CHAPTER 2 MODULE OPERATING PROCEDURES
2.4 REGRESSION ANALYSIS MODULES .1 Command Dialogue
Antes de tratar do material de análise mais especificamente é importante deixar claro que nosso estudo tratará de observar a relação entre as línguas no espaço enunciativo de Foz do Iguaçu, sob uma perspectiva enunciativa e, portanto, para nós, a análise da produção dos sentidos consiste na interpretação da determinação das palavras em sua relação com o enunciado integrado a um texto, que nessa perspectiva é considerado “como uma unidade de significação integrada por enunciados” (GUIMARÃES, 2007, p. 82).
Sendo assim, para observar a configuração do espaço de enunciação de Foz do Iguaçu, que de certo modo nos evidencia certos elementos característicos da fronteira, dividimos nosso material de análise em duas partes. A primeira, que consiste na análise de enunciações de placas, anúncios, fachadas de estabelecimentos comerciais, etc. Nesses acontecimentos de enunciação, que estão publicamente realizados, é possível reconhecer a relação entre línguas de uma maneira mais direta, ou seja, sem que houvesse nenhum tipo de direcionamento na coleta desse material, diferentemente da segunda parte, em que tratamos das respostas de falantes da região a uma entrevista elaborada para esta pesquisa.
As questões previamente elaboradas nos serviram como um guia para que se pudesse 16 estabelecer uma discussão sobre as línguas presentes nesse espaço fronteiriço, para depois analisarmos como essas línguas são designadas pelos habitantes da região. Sendo assim, esse conjunto de material, apresenta um sistema mais dirigido, sobretudo no que diz respeito à primeira questão (“Qual(s) língua(s) você fala?”), que faz com que o entrevistado responda
O roteiro completo das perguntas realizadas está em anexo.
diretamente sobre as línguas, de maneira que a primeira pergunta já determina quais são as línguas . 17
As demais perguntas, “Onde/com quem você aprendeu as línguas que fala”?; “Como você se sente em relação ao conhecimento da(s) língua(s) que você fala?”; “Como você se sente em relação ao uso dessas línguas?”; “O que você acha de todas as línguas faladas nessa região”?, nos interessa para compreender o modo como esse falante se relaciona com essa(s) língua(s) e assim compreender de que modo estas línguas estão em relação para seus falantes. Em outras palavras, as respostas às entrevistas nos permitem compreender como está configurado o espaço de enunciação da região fronteiriça de Foz do Iguaçu a partir do modo como os falantes designam as línguas e, assim, observar como é a relação que esses falantes estabelecem entre as línguas e o modo como elas agenciam os falantes.
Veremos mais adiante, na discussão sobre a metodologia de análise, que nosso trabalho consiste na análise dos textos, produzidos pelos entrevistados, por meio dos procedimentos de reescritura e articulação, para observar como as línguas são designadas pelos falantes habitantes da região de Foz do Iguaçu e como esses falantes qualificam a relação que estabelecem com essas línguas. É, nesse sentido, que nossa pesquisa se enquadra numa investigação interpretativa, de modo que não nos interessa a quantidade de respostas, e sim o que elas nos proporcionam para o trabalho da descrição das relações de sentido no acontecimento enunciativo. A relação entre esses tipos de textos é o que vai constituir, em nossas análises, a observação do modo como as línguas são distribuídas nesse espaço de enunciação.
Observamos a fronteira a partir da cidade de Foz do Iguaçu, no Paraná e, por isso, nossas entrevistas foram realizadas todas na mesma cidade. As abordagens se deram em 18 espaços públicos de livre acesso, como terminais de ônibus e centros comerciais, pois entendemos que nesses espaços circulam um grande número de pessoas. Buscávamos por
As perguntas de cunho pessoal, foram realizadas somente para a organização das transcrições e dos
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documentos do Comitê de Ética. Desde o início, nos comprometemos a não divulgar os nomes dos colaboradores a fim de garantir-lhes privacidade. Além disso, se algum dos colaboradores não quisesse dar continuidade na entrevista por qualquer motivo, ou não quisesse responder alguma(s) das questões, sua vontade era respeitada.
Antes de iniciar as perguntas, que foram gravadas, entregamos uma cópia do Termo de Consentimento Livre e
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Esclarecido (TCLE), devidamente redigido de acordo com a resolução 466/12 do Sistema CEP/CONEP, disponível nas línguas portuguesa, espanhola e inglesa. Tanto as questões da entrevista quanto os Termos foram analisados e aprovados pelo Comitê de Ética da UFSCar. E, antes do início da entrevista, duas cópias do Termo eram assinadas pela pesquisadora e pelo colaborador e recolhidas por cada uma das partes.
voluntários que estivessem no seu dia a dia, independentemente de sua nacionalidade, idade, gênero ou profissão, justamente para ter um retrato do cotidiano dessas pessoas na região da fronteira de Foz do Iguaçu com a Ciudad del Este (Paraguai) e com Puerto Iguazú (Argentina).
Entrevistamos, no total, 20 pessoas, tendo sempre em vista que esta quantidade poderia variar no momento dos recortes, pois por conta das possíveis dificuldades para realizá-las, nem todas as respostas foram pertinentes para nossa análise. Assim, separamos e analisamos 15 entrevistas que apresentaram as reescrituras e as articulações relevantes para a análise.
Como já mencionamos, também analisamos a enunciação em textos escritos, tais como anúncios de todos os tipos: placas de trânsito, de estabelecimentos, anúncios de propagandas, etc. São textos que se dão na cena pública e significam o espaço da cidade, de modo que poderemos observar de uma forma mais direta a divisão da língua nesses materiais. Assim, tudo o que podia nos servir de material foi fotografado para analisarmos, pois, a partir do que encontrássemos, poderíamos melhor descrever o funcionamento das línguas e a relação delas com os falantes.
Nesse sentido, parte das análises compreendem as entrevistas, que nos mostram como os próprios falantes significam as línguas e como esses falantes se auto determinam em relação à língua que falam, e a outra os anúncios, que nos permitem observar o funcionamento das línguas em relação no espaço enunciativo de Foz do Iguaçu, região da Tríplice Fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai.
A seguir, veremos os procedimentos de análise que adotamos para esta pesquisa.