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2.3 Approches itératives statistiques en reconstruction RX

2.3.1 Reconstruction tomographique RX

AS ORIGENS PRÉ-DINÁSTICAS A ocupação mais antiga que se conhece, na área onde hoje se situa a cidade de Vila do Conde, remonta à Idade do Ferro, quando no morro, onde hoje se ergue o Convento de Stª Clara, foi construído um habitat castrejo, no decurso do I milênio A.C.

Ocupações anteriores certamente que as houve, simplesmente não sabemos onde nem a sua periodização. A existência de uma foz e a certeza que a faixa costeira, uma plataforma de abrasão, está liberta das águas marítimas, sugere a presença de homens desde, pelo menos o Paleolítico Superior. Só que não há provas dessas formas de fixação, como as não há para os estádios civilizacionais seqüentes, como o período que medeia entre o IV e o II milênio A.C., altura em que a região era percorrida por uma população que nos legou uma diversidade cultural que tem a sua maior expressão no fenômeno megalítico, bem evidente nas terras que hoje fazem parte do município de Vila do Conde.

É já um lugar comum dizer-se que a cultura castreja surge no decurso do I milênio A.C.. No decorrer deste longo período estruturaram-se uma série de habitats, mas não necessariamente todos ao mesmo tempo. Como modo típico, os povos daquele período escolhiam um morro ou cabeço que oferecesse boas condições de defesa e de instalação. Um “castro”, como mais tarde se apelidará aquele tipo de povoados, era uma aldeia de habitat concentrado com uma aparente ausência de regras urbanísticas, dispondo-se as casas um pouco ao sabor do pendor do terreno e consoante a posição (status) socioeconômica dos moradores. A defendê-lo, muralhas e fossos, tantos quanto a necessidade a tal obrigasse. A escolha do local, normalmente recaía em montes situados na berma dos cursos de água, ao longo das cristas dos montes que dominassem os vales de maior interesse econômico e estratégico e nas imediações das principais vias de penetração.

Foi nessa estratégia de ocupação que surgiu o castro de S. João, assim apelidado na documentação medieval. E apareceu em local para controlar uma série de atividades fulcrais

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na região. Do alto do pequeno morro, os habitantes poderiam controlar e tirar dividendos do comércio que aportasse à foz do rio Ave ou tentasse utilizar a via fluvial para o interior. De igual modo poderiam permitir a transposição, para ambos os lados do rio e desse modo determinar a movimentação, ao longo da faixa costeira, de pessoas e bens. Permitia-lhes, por outro lado, explorar o comércio da pesca, do sal e da atividade agrícola dos campos envolventes.

Do velho burgo, nada se sabe, porque dele nada resta. As obras realizadas durante séculos no interior e à volta do convento descaracterizaram o lugar. Todavia, pelo tamanho e topografia do cabeço, pensamos que não seria uma grande povoação, antes um pequeno núcleo, como eram, também, o castro Boi ou o de Santa Marinha de Retorta. Tal como os seus vizinhos situados ao longo da costa, observou e assistiu ao deslocar das tropas de Brutus, o primeiro grande general romano a atravessar, em 133 A.C., a caminho do norte, o bonançoso rio Ave, fixando-se na margem do Lettes (rio Lima), no limiar das “terras do esquecimento”.

Será, certamente, deste pequeno núcleo habitacional que sairão os primeiros grandes arroteadores dos terrenos agrícolas envolventes. Outros se dedicarão à pesca, ao fabrico de sal e mesmo ao comércio com povoações mais longínquas. Com a romanização desmoronam- se as estruturas da velha sociedade castreja e principia, faseadamente, o início da dispersão habitacional do Entre-o-Douro-e-Minho. E uma das provas vamos encontrá-la na Villa Romana das Caxinas, na parte norte da cidade. Para aqui terão "descido" uma ou mais famílias vindas, ao que tudo indica, do castro de S. João. Construíram uma ou mais casas à moda tradicional, isto é, circulares embora já cobertas a tégula e serviram-se da sua louça tradicional, micácea e mal cozida. As provas do que acabamos de afirmar, colheram-nas os investigadores da Universidade do Minho quando aí realizaram uma sondagem na década de 1980. Essa primeira ocupação da orla costeira, à margem das estruturas tradicionais, acontece por que interessava à administração romana disseminar processos de povoamento evitando focos de resistência em redutos concentrados, e desenvolve-se, porque há suficientes pontos de interesse para cativar a permanência. O crescimento do primitivo habitat e a sua transformação, a partir do século II, numa unidade de exploração de mais vastos recursos, aconteceu porque existiam condições materiais e sociais propícias.

Foi a partir da Villa Romana das Caxinas que se começou a desbravar uma boa parte da área agrícola que subsiste na cidade, até estádios adiantados do atual século XX. Para

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além da agricultura teriam, igualmente, interesse, tal como os vizinhos habitantes do castro, no comércio, na pesca e na salinicultura. No século II manifestava já certa pujança econômica, consoante o deixam antever os vasos depositados na necrópole vizinha, para atingir o apogeu no decurso do século IV, aliás, o século de ouro da romanização de toda a restante área do município.

A área da vila revela condições adversas de povoamento, mas se nos recordamos que mais a norte, no sítio do atual redondel da tourada da Póvoa de Varzim se situava outra villa (Villa do Alto de Marfim Vaz), poderemos admitir que este território estivesse distribuído pelas duas unidades agro-comerciais. Mas muito dele seria inóspito, impróprio para o cultivo, repleto de arbustos e de árvores de maior porte. Cultivadas seriam as melhores parcelas. As habitações do dominus e dos servos, concentradas ou espalhadas pelo perímetro da villa estavam suficientemente longe do mar para não serem afetadas por este, e suficientemente perto para que de fato pudessem tirar bom proveito.

Se sairmos da zona das Caxinas e nos deslocarmos para nordeste, na direção de Formariz e de Quintela (Argivai), vamos aí encontrar vestígios, tais como tégulas (telha de cobertura romana), que são uma indicação segura de aí ter existido uma casa de época romana ou algo posterior. A dispersão dos vestígios é muito menor que nas Caxinas, mas a área agricultável é melhor. Se juntarmos a estas ocupações as da Igreja de Argivai e de Touguinhó então o quadro fica mais completo, mas cronologicamente bastante confuso. É difícil, senão mesmo impossível, afirmarmos, sem escavações, que todos estes vestígios são contemporâneos, como não saberemos dizer que tipo de relação se estabeleceu entre eles.

Num quadro meramente especulativo, somos levados a pensar que sítios como Argivai, Touguinha, Quintela e Formariz eram unidades autônomas da Villa Romana que existiam nas Caxinas, embora não pareça plausível que a estrutura da villa tivesse capacidade para abarcar tão grande área e de possuir dependências tão distantes geograficamente. O mais natural é admitir-se que, para além da villa, havia casais (numa tradição de ocupação rural que persiste) que, tal como aquela contribuíram com a sua quota-parte para a ocupação e desenvolvimento do aro envolvente da atual Vila do Conde.

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Com a derrocada do Império Romano e a chegada de Suevos e Visigodos algo vai mudar. Muda a administração, muda a organização jurídica e social e entram na toponímia os nomes dos novos senhores.

O que verdadeiramente aconteceu aos moradores e proprietários da Villa das Caxinas e aqueles que porventura ainda moravam no castro de S. João, não sabemos. É provável que prosseguissem, num processo de adequação nas suas atividades, como até aí; é provável que o lugar, devido ao interesse estratégico, viesse a ser cobiçado. O que se passou é uma incógnita, como o é todo o período da Alta Idade Média até ao aparecimento do burgo que está na origem da atual cidade. A Vila que nascerá pelo século IX-X, não é mais que o produto de experiências anteriores mais ou menos bem sucedidas. Ao contrário da sua vizinha Póvoa de Varzim não precisou ser povoada e bem cedo mereceu o interesse de muitos representantes da nobreza e do clero.

O “conde” que dá o nome à povoação terá sido Vímara Peres, o senhor de Guimarães e do Porto, cidades com as quais Vila do Conde forma o triângulo estratégico de defesa e consolidação do litoral portucalense. Neste período de inseguranças, a senhora da Vila, de nome Flámula, faz doação da terra ao Mosteiro de Guimarães (século X). A terra era de camponeses e pescadores do rio e do mar, a viver entre dois pólos: a igreja de S. João no Monte e a ermida de S. Julião, na foz do rio (século XI).Quando chega o século XIII, a Vila era uma terra reguenga, na sua maior parte. O rei D. Sancho faz doação dela à Dona Maria Pais Ribeiro, sua amante. Vila do Conde é, agora, um senhorio feudal com gente serva que pagava tributos em géneros e serviços à senhora Ribeirinha e seus descendentes.

A consolidação da estrutura urbana de Vila do Conde desenha-se, a partir dos séculos XIII / XIV, com o desenvolvimento das cidades costeiras.

Identificam-se, nesse processo, três pólos principais que constituem um triângulo assinalado pela Praça Velha (atual Largo Antero de Quental), Monte do Mosteiro e Capela do Socorro, um espaço mais amplo, o núcleo ribeirinho, no qual convergem, em muitos momentos, as atividades urbanas relevantes.

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Fig.12 – Núcleos primitivos no século XIII / XIV (Fonte: autor)

PRAÇA VELHA A extensa rede de caminhos e estradas de ligação á envolvente regional – a estrada velha que vinha da cidade do Porto, o caminho dos Bemguiados que ligava à vizinha Póvoa de Varzim e a estrada que através da atual Rua da Lapa ligava a Barcelos -, confluía na Praça Velha. Daqui partia também o caminho de Stª Catarina que ligavam ao Socorro, Monte do Mosteiro e Srª da Guia (junto à foz do rio).

Fig.13 Fig.14

Fig. 13 e 14 – Aspetos da “Praça Velha”, Largo Antero de Quental (Fonte: autor)

A Praça Velha seria, a partir do século XIII, o núcleo principal das atividades mercantis que se esboçam na época. Constituía-se, assim, uma centralidade com base no movimento de gentes e mercadorias em passagem para outros lugares, não se configurando processos de

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urbanização consolidados que induzam à fixação de populações vinculadas a atividades funcionalmente estruturadas. Ou seja, estão ainda ausentes os elementos catalisadores de uma urbanidade. Daí as poucas referências para além da probabilidade dos vestígios e das pouco explícitas descrições documentais. Aqui, existe, ainda, o edifício dos antigos armazéns de sal das freiras de Stª Clara, edifício em granito de aparelho quinhentista, que serve atualmente de oficina e armazém de madeiras. Várias referências documentais provenientes dos Arquivos Municipais situam na Praça Velha o primitivo edifício dos Paços do Concelho. Próximo da Praça Velha existe uma viela referenciada numa planta com data situada entre 1913 e 1916 como "Viela da Cordoaria", este topônimo indicia a existência neste local de uma atividade ligada á produção de cordas e panos para velames de embarcações.

Supomos que a ligação entre a Praça Velha e a Zona Ribeirinha se processava através da atual Rua da Senra / Rua Dr. Elias de Aguiar / Largo do Ribeiriho, conduzindo diretamente á Alfândega das freiras, localizada a poente da atual Capela do Socorro.

MONTE DO MOSTEIRO Vila do Conde é doada em 1209 por pelo rei Sancho I a Maria Pais Ribeira (a “Ribeirinha”). O primeiro foral da cidade data de 1296 e foi concedido pelo rei Dinis. Em 1318, Teresa Martins, descendente da Ribeirinha, Afonso Sanches, filho ilegítimo de Dinis, fundam o Convento de Stª Clara construído sobre o primitivo Castro de S. João. No último quartel do século XIV, os herdeiros dos fundadores do Mosteiro, então senhores de Vila do Conde, fazem doação da vila ás freiras do Mosteiro de Stª Clara.

Fig.15 Fig.16

Fig. 15 e 16 – Vistas do Mosteiro de Stª Clara (Fonte: autor)

As freiras vão, durante vários séculos, exercer uma enorme influência sobre Vila do Conde, instaladas no Mosteiro, construído á cota alta, e irão determinar os processos de parcelamento e ocupação do território da sua propriedade e jurisdição política e administrativa.

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A par do poder da Casa Real, as freiras vão alimentar uma série de disputas ocorridas entre os vários poderes instituídos na área, nomeadamente com os "Homens Bons" que administravam o “Concelho” (os membros da Câmara Municipal).

Por exemplo, as freiras reivindicavam a posse plena das duas margens do Rio Ave e pretendiam cobrar impostos sobre as atividades aí exercidas, opondo-se até ao século XVIII á construção de qualquer ponte entre as duas margens, situação que de algum modo determinou a evolução urbana de Vila do Conde e Azurara situada na margem sul.

O núcleo do Monte do Mosteiro, onde sempre pontificou a representação de domínio sobre o aglomerado, marca hoje, como antes, a imagem de Vila do Conde, quer na sua entrada onde impera o antigo mosteiro, quer do mar sobressaindo da silhueta baixa do casario. É uma imagem sempre presente que se prolonga, na sua representação simbólica, pelo aqueduto que desde castelo de Faria (em Barcelos) transporta a água potável para o convento.

POLO DA ZONA DO SOCORRO João Cordeiro Pereira, no seu livro Para a História das Alfândegas em Portugal, localiza a alfândega das freiras de Stª Clara a "jusante da alfândega real e dela distava 150m".

Essa eventual localização poderia ser determinante para a localização do primeiro porto de Vila do Conde, e conseqüente local de implantação do primeiro pólo de atividade fluvial que se sabe ser anterior á nacionalidade.

Fig.17 Fig.18

Fig.17 – Edifíco da “Alfândega Régia” (Fonte: autor) Fig.18 – Capela do Socorro (Fonte:autor)

O primitivo edifício da alfândega real, construído por ordem do rei João II, conforme carta régia de 1487, situa-se a montante do atual monte do Socorro. Foi ampliado no século

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XVIII, mantendo, ainda hoje, identificados os elementos fundamentais que caracterizam as duas épocas.

O núcleo do Socorro, marcado pela capela do Socorro – edifício do século XVII, mandado construir por um regressado piloto da carreira das índias, expressa a influência das culturas de África e do Oriente na sua composição geométrica e na sua cúpula -, situa-se no extremo de uma malha estreita e longa que se situa no coroamento de uma elevação que, desde a Praça Vela, termina sobre o rio marcando duas vertentes e dois vales onde, com grande probabilidade, se localizavam grande parte das atividades fluviais e de comércio marítimo, desde os cais de abrigo para as embarcações, até ao tratamento e transação do pescado, passando pelos estaleiros de construção naval. Assim, não é casual a necessidade de localização de uma alfândega naquele local.

NÚCLEO RIBEIRINHO A bacia do Rio Ave oferecia excelentes condições para o desenvolvimento de atividades fluviais ligadas às salinas, pesca e construção naval.

O documento de 953, que assinala a venda de Vila do Conde ao Mosteiro de Guimarães (em pleno reino visigodo), refere a existência de pesqueiras e salinas na foz do Rio Ave. A existência destas duas atividades permite a produção de conserva de peixe, que através da navegação, ainda incipiente, fomenta a ligação marítima com outros locais.

A exploração das salinas, um dos mais importantes fatores de desenvolvimento até ao século XII, entra em declínio, e quase desaparece no século seguinte, devido á concorrência que se estabelece com outras cidades das quais se destaca Aveiro, onde os fatores de operacionalidade produtiva se revelam mais eficientes.

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Segundo as inquirições de Afonso II, na área da foz do Rio Ave, existiam três povoados: Vila do Conde, Pindelo e Azurara.

Vila do Conde armava nessa altura mais de 60 "pinácias", navios de pesca, cabotagem e comércio internacional. Ainda segundo as inquirições referidas, Vila do Conde possuía 300 casais, o que daria uma população na ordem dos 1350 habitantes.

Mas é no decorrer do século XV que o porto de Vila do Conde teve um grande incremento.

A descoberta de novos instrumentos de navegação e o aperfeiçoamento da construção naval, fruto dos estudos ministrados na “Escola de Sagres”, veio a desenvolver o comércio marítimo internacional. De Vila do Conde partem barcos com destino aos portos europeus e de África.

Ainda no decorrer do século XV os estaleiros de Vila do Conde sofrem um enorme impulso, devido à expansão marítima portuguesa.

Segundo o geógrafo francês Reclus, as melhores embarcações usadas nas descobertas foram construídas nos estaleiros de Vila do Conde. São conhecidos também relatos que classificam os panos de tréu (panos usados para o fabrico de velas) como os melhores que se fabricam no país, com qualidade equivalente aos fabricados em Antuérpia.

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Fig.20 – Vista dos “estaleiros” a partir da Capela do Socorro. (Fonte: Adriano)

No início do século XVI, assiste-se em Vila do Conde a uma enorme atividade centrada na sua área ribeirinha. A construção naval e o comércio, com o exterior atingiam então o seu apogeu.

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Datam desta época a construção de novos edifícios e a abertura de novas ruas, em área situada no interior do triângulo Praça Velha, Monte do Mosteiro e atual Capela do Socorro.

Em 1500 decide-se a construção da atual Igreja Matriz, dado que a primitiva igreja paroquial de S. João, localizada no monte do Mosteiro era pequena e acanhada para abrigar a numerosa população da Vila.

Em 12 de Outubro de 1502, o rei Manuel I, em peregrinação a Santiago de Compostela, instado a contribuir para a construção da igreja, envia a partir de Arrifana uma carta datada de 15 de Dezembro do mesmo ano. Carta que constituí um documento curioso – nela se descreve, com pormenor, as dimensões e características do imóvel a construir. Estabelecem- se também, as condições de financiamento designando nomeadamente os impostos a cobrar para custear as despesas da construção da nova igreja. Refira-se a propósito que o projeto proposto pelo Rei não foi cumprido na sua maior parte.

Data dessa época a construção da Rua Nova, atual Rua do Lidador e a retificação do atual traçado da Rua de S. Bento. Essas ruas abertas ou retificadas sobre a malha medieval passam a estabelecer uma ligação mais direta entre o novo núcleo da Matriz e a zona Ribeirinha.

Em 1537, a Câmara Municipal deliberou construir um novo edifício para instalação dos “Paços do Concelho” que visava substituir o existente na Praça Velha, então em mau estado de conservação.

A construção do novo edifício – imóvel quinhentista notável onde, ainda hoje, se encontra instalado o Salão Nobre -, vem criar uma nova centralidade em torno da Igreja Matriz, dando lugar á chamada Praça Nova, remetendo o atual Largo Antero de Quental para uma situação de relativa periferia.

O enorme desenvolvimento urbano, estruturado nas novas vias abertas no início do século XVI, dá lugar á construção de um edificado ainda hoje relevante para a caracterização do Centro Histórico de Vila do Conde.

Em 1516 o rei Manuel I concede novo foral a Vila do Conde, que vem atualizar o anterior concedido por pelo rei Dinis, em 1296.

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Em 1527 as inquirições ordenadas por João III, constatam a existência de 903 fogos em Vila do Conde, 351 em Azurara e 107 na zona da Póvoa de Varzim.

Segundo Monteiro dos Santos, em trabalho que vem desenvolvendo no Arquivo Municipal, existiam no século XVI mais de 150 pilotos naturais de Vila do Conde que faziam entre outras a “carreira das índias”.

Após o grande desenvolvimento decorrente da expansão marítima, que se operou em Portugal nos séculos XV e XVI - na qual Vila do Conde desempenhou um papel importante: a sua mancha urbana era, então, uma das mais importantes do país -, deixa de crescer e entra em estagnação.

Não existem relatos ou indicações da abertura de novas ruas ou acréscimo da sua população durante os séculos XVII e XVIII. Constataram-se, no entanto, vários vestígios que se prendem com a consolidação do Cais da Zona Ribeirinha, o que demonstra que apesar de não se verificar o crescimento do aglomerado, a sua vitalidade não foi afetada de modo significativo.

Verificamos, no entanto, que durante estes dois séculos o patrimônio arquitetônico de Vila do Conde foi substancialmente enriquecido através da construção de edifícios notáveis de caráter civil e religioso. Datam desta época a maior parte das “casas fidalgas” e “solares urbanos” existentes em Vila do Conde e Azurara, o que parece significar a consolidação de algumas classes, mesmo em face de um ambiente generalizado de empobrecimento das