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Reduction Parallelization for GPU

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4.4 Reduction Parallelization

4.4.2 Reduction Parallelization for GPU

O local de trabalho desses pescadores eles denominam de “mangue”. É assim então, que eles referem-se ao manguezal. Múltiplos foram os entendimentos sobre o manguezal, sobre sua situação atual, paisagens, espécies, processos ecológicos, demonstrando um acurado conhecimento acumulado por esses pescadores, ao longo de suas vidas vividas nesse ecossistema tão peculiar.

Sobre o que o manguezal representa e sua função biossocial, os pescadores responderam:

a) Sustento: “é a história da Ilha de Deus, o sustento do pescador, do criador de

camarão, dos marisqueiros, ‘sururuzeiros,’ ‘caranguejeiros’ (J.P.S, 36 anos); “a pessoa pode tá passando fome e o mangue ajuda. O mangue dentro daquela lama, verdinho, está lá vivo dentro daquele lugar que não daria nada” (S.M.T, 55 anos); “o mangue é um meio de vida. Ontem mesmo, eu fui ali na Marinha e peguei 50 caranguejo e vendi a R$ 1.50 a unidade ” (J.M, 33 anos);

b) Fonte de oxigênio que purifica o ar, melhora o ambiente: “você sai de um ambiente,

você tá lá fora, você tá lá na cidade, no centro, e quando chega aqui, sente aquele vento puro” (M.J, 33 anos);

c) Filtro natural que filtra a água do rio, limpa a poluição dos rios; d) Local de abrigo de reprodução das espécies;

e) Mantém a beleza do lugar, trazendo o verde; f) Lugar de conhecimento;

Sobre a situação em que se encontra o manguezal local, a maioria percebeu que houve crescimento do mangue, menos no bairro de Boa Viagem, no lugar onde hoje é o Shopping Center Recife e proximidades, onde muito manguezal foi aterrado pela construção civil. Percebem também grande carga de poluição que o rio recebe, o que atrapalhou e atrapalha a pesca e o cultivo de camarão: “têm algumas poluições ao redor, no mangue, infelizmente tem

e as pessoas ainda colocam lixo, fora os esgotos que vêm” (H.S.B, 33 anos); “veja ali naquele shopping [Shopping Center Recife], aquilo tudo ali era manguezal e foi aterrado. [...]. Hoje tem mais mangue, porque tinha muito canto que não tinha e hoje tem [...], cresceu, a turma plantou,” (J.M.G, 38 anos); “o mangue era usado para sobrevivença e para construir as casas [palafitas]. Hoje tem mais mangue. Hoje nas beiradas do rio tem mangue que não tinha, nasceu uns 50% mais” (J.M.G, 38 anos); isso mostra que eles perceberam as mudanças

ocorridas na vegetação da Ilha de Deus e o Parque dos Manguezais e o fenômeno da regeneração que houve nesse manguezal e proximidades.

Uns poucos não perceberam a mudança no mangue em si, mas no rio “o ambiente é o

mesmo, só muda a água que vai ficando suja” (S.B.S, 58 anos); “o mangue é bom, o que tem que melhorar é essa água do rio, que traz sujeira, lixo. Esse canal de Setuba [Setubal] mata o camarão, o sururu, marisco e espanta os peixes” (L.C.S, 35 anos):

O mangue cresceu mais, o mangue tá bom, o mangue parece que ta gostando dessa água podre, parece que é um estrume pra ele, chegam tão ficando verde. Agora o caranguejo, o aratu, a tesoura, ói, muitos se atrepam ainda nos pau, se agarram, enquanto a maré ta cheia, mas aqueles que não consegue subir, morre. O

rio tá podre, quando você passa ali agora parece aquele beiju, você quando for

agora, a maré vai ta seca. Você olha pra lama, você vai ver tipo umas tapioca

assim, aquilo ali é uma gordura podre, os lodo. Isso ai era areia, areia. Naquela beira de maré ali tinha um campo. E a draga ai, onde você cavar ai, você passou

dessa lama, você vai achar unha de véi e casca de marisco antigo que era de tuia, ai morreram, a lama tá por cima. Se você cavar ali, negócio de 40 cm, você vai achar a riqueza ai embaixo, como era (J.C.S., [s/i]).

Alguns relacionaram a alta regeneração do manguezal: “hoje ainda se corta pouco

para construir casa. Mas, o mangue cresce rápido. Você tira um pau, nasce mais de mil sementes (J.M.G, 38 anos). Relacionaram também outros usos do mangue: “do mangue gaiteiro, eu pego a casca dele, boto no fogo, cozinho, e depois passo na minha rede de pesca, pra dá fortalidade a minha rede” (J.M.G, 38 anos).

Em relação à paisagem local, boa parte dos pescadores não percebeu muitas diferenciações quanto aos elementos que compõe a paisagem local, ou seja, tudo é

denominado de “mangue”. Mas, alguns citaram elementos de diferenciações no ambiente quanto ao relevo: “mangue baixo é parte da lama, onde é fácil você se atolar e mangue alto “é um mangue duro, é um lugar mais fácil de andar, é um lugar mais fácil de pescar” (S.J.M, 35 anos); no rio, identificaram a maré cheia ou maré grande (preamar) e a maré seca ou

maré pequena (maré baixa); quanto aos locais de pesca identificaram: Ilha (o sítio

pertencente à família do Sr. Abílio de Sá Barreto; Ilha do cego (na direção da Rua Antônio Falcão, ao sul da Ilha de Deus; Banheiro, é um lugar de pesca, próximo ao últimos viveiros do Parque dos Manguezais, no sentido norte-sul, onde antigamente existia expressiva quantidade de caranguejos; Campo do avião, próximo ao Aeroclube de Pernambuco, ao leste da Ilha de Deus.

Voltando-se para as diversas espécies presentes no ambiente local, os pescadores identificaram desde as espécies que ainda povoam aquele manguezal, mesmo reduzida incidência, até àquelas não mais presentes, em razão da poluição. Duas importantes questões devem ser colocadas ao analisar os relatos dos pescadores em relação à incidência de espécies na área em estudo. A primeira, é que para muito deles, os viveiros servem de berçários para outras espécies do manguezal: devido ao controle de qualidade da água que eles fazem por meio das comportas, quando a água limpa entra no viveiro, ao mesmo tempo, entra larvas e juvenis de espécies que só podem circular atualmente na preamar, que é uma maré mais limpa e assim as espécies ficam represadas nos viveiros. Esse fenômeno foi identificável na pesquisa de campo, momento que se notou grande presença de crustáceos tais qual o aratu, o xié, o tesoura, o siri, o caranguejo-uçá no talude dos viveiros e juvenis de peixes no interior dos viveiros, onde nas margens dos rios que cercam o Parque dos Manguezais e Ilha de Deus não mais se evidencia.

A segunda questão é a citação pelos pescadores de uma espécie de mangue, que tanto o diagnóstico da área do Parque dos Manguezais realizado pela Fundação Apolônio Sales (FADURPE) e publicado pela Prefeitura do Recife (RECIFE, 2004), quanto o RIMA do projeto Via Mangue que também realizou outro diagnóstico da área (mais sucintamente) (CONSULPLAN, 2009) não identificaram. A espécie é o mangue botão ou de botão (SHAEFFER-NOVELLI, 1985) (família Combrateceae, gênero Conocarpus, espécie

Conocarpus erecta L./Conocarpus erectus L.) que foi citada por eles como mangue de botão e

confirmada em pesquisa de campo, onde os pescadores localizaram a espécie, nas proximidades do campinho de futebol da Ilha de Deus, na divisa com a ZEIS Ilha de Deus e o Parque dos Manguezais (ou ZEPA 2 Parque dos Manguezais).

Na tabela 3 estão sumariamente representadas as espécies citadas pelos pescadores - com base na frequência de suas respostas - que eles identificaram a incidência no Parque dos Manguezais e Ilha de Deus.

Peixes Frequência Crustáceos Frequência

carapeba 12,8% caranguejo 40% tainha 12,8% siri 20% saúna 10,3% aratu 20% curimã 10,3% guaiamum 13% camurim 10,3% xié 3% xaréu 7,7% camarão 3%

pescada 5,1% Mangue Frequência

mororó 5,1% manso, branco 48%

moreia 5,1% gaiteiro, vermelho, brabo 28%

bagre 5,1% canoé, roxo 16%

camuriçuzinho 5,1% botão 8%

curimaí 2,6% Aves Frequência

camiruçú velho 2,6% garça 35,3%

curucaia 2,6% pato d'água 23,5%

barbudo 2,6% tamatião 23,5%

galinha d'água 17,6%

Espécies que não são mais vistas

Ostra, siri mole, unha de velho, boto, purucá, sururu, xiezinho branco (tesoura), mero pequeno

Mas, por outro lado, as espécies aquáticas citadas por eles, somente incide no Parque dos Manguezais e Ilha de Deus na maré alta: “no entorno da Ilha [Ilha de Deus] elas não

ficam, só sobem com a maré limpa, elas vem e vai, somente o camurimpim que se sobrevive na maré suja” (S.J.M, 35 anos). Algumas espécies citadas na Tabela 3 podem ser

evidenciadas nas figuras 41 e 42.

Tabela 3 – Frequência das espécies de peixes, crustáceos, aves e mangue identificadas pelos pescadores no Parque dos Manguezais e Ilha de Deus

Porcentagens calculadas com base na frequência das respostas dos 19 pescadores entrevistados. Fonte: elaboração própria.

Figura 41 – Espécies de aves e crustáceos no Parque dos Manguezais e Ilha de Deus

0 0

A) pato d’água. B) garças. C) socó. D) tesoura. E) e F) aratus. Fonte: fotografias da própria autora, ano 2011. 0 0 A B C D E F

No mapa comunitário ou mental construído na oficina com os pescadores, eles identificaram os locais de incidência das espécies citadas nas entrevistas, sejam as que ainda incidem mesmo reduzida a frequência, o que foi chamada de Paisagem Atual (Figura 43) e as espécies que eles não mais notaram a presença no manguezal local e que foi chamada de Paisagem da Memória (Figura 44). Por outro lado, na Figura 45 eles identificaram o uso do ambiente local pelos pescadores, destacando os viveiros de camarão e seus proprietários.

de Deus

A) mangue preto/canoé. B) mangue branco/manso. C) mangue vermelho/gaiteiro. D) mangue de botão. Fonte: fotografias da própria autora, ano 2011.

A B

Figura 43 – Mapa Comunitário (ou mental) representando a Paisagem Atual do Parque dos Manguezais e Ilha de Deus

O mapa mental representa as espécies que incidem no Parque dos Manguezais e Ilha de Deus mesmo com reduzida frequência. Fonte: ilustração de Janaina Agra com base em mapa georreferenciado do ITEP de 2007 e construído com a colaboração dos pescadores.

Mapa Comunitário representando as espécies que incidem no Parque dos Manguezais e Ilha de Deus mesmo com reduzida frequência. Fonte: ilustração de Janaina Agra com base em mapa geoprocessado pelo ITEP, ano 2007. As informações contidas no mapa foram construídas com a colaboração dos pescadores.

Figura 44 – Mapa Comunitário (ou mental) representando a Paisagem da Memória do Parque dos Manguezais e Ilha de Deus

Figura 45 – Mapa comunitário (ou mental) dos viveiros de camarão do Parque dos Manguezais e Ilha de Deus

Ilustração de Janaina Agra com base em mapa geoprocessado pelo ITEP, ano 2007. As informações contidas no mapa foram construídas com a colaboração dos pescadores.

Em relação aos processos ecológicos que modificam o ambiente local ao longo do ano e interfere de uma forma ou de outra na práxis dos pescadores, foi praticamente unanimidade a percepção deles em torno das mudanças no ambiente que giram divisoriamente em torno do verão ou inverno.

Para os pescadores, o inverno (de julho a setembro) não é uma época boa para a “pescaria” e nem para cultivar camarão, porque altera a salinidade e temperatura da água. Alguns também afirmaram que no verão a maré está mais limpa, citando um fenômeno da “maré que arrasta o lixo do rio”, que é uma preamar bastante alta que ocorre em janeiro.

Para o pescador S.J.M, 35 anos, ele percebeu mudanças no solo: “no verão é ótimo. O solo é vibrante. No inverno, muda a aparência do solo, fica opaco e as folhas caem muito. O solo fica comprometido”. P.I.S, 48 anos, identificou uma mudança no mangue baixo, em determinada época do ano (não se sabe em que período), as folhas do mangue ficam brancas cheias de sal.

O pescador S.J.M, 35 anos, percebeu processos ecológicos em relação aos caranguejos, quanto a muda do casco do caranguejo (ecdise) “mês que vem (outubro) ele ta

na muda do casco, muda da pele, ela fica mole. Aquela pele seca, dá lugar a uma pele flácida

[exuvia], que no caso vai enxugar um dia” e a andada do caranguejo, que consiste na época do acasalamento do caranguejo, que acontece três vezes ao ano, no final do mês de dezembro, janeiro e fevereiro; o mês de setembro é a época de escassez do caranguejo.

Esse mesmo pescador pesca o caranguejo do modo tradicional: “eu tiro caranguejo

todo mês, mas eu respeito a época da andada, e quando tem que pegar, eu pego no tamanho certo e respeito a muda do casco. Eu pego o caranguejo com a mão no buraco”. E denuncia a

pesca de caranguejo com redinha, que é um tipo de pesca predatória:

Tem muitos colegas meu que pescam com isso [...] ele pega trezentas redinhas, quinhentas, ele não vai encontrar 250. Você tá dentro de uma floresta de mangue, você começa a butar as redinhas nos buracos dos caranguejos, você bota trezentas, você não vai encontrar as trezentas e aquele que ficou lá [o caranguejo][...] vai ficar ali amarrado e vai morrer de fome e cansaço. Há um desperdício de uns 40%. Isso ai é crime. [...] Esse pessoal é de fora, que vêm do Cabo, Jaboatão. [...]. Eu não sei dizer quantos são que fazem isso, mas por exemplo, de dez, três pescam como eu pesco [com a mão no buraco], o resto é com redinha.

Essa redinha é feita do náilon de sacos de farinha, e no momento da pesquisa de campo, foi identificada essa situação, como mostra a Figura 46.

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