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QUELLE « RELATION DE CONFIANCE » CORRESPOND LE MIEUX À MES ATTENTES ?

Dans le document CRÉER et FAIRE vivre un (Page 30-34)

Mostrou-se como a ideologia moderna impôs a sua narrativa de linearidade, progresso, homogeneidade e universalidade aos fatos históricos que levaram à criação dos Estados-nação por meio de suas narrativas com o intento de “moralize the events of which it treats” (WHITE, 1980, p. 34). “Moralizar” significa expressar quais são os bons comportamentos e valores e quais são os ruins e, quando essa expressão vem de fontes institucionais ou de meios de comunicação de massa capazes de alcançar quase todos os habitantes de uma comunidade, cria-se uma norma que estabelece a realidade dicotômica e homogênea Nós-Eles supracitada. Essa realidade dicotômica se alimenta de si mesma: é no momento em que um outro me interpela (to address) que o eu é chamado a dar conta de quem é e a justificar a sua subjetividade, refletir sobre o ser sujeito (BUTLER, 2005). Se, porém, as narrativas que criam a identidade, seja o eu um sujeito individual ou coletivo, visam manter homogeneidade, essencialidade e universalismo, precisa-se de uma ruptura dos nossos hábitos interpretativos da realidade, de uma espécie de guincho (BRUNER, 2003) capaz de ir além do implícito para não cair na repetição e na alimentação da mesma narrativa.

e descontextualizar a criação do eu-sujeito-agente; essa formação será sempre dialógica em relação com o outro.

If there is an operation of agency or, indeed, freedom in this struggle, it takes place in the context of an enabling and limiting field of constraint. This ethical agency is neither fully determined nor radically free. Its struggle or primary dilemma is to be produced by a world, even as one must produce oneself in some way. This struggle with the unchosen conditions of one’s life, a struggle—an agency—is also made possible, paradoxically, by the persistence of this primary condition of unfreedom. (BUTLER, 2005, p. 19).

Esse conceito pode ser útil para pensar sobre a identidade nacional e a formação de seus cidadãos em relação a suas normas e a suas narrativas. A formação do sujeito-cidadão acontece de forma dialógica na relação com as normas, as instituições e os discursos das entidades nas quais é inserido.

A identidade nacional, portanto, tem um processo de formação que inclui tanto o eu quanto o outro: somos iguais e diferentes de italianos e estrangeiros, europeus e extracomunitários, e etc. Tratando do processo de formação da italianidade, Sabina Donati (2013) afirma que:

The identity of a nation is conditioned, defined, redefined and transformed by the presence of the external Others because it has a dynamic “double- edged-character”: it is based on a set of common (cultural and civic) elements that link the members together from within; it presupposes difference and awareness of others from which the nation seeks to differentiate itself from without. (DONATI, 2013, posição e-book 1550).

Colocado que a formação da identidade acontece em relação ao outro, gostaríamos de direcionar a atenção para a percepção que se tem desse eu e desse outro. A ansiedade da época moderna a respeito das identidades fez com que a estas se atribuísse uma irreal homogeneidade e uma construção essencialista, seja por parte do discurso contrário, seja por parte dos mesmos movimentos progressistas de esquerda (ALCOFF, 2006). O sujeito, ao contrário, como afirma Souza (2011, p. 134) “nasce num conjunto coletivo complexo e interconectado de comunidades”; a identidade, portanto, não pode nem se basear em uma essência, nem ser coerente em si mesma no tempo. Assim, escreve a filósofa estadunidense Judith Butler:

As we ask to know the other, or ask that the other say, finally or definitively, who he or she is, it will be important not to expect an answer that will ever

satisfy. By not pursuing satisfaction and by letting the question remain open, even enduring, we let the other live, since life might be understood as precisely that which exceeds any account we may try to give of it. If letting the other live is part of any ethical definition of recognition, then this version of recognition will be based less on knowledge than on an apprehension of epistemic limits. [e] Suspending the demand for self-identity or, more particularly, for complete coherence seems to me to counter a certain ethical violence, which demands that we manifest and maintain self-identity at all times and require that others do the same. (BUTLER, 2005, p. 43).

Essa visão Nós-Eles, Eu-Tu, além de ser dicotômica, homogeneizadora e essencialista, implica violência e desigualdade. No caso da cultura liberal ocidental, há um Eu complexo, normativo e dominante que olha um outro sem complexidade histórico-cultural (SOUZA, 2012). A esses valores temos que acrescentar também o valor da modernidade, que inclui o de progresso: “being modern can be thought of as a value (and being reactionary, backwards, and conservative as inversions of value) only if essentially moving towards emancipation: the farther along we are on the line of history, the closer we are to perfection” (VATTIMO, 2006, p. 22).

Essa posição de superioridade, de Eu iluminado diante do Outro, leva o Ocidente a querer impor e universalizar a própria Verdade: embora conscientes das coisas terríveis realizadas pela cultura ocidental, esta continua querendo ser causa e antídoto, o único, ao problema (ALCOFF, 2006).

A mudança das relações de poder, entretanto, levou àquilo que Vattimo define como “set free numerous cultures and visions of the world that no longer submit to being considered moments or parts of an overarching human civilization, with the West as its curator” (VATTIMO, 2006, p. 31).

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