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Regaining the confidence of community organizations

5. THE COMMISSION’S COMMITMENTS

5.5 Regaining the confidence of community organizations

FÜRH (2013) coloca que “o design do livro começa pela definição de sua forma física”. A ideia para esse projeto era trabalhar com um formato que pudesse ser facilmente transportado, para ser lido em diferentes ambientes, seja em sala de aula como também no ambiente familiar. Havia também o desejo de que se possível, o livro se mantivesse aberto sem que a criança precisasse necessariamente segura- lo. Um painel semântico foi desenvolvido a fim de ilustrar as principais observações a respeito do formato procurado.

Figura 29 - Painel semântico características do formato do livro Fonte: Elaborado pelo autor.

Para esse projeto a ideia era trabalhar com o formato retrato, pois a preferência era que as ilustrações fossem trabalhadas verticalmente nas páginas. Buscando referência em antigos e clássicos livros de fábulas (figura 30), percebe-se que utilizavam muito o formato vertical (retrato).

Figura 30 - The tale of Peter Rabbit (1903) e Contes de ma mère l'Oye (1842) Fonte: Potter (1903) e Perrault (1842).

Voltando a análise de similares, o formato de médio porte do livro O urso e o

gato-montês (24 x 18,5cm) chamou a atenção por ser um tamanho de fácil

transporte e com um acabamento (capa dura) que o diferenciava dos demais.

Porém a obra utiliza de formato horizontal e trabalha com a diagramação de associação entre texto e imagem, diferentes das idéias pensadas para o projeto. Ao girar o livro 90º constatou-se que o formato vertical gerado poderia ser utilizado como base.

Figura 31 - Formato horizontal para vertical Fonte: Elaborado pelo autor.

Buscando validar se o formato era de fato ideal para o projeto, encontraram- se no estudo de Gonçalves (2009) alguns critérios que contribuíram para a definição. Gonçalves (2009) coloca que a escolha do formato ideal deve estar vinculada a alguns fatores, tais como: teor do livro, tipo de encadernação, aproveitamento de papel.

6.2.1 Teor do livro

Tratando-se da temática da morte, não se pretendia chamar a atenção do leitor com o formato do livro e sim com a sua narrativa. Dessa maneira o formato vertical se mostrou eficaz, uma vez que é o mais utilizado em livros infantis e com o qual a criança tem maior familiaridade.

6.2.2 Encadernação

Como a ideia do formato era que o livro pudesse ser levado para vários lugares, é preciso pensar a respeito da durabilidade e resistência do livro. A encadernação com capa dura vai de encontro a essa necessidade sendo mais resistente a amassados e orelhas nas páginas. O livro em capa dura também é considerado uma edição de luxo, devido ao seu melhor acabamento e custo de produção.

Apesar dos livros em capa dura serem relativamente mais pesados que os livros em brochura, foi possível constatar, por exemplo, que a diferença entre os pesos dos livros O Urso e o gato-montês (240g - capa dura) e Não é fácil pequeno

esquilo (160g - brochura), analisados no estudo de similares, não apresenta uma

diferença significativa, que pudesse vir a gerar um problema no transporte do livro. Tendo conhecimento suficiente com o processo de encadernação manual, optou-se pela encadernação com costura de cadernos, uma vez que é bastante resistente. A encadernação com costura possibilita uma boa abertura do livro sem que aja problema como a quebra do miolo, algo que ocorre, dependendo do tipo da cola, em algumas encadernações que utilizam apenas de colagem.

6.2.3 Aproveitamento de papel

Em qualquer projeto gráfico de livros, é muito importante pensar a respeito do aproveitamento de papel. Dessa maneira evita-se o desperdício e também gera economia com os gastos de impressão.

A respeito do aproveitamento de papel, segundo Lins (2004) o formato mais comum existente e utilizado no Brasil é o formato BB (2B). Cuja folha padrão tem 66x96cm. Essa informação acabou sendo validada ao verificar, nas lojas especializadas em papéis de Curitiba, que a maioria dos papéis disponíveis trabalhavam apenas com o formato até 66 x 96cm.

Dentro de qualquer formato é preciso ainda ter ciência que há uma área útil para impressão. Por isso é necessário fazer o cálculo dessa área. Sobre isso Castro (2008) coloca que "De maneira genérica e arredondando os valores para o alto, independentemente do modelo da impressora utilizada, podemos subtrair 4 cm de cada uma das dimensões da folha a ser entrada na máquina" (p.2).

Esses 4 cm mencionados por Castro (Figura 32) dizem respeito as margens laterais e de pinça (mecanismo que puxa o papel para dentro da máquina). Dessa maneira o formato BB (considerado para o projeto) possui uma área útil de impressão de 62 x 92cm.

Figura 32 - Área útil de impressão Fonte: CASTRO, 2008.

Ao optar pela encadernação em capa dura com costura em cadernos, a capa e as páginas do miolo são impressas em formato aberto (página dupla). Com a diferença de que a capa tem acrescido o tamanho referente à lombada, as canaletas e a dobra para acabamento interno (figura 33). O tamanho da lombada depende da quantidade de páginas que o livro terá, enquanto o valor das canaletas é de 0,5cm e as dobras para acabamento interno devem ter entre 1,0 a 1,5cm (LIBELUS, 2018).

Figura 33 - Composição da capa

Fonte: Libelus.com.br/especificacoes-para-encadernacao/

A preocupação com o aproveitamento de papel ocorre principalmente com as páginas do miolo, pois são impressas em maior número. Em geral nos livros em capa dura, a página do miolo tem uma redução de 0,3cm nas extremidades superior, inferior e externa em relação a capa rígida. Essa redução serve justamente para que a capa proteja as páginas do miolo de amassados.

O formato do livro acabou sendo alterado quando foram realizados testes de aproveitamento de papel no formato 66x96 cm. Buscando o máximo aproveitamento de papel, chegou-se ao formato para página simples do miolo de 15,2 x 22,5cm. Além do melhor aproveitamento de papel o formato é mais retangular em comparação ao definido na ideia inicial.

Como as páginas serão impressas em duplas, o formato considerado para a verificação do aproveitamento de papel do miolo e de 30,4 x 22,5cm (figura 34).

Figura 34 - Página considerada para impressão do miolo Fonte: Elaborado pelo autor.

Analisando a figura 35 é possível comprovar que o formato escolhido para o miolo possui um excelente aproveitamento da folha em formato BB, não havendo, praticamente, nenhum desperdício.

Figura 35 - Aproveitamento de papel para miolo em formato BB (66 x 96cm) Fonte: Elaborado pelo autor.

6.3 ORGANIZAÇÃO DA PÁGINA

6.3.1 Mancha gráfica

Em um projeto editorial, os textos e imagens são organizados tendo como base a definição da área a ser impressa, essa área é denominada mancha gráfica.

Para esse projeto as ilustrações não ocuparam a totalidade das páginas do livro (imagens sangradas). A ideia é que as ilustrações vão esvaecendo conforme se aproximem das extremidades da mancha gráfica definida, criando assim uma moldura para as ilustrações. Essa escolha é fundamentada por Aumont (1993) que ao descrever a função representativa e narrativa da moldura coloca que "de fato, a moldura aparece mais ou menos como uma abertura que dá acesso ao mundo imaginário, à diegese figurada pela imagem. Reconhece-se a célebre metáfora da moldura como "janela aberta para o mundo [...] (p. 147)".

Foi definida uma mancha gráfica simétrica com 2cm para todas as margens da página, uma vez que a imagem não necessariamente seria utilizada apenas na página da direita, podendo haver variação conforme a necessidade. A medida foi estabelecida atenta para que houvesse uma boa margem interna em virtude do acabamento utilizado (encadernação) e para que o polegar da criança, ao segurar o livro nas mãos não viesse a cobrir o texto.

Figura 36 - Definição da mancha gráfica Fonte: Elaborado pelo autor.

6.3.2 Diagramação do layout

Segundo LINDEN (2011) existem quatro tipos de diagramação encontrados em livros infantis. Dois desses tipos já foram apresentados na análise de similares, os quais são dissociação e associação.

Figura 37 - Exemplo de dissociação (esquerda) e associação (direita) Fonte: Dame Hiver (2002) e Moi et rien (2000)

Os outros são compartimentação, cuja diagramação se aproxima das histórias em quadrinhos e a conjunção, onde o texto fica, de modo literal, integrado a imagem.

Figura 38- Exemplo de compartimentação (esquerda) e conjunção (direita)

Fonte: Corbelle et Corbillo (2003) e The day I swapped my dad for two goldfish (1998).

O tipo de diagramação escolhido para o projeto acabou sendo a dissociação. Essa escolha foi pautada com base em um fator importante: o grande volume de texto da história.

Ao utilizar o conceito da jornada do herói a história acabou ficando com um grande volume de texto. Entre os tipos de diagramação possíveis, a dissociação é a que possibilitaria um menor número no total de ilustrações, uma vez que haveria apenas uma ilustração por página dupla. Caso fosse optar pela diagramação por associação por exemplo, o número total de ilustrações seria dobrado. Pensando no prazo para entrega do projeto a opção pela diagramação por dissociação se mostrou a mais apropriada.

6.3.3 Grid

Pensando na parte textual do livro, dentro da mancha gráfica foi estabelecido um grid simples para o texto, de apenas uma coluna. Essa medida foi adotada pois o texto seria trabalhado sempre no mesmo espaço, centralizado verticalmente e horizontalmente na página.

Outro aspecto importante a ser determinado eram as linhas bases que compõem o grid, elas auxiliam no alinhamento de todas as linhas e na definição do espaço entrelinhas do texto. Buscando referência na análise de similares o espaçamento entrelinhas ficou estabelecido em 1cm. Onde a primeira linha inicia após 0,5cm da margem superior, a fim de que a última linha esteja de acordo com a margem inferior.

Figura 39 - Modelo de grid Fonte: Elaborado pelo autor.