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Communication entre les acteurs de la sécurité routière

6 Plan d’action

6.2 Pistes d’action proposées par problématique

6.2.10 Communication entre les acteurs de la sécurité routière

O nacionalismo norueguês seguia um modelo recorrente: ênfase na cultura nacional, identidade linguística, autoafirmação política e econômica. Mas havia algumas particularidades, resultantes da tensão interna provocada pelas duas uniões com Dinamarca e Suécia177. Desde a "União de Kalmar" (1397-1523), que foi a primeira e

última tentativa de se constituir um bloco federado dos países escandinavos, comandada

174GALLEN-KALLELA-SIRÉN, Janne. Territorializing nature. In: GUNNARSSON, Torsten (Org.).

A mirror of nature: Nordic Landscape paiting 1840-1910. Odder: Narayana Press, 2006. p.217.

175Foi ali que o Rei Sverre venceu seu rival Magnus Erlingsson em 1184, vitória que marcou o início

da "era de ouro" medieval norueguesa. (MORTENSEN, Klaus. The peasant and the view. In: GUNNARSSON, Torsten (Org.). A mirror of nature: Nordic Landscape paiting 1840-1910. Odder: Narayana Press, 2006. p.240).

176MALMANGER, Magne. La pittura di paesaggio norvegese da Johan Christian Dahl a Edvard

Munch. In: LANGE, Marit. Da Dahl a Munch: romanticismo, realismo e simbolismo nella pittura di paesaggio norvegese. Ferrara: Ferrara Arte, 2001. p.33.

177KAARTVEDT, Alf. The economy basis of Norwegian Nationalism in the Nineteenth Century. In:

MITCHISON, Rosalind. The roots of Nationalism: Studies in Northern Europe. Edinburgh: John Donald Publishers, 1980. p.12.

pela Dinamarca, até sua completa independência, em 1905, a Noruega viveu sob domínio estrangeiro. O comando de Copenhagen encerrou-se formalmente em 1814, conquanto a dominação linguística178 e cultural tenha permanecido por décadas.

O rompimento se deu com o fim das guerras napoleônicas, pois como os dinamarqueses haviam se posicionado ao lado da França, foram obrigados a ceder a Noruega à Suécia após os rearranjos geopolíticos ocasionados pela derrota de Napoleão179,

com o Tratado de Kiel.

Mas o vínculo com a Suécia mostrava-se de uma natureza bastante diferente do anterior com a Dinamarca: a Noruega não era subordinada como antes, afinal sua Constituição promulgada logo após o rompimento com Copenhagen foi preservada e reconhecida pelo rei sueco, e nela declarava-se uma nação livre, soberana, indivisível e independente, unida com a Suécia na forma de uma união pessoal180. Dessa maneira,

a Noruega conquistava o que pretendia no tempo em que estava submetida à Dinamarca: tinha seu parlamento, seu governo, banco nacional e sistema monetário separados; mas os dois países tinham o mesmo rei à frente do poder militar, da diplomacia e da política exterior. O calcanhar de Aquiles desse casamento forçado foram as relações exteriores, conduzidas pelo ministério sueco, que respondia apenas ao rei da Suécia181.

178Que se inicia com a Reforma Protestante. Com a introdução do luteranismo no XVI, os

reformadores tinham como meta distribuir escrituras para a população, o que implicava traduzi-las nas línguas vernáculas. Isso foi feito na Suécia, na Dinamarca, na Finlândia e na Islândia, mas não na Noruega, onde o povo teve que se contentar com a Bíblia dinamarquesa e com os pregadores da nova fé enviados do seu "reino irmão". Essa invasão de um idioma estrangeiro (mesmo que o parentesco linguístico assegurasse a compreensão) provocou uma desvitalização da antiga língua tradicional e o aparecimento de um "dano-norueguês" (bokmål), falado pelos funcionários públicos e pelas elites.

179A posição geográfica estratégica da península inviabilizou a neutralidade pretendida pelos

escandinavos e os dois grandes reinos, o sueco e o dinamarquês, ficaram de lados opostos, o primeiro com os ingleses, o segundo com os franceses. Os noruegueses, que não tiveram opção, se ressentiram pela adesão da Dinamarca à política de Napoleão contra a Inglaterra, e nesse ínterim belicoso, o rancor político da dominação cresceu, dando impulso à ideia de uma ruptura com Copenhagen. A Suécia recebe a Noruega como compensação pela perda da Finlândia para a Rússia e recompensa pelo seu esforço contra Napoleão.

180No quadro de uma monarquia, uma união pessoal designa uma forma de governo em que dois ou

mais estados são governados por um mesmo soberano (tendo nele a única ligação comum, e permanecendo teoricamente independentes). Diferente de uma união real, em que os estados que se unem abdicam voluntariamente da sua independência em favor da dita união.

181KAARTVEDT, Alf. The economy basis of Norwegian Nationalism in the Nineteenth Century, op. cit., p.12.

A base econômica do movimento nacionalista era a sociedade rural, aliada a uma classe média preocupada com problemas econômicos locais, incluindo os interesses da marinha mercante norueguesa, que aumentava sua frota em progressão geométrica, e para quem as consequências negativas da política externa comum pesavam diretamente e eram especialmente danosas182.

No plano político interno, a Noruega possuía duas tendências: a patriótica e a nacionalista. A patriótica era conservadora, formada pelos grupos vinculados à administração estatal que, pela ausência de uma nobreza, transformou-se em estrato privilegiado da sociedade. Em linhas gerais, esses grupos foram geridos dentro do aparelho administrativo do absolutismo dano-norueguês, e eram profundamente influenciados pela cultura dinamarquesa. Tais elites, representantes de uma administração centralizada, sobrecarregavam os fazendeiros com taxas e impostos. Esses, que não tinham benefícios econômicos advindos da União, se uniram aos burgueses e intelectuais liberais das cidades na década de 1870, formando uma consistente oposição parlamentar. Em 1884 criaram o primeiro partido de estrutura moderna na Noruega, o Venstre (esquerda)183. A partir desse momento os embates

no Parlamento tinham de um lado as oligarquias administrativas do Høyre e de outro as elites ascendentes do Venstre.

As evidências do envolvimento do Andersen com a esquerda em Kristiansand são manifestas no seu envolvimento pela eleição de um dos seus conterrâneos, Jørgen Løvland184 do Venstre para o Parlamento Norueguês, tendo também trabalhado

no seu jornal Stivstsavis. O partido era contundente no enfrentamento da União com a Suécia, e sendo sua crescente agressividade contra a União uma medida do seu nacionalismo. Rudolf Perseen, que posteriormente se tornou seu cunhado, também

182A situação de dependência da política estrangeira norueguesa era uma evidência do arcaísmo

institucional que não poderia sobreviver à evolução econômica do país, que se modernizava, embora tardiamente se comparado aos outros países europeus. Enquanto a política externa fosse comandada por Estocolomo, os interesses econômicos noruegueses eram prejudicados.

183Tratava-se de um partido político bem heterogêneo: uma de suas alas incluía fazendeiros conservadores

e religiosos que se opunham a reformas sociais mais amplas e à extensão do sufrágio. A ala oposta era composta por trabalhadores e membros da classe média, que ambicionavam o sufrágio masculino geral e a taxação progressiva para financiar a reforma social. Essa ala era um polo atrativo de intelectuais radicais e ateus. Apesar dos rachas internos, o partido permaneceu unido e era visto pela maioria do eleitorado como a autêntica voz do nacionalismo.

militava na esquerda, que era algo tido como radical em Kristiansand, afinal as elites conservadoras temiam as consequências negativas de uma separação definitiva da Suécia. No campo artístico, os debates sobre identidade nacional e influência estrangeira foram norteadores das divisões – que eram também políticas, afinal – entre os grupos. Vejamos como eles se configuraram, e a posição de Andersen diante deles.