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2. Overview

2.2. The Recovery Cycles

Para apreender e focar sobre o conceito de fluxos comerciais é necessário delinear antes sobre a importância da contabilização das transações econômicas e a determinação dos termos de intercâmbio nos países, bem como sobre as limitações das informações disponíveis para elaboração de um fluxo de comércio a nível Estadual ou Local.

i) Contabilização econômica e Balanço de Pagamentos

O interesse (e preocupação) dos governantes, planejadores e demais agentes econômicos em conhecer a posição – se devedora ou credora – de um País em relação à economia internacional vem desde sua constituição como Estado-Nação. A partir de então, padrões e instrumentos analíticos foram estabelecidos e utilizados para se saber o real panorama das transações correntes, desde os pagamentos até as transferências unilaterais.

39 Dentre os instrumentos mais aplicados para este fim está o Balanço de Pagamentos (BP), atualizado desde os anos 1940, tendo como objetivo estabelecer um padrão estatístico e contábil entre os países integrantes da Organização das Nações Unidas (ONU), facilitando as transações, transferências e fluxos comerciais e financeiros internacionais.

Em suma, o BP é expresso por meio de um relatório estatístico – elaborado pelo Banco Central/BACEN ou instituição equivalente –, e descreve as transações correntes (balança comercial e de serviços), transferências unilaterais e movimentos de capital. Uma dessas subcontas, a Balança Comercial, trata das relações comerciais de exportação e importação de bens e serviços de um país com o “resto do mundo”, em sua maior parte entre residentes e não-residentes, durante um determinado período de tempo (BUCARESKY, 2005; FEIJÓ, 2008). Estes registros possibilitam aos governos acompanhar a evolução do fluxo de recursos materiais e financeiros entre os agentes internos e externos, isto é possível porque a maioria dos países – inclusive o Brasil – segue as normas internacionais publicadas pelo Fundo Monetário Internacional-FMI (FEIJÓ, 2008) – este por sua vez adota a metodologia de registro contábil compatível com o Manual de Contas Nacionais (ONU, 1993) da ONU.

No Brasil, o cálculo do Balanço de Pagamentos é realizado apenas para o país, as informações não são discriminadas territorialmente por estados, municípios ou regiões. Esse fato implica na dificuldade dos Estados em mensurar o que está entrando ou saindo do seu território: bens, serviços, rendas, pagamentos, investimentos, juros, etc. Um dos motivos dessa dificuldade está na centralização de vários componentes das contas e subcontas do Balanço de Pagamentos que passam pelo controle do Banco Central do Brasil. No entanto, os dados sobre o Comércio Exterior, que tem seus resultados divulgados pela SECEX/MDIC, se verifica que há informações e dados disponíveis para mensurar por Unidades da Federação, e em até alguns casos por municípios.

A mensuração das transações entre residentes e não residentes de um país com o resto do mundo não é uma tarefa fácil conforme explicitado acima, o que a torna um importante campo aberto de estudos. Portanto, a elaboração de um Balanço de Pagamentos a nível regional, estadual ou em outras escalas não é exequível. Em consequência os Estados e Municípios deixam de saber com maior clareza sobre as transações que realizam com outros países, entre Estados e também entre seus municípios. Informações assimétricas ou mesmo a subestimação ou sobre-estimação de valores prejudicam as análises dos Governos, das empresas e organizações em planejar e desenvolver políticas públicas adequadas e integradas para promover o desenvolvimento econômico local e territorial no Estado. Essa é uma

40 problemática que deve ser considerada quando tratamos sobre Arranjos Produtivos Locais.

ii) Os fluxos comerciais do APLs

O APL não é um espaço geográfico ou uma região geopolítica delimitada por um Governo, sua abrangência e atuação transbordam essas áreas físicas determinadas, pois sua formação tange a trajetória histórica e aos aspectos e vínculos institucionais constituídos entre os atores no que concerne a sustentabilidade e desenvolvimento da localidade com características e interesses comuns. Logo, se percebe que a dificuldade em mensurar as transações e resultados do comércio num APL é uma tarefa que precede maior estudo e análise.

Os APLs importam e exportam muitos insumos, produtos e derivados, essas transações são feitas com outros países, outros Estados e entre municípios do Estado. A falta de um Balanço de Pagamentos para os Estados dificulta a análise e definição de quais as demandas e os grandes gargalos de um APL. Uma vez identificadas, ajudarariam na redução dos desequilíbrios em vez de reforçá-los.

No entanto, é possível a partir dos Fluxos Comerciais analisar a participação aproximada dos APLs na produção e no comércio interestadual e internacional dos Estados. Esta ideia se apóia nos dados secundários do ALICE-Web – sistema informatizado do SECEX/MDIC que fornece dados periódicos das exportações e importações de vários bens pelo seu valor free on board (FOB)18, descentralizados inclusive por Estados –; das Secretarias da Fazenda dos Estados de Pernambuco e Bahia (SEFAZ-PE e SEFAZ-BA) – que apresenta informações das transações entre Estados – e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)19 – que fornece várias estatísticas atualizadas populacionais e de economia por Municípios e Estados.

A análise da produção e do fluxo comercial interestadual e internacional possibilita identificar e verificar as políticas e ações implementadas pelas diversas esferas institucionais, públicas ou privadas, gerando um entendimento a respeito das melhores formas de ação integrada nos APLs, fortalecendo, ainda, uma maior articulação das políticas implementadas pelas diferentes esferas institucionais.

18 Valores de bens sem custos adicionados de fretes, impostos, comissões e seguros, etc (FEIJÓ, 2008). 19

41 CAPÍTULO 2

APL DE FRUTICULTURA IRRIGADA DO VALE DO SUBMÉDIO DO SÃO

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