EXTRAIT DU REGISTRE DES ARRETES DU PRESIDENT DE LA METROPOLE DE LYON
Article 5 - Tout recours contre la présente décision doit être formé auprès du Tribunal administratif de Lyon dans les 2 mois à partir de sa notification
Após 13 anos de parceria com o governo federal para atenção à saúde de seus associados, um milhão de atendimentos gratuitos prestados e 48 Postos de Saúde construídos, a Cooperalfa recebeu um ofício comunicando o fim do convênio (COOPERALFA, 1994; KLEBA, 2005; COOPERALFA, 2007).
Com a comunicação, alguns atendentes foram realocados em outras funções e outros tiveram seu contrato rescindido por não haver vaga em sua filial ou possibilidade de transferência; algumas construções dos Postos de Saúde foram ocupadas por funcionários das filiais; parte do material permanente foi aproveitada pelas prefeituras que mantiveram contrato de comodatos com a Cooperalfa; e, outra parte foi vendida para terceiros (COOPERALFA, 1994)
Pode-se colocar que, oficialmente, a finalização do Programa desenvolvimento na área da saúde pela Cooperalfa ocorreu no ano de 1994. Entretanto, existia um sentimento de que o Projeto originalmente proposto teria terminado muito antes, ao final de 1982, com a demissão dos coordenadores técnicos da UFSC.
Essa ruptura parece ter sido determinante para uma mudança nos objetivos e na forma de operar dos serviços, descaracterizando o ideário inicial da proposta voltado para as mudanças sociais através de uma metodologia dialética e transformando-se basicamente em um serviço ambulatorial, preventivista e curativista. A própria contratação dos profissionais, principalmente médicos, a partir de então passou a ser definida pela cooperativa com base em critérios próprios, diferentes daqueles originalmente propostos (COOPERATIVA REGIONAL ALFA, 1984).
Distintas variáveis se somaram para a ocorrência desta ruptura, como a dificuldade crescente de realizar supervisão constante com os médicos do Projeto – diante da distância percorrido pelos coordenadores, que residiam em Florianópolis –, determinando uma desvinculação destes com o dia-a-dia do Projeto e com seus integrantes (COOPERATIVA REGIONAL ALFA, 1984).
Outro aspecto foi a difícil relação com os médicos que atuavam na área (privados, hospitalares, especializados), que receberam o Projeto como uma ameaça de redução de seus ganhos, dificultando a organização de um sistema de referência e contra-referência na região.
Mas, principalmente foram os fatores políticos que determinaram a conjuntura para essa ruptura, em que, apesar do objetivo comum de trabalhar em prol de uma transformação social, a divisão entre posturas partidárias e basistas na região caracterizou dois grupos distintos no Projeto. Não havendo comunhão de ideários políticos, a ligação entre o grupo acabou se tornando muito mais afetiva do que técnico-política (COOPERATIVA REGIONAL ALFA, 1984).
Essa heterogeneidade foi determinante para a não articulação oficial com qualquer partido político da região, o que, somado à sensação de auto-suficiência, acabou contribuindo para a falta de respaldo para a continuidade do Projeto de Saúde inicial (COOPERATIVA REGIONAL ALFA, 1984).
Além disso, a própria conjuntura local na época denotava certa fragilidade às propostas do Projeto, consideradas ameaçadoras para o poder local. A articulação dos profissionais com a comunidade era algo que prejudicava a manutenção da hegemonia local e, por isso, havia forte influência política nos rumos do Projeto, como demonstram os relatos abaixo:
Tinha lá uma sucursal da Sadia em Guatambu, a Cooperalfa, tinha um convênio com a Sadia. Mas, a Sadia jogava os dejetos de porco nos riachos, então tinha carcaça apodrecida aos montes no riachinho... Aí [...], como era um riacho correntoso, tinha borrachudo. Então, o borrachudo saía de lá infectado, tá? E se é uma coisa que tem em riacho correntoso é borrachudo e borrachudo com aquele caldo de carne, era infecção. Então, o que tinha de, de flebite, erisipela e companhia limitada era um monte. E aí ela [a enfermeira do Projeto] disse olha, não adianta ficar tratando erisipela ou tentar eliminar o mosquito sem limpar esse rio e aí organizou os Agentes, os Agentes organizaram a comunidade e passeata contra a Sadia. Em 1980 isso era um grande problema, entende? Aí ela foi demitida13. [...] Então, a gente tinha que trabalhar meio que pisando em ovos. O treinamento dos Agentes era o nosso espaço, a gente pôde falar meio que tudo
13 Em relato da enfermeira do Projeto, é colocado que a mesma foi readmitida posteriormente por conta da pressão exercida pela própria Coordenação e pelos atendentes de enfermagem do Projeto.
o que quis. Mas, na prática a atuação poderia ser mexendo nos determinantes, desde que não houvesse o enfrentamento ao poder político local (Entrevistado 1).
As desconfianças políticas aumentaram em 1982, com a chegada das eleições estaduais. A falta de uma ligação clara do Projeto a partidos políticos, enfim, acabou provocando suspeitas tanto da oposição quanto da situação, o que serviu para aumentar o conflito interno do grupo (COOPERATIVA REGIONAL ALFA, 1984).
Após as eleições, a situação definiu-se como vencedora para o governo do estado, mas na região de abrangência da Cooperalfa houve vitória da oposição. Apesar da articulação do Projeto de Saúde com a Cooperalfa se dar através de uma pessoa com ligações claras com um partido de oposição, a diretoria da cooperativa, por interesses econômicos e políticos, estava ligada ao partido de situação (COOPERATIVA REGIONAL ALFA, 1984). Ou seja, os resultados locais foram de encontro aos interesses da instituição.
Pretendendo sua reeleição, a diretoria buscava, com um projeto deste tipo, atender uma necessidade sentida de seus associados. Para tanto, investiu no alívio da tensão social almejando a obtenção de votos (portanto, buscava o maior número de atendimentos possível) através da prestação de serviços que utilizasse o mínimo de recursos, aliada à intenção de manutenção da hegemonia partidária local (COOPERATIVA REGIONAL ALFA, 1984).
Além do embate com os médicos privados e hospitalares da região e com a própria cooperativa, essa situação determinou uma ruptura com a Igreja Católica, que sempre esteve muito próxima à coordenação do Projeto, conforme o relato abaixo:
Pra eles o pessoal da Cooperativa era meio que inimigo, então nós tínhamos uma relação dos dois lados. E, na medida em que em uma determinada situação, ficou meio claro que nós éramos de esquerda, a Igreja tava disposta a nos dar proteção e a gente comprou uma briga com a Cooperativa porque parte do nosso pessoal resolveu não, nós somos Cooperativa e não somos esquerda e aí criou parte de um conflito que foi a meleca final do Projeto, tá? (Entrevistado 1).
Percebe-se, portanto, que enquanto as relações emocionais determinavam basicamente o funcionamento do grupo, a variável política determinou uma ruptura nesta ligação, prejudicando sensivelmente a atuação técnica. Somando-se os anseios políticos e econômicos da própria direção da Cooperativa e a desconfiança generalizada com um Projeto que não se assumia de nenhum partido ou lado político, conformou-se uma conjuntura para o começo do desmantelamento do Projeto inicialmente proposto.
4.1.7 Análise sobre o Projeto de Saúde da Cooperalfa (1980-1982)