O objetivo principal deste capítulo é o de estabelecer algumas reflexões e alguns fundamentos que possam possibilitar a compreensão da relação entre a ética, através das suas várias classificações, e a conceção política.
A ética é um ramo da filosofia e perante este tipo de conhecimento temos de compreender que o mesmo poderá ser interpretado de diversas formas, consoante o tipo de homem que queiramos analisar. Como se a filosofia apresentasse “várias interpretações e extensões” e por tal facto, torna-se necessário considerá-la nos seus diversos aspetos, cada um dos quais tem significado diferente e oferece perspetivas também distintas. A filosofia de vida ou a filosofia desportiva e, por inseparabilidade, a filosofia política de um poderá não ser igual à do outro elemento em comparação.
Se nos limitássemos a encarar a ética no plano geral ou abstrato, não poderíamos com facilidade descobrir e entender a sua importância ou validade no sentido da racionalidade, na lógica incutida na perceção do sentido ético e moral. Por tal facto, há uma grande necessidade da realização de uma análise adequada de acordo com classificações que sejam esclarecedoras.
Urge de uma vez por todas irmos ao encontro de respostas para questões constantemente colocadas nos diferentes contextos e conjunturas ético-sociais, ético-políticas e ético-desportivas, e de que raras vezes se conhece o seu alcance e muito menos se obtém respostas esclarecedoras para as dúvidas do homem.
Foco por exemplo, questões importantes de compreensão da extensão ética e da política na sociedade e no desporto, a perceção das possíveis ligações da ética e quais os setores humanos, a quem pode interessar a mesma ética. Equacionando o problema desta maneira, podem-se indicar alguns caminhos de classificação muito elucidativos e que segundo Viana (1989) revelam de modo impressionante, a amplitude e transcendência da questão.
No geral e de acordo com o referido autor, é costume distinguir-se entre ética teórica e ética prática, ou seja, tendo por base uma outra terminologia, entre
Ética ciência e Ética arte. Importante será perceber estas duas vertentes, a ética teórica, terá a categoria de ciência, sobreposta ao conhecimento filosófico, do ponto de vista do estudo humano. Será o estudo do bem, do dever e do fim último do homem, e a ela competirá a busca das leis ideais da verdade moral. Estuda os problemas fundamentais e gerais no plano filosófico, ou seja, o objeto, os fins e a responsabilidade do homem político do desporto. Enquanto a ética prática será a categoria da “arte”, a técnica do bem e do dever, e a ela competirá a busca das regras adequadas e válidas, suscetíveis de orientarem a vida com acerto, assim como a adaptação dos princípios ideais, como é o caso do ideal ético, às realidades e necessidades da vida, com vista à conquista do bem perfeito, neste caso, o bem público no plano político do desporto.
Viana (1989) salienta que se está, portanto, perante um binómio “ética ciência” e “ética arte” mas este mesmo binómio não é suficiente para nos revelar, em toda a sua transcendência, a missão polivalente da ética, nas sociedades humanas. Profere que a ética não pode interessar apenas ao homem, como individuo, interessa também ao homem como elemento integrante da sociedade. Considerada sob este âmbito, apresentam-se dois ramos da ética, a ética individual e a ética social.
Sendo o homem ético do desporto, como é, um animal político, dado que só na polis pode viver, importa que ele esteja bem e em paz com a sua alma, com a sua consciência. Todavia, isso não chega, pois implica também que ele viva de uma forma verdadeiramente humana, em perfeita harmonia e ajuste com a polis de que faz parte e com a qual mantém relações humanas.
Relacionando com a posição de Aranguren (1958), o homem como cidadão terá de conduzir-se, eticamente, nos seus contatos com os seus semelhantes e o próprio Estado terá de se interiorizar do ponto de vista ético, o “Estado ético”, tratando eticamente aqueles que nele estão integrados. É uma questão de “mútuos ajustamentos” como refere o autor, tais como, geográficos, jurídicos, económicos, políticos, sociológicos, filosóficos, psicológicos e até mesmo antropológicos.
Mas tal como Lopes de Sá (1998) refere o assunto não poderá ser somente analisado sob estes únicos pontos de vista, pois, na realidade, para além da ética cívica, de caráter geral, há que ponderar outros tipos de relações específicas, igualmente básicas, representadas pelas relações entre o homem e os grupos em que ele está integrado e pelas relações entre os diversos grupos, e sob este ponto, convém distinguir a ética intragrupal e a ética intergrupal.
O homem do desporto como ser político, tem deveres para com o grupo ao qual pertence ou no qual ingressa, e o grupo, por sua vez, tem deveres para com os seus componentes, nomeadamente na forma ética como cada um destes elementos se conduzir. Desta interação dependerá a coesão, a força, a prosperidade, a continuidade e a dignidade de cada grupo na polis. Há portanto uma dimensão política implícita no estudo e na classificação da ética.
Por outro lado, é preciso não esquecer que nas sociedades desportivas e por conseguinte, humanas, não se verificam apenas relações entre indivíduos e grupos, pois também se processam relações entre grupos, as quais não podem ficar excluídas do âmbito moral e, têm por consequência, de ser reguladas por princípios éticos, para que haja uma hierarquia, ordem e possibilidades de coexistência pacífica no seio das coletividades, associações e instituições desportivas e públicas.
Mas a questão ainda não poderá quedar-se neste âmbito, pois o homem é um animal ativo, um ser que trabalha, e como tal, há que atribuir especial relevância a este facto, tornando-se importante relacioná-lo com a opinião de José Mallart (1960). Este autor considera necessário preparar as massas para que estas trabalhem e produzam nas melhores condições técnicas e éticas, proporcionando ao respetivo país um alto bem-estar.
Analisada à claridade deste critério, e para a política do desporto, a ética pode ser considerada sob dois aspetos, sendo de salientar a posição de Viana (1989) que diferencia entre a ética geral e a ética profissional, correlacionando- se estes dois tipos de ética entre si, enquanto consideram o homem como trabalhador e como político.
Assim, na ética geral, o homem político do desporto não deverá esquecer a sua situação profissional, em que, quanto mais importante e elevada for a atividade desempenhada, o papel que tem na gestão e na política desportiva, tanto mais ela se projetará do ponto de vista ético sobre o profissional, impondo-lhe uma conduta que não o prejudique como trabalhador nem prejudique a profissão ou vocação por ele desempenhada, e perante isto, é imperativo estabelecer novamente a ponte com a opinião de José Mallart (1960).
Este sustenta que há uma necessidade da conveniência de glorificar o trabalho prestado como serviço, com abnegação e heroísmo, com ânimo de contribuir para o bem geral e político e a necessidade de associar intimamente a vida profissional de todos os produtores numa irmandade, dentro da necessária hierarquização.
É claro que a ética terá de fixar uma escala de valores gerais e especiais, graduando estes últimos princípios, em função das respetivas profissões ou vocações, desde o gestor desportivo até ao político responsável pela área. Quanto mais transcendente e influente for a vocação ou a profissão desempenhada, tanto mais exigente ela será eticamente, e irá impor mais deveres apertados. Por isso mesmo, dirigindo a todas as pessoas que iniciam uma atividade profissional ou vocacional, Fontègne (1974) apresenta um preceito ideológico, muito particular e de enorme utilidade para aplicação no contexto educativo, filosófico e político num possível paralelismo na implementação de uma nova visão e estruturação do desporto, enquanto fenómeno de dinamização e regulação social e política.
Fontègne (1974) menciona que o homem não é um ser isolado no mundo e por tal deverá ser solidário com todos aqueles que o cercam e com quem trabalha. É portanto necessário, no exercício da profissão, que se dê provas de honestidade, de boa vontade, de probidade, de consciência. Se se tem medo de tomar uma decisão, afasta-se de todos os empregos em que se tenha medo de assumir uma certa responsabilidade.
Apreciando bastante este pensamento e com toda a fundamentação associada dos restantes autores, a ética pode ser classificada como sendo o conjunto de
determinações volvidas para uma época e para uma determinada instituição, orientadas no sentido de assegurar à respetiva instituição um funcionamento eficiente, condigno e honroso em prol da dignidade institucional e humana no sentido da reconciliação da moralidade com o homem contemporâneo no exercício político.
Na ação política é urgente uma atuação cirúrgica no plano ético e moral, porquanto a dignidade é a fonte necessária ao homem para o seu desenvolvimento, tendo repercussões futuras no conceito de qualidade de vida do homem político do desporto. Pois sem a real dignidade não se poderá falar de qualidade de vida na polis.
No exercício político em prol da sua sociedade jamais se deverá trocar os valores éticos e morais que deverão nortear a atuação do homem-político pelo trabalho e atuação menos nobre e de atitudes sombrias, cobertas de uma imensidão branca que cega e apressa a entrar numa miopia ética. Não será digno da sua atividade enquanto político ou professor, atendendo ao facto das coisas terem um preço ou um valor, e se se troca, neste caso, a vertente do bom exercício político pelo desrespeito pela sociedade, seja qual for o motivo de tal atitude, é porque teve um preço; logo não têm dignidade.
É perante esta visão humanista, fundamentada por Kant, na sua obra “Fundamentação da Metafísica dos Costumes” que considero fulcral a honestidade, o trabalho solidário em prol das pessoas, a responsabilidade pelo desenvolvimento e pela humanização, centrada numa ética redigida de todos os bons costumes morais e direcionada para a sociedade, no caminho da dignidade humana.
"No reino dos fins, tudo tem um preço ou uma dignidade. Quando uma coisa tem um preço, pode pôr-se, em vez dela, qualquer outra coisa como equivalente; mas quando uma coisa está acima de todo o preço, e portanto não permite equivalente, então ela tem dignidade".
Como o próprio Kant reconheceu, as respostas dadas às questões colocadas dependiam do nosso conhecimento da natureza do próprio homem. O que posso conhecer, fazer ou esperar, depende, em última análise, da minha própria condição humana e a visão de Kant era a da ação de tal modo que se tratasse a humanidade, tanto na sua pessoa como na do outro, sempre e ao mesmo tempo, como um fim e nunca simplesmente como um meio.
Para Kant, “o ser humano é um valor absoluto, fim em si mesmo, porque dotado de razão. A sua autonomia, porque ser racional, é a raiz da dignidade, pois é ela que faz do homem um fim em si mesmo".
Portanto, não devemos conceber uma política sem ética como também sem liberdade, embora no meu entender, seja necessário interpretarmos o sentido da palavra “liberdade” e a função que o homem político queira dar à mesma. Não se deverá confundir o termo “liberdade” no sentido aplicado à ação humana com “liberdade” de pensamento. Mesmo num determinado plano de ação é necessário perceber e compreender o sentido da palavra no respetivo conceito, para não colocar em causa o sentido ético e moral do homem político no desporto.
Esta conceção implica uma dimensão de “liberdade arbitrária” dado que em sociedade há regras subjacentes a uma ética e estética para um desenvolvimento moral na instrução dos indivíduos e para o normal funcionamento da polis. Há hipótese de escolha na decisão a tomar, por parte de cada elemento da polis, e por conseguinte necessitará de ser implementado o total respeito com as próprias normas e regras sociais que deverão estar assentes em padrões éticos e dirigidas a uma atuação política em prol da sociedade, ancorada numa ética responsável que definirá os caminhos para a liberdade do pensamento humano e de libertação da alma, no intuito da elevação e da excelência humanas.
É imperativo perceber que a liberdade no sentido lato da palavra é utópica, pois a vida em sociedade está assente em valores morais, em regras e leis que assumem a respetiva relevância ética para o normal funcionamento social.
Como referi, presenciamos um sistema de “livre arbítrio”, em que temos a capacidade de escolha entre o bem e o mal, entre o certo e o errado, de forma consciente e com conhecimento. A pessoa tem o poder de decidir as suas ações segundo o seu próprio desejo ou da forma como acredita ser o melhor para si própria ou para a sua sociedade, isto é, desde que não prejudique ninguém.
Santo Agostinho, através da sua obra “De Libero Arbitrio”, aborda a tese do respeito pela liberdade humana e a origem do mal moral e diferencia de uma forma clara os conceitos de liberdade e de livre arbítrio.
Segundo o mesmo autor, o livre arbítrio é a possibilidade de escolher entre o bem e o mal, enquanto a liberdade é o bom uso do livre arbítrio. O que significa que nem sempre o homem é livre quando põe em uso o “livre arbítrio”, uma vez que depende sempre de como usa essa característica. Assim, o “livre arbítrio” está mais relacionado com a vontade. Porém, uma distinção entre os dois é que a vontade é um acto ou ação, enquanto o “livre arbítrio” é uma faculdade. Tal distinção é muito importante para podermos aplicar corretamente os conceitos e contextualizá-los à luz da filosofia política e do desporto.
Então, sendo a liberdade um conceito utópico, é questionável se realmente os homens na nossa sociedade e no desporto têm a liberdade que dizem ter. Na aplicação no contexto ético, a liberdade é relacionada com responsabilidade, uma vez que um indivíduo tem todo o direito de ter liberdade, desde que essa atitude não desrespeite ninguém e não transponha valores éticos e da moral. Numa análise filosófica e centrada numa perspetiva política (filosofia política), a liberdade é o conjunto de direitos de cada indivíduo, seja ele considerado isoladamente ou em grupo, perante o governo do país em que reside, sendo o poder que qualquer cidadão tem de exercer a sua vontade dentro dos limites da lei.
Jean Paul Sartre, um grande pensador político e filósofo, aborda o tema da liberdade e da sua contextualização política. Na sua visão, a liberdade é a condição de vida do ser humano, o princípio do homem é ser livre. O homem é livre por si mesmo, independente dos fatores do mundo, das coisas que ocorrem, ele é livre para fazer o que tiver vontade.O homem é um ser que não
pode querer senão a sua liberdade e que reconhece também que não pode querer senão a liberdade dos outros, daí que ninguém vive livre sozinho. Para Sartre não existe o destino, nós construímos o nosso futuro.
É importante percebermos que a nossa liberdade depende da liberdade do “outro”. Quando alguém lidera um Estado ou toma alguma decisão política baseia-se seguindo um conceito de liberdade de ação que definirá e determinará a liberdade do mais comum cidadão como elemento social.
Todas as ações que busquem a tão proclamada liberdade terão que ter na sua génese dois pilares, ou seja, a forma como se exerce o poder, por parte do interveniente na decisão, procedendo à demonstração de liberdade de ação e a responsabilidade que o homem que vive nessa mesma liberdade decretada, imposta ou definida possui para com a sua sociedade.
Temos de perceber que a liberdade acaba quando se coloca em causa a liberdade ou dignidade do “outro”. Por tal facto nenhum ser humano conseguirá viver em liberdade sem o “outro”, sem o respeito, responsabilidade e solidariedade de todos os elementos constituintes do Estado, na busca transcendente do “Estado ético” constituido pelo “homem ético” dependente da sua espécie e defensor de valores e princípios morais que definem a sua posição enquanto “homem político”. Existe, pois, o intuito da concretização e implementação de uma politica do Desporto alicerçada nos valores da moral, dos bons costumes, do caráter, dos direitos, dos deveres e da ética.
A visão e o pensamento de Jean Paul Sartre não se desfoca da tese defendida por Santo Agostinho, dado que para ele a liberdade é o bom uso do livre arbítrio, ou seja, a liberdade tem regras e assenta perante os valores e padrões éticos e morais. Para cumprir a sua liberdade, o homem dependerá da liberdade imposta ao “outro” ou pelo “outro”. Estamos perante uma relação entre o “Eu” e o “Outro” no que concerne ao limite do ser livre, pois a ética impõe os respetivos limites à vida humana.
Segundo Santo Agostinho a liberdade é o bom uso do livre arbítrio. Se aplicarmos a sua fundamentação à nossa área, verificamos que o desporto apresenta um conjunto de regras para serem cumpridas, ou seja, tem uma
regulamentação para impor os limites ao homem desportista ou ao homem atleta, como queiramos designar. Portanto, está assente num prisma ético para a respetiva regulação tal como na vida nos nossos dias onde se presencia o bem e o mal, a vitória e a derrota.
Aliás, essas mesmas regras apresentam-se de acordo com uma ética que evidencia uma escola axiológica, isto é, os valores inerentes ao fenómeno desportivo entendendo o desporto como um fenómeno ético, observado e estudado na sua prática pelo homem ético que se auto constitui como homem político por inerência e por natureza.
Neste contexto, o conceito de liberdade, como também no desporto, é utópico tal como o Comunismo e o Nazismo, conjuntamente com a Liberdade que pertence ao quadro das utopias que nunca se concretizaram em Ideais, algo atingível e alcançável. O Comunismo buscava uma sociedade perfeita que ruiu com a queda do muro de Berlim; o Nazismo tinha em mente a elevação da Raça Ariana e do orgulho alemão e dizimou milhares e milhares de pessoas, de judeus a comunistas, de pessoas com deficiência a doentes, e que ruiu com a segunda guerra mundial, para o bem da humanidade.
A política é uma fonte de intervenção utilizada a cada segundo pelo homem, tornando-o num ser político, o “homem político”, na construção de uma sociedade cada vez mais humana e tendo por base a ética, “o homem ético”, dado que a política é uma extensão da ética, como refere Aristóteles. Contudo, será mais correto, dado que a ética não é normativa, referir que a política é um plano de fundo da ética, como se se tratasse de um cenário de atuação. A política ao ser um plano de fundo da ética terá que permitir a caminhada triunfante para o ideal de Paideia, ou seja, a elevação humana a partir da educação e da cultura com o intuito de alcancar a Areté, a excelência e a virtude humana. A política e a ética são os mecanismos para que os processos de transformação social e por inerência, do fenómeno desportivo, se processem.
Prosseguindo o estudo que tem por base este capítulo, é crucial perceber a génese do conceito de política. Este conceito nasceu na cidade grega de
Atenas, ou seja, na polis (cidade ou conjunto de aldeias) e por tal facto torna o homem para além de ativo, um ser político. Na realidade, este conceito nasceu intimamente ligado à ideia de liberdade já aqui demonstrada e analisada, que para o grego era a razão própria da vida.
A política é algo semelhante a uma necessidade muito importante para a vida do homem, e na verdade, tanto para a vida do indivíduo como para a sociedade. Como as pessoas necessitam umas das outras para a sua existência, é necessário estabelecerem-se regras, normas e princípios assentes em padrões éticos e morais, sem os quais não seria possível o respetivo convívio social que fomenta o fortalecimento das múltiplas relações sociais e humanas na busca incessante pelo renascimento humanístico. Os antigos Gregos consideravam que a política devia organizar e regular o convívio das pessoas diferentes e não das pessoas iguais, no sentido da sua forma de ser e de estar na sociedade e na vida, não havendo distinção entre política e liberdade, estando ambas associadas à capacidade das pessoas em