Chapitre 3 Prototypage du PFC Double-Boost Flying Cap Robustesse
3.1.4 Diagnostic de défaut par surveillance des deux tensions des condensateurs
3.1.4.7 Reconstruction des tensions internes avec un capteur
O Timor-Leste sofreu grande repressão durante o domínio indonésio, com incontáveis prisões, torturas, estupros e assassinatos, além da exploração, com trabalho escravo e semi-escravo, tendo sido mortos cerca de 300 mil timorenses em diversos genocídios (BRITO; MARTINS, 2004).
Durante a ocupação indonésia (1975-1999), com o objetivo de integrar pela força o antigo território português como a 27a província da Indonésia, fundaram-se muitas Escolas
Secundárias em todo o território (nos Distritos e Sub-Distritos), a universidade UNTIM (com mais de 3000 alunos antes do referendo, conhecida atualmente como UNTL), um Instituto Politécnico que ainda hoje existe em Hera, uma Escola Agrária em Natarbora (Distrito de Manufahi), uma Escola de Economia em Comoro (estes dois últimos já não existem), uma Escola de Saúde e um Instituto de Educação em Díli. Fundou-se, ainda, um estabelecimento de Ensino Básico para os cegos, também em Díli (GERTIL, 2001).
Além das escolas acima referidas, o governo indonésio criou, ainda em 1980, uma Escola de Formação de Professores para o Ensino Básico, com a duração de três anos, denominada “Escola de Formação de Professores” (Sekolah Pendidikan Guru - SPG). Foi instituído, também, um “Curso de Formação de Professores” (Kursus Pendidikan Guru -
KPG) com duração de três anos, para professores que já lecionavam. As aulas
transcorreram no edifício de Canto Resende e Liceu Dr. Francisco Machado, atuais edifícios da UNTL, em Díli. O SPG e o KPG equivalem ao atual nível Secundário. Centenas de jovens se formaram e, em finais dos anos oitenta, essas instituições foram encerradas.
Em concomitância com os aparelhos educacionais criados pelo governo indonésio, professores vinham diretamente da Indonésia, que era a língua utilizada na instrução.
Com a aplicação da política de “destimorização”, iniciou-se a implantação de um novo modelo lingüístico, que de acordo com Brito e Martins (2004), foi pautado em três eixos:
1. imposição da língua oficial indonésia, o “Bahasa Indonesia”, como língua do ensino e da administração;
2. minimização do uso do Tétum; e
3. perseguição sumária da língua portuguesa.
A criação de inúmeras escolas foi uma das medidas adotadas pelo governo indonésio para a expansão da língua indonésia em todo o território, além de tornar o Timor-Leste semelhante às outras províncias indonésias, exaurindo as línguas e culturas portuguesa e timorense. Dos professores que atuavam nas escolas, no Ensino Primário, 20% eram indonésios e no Ensino Secundário, 90% eram indonésios (TIMOR-LESTE, 2005b). O lema da unidade nacional foi: “Satu nusa, satu bangsa, satu bahasa”, que significa “uma só pátria, uma só nação, uma só língua”. Este lema era ensinado nas escolas dentro da disciplina de “Pendidikan Moral Pancasila” (PMP), que significa “Educação dos Princípios de Moral” (CUNHA, 2001).
De acordo com Dominique Juliá (2002), durante a década de 1970, na análise dos manuais escolares, o modo de reprodução era importado do modelo sociológico de escola. Tais reproduções eram idênticas às relações sociais a serviço das classes dominantes. No conteúdo dos discursos veiculados pelos manuais, buscava-se a ‘ideologia’ que mantinha no local de submissão as classes subalternas.
A língua de ensino e o currículo adotado em todos os níveis da educação eram vindos da Indonésia. O termo currículo é aqui empregado com a concepção defendida pelo historiador canadense de currículo, George S. Tonkins (apud GOODSON, 1999), de que:
Currículo é o curso aparente ou oficial de estudos, caracteristicamente constituído em nossa era por uma série de documentos que cobrem variados assuntos e em diversos níveis, junto com a formulação dos objetivos e roteiros que constituem as normas, regulamentos e princípios que orientam o que deve ser lecionado (GOODSON, 1999, p.117).
A política educativa é elaborada, sobretudo, através do Estado e no currículo são refletidos seus interesses e ideologias até porque, segundo Paraskeva (2001, p.17), “o currículo é a máscara política da educação”.
Diversos programas de desenvolvimento para Timor Timur foram realizados pelos indonésios, sobretudo a partir de 1989, visando integrar o antigo território português. Porém o massacre ocorrido no dia 12 de novembro de 1991 relembrou as atrocidades feitas pelos indonésios, quando cerca de 200 pessoas que choravam a morte do estudante Sebastião Gomes e caminhavam da Igreja de Motael até o cemitério Santa Cruz, foram brutalmente assassinadas na entrada do cemitério.
Em tal marcha esteve presente um grupo heterogêneo de pessoas: jovens, estudantes timorenses, agregados da rede clandestina, colaboracionistas, informantes, elementos da Intel (a secreta militar), bem como das tropas especiais Kopassus8. Através da divulgação
do massacre ocorrido em Santa Cruz pela comunicação social, a comunidade internacional tomou ciência e fortaleceu-se a mobilização para com a causa timorense. A invasão desenraizou milhares de pessoas. As propriedades foram abandonadas, destruídas ou vendidas a preços injustos.
O líder da resistência timorense, Xanana Gusmão, foi capturado em 20 de novembro de 1992 (um ano após o Massacre de Santa Cruz) pelas Forças Armadas Indonésias, e a partir de então, foi mantido prisioneiro em Cipinang, Jacarta, capital da Indonésia (MAGALHÃES, 2007).
Em 1996 foi atribuído o Prêmio Nobel da Paz a dois timorenses, Carlos Filipe Ximenes Belo e José Ramos Horta (SEJERSTED; BELO; HORTA, 1997). Dom Ximenes Belo é bispo católico da Diocese de Díli e lutou contra as violações dos direitos humanos e contra as políticas de absorção da Indonésia. Ramos Horta foi o porta-voz da resistência timorense durante seu período de exílio, em Portugal. O prêmio trouxe maior reconhecimento e mobilização internacional na luta pelos direitos humanos e na autodeterminação de Timor- Leste. No ano seguinte, Nelson Mandela, presidente sul-africano, visitou o prisioneiro Xanana Gusmão, o que intensificou a pressão para negociações que levassem à independência do Timor-Leste.
O regime do ditador indonésio Suharto foi enfraquecido por uma crise econômica, que culminou com sua demissão em 1998. Em 10 de fevereiro de 1999, Xanana Gusmão foi transferido da prisão de Cipinang para casa prisão de Salemba e finalmente foi posto em liberdade em 7 de outubro de 1999 (MAGALHÃES, 2007).
O ano de 1999 foi de grande turbulência para o Timor. Em janeiro, surgiram nas zonas de fronteira com a Indonésia, tropas de soldados timorenses que lutavam a favor da Indonésia, contra os próprios timorenses. Tal grupo foi designado como ‘milícias’.
Em 5 de maio de 1999, após muitas negociações, ocorreu a consulta popular aos timorenses, sob a supervisão da Organização das Nações Unidas (ONU), que teve como resultado o “referendo”, ocorrido no dia 30 de agosto de 1999. Apesar da grande ameaça imposta, 78,5% dos timorenses votaram pela independência. Após o referendo, ocorreram massacres sangrentos, que despertaram a atenção e intervenção da comunidade internacional.
8Kopassus, da língua indonésia, "Komando Pasukan Khusus" (Comando das Tropas Especiais), é considerado o corpo de elite das forças indonésias.
Sobre os episódios ocorridos em setembro de 1999, Magalhães (2007) afirma que em uma população com cerca de 900.000 pessoas, aproximadamente 550.000 timorenses abandonaram as suas casas, tanto por terem sido deportados, de forma obrigatória, à Indonésia, como também por se refugiarem nas montanhas.
Quando do regresso, suas casas foram, na maioria, incendiadas, saqueadas ou destruídas. Magalhães (2007, p.603) cita trechos do relatório da Comissão de Acolhimento Verdade e Reconciliação9 (CAVR; cap. 3; § 636):
“As milícias incendiaram Timor-Leste com gasolina fornecida pelos militares, muitas vezes disponibilizada em carros de bombeiros carregados de gasolina nos tanques de água. Os bens saqueados eram carregados em caminhões militares [...]”.
Dessa forma, em função da violência ocorrida em setembro de 1999, pelo menos 80% dos 2091 professores do Ensino Secundário foi para o Timor Ocidental, território pertencente à Indonésia (OBSERVATÓRIO TIMOR-LESTE, 2000).