• Aucun résultat trouvé

Refractory epilepsy

Dans le document 2001 03 en (Page 57-60)

4. CLINICAL USES OF PET

4.2 N EUROLOGY

4.2.2 Refractory epilepsy

A análise de um caso não deve perder de vista a sua totalidade, desta forma a perspectiva holística a guiou, buscando inter-relações entre o nível macro (societal) e micro (pessoal). “Toda ação é um processo holístico, um fato social total, a abordagem clínica deve inevitavelmente dar atenção ao problema das relações entre esses diferentes níveis de análise e de ação” (Sévigny, 2001, p. 23).

A linguagem é a marca diferencial do humano, possibilitando ao sujeito se comunicar em outro nível que não apenas o sensível (Guerra & Carvalho, 2002). O principal material de análise desta pesquisa foram as entrevistas cedidas pelos dois conjuntos de sujeitos. Considerou-se

que “todo discurso, seja escrito ou oral, é uma reconstrução e, neste sentido, não pode ser tomado como o real”xvii (Gaulejac, 1987, p. 22, tradução da autora). Os sujeitos se apropriam do social e o re-traduzem de acordo com as suas subjetividades, ou seja, eles também contêm construções fantasmáticas relativas aos seus grupos sociais de pertencimento, lembranças, repetições. “O discurso é, então, atravessado pelo imaginário social, pelo imaginário individual, pela simbólica social (os grandes mitos, as angústias fundamentais) e pelas tentativas da simbólica individual” (Enriquez, 1999, p. 18).

A análise buscou os sentidos transmitidos pelos sujeitos aos temas abordados nas entrevistas sem lhe impor uma lógica ou um método hermético, considerando que estes possuem caminhos próprios para decifrá-los (Lima, 2002; Barros & Silva, 2002). Utilizou-se as prerrogativas metodológicas expostas por Pagès et al. (1987, p. 204). Os autores descreveram o método sistemático-dialético, cujo “o sistema [é] interpretado como uma resposta às contradições que ele oculta, desloca e media”. Estes propuseram as seguintes instruções aos/às pesquisadores/as: (1) destacar nas falas dos sujeitos passagens significativas (indicadores de temas), (2) dividi-las em unidades de discurso (temas), (3) classificá-las em função do tema dominante, (4) identificar relações entre temas e subtemas (por exemplo, entre discurso consciente e inconsciente, entre dito e não-dito) e (5) estabelecer relações com o todo.

As narrativas foram consideradas fluxos de contradições ligadas e encadeadas, sejam de campos sociais ou psíquicos. Pagès et al. (1987) apontam ser necessário operar uma suspensão teórica e manter certo “coeficiente de dúvida” entre a teoria e as informações colhidas, evitando as armadilhas do positivismo e do idealismo, buscando a estrutura das relações que une cada elemento do discurso ao todo.

As entrevistas – tanto as realizadas com as mulheres que aspiravam atuar no mercado de vigilância privada como aquelas feitas com os/as gestores/as – trouxeram, simultaneamente, elementos coletivos e singulares, dialeticamente indissociáveis. Entretanto foi feita uma distinção na análise em relação aos dois conjuntos de sujeitos.

3.4.1. Análise das informações colhidas junto aos/às gestores/as

As entrevistas dos/as gestores/as não foram analisadas de modo intrasubjetivo, pois não pertencia ao escopo analítico desta pesquisa buscar as trajetórias destes sujeitos ou realizar uma análise das suas determinações inconscientes. Buscou-se analisar a compreensão destes/as profissionais sobre a inserção de mulheres no segmento de vigilância patrimonial privada, numa perspectiva histórica. De acordo com Pagès et al. (1987) foram destacados 4 temas para análise, conforme detalhado no Quadro 1.

Quadro 1. Temas obtidos nas informações colhidas junto aos/às gestores/as que atuavam na

área de vigilância patrimonial privada (elaboração da autora).

Tema Descrição

1

Procedimentos na área de vigilância

Abertura de vagas na área de vigilância; procedimentos de R&S; volume de contratação; rotatividade; determinação do sexo da vaga; procura pelo CFV.

2

Contratação de vigilantes em geral

Alteração na demanda dos clientes; mudanças nos postos de trabalho; características almejadas nos/as vigilantes; grau de dificuldade em conseguir força de trabalho qualificada.

3

Contratação específica de mulheres

Início das vagas femininas; receptividade dos clientes às mulheres; características das candidatas; especificidades inerentes ao R&S de mulheres; grau de dificuldade em conseguir força de trabalho feminina qualificada.

4

Gestão da força de trabalho feminina

Especificidades na gestão de mulheres; especificidades dos postos de trabalho feminino; ocorrência de mulheres na supervisão ou fiscalização na área de vigilância.

3.4.2. Análise das informações colhidas junto às mulheres

A análise da pesquisa longitudinal realizada com o segundo conjunto de sujeitos também se baseou na proposta de Pagès et al. (1987). Buscou-se nos discursos a tensão dialética entre o sujeito reflexivo (dimensão consciente), o sujeito do desejo (dimensão inconsciente) e o sujeito sócio-histórico (dimensão social), enfatizando- se a co-determinação entre os planos social e psíquico (Gaulejac, 1987, 2000, 2011b). Assim, de forma diversa do conjunto anterior de sujeitos, a análise destes sujeitos considerou suas determinações intrapsíquicas, buscando a compreensão de seus desejos (conscientes ou não), do

projeto parental e do romance familiar (Gaulejac, 1987) na determinação de suas escolhas profissionais.

Os sentidos atribuídos pelos sujeitos sofrem múltiplas determinações e integram passado, presente e futuro. O passado serve de orientação ao sujeito, o presente é a relação vivenciada e o futuro são seus projetos e possibilidades de vir-a-ser. Para Gaulejac (1987), há um estreito elo entre a capacidade de uma pessoa reconhecer sua história passada e a possibilidade de investir em seu futuro, transcendendo suas múltiplas determinações.

Denominou-se movimento o percurso desenhado por este conjunto de sujeitos na procura pela área de vigilância, analisando suas táticas de inserção laboral, situações de trabalho e projetos futuros. O movimento está relacionado às motivações e ações das mulheres entrevistadas, desta forma esse engloba tanto os aspectos da materialidade quanto os intrapsíquicos. A análise do movimento é dialética e está imersa nos sentidos atribuídos pelas entrevistadas às suas vivências, tensionados entre a subjetividade e a objetividade, ou seja, o movimento dessas mulheres articulou as condições materiais vividas (seu contexto familiar, social, cultural e político) aos seus determinismos conscientes e inconscientes.

Da mesma forma, o movimento está atrelado à temporalidade, pois, conforme Gaulejac (1987), um sujeito tem que se apropriar de seu passado para conseguir transcendê-lo e buscar sua historicidade, evitando as armadilhas da repetição. Contudo, embora a noção de temporalidade estivesse presente na análise do movimento realizado pelas entrevistadas, em alguns momentos também surgiram idiossincrasias e contradições inerentes ao próprio processo, pois o psiquismo humano é capaz de mudar tempos e sentidos (Barus-Michel, 2004), ressignificando continuamente suas vivências.

Também se buscou elucidar as táticas usadas pelas entrevistadas para se inserirem ocupacionalmente e os sentidos por elas atribuídos aos resultados obtidos. Utilizou-se Certeau (1994) para definir tática e estratégia. Este autor tece análises sobre como as relações de poder são desequilibradas por fatores econômicos, políticos e sociais no cotidiano. Para o Certeau, estratégia é organizada pelo cálculo ou manipulação das relações de força envolvidas e pressupõe um sujeito de poder (empresas, exércitos, instituições etc.). Em outras palavras, há um espaço para antever e planejar as ações com certa autonomia. Já a tática surge na negação da autonomia: ela ocorre numa relação de forças desigual, configurando-se na “arte do fraco” (p. 101). As ações táticas não pressupõem o controle sobre o tempo ou sobre as circunstâncias, ao

contrário, buscam aproveitar as ocasiões e permitem a uma pessoa ou grupos de pessoas criações astuciosas para transformar uma situação não controlada em favorável. A tática se desenvolve no terreno inimigo e exerce um combate “golpe a golpe”, constituindo-se em uma “antidisciplina” (p. 103).

De acordo com Pagès et al. (1987) foram destacados 7 temas para análise, conforme detalhado no Quadro 2.

Quadro 2. Temas obtidos nas informações colhidas junto às mulheres que aspiravam atuar na

área de vigilância patrimonial privada (elaboração da autora).

Tema Descrição

1 Trajetória profissional e

Dans le document 2001 03 en (Page 57-60)