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B) Médiations utilisées pour atteindre les objectifs définis

B.1. La relaxation et l’auto-massage pour aider la gestion du stress

A identidade tornou-se incerta e problemática, não porque as pessoas não ocupem mais posições sociais fixas – uma explicação baseada no senso comum que incorpora inadvertidamente a equação moderna entre identidade e papel social –, mas porque elas não mais habitam um mundo que exista independentemente delas. (LASCH, 1990, p. 23).

Embora subverta (ou imploda) os conceitos modernos de identidade e sujeito, a pós-modernidade não estabelece uma relação de absoluta descontinuidade com a

modernidade, radicalizando parte de suas tendências constitutivas em detrimento de outras, 8

ao passo que, por efeito de contraste, é possível observar as profundas rupturas que a singularizam. E, embora o prefixo “pós” acalente a ilusão de que é possível fixar a pós- modernidade no fluxo histórico como ulterior à modernidade, o pós-moderno já se fazia sentir no impulso moderno de exceder sua própria temporalidade e “converter-se nele como uma espécie de estabilidade última” (LYOTARD, 1997, p. 34).

Nesse compasso, a modernidade, como processo e estrutura social- históricos, deixa de ser o que era, em forma e conteúdo, para dar lugar à hipérbole de si própria, no que toca à produção, circulação e consumo de mercadorias, informações e imagens, cultura e identidade, e assim por diante. A pós-modernidade é a incrementação, a exponenciação, a radicalização de todos os processos modernos. Trata-se de uma modernidade por excesso, uma “hipermodernidade” de fato. Como tal, a pós-modernidade representa a vertigem e a obliteração daquilo a que (na ausência de melhor expressão) se sobrepõe, ao mesmo tempo que a sua superação. (TRIVINHO, 2001, p. 50-51).

Harvey (1992) chama atenção para as incertezas que marcam a discussão sobre o conceito de pós-modernidade, ora compreendido como uma ruptura radical que dilapida a política neoconservadora, dando vazão ao seu potencial revolucionário, ora como, se muito, uma revolta interna que domestica as aspirações modernas, alinhando-as à lógica do capitalismo avançado. A divergência no tratamento teórico (alta modernidade, modernidade tardia, modernidade líquida, hipermodernidade, era pós-moderna) e a dificuldade em determinar o fenômeno como época histórica distinta não impedem, entretanto, que se considere o pós-guerra como marco do esfacelamento do projeto moderno (LYOTARD, 2000) e do florescimento do vazio que inundou a contemporaneidade.

É nesse limite impreciso entre os ideais sonhados e os horrores empreendidos pela modernidade (nos campos de concentração, nas guerras mundiais, no cogumelo atômico de Hiroshima e Nagazaki, na iminência contínua de um desastre ecológico de proporções incomensuráveis graças à exploração apocalíptica dos recursos naturais – horrores estes, dentre tantos outros, que testemunham o poder de destruição da humanidade pela humanidade) que se situa um “certo” mal-estar. Quem transformou a igualdade em discriminação, a liberdade em campo de concentração, a fraternidade em genocídio? Em que exato momento da “História” o pretendido racionalismo científico-tecnológico tornou-se pretensioso, desmedido? Que “Homem”? Que “Deus”? Que “Destino”?

8 Para Lipovetsky (1989, p. 106), a pós-modernidade prolonga o processo de personalização já

existente na modernidade; paralelamente, observa-se a redução do processo disciplinar. A partir desta constatação, sua obra versará quase que exclusivamente sobre o individualismo (narcisista) que marca a “era do vazio”.

A barbárie sustentada pela ideologia do progresso tecnológico dissolveu toda referência e esvaziou qualquer sentido de finalidade social. A incerteza do porvir, o pessimismo e o clima de catástrofe iminente provocam, de acordo com Lipovetsky (1989, p. 49), a retração sobre o tempo presente e o enrijecimento de um individualismo apático, frívolo e hedonista, típico das “estratégias narcisísticas de sobrevivência”.

No rastro desse “mal-estar”, a pós-modernidade rompe com as metanarrativas 9

religiosas, filosóficas, políticas e econômicas, implodindo com elas conceitos universais como Identidade, Sujeito, História, Estado-Nação, Deus. A modernidade se liquefaz (BAUMAN, 2001) na imprevisibilidade, fluidez e flexibilidade das estruturas e relações. O pós- modernismo não se opõe à corrente efêmera, fragmentária, descontínua e caótica das mudanças em curso, assumindo a dispersão, o processo e o significante em lugar da concentração, totalização e significação vigentes no paradigma moderno; surge a supremacia da superfície, da diferença, da ironia, da ausência e da performance. 10

À descrença nas teleologias, utopias e visões de mundo segue-se a deserção do político. A memória social-histórica evanesce, a linearidade do fluxo histórico (começo, meio e fim; presente, passado e futuro) cede lugar à ramificação infinita na matriz de possibilidades e a percepção da passagem do tempo natural altera-se com o regime da velocidade que imprime um ritmo vertiginoso, instituindo a dromocracia 11. O tempo real 12 dos meios

eletrônicos de comunicação encurta as distâncias até a anulação total da dimensão dos lugares. Os sistemas mediáticos multiplicam-se e convergem entre si engendrando os processos de abstração do mundo e perpassando a experiência ordinária dos indivíduos. Daí falar-se na sobreposição e confluência das culturas mediática 13, dromocrática e pós-moderna,

na configuração de uma nova era, a era da visibilidade mediática (TRIVINHO, 2007b). A dicotomia cede lugar aos hibridismos, e já não é possível distinguir, claramente, indivíduo e sociedade, público e privado, objetivo e subjetivo, real e ficção, mente e rede, homem e máquina.

9 Para Sanfelice (2001, p. 4), ao anunciar “o eclipe de todas as narrativas grandiosas”, Lyotard referia-

se sobretudo ao socialismo clássico, “mas também incluiu a redenção cristã, o progresso iluminista, o espírito hegeliano, a unidade romântica, o racismo nazista e o equilíbrio econômico”. A pós- modernidade é, portanto, avessa a qualquer projeto que busque na tríade razão, ciência e tecnologia a emancipação humana universal (HARVEY, 1992).

10 De acordo com as diferenças esquemáticas entre modernismo e pós-modernismo propostas por

Hassan (apud HARVEY, 1992).

11 A definição do conceito é apresentada no item 1.1., capítulo 1, Parte I. 12 A definição do conceito é apresentada no item 1.1., capítulo 1, Parte I.

Um tipo diferente de mudança estrutural está transformando as sociedades modernas no final do século XX. Isso está fragmentando as paisagens culturais de classe, gênero, sexualidade, etnia, raça e nacionalidade que, no passado, nos tinham fornecido sólidas localizações como indivíduos sociais. Estas transformações estão também mudando nossas identidades pessoais, abalando a ideia que temos de nós próprios como sujeitos integrados. (HALL, 2004, p. 9).

A identidade, antes percebida como dimensão estável, indivisível e singular, experimentada como única ao longo do tempo de vida do sujeito racional, pensante e consciente do cogito cartesiano, sofre com o colapso das estruturas e processos centrais das sociedades modernas que, segundo Hall (op. cit., p. 7), consistiam nos “quadros de referência que davam aos indivíduos uma ancoragem estável no mundo social”. A experiência da incerteza instala, no lugar da identidade, a crise que caracteriza o descentrado sujeito pós- moderno.

Quanto mais a vida social se torna mediada pelo mercado global de estilos, lugares e imagens, pelas viagens internacionais, pelas imagens da mídia e pelos sistemas de comunicação globalmente interligados, mais as

identidades se tornam desvinculadas – desalojadas – de tempos, lugares,

histórias e tradições específicos e parecem “flutuar livremente”. Somos confrontados por uma gama de diferentes identidades (cada qual nos fazendo apelos, ou melhor, fazendo apelos a diferentes partes de nós), dentre as quais parece ser possível fazer uma escolha. (Ibid., p. 75).

Jameson (1997) localiza a superficialidade, a fragmentação e a relatividade características da pós-modernidade no plano desse sujeito estruturalmente descentrado, fragmentado, preso a um eterno presente. 14 A subjetividade pós-moderna corresponde,

portanto, ao desfazimento do ego como fim do modelo subjetivo de mônada 15, típico na

modernidade, o que redunda na superficialidade ou relatividade do sentir. Turkle (1997) contribui para a questão contrapondo à ideia de fragmentação o conceito de multiplicação do eu, localizando na estética dos objetos infotecnológicos um mapa cognitivo que permite compreender, materialmente, as proposições abstratas de Jameson sobre a pós-modernidade: nos ícones e hiperlinks da web, nas janelas múltiplas dos softwares, é possível observar a instabilidade, a relatividade, “a prevalência da superfície sobre o fundo, da simulação sobre o real, do jogo sobre a seriedade” (TURKLE, 1997, p. 44, tradução própria).

14 Ou presente espacializado, para Harvey (1992). Nesta condição, é como se o presente estivesse

separado do restante da história, suspendendo o passado e o futuro em prol de uma presentidade contínua.

15 O termo, do latim monades (único), deve ser entendido como substância simples, indivisível

A crise de identidade na pós-modernidade equivale, portanto, às múltiplas, simultâneas e transitórias identificações possíveis graças à visibilidade mediática planetária forjada e potencializada pela conjunção das culturas dromológica, mediática e pós-moderna. Neste macrocontexto sociocultural, é mais apropriado que se fale em identificações (articulações dinâmicas, negociadas, temporárias e simultâneas para a delimitação provisória das fronteiras, para a representação performática de si e a encenação múltipla de papéis sociais) do que, propriamente, em identidade (conceito irmanado ao de sujeito na tradição moderna). Identidades devem ser tomadas como pontos de apoio temporários “às posições-de- sujeito que as práticas discursivas constroem para nós” (HALL, 2000, p. 112).

Toda identidade tem, à sua “margem”, um excesso, algo a mais. A unidade, a homogeneidade interna, que o termo “identidade” assume como fundacional não é uma forma natural, mas uma forma construída de fechamento: toda identidade tem necessidade daquilo que lhe “falta” – mesmo que esse outro que lhe falta seja um outro silenciado e inarticulado. (Ibid., p. 110).

Essa mesma crise – que implode a identidade-mônada – instaura a compreensão de que as identidades são construções simbólicas relacionais marcadas pela diferença e baseadas em complexos sistemas classificatórios. Convoca, portanto, o outro – como referência para o estabelecimento de fronteiras e como audiência para a publicização desenfreada de imagens de si. Cabe, portanto, estabelecer correlações entre pós-modernidade e narcisismo.