• Aucun résultat trouvé

Recommandations pratiques concernant la réduction de l’offre et les mesures connexes; l’efficacité de la répression; les mesures

Importa dizer que a relação entre o autor e o texto proposta pela dinâmica da internet inscreve-se numa arqueologia da demanda e da ação contínua dos agentes discursivos que promovem a interação verbal, estética e discursiva, usando a tecnologia intelectual, escrita, como mecanismo de ação.

Para Bakhtin (2000), a afinidade do autor com o locus discursivo, tal como se registra na arquitetura comunicacional da internet em sua vivacidade, precisa ser vista do ponto sistêmico da relação hierárquica, na qual as individualidades se revestem de autoridade do que se diz. O autor – produtor de linguagem –, desse ponto de vista, é, de certa maneira, monitorado pela audiência à medida que ela [audiência] coloca em plano associativo os sentidos existentes na linguagem articulada no discurso.

[...] um autor modifica todas as particularidades de um discurso, seus traços característicos, os episódios de sua vida, seus atos, pensamentos, sentimentos, do mesmo modo que na vida, reagimos com juízo de valor a todas as manifestações daqueles que nos rodeiam: na vida, todavia, nossas reações são díspares, são reações a manifestações isoladas e não ao todo do homem, e mesmo quando o determinamos enquanto todo, definindo-o como bom, mau, egoísta, etc., expressamos unicamente a posição que adotamos a respeito dela na prática cotidiana, e esse juízo o determina menos do que traduz o que esperamos dele; ou então se tratará apenas de uma impressão aleatória produzida por esse todo ou, enfim, de uma má generalização empírica. (BAKHTIN, 2000, p, 25, grifo meu).

É nesse confronto entre o individual e o coletivo, que se ancora a existência do autor da linguagem no weblog, pois, à medida que ele se pronuncia, deixa vir à tona questões de sua personalidade e também de seu fazer no mundo da linguagem reconhecida pela comunidade virtual onde atua.

Dessa maneira, a comunicação via weblog tem, em sua base, um autor que cria e socializa as manifestações de si, buscando as reações dos demais comunicantes, as quais

podem vir em tempo real ou no devir do espaço. Na verdade, esse autor é visto pelos membros da comunidade virtual como uma espécie de herói contemporâneo, porque ele consegue se expressar à maneira que todos o compreendem, independentemente de cometer desvios e/ou de maneira “egocêntrica” construa e faça da linguagem escrita código secreto, permitindo acesso de decodificação apenas àqueles que dominam a linguagem realizada pelo grupo.

Nesse contexto, Bakhtin (2000) reconhece a autoridade do autor no ato de interação verbal quando este se posiciona na prática de uma atividade estético-discursiva perpassada por

[...] reação global ao todo herói cujas manifestações isoladas adquirem importância no interior do conjunto constituído por esse todo, na qualidade de componentes desse todo. Essa reação a um todo é precisamente específica da reação estética que reúne o que a postura ético-cognitiva determina e julga e lhe assegura o acabamento em forma de um todo concreto-visual que é também um todo significante. (BAKHTIN, 2000, p. 26).

Vê-se, pois, que esta ação postulada por Bakhtin (2000) é recorrente na intercomunicação no weblog, uma vez que os cibernautas desse espaço concretizam-se como sujeitos da enunciação estético-discursiva, pautando-se nas sociossemioses possibilitadas pelo meio digital, onde a linguagem escrita assume estado de tecnologia intelectual. Reconhece-se, assim, que a atividade estético-discursiva realizada no weblog determina a ação dos sujeitos envolvidos no processo de enunciação.

Como em todo processo de criação estético-discursivo em linguagem, seja ela escrita ou falada – literário, jornalístico, comunicativo –, o autor no weblog não só é proativo como também é reativo às criações aleatórias que o fazem afastar-se de si e dos membros da cibercomunidade onde o virtual reside, quando passa a considerar várias semioses:

[...] muitos disfarces, máscaras aleatórias, gestos falsos, atos inesperados que dependem das reações emotivo-volitivas do autor; este terá de abrir um caminho através do caos dessas reações para desembocar em sua autêntica postura de valores e para que o rosto da personagem se estabilize, por fim, em um todo necessário. (BAKHTIN, 2000, p. 26).

Com esse ato intuitivo e criativo, a linguagem no weblog é posta em destaque, porque cada indivíduo, ao se pronunciar via ciberespaço, põe a lume seu modo de ser e fazer com as linguagens. Entretanto, às vezes, não vê sua criação estético-discursiva compreendida como deveria no instante que a produz, ficando, assim, à espera de interlocução dos agentes comunicativos, que, na maioria das vezes, ocorre a posteriori.

No que se refere aos sentidos presentes nesse ato, Bakhtin (2000) considera que não há ideal de sentido proposto apenas numa ação estético-discursiva isolada. Ao contrário, o autor, em suas “confissões sobre a sua obra ou no que formular sobre o processo de seu ato criador” (BAKHTIN, 2000, p. 27), diz de si e das realidades de linguagem em que atua.

Pressupõe-se ainda que, o dizer de um autor vai além do considerado. Isso reflete na posição assumida no ato enunciativo, que, eivado de proposições emotivo-evolutivas de seu ser e não só de sua pratica linguística no ciberespaço, concretiza-se enquanto ser da criação estético-discursiva no weblog.

Diante disso, “[...] o autor cria, mas não vê sua criação em nenhum outro lugar a não ser no objeto ao qual deu uma forma; em outras palavras, ele só vê o produto em devir em seu ato criador e não o processo psicológico interno que preside esse ato” (BAKHTIN, 2000, p. 27).

Acontece, por certo, que no ciberespaço é recursivo o autor converter seu discurso individual em ação estético-discursiva coletiva, à qual atribui perspectiva ética, social e política, com objetivo de fazê-la verdadeira, fundindo-a no princípio estético da relação escrita – discurso em que os sujeitos alijados do processo social sejam reconhecidos como seres importantes no universo da linguagem virtual.

Assim sendo, o autor com sua maneira de ser, cujo contexto de vida promove a visão em que a escrita dialoga com a tecnologia digital, proporciona representação realizada por meio da atividade estético-discursiva, somente possível no espaço comunicacional do weblog, onde “[...] a propagação de uma ideia é substituída pelo que denominamos uma encarnação do sentido daquilo que existe” (BAKHTIN, 2000, p. 30).

Dessa maneira, infere-se que os sentidos atribuídos à produção estético-discursiva realizada no weblog são uma forma pela qual os cibernautas lidam, diariamente, com suas angústias individuais, coletivamente socializadas na rede, por meio de sociossemioses em que pesa o fazer secreto e ou privilegiado da linguagem recorrente na enunciação dos , por meio do diálogo entre a técnica da escrita e da fala no weblog.

Diante da perspectiva apresentada e discutida neste texto, junto com as apropriações feitas dos autores citados, chega-se à compreensão temporária de que o weblog substanciado pelas tecnologias de informação e comunicação e tecnologias intelectuais – escrita e fala – , estas entendidas como modus de produzir linguagem, possibilitam, cada vez mais, a socialização de emoções e sentimentos por meio de uma escrita pautada no diálogo e na revelação das intimidades de seus autores.

Por outro lado, distingue-se o fato de que as tecnologias intelectuais perpassadas pelas sociossemioses do ciberespaço criam pontos de significância entre o dito e o pretendido do cibernauta, criando, assim, uma atividade enunciativa em que discurso e autoria se imbricam de tal modo, que nem sempre é possível situá-lo no plano da linguagem. Reafirma-se: o ser da linguagem e da tecnologia intelectual é ontológico em essência e, portanto, produtor de diálogos entre linguagens e tecnologias.