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aceleradora da desagregação dos granitos associada à ocorrência de ventos e salinidade ambiental, só em circunstâncias especiais e por acaso se conseguirá um estudo completo da natureza do traço e da temática da composição.

A necessidade de comunicar, de expressar sentimentos, mensagens, assinalar acontecimentos, notar lugares desafiou o espírito inventivo do homem até à descoberta da linguagem escrita, onde desembocou uma milenar experiência de representação iconográfica. A dificuldade que sentiu em comunicar fora de presença e de recordar factos seria tão grande como é a nossa em descodificar hoje as suas mensagens, permitindo-se sobre os mesmos fenómenos múltiplas explicação.

Tem-se pretendido delimitar territórios onde a frequência de determinadas figuras é notável, a própria designação de grupo galaico de arte rupestre a isso nos remete.

A complexidade do desenho e da composição das gravuras rupestres, se dificulta a interpretação, por outro lado facilita o relacionamento da composição com paralelos, porque mais exigente de dependência e de contactos na elaboração. Permite descortinar tendências regionais a sugerir uma homogeneidade identificativa de expressão territorial, o que se verifica na temática decorativa e processos de gravação em ambas as margens do Minho.

No entanto, dá-se conta que muitas gravuras, fora desta área, são notoriamente paralelas. Na Beira Alta, por exemplo, há gravuras que, pela concepção, gramática de composição e elementos figurativos, não destoariam se encontradas neste ambiente do grupo especificado: o labirinto de Ribafeita, S. Pedro do Sul, ao lado da via romana, as gravuras de Ferronhe, Viseu, junto da IP 5, com círculos e quadrados inscritos como as da Casa das Micas de Moledo, e os serpentiformes do Castro da Cárcoda, S. Pedro do Sul, com paralelos no coto da Pena e em Santa Tecla.

Embora essa região Centro tenha na simbólica usado de associações específicas, v. g. , alinhamentos de pegadas múltiplas, e outras, revela evidentes pontos de contacto.

Afinal, a extensão do espaço da cultura castreja que se estende até ao Vouga, assenta num substrato comum muito anterior que a explica, manifesto, também, nestas expressões artístico culturais153.

Se a simbólica de carácter abstracto nos dá indicações sobre possibilidades de unidades étnicas revendo-se em representações do mesmo padrão, as elaborações representativas de animais, atenta mesmo a dificuldade de identificação zoológica, por imperícia ou sumaridade do desenho, esclarecem- nos sobre a existência de alguns animais, das actividades do homem no seu relacionamento com eles, ou até indicações de carácter etnológico, de que é expressão de grande valor o conjunto de gravuras rupestres de Lanhelas, Caminha.

Os núcleos mais importantes de gravuras rupestres na margem esquerda, à foz do Minho, pelo número de rochas insculturadas, processo de gravação e natureza da composição, são:

a) O do Monte de Fortes, Taião, Gandra, Valença, datadas do Bronze Médio/

Final154. Constam de múltiplos círculos inscritos de grande tamanho e têm

paralelos do outro lado do Minho, no castro do Couço, Toutón (III, 30,1,2,3).

b) O do Alto do Crasto de Vila Nova de Cerveira, com dois rochedos, um com decoração figurativa, outro com abstracta-geométrica 155(lll, 25,.1,2; 37).

c) As gravuras de LanhelasA/ilar de Mouros com cervídeos, cavalos, serpentiformes e decoração abstracta, livremente disposta em superfície (III, 28, 34, 35,36).

d) O da "Casa das Micas" de Cristelo/Moledo com decoração abstracta organizada linearmente. Estas últimas, recentemente redescobertas, merecem menção especial. A razão do nome de Casinhas das Micas vem-lhe de assim serem chamadas as cabras que aí se apascentam. Perto, há vestígios de cabanas para recolha de fatos (III, 29).

O Penedo das Micas I situa-se sobre o Castro de Cristelo, perto do lugar do Moinho, entre ele e a Mãe-de-água, a uma cota superior, num pequeno esporão de afloramento granítico da serra de Santo Antão, na vertente virada ao mar e sobranceiro ao oceano, com as diaclases orientadas no sentido da ínsua.

A laje suporte é granítica, de grão grosseiro, e está ao nível do solo, bastante horizontalizada. No seu campo é decorado com composição ordenada, aproveitando para isso veios quartzíticos paralelos, mais salientes na superfície porque mais resistentes à erosão, e, entre eles, apresenta alinhamentos lineares simples de quadrados inscritos, numa barra; em noutra, paralela, de círculos concêntricos.

Conhecidas de Sarmento, o que veio a ser confirmado com a publicação de

seus apontamentos pessoais em Antiqua (1999), apontamentos de Arqueologia156,

passou a sua existência despercebida a Abel Viana e à sua tentativa de as inventariar na totalidade157.

e) O conjunto de Feixieiro de Soutelo de natureza geométrica, em composição livre, com espirais, reticulado, círculos concêntricos, é reportável à Idade do Ferro, os elementos decorativos usados estão presentes na cerâmica da fase II.

f) As gravuras de Carreço, já mais afastadas para Sul, têm representações figurativas abstractas e zoomórficas. Na praia de Fornelos um animal é gravado a pontilhado.

SILVA, E. J. et ai. 1980.

Publicadas nas Actas de Homenagem a Manuel Boaventura por Virgílio Hipólito e Maria Adelaide Recarey. SARMENTO, 1999, p. 238, fig. 425.

Nem é raro encontrarem-se instrumentos líticos no ambiente de gravuras, como é o caso do penedo da "Casa das Micas" e do Cruzeiro da Gelfa onde tais objectos foram encontrados, embora o relacionamento não seja necessário (III,

11,1,2).

O domínio do espaço como denota a dispersão das gravuras por tantos sítios de natureza e potencialidades tão diversificado, deu ocasião a um melhor conhecimento dos recursos de subsistência e, sobretudo, dos de prestígio, em especial da existência de minerais metalíferos. A sua exploração acelerou a diferenciação nas actividades e nas relações, fomentando o desenvolvimento e a organização do poder.

A dispersão das gravuras, na zona de beira-mar, em Carreço e Montedor, na beira-rio, com as Soutelo do Freixieiro à beira do Âncora, nas encostas de Moledo e de Vila Nova de Cerveira, e nos planaltos das serras, na Coroa da Serra de Arga, nas Cortelhas, em Azevedo, e na Armada, mostram expansão demográfica e a progressão do povoamento que nesta fase ocorre em toda a área do Baixo Minho, em zonas de diversa altitude.

Na margem direita verificava-se evolução paralela com as encostas e planaltos da serra abundantemente sinalizados, com manifestações de arte rupestre em Santa Tecla, no planalto de Santa Columba, na Serra de Argallos, igualmente em planaltos, encostas e beira-rio.

A temática, quando figurativa, referente à caça e com expressão pastoril muito expressiva, ilustra o tipo de actividades que levavam a este domínio espacial.

Rebanhos de ovelhas e cabras, manadas de vacas eram pastoreadas, exigindo largueza de pastos e justificando delimitação de áreas de utilização e influência, e estabelecimento de poder, que vai mostrar novas conformações durante a Proto-história e a Romanização.

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