A Tabela 2 apresenta a taxa média de sobrevivência dos talhões de moringa submetidos a diferentes tratamentos aos três anos de idade. Observa-se que a testemunha (sem adubação) apresentou menor sobrevivência em relação aos tratamentos adubados, que apresentaram taxas elevadas, o que evidencia boa adaptação edafoclimática da espécie sob adubação.
Tabela 2 – Taxa média de sobrevivência dos talhões de Moringa oleifera com 3 anos de idade implantados em Macaíba - RN.
Tratamentos Sobrevivência (%)
Testemunha 89,8 b
AM 99,6 a
CO 98,8 a
B 98,8 a
AM = adubação mineral; CO= composto orgânico + adubação mineral; B= biochar + adubação mineral.
Médias seguidas por letras distintas diferem estatisticamente pelo teste de Dunn (α = 0,05).
As taxas de sobrevivência dos talhões de moringa submetidos à adubação foram semelhantes às encontradas por Oliveira (2013) em plantios experimentais de
Mimosa tenuiflora (jurema preta) realizados no mesmo local. Foram encontrados
valores de sobrevivência de 98,5% para as plantas em espaçamento de 2 m x 2 m e 97,9% para as plantas em espaçamento de 3 m x 3 m.
Os valores de sobrevivência da moringa sob adubação encontrados neste trabalho também foram superiores aos encontrados por Barros et al. (2010), na região do Araripe, Pernambuco, em plantios homogêneos de diversas espécies implantados em espaçamento 3 m x 2 m. O referido autor encontrou, aos 6,5 anos de idade, taxas de sobrevivência de 94% para a Mimosa tenuiflora (jurema preta), 89% para o Anadenanthera macrocarpa (angico) e 89% para a Mimosa caesalpiniaefolia (sabiá).
A sobrevivência da moringa sob adubação também foi superior à média de 95% de sobrevivência de clones híbridos de Eucalyptus urophylla x Eucalyptus
grandis, implantados em Macaíba/RN e avaliados aos 12 meses de idade (DANTAS,
2014).
A Tabela 3 apresenta a estatística descritiva das variáveis dendrométricas da moringa submetida aos diferentes tratamentos. Observa-se que a testemunha (sem adubação) apresentou médias inferiores em relação aos tratamentos adubados. Os indivíduos submetidos à adubação com composto orgânico + adubação mineral (CO) apresentaram maior crescimento em diâmetro e altura, diferindo estatisticamente dos tratamentos com adubação mineral (AM) e biochar + adubação mineral (B).
Tabela 3 – Estatística descritiva das variáveis dendrométricas dos talhões de
Moringa oleifera com 3 anos de idade implantados em Macaíba - RN.
Variáveis Tratamentos Média Máxima Mínima DP
DAP (cm) Testemunha 4,6 c 15,0 1,3 2,66 AM 6,1 b 13,1 2,5 2,08 CO 7,9 a 15,9 2,5 2,05 B 6,7 b 17,5 1,6 2,73 DB (cm) Testemunha 9,7 d 22,9 3,8 4,50 AM 13,0 c 26,4 5,4 3,47 CO 16,2 a 23,2 6,7 3,09 B 14,9 b 31,2 6,0 4,15 Altura (m) Testemunha 3,43 c 9,00 1,50 1,88 AM 4,79 b 9,20 2,05 1,46 CO 5,87 a 9,70 2,70 1,46 B 5,26 b 12,00 2,15 2,03
DP = desvio padrão; DAP = diâmetro à altura do peito; DB = diâmetro na base.
AM = adubação mineral; CO= composto orgânico + adubação mineral; B= biochar + adubação mineral.
Médias das variáveis seguidas por letras distintas diferem pelo teste de Dunn (α = 0,05).
Os tratamentos com adubação mineral (AM) e biochar + adubação mineral (B), diferiram estatisticamente apenas na média do diâmetro na base (DB), apresentando crescimento semelhante em diâmetro à altura do peito (DAP) e em altura.
No estudo realizado por Rodrigues et al. (2017), nesse mesmo plantio de moringa, aos 90 dias de idade, os autores encontraram maiores resultados de crescimento em altura nos talhões submetidos à adubação com composto orgânico + adubação mineral (CO), corroborando com os resultados encontrados neste trabalho. Segundo os mesmos autores, o composto orgânico melhora as condições do solo, aumentando a capacidade de troca catiônica e a retenção de água no solo.
No que diz respeito à altura, Rangel (1999), afirma que a altura da moringa na fase adulta varia de 5 a 12 metros, enquanto Cysne (2006) fala que a altura varia de 10 a 12 metros. Diante disso, consideram-se satisfatórios os resultados de crescimento em altura encontrados neste trabalho, principalmente comparando-se as médias dos talhões adubados com os resultados encontrados por Nhamirre (2006), em Moçambique, onde um plantio de Moringa oleifera com 4 anos de idade apresentou altura média de 4,07 m e DAP médio de 5,88 cm.
Barros et al. (2010), avaliaram plantios homogêneos de diversas espécies, com 6,5 anos de idade, implantados em espaçamento 3 m x 2 m, na região do Araripe, Pernambuco, valores médios de DAP de 3,2 cm para a Leucaena
leucocephala (leucina); 3,9 cm para a jurema preta Mimosa tenuiflora (jurema preta);
4,1 cm para a Mimosa caesalpiniaefolia (sabiá); 4,3 cm para a Acacia mangium (acácia); e 6,2 cm para a Anadenanthera macrocarpa (angico). Diante dos resultados encontrados pelos autores, considera-se que a moringa adubada apresentou bom crescimento em DAP aos três anos de idade.
A Tabela 4 apresenta os volumes cilíndricos (ABPH) médios e o incremente médio anual (IMA) dos talhões de moringa submetidos aos diferentes tratamentos. Observa-se que os tratamentos adubados apresentaram volumes cilíndricos médios e IMA superiores à testemunha (sem adubação), com destaque para as médias do composto orgânico + adubação mineral (CO), superiores aos demais tratamentos adubados.
Tabela 4 – Volume cilíndrico médio (m³/ha) e IMA (m³/ha.ano) dos talhões de
Moringa oleifera com 3 anos de idade implantados em Macaíba - RN.
Tratamentos Volume (m³/ha) IMA (m³/ha.ano)
Testemunha 21,5482 7,18
AM 37,2596 12,41
CO 72,5069 24,16
B 58,5743 19,52
AM = adubação mineral; CO= composto orgânico + adubação mineral; B= biochar + adubação mineral; IMA = incremento médio anual.
Dantas (2014), avaliou o crescimento de clones híbridos de Eucalyptus
urophylla x Eucalyptus grandis em Macaíba/RN e a produtividade dos clones aos
três anos de idade variou de 53,02 a 121,37 m³/ha. Entretanto, deve-se considerar que o volume estimado pelo autor foi o volume real, calculado a partir da multiplicação do volume cilíndrico pelo fator de forma da espécie.
Barros et al. (2010) também estimaram o volume real a partir da cubagem de árvores em plantios homogêneos com 6,5 anos realizados na região do Araripe, em Pernambuco, onde o angico apresentou volume de 36 m³/ha (IMA de 5,64 m³/ha.ano), a jurema preta apresentou volume de 42,76 m³/ha (IMA de 6,58 m³/ha.ano) e o sabiá apresentou volume de 52,28 m³/ha (IMA de 8,04 m³/ha.ano).
Por outro lado, pode-se fazer uma comparação mais objetiva com os volumes estimados por Câmara (2017) em plantios homogêneos de Mimosa tenuiflora (jurema preta) com cinco anos de idade implantados na mesma área de experimental, em Macaíba/RN. Diante de um fator de forma de 0,985 para a jurema preta, a referida autora apresentou volumes cilíndricos em seu estudo, onde encontrou 41,27 m³/ha (IMA de 8,25 m³/ha.ano), no plantio em espaçamento de 3 m x 3 m, e 64,31 m³/ha (IMA de 12,86 m³/ha.ano), no plantio em espaçamento de 2 m x 2 m. Assim, os resultados de IMA da moringa adubada com composto orgânico + adubação mineral (CO) e biochar + adubação mineral (B) mostram-se superiores aos resultados encontrados por Câmara (2017). Os tratamentos com composto orgânico + adubação mineral (CO) e o bichar + adubação mineral (B) apresentaram melhores resultados possivelmente devido à maior capacidade de retenção de água destes compostos.
Estudo realizado no sertão Norte Riograndense mostra que o volume estimado de produção madeireira para uma área de Caatinga com tipologia
arbustivo-arbórea fechada é de aproximadamente de 52,60 m³/ha (FRANCELINO et al., 2003). Portanto, investimentos em silvicultura apresentam vantagens em relação ao manejo da vegetação nativa, pois a estimativa de recuperação do estoque madeireiro da Caatinga é de, no mínimo, 15 anos.