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histoire du CAMES

REDRESSEMENT FINANCIER ET EFFORTS DE MODERNISATION

Freeman (1984, p. 46) define stakeholder como qualquer grupo ou indivíduo que afeta ou é afetado pela execução de objetivos de uma organização. Para esse autor, os stakeholders são classificados como internos à firma, inter-firmas e externos à firma. Os internos incluem acionistas, funcionários, prestadores de serviço direto e outros envolvidos na gestão da operação. Os inter-firmas contêm interações externas que se conectam fortemente com a firma, tais como fornecedores, compradores, consumidores finais e clientes. Os externos têm laços econômicos fracos com a firma e podem incluir ONGs, reguladores, governo e comunidades.

O processo de identificação dos fatores de risco em estudo exige a delimitação do alcance da CAS. Isso inclui conhecer a rede de organizações a montante e jusante da CS e

potenciais stakeholders (BUSSE et al., 2017). Hofmann et al. (2014) e Forestl et al. (2010) apontam que os fornecedores da firma focal são importantes fontes de incerteza e, por isso, recomendam que sejam identificados e o desempenho social, ecológico e ético conhecido. Tachizawa e Wong (2014) agregam a esse mapeamento a importância de conhecer os múltiplos níveis de fornecedores indiretos.

Ao estudar a cadeia de tomate na Europa, Busse et al. (2017) argumentam que as organizações são capazes de identificar riscos reputacionais fazendo uso de um modelo processual, conforme apresentado na Figura 5. Após analisar o contexto em que a CAS está inserida, iniciam-se intervenções com uma análise aprofundada da formação da CAS para mapear hotspots, encontrando, assim, os pontos de maior vulnerabilidade da CAS. Esse processo é apresentado no modelo como análise da CAS e sugere-se que seja uma intervenção que ocorre ciclicamente, pois a CAS pode ser bastante dinâmica.

Figura 5 – Modelo processual de identificação de riscos à sustentabilidade em fornecedores que afetam a reputação de CS

Fonte: BUSSE et al. (2017).

Busse et al. (2017) classificam os stakeholders que exercem pressão sobre CAS em duas categorias. Os denominados defensores exercem maior pressão aos agentes da CAS e não têm ligações diretas com a cadeia. Já os chamados de privados influenciam os defensores e geralmente têm uma ligação ou são membros da CAS.

Como visto, fatores de risco sociais e ambientais que afetam a reputação estão associados às reações dos stakeholders (BUSSE et al., 2017; CARTER; ROGERS, 2008; HOFMANN et al., 2014; KAO; REDEKOP; MARK-HERBERT, 2012; SEURING;

Elevada pressão de stakeholders por sustentabilidade ampla CS invisível. Análise da CS Análise dos Stakeholders Análise dos problemas de Stakeholders

Processo de identificação de risco à sustentabilidade em CS Suficiente entendim ento? Entende zonas de risco à sustentabilidade em CS Sim Não

MÜLLER, 2008). Dessa forma, os artigos revisados permitem classificar os stakeholders como ONG, sociedade civil, ativistas, funcionários da organização, consumidores, governo, órgão regulador, mídia, pesquisadores, acionistas, organizações internacionais, iniciativas setoriais, concorrentes e sindicatos. ONG, sociedade civil e grupo de ativistas são os tipos de stakeholders mais frequentes citados como ameaça a CS, seguido de instituições governamentais e consumidores. Isso reforça que os stakeholders precisam ser considerados nas estratégias de mitigação mencionadas a seguir.

Por sua vez, Hofmann et al. (2014) destacaram os concorrentes, as comunidades locais, governos, investidores, ONGs, movimentos sociais, clientes, fornecedores, acionistas e sindicatos como sendo os principais stakeholders a influenciar o desempenho da empresa. Para esses autores, a preocupação com a reputação pode, inclusive, impactar na configuração das cadeias de suprimento, uma vez que fornecedores com práticas ilegítimas são indesejados. Os stakeholders são considerados a principal fonte de pressão para a adoção de práticas sustentáveis em CS (BUSSE et al., 2017; FOERSTL, 2015; HOFMANN et al., 2014; REUTER et al., 2010). Por isso, os modelos teóricos sugeridos por esses autores têm proposto que a identificação do risco deve começar por uma análise dos stakeholders que podem afetar a CS. Hofmann et al. (2014) sugerem que essa análise seja feita pela identificação dos stakeholders e suas expectativas. Busse et al. (2017) propõem um arranjo teórico específico para essa identificação de risco à sustentabilidade, que envolve um profundo estudo da rede de fornecedores com uso de uma abordagem de engenharia reversa, reconhecimento dos stakeholders que exercem maior poder sobre a CS e análise dos interesses e atitudes que possam ter relação com a CS.

O modelo de identificação de risco proposto por Busse et al. (2017) e apresentado anteriormente na Figura 5 destaca a necessidade de um levantamento dos stakeholder mais relevantes por meio de consultas aos fornecedores diretos e atores externos a CS, além da verificação de informações públicas disponíveis. Posteriormente, as expectativas desses stakeholders mais relevantes e de maior poder sobre a CS precisam ser entendidas como potenciais fatores de influência ao risco reputacional. Com base nesse modelo, os autores identificaram três fatores de risco à reputação da CAS, sendo eles: salários e condições de sociais dos trabalhadores rurais, transparência na origem da matéria-prima e criminalidade envolvendo membros da CAS, tais como corrupção e imigração ilegal.

Em resumo, há indícios de que a identificação dos fatores de risco escopo do presente estudo aconteça por meio do entendimento das expectativas de stakeholders-chave na CS de carne oriunda da Amazônia. Sendo assim, mapear os pecuaristas dos frigoríficos e os

stakeholders que exercem maior pressão a essa CAS são etapas necessárias nesse processo. Agregado a esse levantamento, suspeita-se que conhecer a percepção dos stakeholders é determinante para se definir quais dos diversos fatores de risco à sustentabilidade que se traduzem em riscos reputacionais concretos.

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