamente a necessidade de subdivisões no estudo dessa unidade formacional, e, consequentemente na criação de mais de uma trilha para descrição desta no modelo de análise.

Além disso, o estabelecimento de duas regras de restrições fonológicas77, que ele também chamou de ‘condição de estrutura do morfema’ acarretaram imediata necessidade de confirmação dessas regras nos dados terminológicos.

Por sua vez, o experimento conduzido por Crittenden (1974) confirmou que a dimensão querêmica proposta por Stokoe teria uma

ordem de importância na percepção e, consequentemente, na compreensão dos sinais. O que corrobora com o uso de queremas e morfoqueremas na organização de repertórios terminológicos. Se não houvesse essa ‘ordenação’ na percepção, o sinal somente poderia ser apresentado em sua forma holística e não faria sentido estabelecer descritores candidatos a filtros em repertórios terminológicos, pois os usuários não poderiam perceber as unidades formacionais dos sinais.

A possibilidade de divisão do sinal em unidades formacionais percebidas pelos usuários também foi confirmada por Markowicz (1975) que contribui com suas considerações sobre a pesquisa conduzida e registrada por Bellugi. Já que, segundo Markowicz, Bellugi, ao realizar um experimento de observação da memória de curto prazo, também ratificou a percepção das unidades formacionais. Visto que, Bellugi observou que ouvintes confundiam palavras fonologicamente similares, enquanto Surdos confundiam sinais com propriedades formacionais similares, comprovando que os sinais seriam armazenados na memória de curto prazo segundo os elementos que os constituíam.

Hoffmeister, Moores e Ellenberg (1975) contribuíram com as definições de ‘unidade de sinal’ ou ‘sinal unitário’ – mínima ocorrência dos 3 aspectos (TDs). Estabelecendo que os sinais unitários seriam os morfemas das LSs e definindo ainda que o ‘sinal’ seria um gesto composto por uma ou mais unidade de sinal. Estas definições resultariam ainda na afirmação que as LSs possuiriam morfemas livres e morfemas presos.

A definição de sinal unitário, em especial, contribui com a organização das subdivisões de anotações na análise dos dados terminológicos, pois confirmando a hipótese de complexidade própria da linguagem de especialidade, os sinais unitários seriam minoria no corpus de estudo. Assim como, afirmar a existência de morfemas presos nas LSs acarreta a necessidade de buscar identificá-los também nos dados da Libras.

Considerou-se ainda que a contribuição de Sallagoity (1975) seria determinante para reflexão da relação entre os níveis de análise querológico e morfológico, bem como de sua ou sua(s) unidade(s) básicas. Considerando a propriedade simultânea e as propriedades combinatórias de elementos, Sallagoity concluiu que para cada 3 parâmetros só poderia existir uma (01) combinação possível. Enquanto nas línguas orais, dada a propriedade de sequencialidade, seria possível combinar três (03) fonemas de modo a obter seis (06) possibilidades de realização diferentes. [3!=6].

Isto é, as possibilidades combinatórias das LOs e das LSs seriam significativamente diferentes. Logo, nas LSs para aumentar as possibilidades de formação de sinais seria necessário realizar sinais com múltiplos movimentos ou mais de um CM ou local de realização.

Da proposta de Sallagoity decorre imediatamente que para expandir seu léxico de forma a contemplar as necessidades comunicativas dos falantes, as LSs não poderiam restringir seu vocabulário a ‘sinais unitários’ (TDs – segundo a definição de Hoofmeister, Moores e Ellenberg (1975)).

Essa análise de possibilidades combinatórias e as conclusões de Sallagoity são parte dos fundamentos da proposta apresentada na seção 3.3 da presente tese. Mas antes de anunciá-la, julgou-se relevante dedicar uma seção ao trabalho de Stokoe, como parte da revisão de literatura dos estudos seminais, por considerar que as referências sobre seu projeto de investigação disponíveis em língua portuguesa são ainda insuficientes dada sua importância na área dos estudos linguísticos das línguas de sinais.

2.2 STOKOE DEVE SER ESTUDADO – E ATÉ SER ENSINADO!

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