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Notes aux comptes consolidés 2020

NOTE 1. REGLES ET METHODES COMPTABLES

Ainda no excerto acima, podemos observar que os alemães recebiam um tratamento mais otimista. A presença do imperialismo da nação que demonstrara ser uma potência militar na Primeira Guerra, porém, causava apreensões. Em artigo chamado Imigração, Jordano Machado lamentava a ausência de colonos especializados para as cidades e zonas rurais e elogiava o imigrante italiano. Criticava, porém, a política imigratória comandada pelo Comissário de Emigração deste país, Giuseppe De Michelis. Transcrevia um texto da revista semanal Critica Fascista, escrito por Francesco Suplai, que responsabilizava De Michelis pela “desastrosa lei dos 3%” - referência aos Atos de Restrição de 1921 -, denunciando a ineficácia do Comissário na negociação com diferentes representantes do governo estadunidense. Suplai indicava aos italianos o exemplo germânico como modelo a ser seguido:

O conselho que a Alemanha deu aos milhões de tantos que 1860 a 1880 emigraram aos EUA foi este: “naturalizem-se cidadãos dos países logo que possais porquanto isso nos dará o voto e a influência política”. Não fiqueis na cidade como assalariados, não vos preocupeis de remeter dinheiro para a pátria, mas, ao invés, sejais [ilegível], assegurando terras e aplicai nela vossas futuras economias. Assim fazem vossa fortuna e ao mesmo tempo a da pátria tedesca, que na burguesia agrária e não no nelle pecus dos assalariados se apoiará para a sua penetração financeira e cultural em vossa pátria de adoção. Sucesso, pois os Estados Unidos retardou-se em muito para entrar na guerra, dada a influência dos germânicos.305

304 A Imigração japonesa no Brasil - Comentário feito por um jornalista norte-americano sobre recentes decisões do governo de Tóquio. Jornal do Commercio. São Paulo. 23 set de 1924. Telegramas do Exterior, p.2. 305MACHADO, Jordano da Costa. Immigração. Jornal do Commercio. São Paulo, 2 de maio de 1924, p.2.

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Note-se que aqui a dimensão do imigrante enquanto proprietário de terras, desejada pela Itália e que estava sendo usada pelo Brasil como recurso para atrair imigrantes, também poderia ser visto como meio para perpetrar uma política de médio ou longo prazo que pudesse ser capaz de “penetrar financeira” e “culturalmente” na pátria de destino, cuidando dos interesses de seus países de origem. Assim, além de apontar indiretamente para uma prática alemã que segundo Suplai estaria acontecendo nos Estados Unidos, o texto traduzido por Machado poderia, de forma um pouco mais indireta, apontar para consequências em potencial no oferecimento de pequenas propriedades para o imigrante italiano que vinha orientado pelo fascismo.

Na ocasião do centenário da colonização oficial germânica no Brasil, o JCSP publicou um suelto. No decorrer do texto caracterizava os alemães como “bons amigos, bons colaboradores, dispostos a conjugar seus esforços para desbravar as terras, para plantar, para colher, vender e conquistar mercados”. Abordava a questão do “enquistamento” alemão minimizando suas consequências. Provavelmente citando indiretamente Oliveira Vianna:

Um sociólogo nosso houve que deu o alarme. Havia núcleos exclusivamente de origem alemã, de costumes alemães. Era como um burgo alemão enquistado no organismo nacional. Por que não absorvê-lo? Por que não assimilá-lo, não arrancá-lo à missão desnacionalizadora?

No Rio Grande do Sul esses conceitos comburentes não tiveram eco. É que se conhece a índole do alemão, manso boi de trabalho, colono ávido, energia silenciosa que jamais sonhara em transportar para a América o delírio pangermanista. É que também nos estados do sul, em face das campinas imensas e monótonas, desertas com o homem sempre esperto, franco e leal, sabe o imigrante que qualquer ato insólito à fibra patriótica seria, imediatamente punido com a rudeza que merece o que lhe falha à hospitalidade fidalga. Uma fábula - a tal América germanizada!306

O excerto acima termina como uma espécie de aviso ou ameaça velada. O suelto é concluído retomando qualidades dos alemães e sua importância para a obra de povoamento do solo brasileiro e transformação do meio, “vitória sobre a natureza”, nos termos de Buckle ou Capistrano:

Quando o centro consumidor fica distante ainda é o alemão que faz a estrada, que constroi a ponte, que torna praticável o rio, auxiliado pelos elementos oficiais que os respeitam e admiram, pela faina honesta e persistente. Se nessa quase estepe que é o Brasil -"governar é colonizar" -saudemos nessas caravanas de camponeses ruivos e gigantescos que vão arrancando à terra os seus frutos, em um século de combate - os elementos que facilitam a missão construtora e civilizadora do Estado Moderno.307

306O MÊS QUE CORRE é de festas...Jornal do Commercio. São Paulo, 14 de setembro de 1924. p.1. 307 Idem, Ibidem.

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Poucos dias depois do suelto ameno, um outro suelto elogia a Alemanha e acrescenta traços de apreensão com esse imigrante, ressaltando sua capacidade bélica e chegando a afirmar que eles tinham razão em se proclamar o povo eleito.

A Alemanha continua a assombrar o mundo.

Quando não é com a sua força, é com a sua inteligência, audácia, coragem. [...] Com a guerra maravilhou [...] E no direito mantinha a sua tese - a tese mística seus filósofos para derrubar, vencer, esmagar, porque a raça é superior, biologicamente superior. O alemão marchava com um grande ideal em seu crânio quadrado e violento. O crânio feito pela ideia de um Fichte, trabalhado por um Nietzsche. [...] ainda quer ser o povo eleito, a nação soberana.[...] que surpresas reserva a Germânia restaurada à humanidade? 308

Na mesma época, no JCSP, era publicada uma reportagem da agência de notícias

United Press, intitulada O Fascismo na Alemanha, que mostrava apreensão com a saída de

Adolf Hitler da prisão, ocorrida naquele mês. A reportagem mostra apreensão com os caminhos tomados pela exaltação do nacionalismo neste país.309

Para dar sequência a análise, nos debruçamos por fim sobre as escolhas acerca do perigo imperialista italiano.

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