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Recorregut pels autors més representatius: Pablo Minguet, Rodríguez Calderon,

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2. TRACTATS I MANUALS DIDÀCTICS DE DANSA DEL SEGLE XVIII

2.2. Recorregut pels autors més representatius: Pablo Minguet, Rodríguez Calderon,

O Censo do Livro Digital, como se viu, mostrou que apenas 37% das editoras produzem livros digitais. Quando se trata de livros para crianças, os estudos desenvolvidos para esta dissertação mostram que, sobretudo em relação aos interativos, a situação é ainda pior. Ao ouvir gestores e editores de grandes empresas editoriais nacionais, percebe-se que hoje quase não há investimento em livros digitais interativos para crianças; isso após uma certa euforia inicial do mercado, há alguns anos – ainda antes da implantação da categoria Infantil Digital no Prêmio Jabuti –, quando cogitava- se que o Governo Federal fosse investir nos modelos digitais. Sobre isso, além de fala anterior, já mencionada no item 3.1, pode-se destacar o relato de Lavínia Fávero:

[...] naquela época, os custos eram bastante altos - e continuam sendo - para fazer aplicativos como esse que a gente fez [Meu Aplicativo de Folclore]. Eu acho que a questão do livro digital não pode deixar de ser analisada em paralelo, juntamente com a questão do livro infantojuvenil impresso, especialmente do infantil. Esse é um mercado aqui no Brasil que sofreu uma retração bastante significativa nesses últimos anos, desde que esse aplicativo saiu, em grande parte por conta de os programas de compra governamental de livros terem ficado suspensos. E daí vinha uma boa parte do faturamento do segmento. Então, assim como os livros impressos - na área de impressos houve uma retração no número de lançamentos -, com os digitais aconteceu a mesma coisa. Mas mesmo antes disso, e fora do Brasil... participei de diversas feiras internacionais, conversando com grandes publishers internacionais... o investimento em livros digitais, que não sejam simplesmente PDF, também sofreu, rapidamente... foi quase abandonado, porque as editoras, mesmos essas grandes casas mundiais, globais, viram que o custo é muito alto e o retorno desse investimento é muito difuso. (FÁVERO, 2018, em entrevista à autora, disponível no Apêndice K)

Sobre o desinteresse das editoras, continua Fávero:

Você tem aí uma série de fatores, desde dificuldades de conseguir um faturamento claro do número de downloads pelos grandes players das grandes lojas de aplicativos. [...] é muito dúbia a maneira, a monetização desse produto para as empresas que o desenvolvem, ainda é muito difusa. Então, nesse sentido, eu acho que voltamos alguns passos e cada vez mais se vê soluções simples, como PDF, enfim, até porque tem isso... você colocou na questão 9, a questão da evanescência. Não é só desenvolver e colocar um aplicativo à venda. Você tem todo um custo de manutenção desse aplicativo, de atualização de sistema operacional, de milhares de coisas, que, enfim, tornam o retorno no investimento nesse tipo de produto, especialmente em um setor que está em crise, muito duvidoso. Então, a impressão que eu tenho é que, neste momento,

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talvez, aplicativos e livros andem um pouquinho mais separados. Eu acho que desenvolvedores de aplicativos podem até fazer coisas relacionadas a livros, mas eu custo a ver editoras, pelo menos no segmento de literatura - em livros didáticos isso é bem diferente -, com aportes de investimento nesse setor. (FÁVERO, 2018, em entrevista à autora, disponível no Apêndice K)

Pesquisando a política de livros digitais para crianças em outras grandes e médias editoras, como Companhia das Letras, Rocco, Global, confirma-se o que afirma Fávero. Houve uma retração do mercado editorial, que deixou de investir em iniciativas digitais inovadoras e mais caras.

Gustavo Tuna, gerente editorial da Global, conta que a editora investiu em digitais interativos para crianças (os livros-aplicativos A Flor do Lado de Lá, de Roger Mello; Casulos, de André Neves; Os Mergulhadores, de Mariana Massarani; Curvo ou Reto? e Quem foi que Fez?, de Ana Maria Machado e Luisa Baeta, disponibilizados em 2014), mas que a empresa parou de apostar no formato por falta de retorno do mercado:

[...] é um investimento muito grande que se faz para se fazer um aplicativo. Muito grande. [...] E isso não gerou efeito. E aí não se fez mais livros infantis. [...] acredito que parou em função do pouco retorno que não só a Global, mas outras, tiveram... do aplicativo. Não teve um retorno... pode-se falar ‘ah, mas vocês... é uma coisa imediatista?’. É que na verdade, o mercado já está há um tempo em crise. O impresso está, infelizmente, em crise; o digital, ainda mais. Em função até das limitações que a gente sabe que existem por parte das escolas e da própria vida das pessoas, né? Para a pessoa ter um leitor, ela precisa dispor de um dinheiro, ela precisa ter habilidade de lidar com aquele leitor, então tem uma série de coisas que acabam, num país como o Brasil, limitando o acesso. (TUNA, 2018, em entrevista à autora, disponível no Apêndice G)

Tuna explica que a editora tem investido em digitais, apenas para livros de literatura adulta, no formato EPUB:

Boa parte do catálogo tem sido feita no formato EPUB. Atualmente... a Global é formada por quatro editoras: Global, Gaia, Gaudi e Nova Aguilar. Hoje, a Global e a Gaia têm e-books. A Global tem 266 títulos em e-book e a Gaia tem 38. Agora, mais recentemente, coisa de um ano pra cá, a editora tem procurado, sempre que lança o físico, lançar simultaneamente o digital. (TUNA, 2018, em entrevista à autora, disponível no Apêndice G)

Para o editor, o horizonte para os livros digitais interativos não é animador e, para mudar esse panorama, seria necessário a popularização dos dispositivos de leitura digital nas escolas, com o apoio do Governo:

Eu não vejo muito horizonte bom para esse mercado. Eu acredito que, infelizmente, só a partir do momento em que os governantes, o poder público

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começa a pensar em políticas públicas de compra de leitores para disponibilizar nas escolas, é que isso poderia reverter; que daí as crianças e os adolescentes poderiam pegar um maior gosto... Enquanto não houver uma massificação dos leitores, o celular vai continuar sendo aquele dispositivo que é para falar, entrar na internet e jogar. É um barato, as pessoas gostam de jogar em rede, mas ler mesmo ainda é uma barreira. (TUNA, 2018, em entrevista à autora,disponível no Apêndice G)123

A Companhia das Letras, que havia apostado em livros digitais interativos para o sistema iOS, especialmente para iPads, já em 2011, também recuou. Após o lançamento de três livros-aplicativos, incluindo Quem soltou o PUM?, finalista do Bologna Ragazzi Digital Award, em 2012, a editora parou de investir no formato e os livros tiveram as vendas suspensas em janeiro de 2018. Assim afirma a coordenadora de Livros Digitais da editora:

Desde o começo sabíamos sobre as dificuldades que teríamos no mercado de aplicativos, principalmente em termos de divulgação e da expectativa de preço do consumidor. Nosso investimento neste formato foi, em parte, encarado como uma ação de marketing: naquele momento do mercado, era uma maneira de posicionar a editora como pioneira no mercado digital. Deste ponto de vista, considero a experiência positiva. (PASTORE, 2018, em entrevista por e-mail, disponível no Apêndice H)

Marina Pastore conta que a editora produz a maior parte de seus lançamentos simultaneamente nos formatos impresso e digital (não interativo), mas que ainda tem poucos infantis digitais. O foco, nesse caso, são os livros que têm mais texto e maior procura na versão impressa, caso, por exemplo, de Malala, a Menina que queria ir para a Escola: “Sempre que possível, procuramos adaptar o layout destes livros para o EPUB de layout fluido; em poucos casos (como As Aventuras do Capitão Cueca) recorremos ao layout fixo. ” (PASTORE, 2018)

Ela ressalta o alto investimento para a produção dos interativos, em relação aos e-books em EPUB:

Não tenho o número exato (quando eu entrei na editora, em 2011, o app [Quem soltou o PUM?] já estava sendo produzido), mas se eu não me engano, o

123Ao que se indica, o interesse do Governo Federal em relação aos livros digitais continua focado,

unicamente, na produção de conteúdos acessíveis, e que podem ser acessados em computadores comuns, como mostra o último edital de compras de livros dentro do Programa Nacional do Livro e do Material Didático. O chamado PNLD Literário 2018 inclui a exigência de “Livro Digital Acessível”, apresentado em formato EPUB 3.0.1. As especificações são trazidas no Anexo IV do edital. Não se percebeu durante a pesquisa movimentação em direção a um real incentivo à ampliação de meios para a leitura de livros digitais, desvinculado da questão da acessibilidade. Edital do PNLD Literário 2018 disponível em: https://www.fnde.gov.br/programas/programas-do-livro/consultas/editais-programas- livro/item/11568-edital-pnld-liter%C3%A1rio. Acesso em: 4 jan. 2019.

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desenvolvimento do app custou em torno de R$20 mil. Só a título de comparação, a produção de um e-book simples do Quem soltou o Pum? (em layout fixo, mas sem elementos interativos) ficaria em torno de R$500,00. (PASTORE, 2018, em entrevista por e-mail, disponível no Apêndice H)

Mariana Cezar de Andrade de Mello e Souza, coordenadora de Livros Digitais da Rocco, afirma que a editora não possui atualmente nenhum livro digital interativo e nenhum projeto desse tipo em desenvolvimento, apenas e-books convencionais, que são produzidos e lançados simultaneamente com a versão impressa. Já tendo participado do desenvolvimento de um projeto de livro interativo, versão digital brasileira do clássico O pequeno príncipe, com animações, sons, narração e jogos, ela não descarta, no entanto, que esse mercado possa se desenvolver no futuro:

Não temos nenhum projeto em desenvolvimento no momento, mas não descartamos a possibilidade no futuro. Livros interativos são projetos especiais que atualmente não fazem parte da nossa rotina de produção normal. Eles envolvem um desenvolvimento diferenciado, muitas vezes envolvendo uma produção externa, o que torna o projeto um pouco mais complexo. [...] Eu não possuo muita experiência com o mercado de livros interativos, mas acredito no potencial a médio e longo prazo. Livros infantis (impressos) para crianças pequenas já possuem várias formas de interação como diferentes texturas, abas que levantam, partes que se mexem e livros com sons. Acho que as crianças que estão crescendo com tablets e smartphones formarão um público nativo digital que poderá incentivar o mercado a criar cada vez mais produtos interativos, sejam eles livros, jogos educativos, plataformas de ensino, entre outros. (SOUZA, 2018, em entrevista por e-mail, disponível no Apêndice I)

Entre as editoras consultadas nesta pesquisa, apenas a FTD Educação, que produz livros didáticos e de literatura e que tem como maior foco o mercado escolar, afirma atuar mais intensamente com formatos digitais para livros infantis. A empresa trabalha com diversos formatos, desde PDF interativo até realidade aumentada (presente em alguns materiais didáticos), produzindo também EPUBs e apps de literatura infantil. A editora, Isabel Lopes Coelho, afirma que houve um investimento para a disponibilização de versões das obras de literatura, mas que “o mercado escolar não absorveu de imediato a demanda” (COELHO, 2018, em entrevista por e-mail, disponível no Apêndice N). Segundo ela, a editora tem uma equipe que desenvolve obras digitais tanto para os livros didáticos como para os de literatura e paradidáticos. “Eu só consigo responder pela área de literatura. A FTD tem mais de cem títulos vertidos para a linguagem digital. São EPUBs e apps, que funcionam em todos os suportes”. Hoje, a editora produz os livros acessíveis, como estipulado por lei, e os digitais sob demanda.

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Questionada sobre como via o mercado de livros digitais para crianças hoje e no futuro, ela afirmou:

[...] trata-se de uma área muito singular e instigante, certamente teremos que nos adaptar melhor no futuro. Hoje, vejo que as escolas ainda não estão tão preparadas para trabalhar com o material digital, a não ser escolas de ponta, é uma ou outra instituição”. E, no âmbito doméstico, existe a questão do hábito de leitura, que é também um paradigma. Eu não sou especialista no assunto, mas creio que falta demanda e produção para alimentar uma possível demanda. Ou seja, o círculo mercadológico ainda não se fechou”. (COELHO, 2018, em entrevista por e-mail, disponível no Apêndice N).

Com as informações das pesquisas e as entrevistas coletadas, confirma-se que o mercado editorial tradicional está entrando no mundo digital, mas pelo caminho mais simples, o dos e-books não interativos, excluindo, em grande parte das vezes, o público infantil, exceção feita a uma ou outra editora com foco escolar (como a FTD, que vem produzindo os digitais interativos, ainda que sob demanda). Aparecem nessas discussões questões como custos de produção e atualizações, recursos humanos especializados, baixo interesse do público (as editoras ouvidas não quiseram informar o número de downloads obtidos) e retorno financeiro.

Dans le document PROJECTE FINAL (Page 24-27)