O papel do professor é nos dias de hoje cada vez mais difícil, pois luta continuamente contra os mais variados obstáculos. A eficácia do seu trabalho está severamente comprometida devido a falta de tempo, de meios, pelas crescentes obrigações e pelas vicissitudes com as quais se debate diariamente. No actual contexto tem muita dificuldade em motivar os seus alunos e actuar mais profundamente nos problemas existentes, seja de afinação ou de qualquer outro tipo.
Perante as mais diversas limitações, muitos dos alunos não terão as devidas oportunidades para o seu pleno desenvolvimento se não forem orientadas por um professor empenhado e dedicado. Para conseguir optimizar a sua intervenção, este deverá estar sempre actualizado e munido de ferramentas e de conhecimento que lhe permitirão adaptar-se às circunstâncias e contornar os obstáculos.
A importância da reflecção contínua da sua docência é por isso inquestionável. Apesar de que em termos práticos e devido à sobrecarga dos docentes, seja impossível realizar uma análise regular e profunda de todos os tópicos relevantes, não são necessárias pesquisas
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muito extensas para que sejam rapidamente retiradas conclusões importantes e surjam novas ideias de melhoria.
Nessa medida, o processo investigação-acção aqui desenvolvido, foi muito importante e eficaz. Mais do que apenas uma investigação de soluções, esta pesquisa foi uma grande auto-análise que reflectiu profundamente sobre a minha prática docente, estendendo-se para todas as componentes do meu ensino e para a performance. Uma vez que esta foi a principal motivação para realização deste trabalho e até da frequência do curso, considero que atingi os objectivos pessoais propostos.
Os conhecimentos adquiridos resultaram numa melhoria qualitativa da prática, seja na compreensão das práticas já utilizadas como na transmissão dos conteúdos para os alunos. Foi precisamente no seu feedback que encontrei a mais valiosa opinião e avaliação do trabalho desenvolvido e importantes linhas orientadoras para a sua continuação.
O estudo foi importante também na medida em que me fez crescer como pessoa. O confronto com o mundo da investigação académica, uma área por mim até aqui nunca explorada, não foi fácil, mas depressa compreendi a sua importância e as vantagens que oferece. Tudo isto permitiu-me expandir os meus horizontes para além da minha prática profissional na orquestra, na docência regular, no meu percurso académico até aqui traçado e no meu quotidiano.
Concordando em absoluto, que a afinação é um parâmetro imperativo para qualquer execução de qualidade, considero após a investigação realizada, que o sistema educativo actual não oferece condições para a sua evolução adequada.
Acredito que a música deve fazer parte da vida de todas as crianças e que estas devem ter a oportunidade de a aprenderem, no entanto, para que disfrutem dela em pleno, a instrução devia ser positiva, agradável e apelativa.
No panorama actual, com a rápida progressão da matéria, tempo reduzido de aula e as condições nada favoráveis para a evolução individual, os problemas surgem rapidamente. As dificuldades sentidas pelos alunos com aptidões reduzidas provocam a sua desmotivação. A instrução correctiva é condicionada pela falta de tempo e disponibilidade, difícil e nada
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agradável, pelo que pode tornar-se contraproducente. Por esta razão, e apresar de acreditar e confirmar que os alunos podem melhorar quando existem as condições para tal, considero que seria mais sensato que estes alunos pudessem transitar para a aprendizagem nos instrumentos de afinação fixa.
Apesar de tudo o que foi escrito, este trabalho está longe de estar completo, sendo impossível nestes moldes aprofundar todos os factores que, directa ou indirectamente, condicionam a qualidade da afinação. Desta forma, espero que a informação aqui reunida possa servir de orientação inicial e como um ponto de partida para investigações e aprofundamentos futuros.
De mesma forma que Cícero considera o rosto “o espelho de alma”, pessoalmente acredito que a afinação seja o reflexo da personalidade do músico, da sua essência e é o espelho da sua alma.100 Não me é possível concluir sem a citação de Casals (citado em Blum, 1980, p. 101): “Intonation is a question of conscience.”, que dissipa qualquer dúvida que ainda possa restar após tudo exposto.101
100
Marcus Tullius Cícero, ( c. 106 - c. 43 a.C); Politico, Orador e Filósofo de Roma Antiga
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