O entendimento do alinhamento estratégico da empresa C, sob a perspectiva do modelo de maturidade de alinhamento estratégico (LUFTMAN, 2000), é buscado nesta seção.
A. Critério comunicação
Sobre este ponto, o quadro 51 demonstra que existe um entendimento dos negócios pela TI, principalmente no nível de diretores. Quanto ao entendimento da TI pelos negócios, como a tecnologia da informação é inerente à empresa, destacou-se uma difusão em toda organização. Quanto à educação e ao aprendizado, o estilo de comunicação e o compartilhamento de conhecimento todos foram destacados como os procedimentos informais. Por fim, por ser uma empresa pequena, sem hierarquia rígida e estar voltada a atender as necessidades dos clientes, há comunicação efetiva internamente e com os parceiros.
Comunicação
Práticas Características Nota
Entendimento dos negócios pela TI
Gerentes de TI de nível sênior e médio possuem um bom entendimento dos negócios
3 Entendimento da TI pelos negócios Difundido 5 Educação e aprendizado organizacional Informal 2
Estilo de comunicação Informal 5
Compartilhamento do
conhecimento Semi-estruturado 2
Efetividade dos contatos Contatos internos e com parceiros externos (extra-empresa) 5
Média do critério comunicação 3,66
Quadro 51 (6) - Percepção avaliativa do critério comunicação para a empresa C.
B. Critério medidas de valor e competência
No que concerne às medidas de valor e competência, foi possível observar pelo relato dos entrevistados a existência de medidas técnicas relacionadas ao processo de desenvolvimento de software e medidas de negócios vinculadas aos custos e controle orçamentário, emergindo a junção das duas métricas devido ao acompanhamento dos projetos. Quanto aos acordos de níveis de serviço, estes foram taxados como técnicos, pois direcionam- se apenas ao atendimento das necessidades dos clientes. Além disso, foram observadas práticas de benchmarking informais em algumas reuniões dos diretores para acompanhamento dos projetos das empresas. Por fim, a análise das práticas de melhorias contínuas foi focalizada no processo de certificação da ISO e na sua não continuidade, tal como expôs o Diretor de Tecnologia.
“Esses processos não são 100% implantados, assim, foram, num determinado momento, depois que a gente não focou mais em ISO e CMM, a gente deu meio que uma relaxada, mas assim, as melhores práticas, de todo jeito ficaram” (Diretor de Tecnologia).
Medidas de valor e competência
Práticas Características Nota
Métricas de TI Principalmente técnicas 1 Métricas de negócios Tradicionalmente financeiras 3 Métricas balanceadas As métricas de TI e negócios estão emergindo 3 Acordos de níveis de serviço
(SLA) Técnico em nível funcional 2
Benchmarking Informal 2
Avaliação e revisões formais dos
investimentos Tipicamente para problemas 2
Práticas de melhorias contínuas Mínima 2
Média do critério medidas de valor e competência 2,14
Quadro 52 (6) - Percepção avaliativa do critério medidas de valor e competência para a empresa C.
C. Critério governança
Para as práticas que compõem o critério governança, verificou-se a existência do PEE no nível funcional, com alta participação dos diretores, ao passo que o PETI oscilou entre a informalidade e a inexistência. Já a estrutura da função da TI foi considerada federada por estar presente em toda organização. Denota-se ainda que a TI opera como um centro de investimento e lucro e inferiu-se que o investimento é visto como habilitador de processo. Com relação ao comitê diretivo, observou-se a existência de reuniões informais, mas periódicas, nas quais ocorre a priorização dos processos e projetos em TI.
Governança
Práticas Características Nota
Planejamento estratégico dos
negócios Planejamento estratégico ao nível de unidade funcional 2 Planejamento estratégico da
tecnologia da informação Ad hoc 1
Estrutura organizacional da
função de TI Federada, CIO subordinado ao CEO 5 Controle orçamentário Centro de investimento; centro de lucro 5 Gerenciamento de investimentos
de TI Tradicional, TI vista como uma habilitadora de processos 3 Comitês direcionados Comitês com reuniões informais 2 Priorização de processos Mutuamente determinado pela área de TI e de negócios 4
Média do critério governança 3,14
D. Critério parcerias
Com relação ao critério parceria entre negócios e TI, como a TI foi apontada como essencial para objetivo do negócio conduzindo a um alinhamento com o cliente, foi considerado que a TI é parte da estratégia do negócio, tendo um papel destacado no PEE. Todavia, como o PEE não é mais acompanhado pela organização, que mudou seu foco para os projetos, definiu-se que o papel da TI é habilitar os processos de negócios. Já os riscos aqui apontados estão relacionados com os riscos de desenvolver um software que não atenda às necessidades dos clientes. Os ganhos estão atrelados aos projetos sendo, portanto, responsabilidade mútua dos negócios e TI. No tocante ao gerenciamento do programa de TI, foi vislumbrado padrões definidos, assim como o relacionamento foi associado a uma parceria, tendo como patrocinadores os Diretores. As notas atribuídas a tais percepções encontram-se no quadro 54.
Parcerias
Práticas Características Nota
Percepção do valor da TI pelas
áreas de negócios TI é parte da estratégia de negócio 4 Papel da TI no planejamento
estratégico empresarial TI utilizada para habilitar processos de negócio 2 Compartilhamento dos
objetivos, riscos e competências em TI
Começa a surgir o compartilhamento de riscos e recompensas 3 Gestão dos programas em TI
(gestão formal dos relacionamentos)
Padrões definidos 2 Estilo de relacionamento e
confiança
Fornecedora de um serviço de valor (parceria) 4 Patrocinadores e promotores de
negócios
No nível do Chief Executive Officer 5
Média do critério parcerias 3,33
Quadro 54 (6) - Percepção avaliativa do critério parcerias para a empresa C.
E. Critério escopo e arquitetura
A respeito do escopo e arquitetura da empresa C foi encontrada a percepção da TI como habilitadora de processos de negócios, para atender aos clientes. Nesse caso, os padrões de TI foram considerados definidos. Com a aquisição do sistema administrativo-financeiro verificou-se que está emergindo a tentativa de integração, mas apenas no nível funcional para atender a uma área específica. A respeito da transparência da arquitetura destacou-se o foco na comunicação, conforme observa-se no quadro 55.
Escopo e arquitetura
Práticas Características Nota
Extensão do papel da TI Habilitadora de processos de negócios 3 Articulação dos padrões de TI Padrões definidos 2
Integração da arquitetura ▪ Organização funcional ▪ Empresa
▪ Inter-empresa
Começando a tentativa de integração Nenhuma integração formal Nenhuma integração formal
2 1 1 Flexibilidade, transparência da
arquitetura Foco na comunicação 3
Média do critério escopo e arquitetura 2
Quadro 55 (6) - Percepção avaliativa do critério escopo e arquitetura para a empresa C.
F. Critério habilidades
A respeito do critério habilidades, foi possível perceber que a empresa C estimula o ambiente empreendedor e inovativo de forma peculiar no que diz respeito a processos e formas de negociação com o cliente, utilizando uma metodologia própria. O núcleo do poder está com os três diretores que tomam decisões conjuntas sobre a empresa em um estilo de gestão baseado no relacionamento, sendo, portanto, a interação entre as pessoas bem valorizada. De acordo com o Diretor de Negócios existem boas parcerias e tensão saudável entre as equipes. Além disso, foi também reconhecida a prontidão em relação às mudanças, tal como foi exposto no histórico da organização. Por fim, com relação a carreiras interfuncionais e ao treinamento, observou-se pouco destaque na fala dos entrevistados. Tal fato pode estar associado ao próprio momento de reestruturação da empresa, assim como a seu porte. O quadro 56 apresenta as características das práticas do critério habilidades.
Habilidades
Práticas Características Nota
Ambiente empreendedor e
inovativo Ao nível de unidade funcional 2 Núcleo cultural de poder Na organização 4 Estilo de gestão Baseada no relacionamento 4 Prontidão em relação às
mudanças Necessidades para mudança reconhecida 3 Carreiras interfuncionais Mínima (ocasionalmente dentro da unidade funcional) 2 Educação e treinamento inter-
funcional Mínimos (dependente da unidade funcional) 2 Interação inter-pessoal (ambiente
de confiança, político e social) Estendida a clientes e parceiros 5
Média do critério habilidades 3,14