FIGURE 13. Segments of the Hex Display
4. Software 1 OpenBoot
4.2.3 Register Accesses
Bogdan e Biklen (1994) definem o termo “dados” como “materiais em bruto que os investigadores recolhem do mundo que se encontram a estudar; são os elementos que formam a base da análise” (p. 149) e frisam, ainda, que “os dados são simultaneamente as provas e as pistas” (p. 149). Salientam também que “Os dados incluem os elementos necessários para pensar de forma adequada e profunda acerca dos aspetos da vida que pretendemos explorar” (p. 149). Os autores referem que a análise dos dados “envolve o trabalho com os dados, a sua organização, divisão em unidades manipuláveis, síntese, procura de padrões, descoberta dos aspetos importantes e do que deve ser aprendido e a decisão sobre o que vai ser transmitido aos outros” (p. 205). Assim, a informação recolhida foi organizada e tratada “(…), com o objetivo de aumentar a sua própria compreensão desses mesmos materiais (…)”. Deste modo, este processo deve ser considerado “(…) como uma série de decisões e tarefas (…)” e não “(…) como um imenso esforço de interpretação (…)” (p. 205).
Tendo em linha de conta a perspetiva de Bogdan e Biklen (1994), assim que reunimos os dados, procedemos à organização e codificação das informações que recolhemos através dos diversos instrumentos. Seguidamente, elaborámos grelhas para elencar as categorias e subcategorias relativas às entrevistas aos docentes e à observação de reuniões de avaliação dos alunos. Posteriormente, analisámos os dados no seu todo e realizámos a triangulação com os dados das grelhas e transcrições da observação de aulas, pautas de avaliação dos alunos, grelhas de correção das fichas de avaliação e outros documentos. Com este procedimento, a nossa intenção foi colocar em evidência as recorrências, ou seja, as menções a que os entrevistados mais recorreram e caracterizar as práticas pedagógicas dos docentes, confirmando ou infirmando o contributo das mesmas para o sucesso escolar dos alunos. No entanto, tivemos também em linha de conta as situações de exceção, ou seja, menções de apenas um docente ou práticas pedagógicas constatadas apenas numa turma, que nos poderiam auxiliar na focalização da análise.
De salientar que para analisar as entrevistas e a observação de reuniões de avaliação recorremos à análise de conteúdo, enquanto “(…) conjunto de técnicas de análise de comunicações (…) adaptável a um campo de aplicação muito vasto: as comunicações” (Bardin, 2008, p. 33). Assim, “A intenção da análise de conteúdo é a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção (ou, eventualmente, de receção), inferência esta que recorre a indicadores (quantitativos ou não)” (Bardin, 2008, p. 40). Nesta linha de pensamento, Quivy e Campenhoudt (1992) salientam que “A intenção da análise de conteúdo é a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção” (p. 195). Neste sentido, o método de análise de conteúdo adequa-se ao tratamento de informação recolhida pelo investigador, porque permite trabalhar com comunicações numerosas e retirar conhecimento, na seleção do essencial. Neste âmbito, Afonso (2005) sublinha que o tratamento de informação qualitativa é um processo “ambíguo, moroso, reflexivo, que se concretiza numa lógica de crescimento e aperfeiçoamento.” (p. 118)
De acordo com Bardin (2008) “As diferentes fases da análise de conteúdo (…), organizam-se em torno de três polos cronológicos: 1) a pré-análise; 2) a exploração do material; 3) o tratamento dos resultados, a inferência e a interpretação” (p. 121). Neste âmbito, Aires (n.d.) salienta as seguintes etapas: Determinação das Unidades de Análise, Categorização/ codificação, Formulação de hipóteses/ problemas e Leitura
interpretativa dos resultados.
Com a finalidade de validar a análise de conteúdo, Bardin (2008) sustenta que as regras devem ser:
- homogéneas: poder-se-ia dizer que «não se mistura alhos com bugalhos»; - exaustivas: esgotar a totalidade do «texto»;
- exclusivas: um mesmo elemento do conteúdo não pode ser classificado aleatoriamente em duas categorias diferentes;
- objetivas: codificadores diferentes devem chegar a resultados iguais; - adequadas ou pertinentes: isto é, adaptadas ao conteúdo e ao objetivo. (p. 38)
Por conseguinte, nesta investigação, tivemos em consideração as regras supracitadas por Bardin (2008), de modo a validar a análise de conteúdo realizada. De frisar também que as transcrições das entrevistas e as observações de reuniões de avaliação foram analisadas e classificadas em categorias, de natureza indutiva, segundo os elementos de significação encontrados nesses registos.
No que diz respeito aos procedimentos de análise e codificação de dados, as notas de campo recolhidas nas entrevistas, observação de aulas e observação de reuniões de avaliação foram organizadas, codificadas e identificadas pelos seguintes códigos:
. “E” de Entrevista, “D” de docente e “A”, “B”, “C” e “D” de nome do docente. A estes códigos adicionámos ainda a data da entrevista, na qual encontrámos as evidências para dar resposta às questões desta investigação. Exemplo: EDA – 30 JAN 2013;
. “OBS” de Observação, “AU” de Aulas e 1, 2, 3 e 4 de nome das turmas: 1.º ano, 2.º ano, 3.º ano e 4.º ano de escolaridade. A estes códigos adicionámos ainda a data da observação de aulas, na qual encontrámos as evidências para dar resposta às questões desta investigação. Exemplo: OBSAU1 – 09 JAN 2013;
. “OBS” de Observação, “RA” de Reunião de Avaliação e 1, 2 e 3 de nome dos períodos letivos: 1.º, 2.º e 3.º período. A estes códigos adicionámos ainda a data da observação de reuniões de avaliação, na qual encontrámos as evidências para dar resposta às questões deste estudo. Exemplo: OBSRA1 – 18 DEZ 2012.
O quadro 3 apresenta a codificação dos dados, tendo em consideração os diversos instrumentos de recolha de dados utilizados nesta investigação.
Quadro 3 – Codificação dos instrumentos de recolha de dados
Designação Código Especificação
Entrevista E
EDA Entrevista à Docente A EDB Entrevista ao Docente B EDC Entrevista à Docente C EDD Entrevista à Docente D Observação de aulas OBSAU
OBSAU1 Observação de aulas da turma do 1.º ano
OBSAU2 Observação de aulas da turma do 2.º ano
OBSAU3 Observação de aulas da turma do 3.º ano
OBSAU4 Observação de aulas da turma do 4.º ano
Observação de reuniões de avaliação
OBSRA
OBSRA1 Observação da reunião de avaliação do 1.º período letivo
OBSRA2 Observação da reunião de avaliação do 2.º período letivo
OBSRA3 Observação da reunião de avaliação do 3.º período letivo