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4. THE MODERNITY OF THE PLAYS

4.2. FEMINIST PLAYS

1.2.2. RELIGIOUS TRADITION

As observações associadas às conversas e entrevistas foram realizadas entre os anos de 2009 e 2014 e registradas por meio de diário de campo, fotografias e, em alguns casos, gravações de áudio e de vídeo. As observações aconteceram nos espaços educativos92 das comunidades Tupinikim de Comboios e Guarani de Boa Esperança e Três Palmeiras.

As conversas e entrevistas aconteceram concomitante às observações ou, na maioria das vezes, quando era necessário esclarecer alguma dúvida ou ouvir o ponto de vista do entrevistado sobre o assunto em dúvida. Dessa maneira, conversei e entrevistei gestores, educadores, lideranças e outras pessoas das comunidades.

No período da pesquisa, realizei observações e entrevistas visitando as aldeias, as escolas, as salas de aula; participei de planejamento dos educadores, em diferentes momentos, em períodos de aula e/ou de férias, de acordo com a minha necessidade de informações dos pesquisados. Cabe ressaltar que numa conversa com a educadora guarani Ara outro dia, na cabana onde vendem artesanato, disse-lhe que às vezes me preocupava se realmente eu estava contribuindo com a formação dos educadores, pois, ao meu ver, na maioria das vezes me sentia mais beneficiada com o aprendizado que eles me ofereciam, em todos os momentos, do que uma colaboradora para as suas formações. A resposta da professora me fez refletir ainda mais sobre a responsabilidade de um formador.

Eu lembro que eu aprendi alguma coisa que era muito difícil para mim que era sobre ângulo... eu não tinha nem noção o que era ângulo ...ai depois que você explicou bem simples com exemplo ficou mais claro para mim...porque eu só estudava no papel...ficou bem simples e claro para mim...O que eu também não entendia e não era claro para mim era o que etnomatemática... eu to fazendo direitos indígenas e agora que eu estudei etnomapeamento eu entendo que agora o que é...a palavra eu não

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Quando falamos de espaços educativos não nos referimos apenas à escola, mas sim todos os espaços da aldeia ou fora dela, de formação sobre a temática indígena.

entendia...eu sabia mas o conceito que eu não entendia porque é uma palavra em português...eu pensei que era só território...a aldeia, o limite...etnomapeamento quer dizer eu tenho que mostrar o que tá dentro da aldeia e que faz parte também da cultura...eu descrevi a aldeia, contei quantas cabanas...se tem casa de reza...cabana de reunião...posto de saúde, escolas, onde vende artesanato, quantas famílias tem... eu fiz também a lagoa... (CADERNO DE CAMPO. Entrevista. Aldeia de Boa Esperança, 30 de janeiro de 2014)

Vale lembrar que o conceito de ângulo foi trabalhado numa proposta contextualizada sobre direção, deslocamentos e posicionamento na aldeia. Ainda, que a proposta da etnomatemática só foi entendida quando o conceito foi construído a partir da sua língua, o Guarani. Construir os conceitos, mostrar como aparecem na realidade e no contexto, são práticas fundamentais para o seu entendimento e compreensão. Além disso, a linguagem muitas vezes pode parecer simples para quem fala mas complicada para quem ouve. No caso dos Guarani, o Português não sendo a sua língua materna apresenta outra questão básica para o seu entendimento, que é o problema da tradução. Vi isso num artigo do professor José Ribamar Bessa Freire (2009) que escreve sobre os versos de uma canção bilíngue português-nheengatu93 recolhida por Couto de Magalhães, no Pará, em 1874, quando ainda era cantada por amplos setores da população da Amazônia: ―Te mandei um passarinho, dentro de uma gaiolinha, pintadinho de amarelo e bonito como você‖ (versão de autoria não identificada). O professor Bessa submeteu essa tradução a um teste de recepção com professores bilíngues guarani do Curso de Formação Docente de vários estados do Sul e Sudeste do Brasil94, causando entre eles uma visível sensação de desconforto. Após intensa discussão em torno do verso ―dentro de uma gaiolinha‖, particularmente com relação à palavra ―gaiolinha‖, o grupo analisou e percebeu que se tratava de um problema de tradução. O coletivo entendeu que o original está

93 O nheengatu, ―uma das línguas de maior importância histórica no Brasil‖, foi a língua majoritária da

Amazônia durante todo o período colonial, estendendo sua hegemonia até a primeira metade do século XIX. Manteve contato permanente, através de seus falantes, com outras línguas indígenas e com o português, o que deixou marcas e influências mútuas bastante significativas. Durante três séculos, índios, mestiços, negros e portugueses trocaram

experiências e bens nessa língua que se firmou como língua supra étnica, difundida amplamente pelos missionários por meio da catequese. Denominada pelos linguistas de Língua Geral Amazônica (LGA), para diferenciá-la da Língua Geral Paulista (LGP), ela foi declarada recentemente língua cooficial em São Gabriel da Cachoeira (AM), um município maior que Portugal, onde são faladas 23 línguas diferentes. O projeto do vereador indígena Kamico Baniwa, aprovado em novembro de 2002, levou em consideração o fato de ser ainda hoje uma língua de comunicação Inter étnica naquele município. (BESSA, José Ribamar. Tradução e interculturalidade: o passarinho, a gaiola e o cesto. ALEA. volume 11. nº. 02. julho-dezembro de 2009. p. 321-338)

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I Encontro Internacional 5ª Habilidade Tradução e Ensino. UFES: Núcleo de Pesquisas em Tradução e Estudos Interculturais/Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos e Estudos Literários. Vitória (ES). 2007.

escrito em Língua Geral da Amazônia, cuja base é o tupinambá antigo – língua aparentada ao guarani – e propôs outra palavra para traduzir essa expressão: ―Te mandei um passarinho, dentro de um cestinho, pintadinho de amarelo e bonito como você‖. (FREIRE, 2009)

Segundo Freire (2009, p.322), ―o tradutor, que usou ―gaiolinha‖ como equivalente a

patuá mirim, parece ter entendido que a forma mais apropriada de presentear

alguém com um passarinho é orna ona-lo dentro de uma gaiola para evitar sua fuga‖. Ou seja, a tradução levou em conta a cultura do tradutor, onde aprisionar pássaros em gaiola é natural. ―No entanto, não é o que os índios guarani pensam e praticam‖. (Idem)

E assim foi todo o tempo das visitas e de contato com os educadores indígenas, um grande momento de aprendizado!