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Recommandations aux gestionnaires, de la phase projet au chantier urbain

Chapitre III. Mettre en place des outils de gestion, de protection et de valorisation de l’arbre

III.2.3 Recommandations aux gestionnaires, de la phase projet au chantier urbain

Os pesquisadores-coordenadores dos INCTs foram convidados pelo CNPq a preencher diversos campos dispostos no Relatório de Acompanhamento e Avaliação. Pela diversidade de conteúdo e atividades, iniciamos a exploração do

45 http://www.cnpq.br/programas/inct/_apresentacao/institutos.html 46 Disponível em https://pt.surveymonkey.net/

material procurando compor o acervo com as mensagens/informações, para classificar e categorizar os termos mais utilizados com base nas frequências de ocorrências.

Para melhor dimensionamento do trabalho, apresentamos a seguir cinco exemplos escolhidos aleatoriamente, demonstrando como foi preenchido o campo da nossa consulta pelos pesquisadores. Embora os relatórios sejam documentos oficiais, excluímos possíveis informações que apontassem à identificação.

O campo Resultados obtidos/metas - educação e divulgação da ciência

informados nos relatórios foi assim registrado:

a) INCT 1

EDUCAÇÃO E DIVULGAÇÃO DA CIÊNCIA:

1. Participação e organização do 12º Simpósio internacional sobre xxxx.

2. Participação e organização do 2º Workshop INCT – xxx, Búzios, RJ, de xx a xx de xxx o de 2010. 3. Organização e participação no 1º Workshop Internacional em xxxx, realizado em xxx de x a x de xxx de 2010. Este Workshop teve a participação de 7 palestrantes estrangeiros e 7 nacionais.

b) INCT 2

EDUCAÇÃO E DIVULGAÇÃO DA CIÊNCIA:

1. Elaboração, impressão e distribuição do xxx para todos os pesquisadores do INCT xxx e para cientistas em geral, tomadores de decisão e organismos internacionais. O relatório foi elaborado em duas versões, em língua portuguesa e na língua inglesa

2. Os resultados produzidos pelo xxx são frequentemente divulgados na mídia por meio de diversos veículos, acessíveis ao público: vídeos, sítios da internet (portal do INCT xxx) e uma revista online, xxx.

3. Atualizações sobre os resultados mais recentes são divulgados no website do INCTxxxx.

c) INCT 3

EDUCAÇÃO E DIVULGAÇÃO DA CIÊNCIA 1. Atividades Gerais através do Canal de TV 2. Semana da xxxx

3. Vídeos Educativos para ampla distribuição

4. Difusão de ciência no ensino fundamental e médio 5. Colunas semanais nos jornais da cidade

6. Escolas Avançadas em xxxx

d) INCT 4

1. Disciplina comum às PGs [...]. 2. Livro “xxx" 47

3. Livro “xxx" 48

e) INCT 5

EDUCAÇÃO E DIVULGAÇÃO DA CIÊNCIA:

Há um conjunto de atividades envolvendo pesquisadores do Instituto que podem ser parcialmente classificadas na rubrica “transferência de conhecimento”. Mas também podem ser classificáveis como “divulgação” – ou educação por outros meios que não a sala de aula. É o caso de palestras feitas em associações. Ou as numerosas intervenções em atividades de mídia (entrevistas e consultas para revistas, jornais, rádios, televisões e blogs). O Instituto também está reformulando seu website para abrir seções mais amplas e dinâmicas de difusão (acolhendo textos de divulgação, apresentações virtuais, videoclipes). Também está fazendo gestões para depositar mais regularmente esses materiais nas áreas de openware e cameraweb das universidades.

A produção de textos – acabados ou semi-acabados – tem encontrado difusão também no website do Instituto. Estamos ampliando e reformulando essa difusão (papers, artigos, Cadernos), para dar publicidade a trabalhos ainda em elaboração (working papers, resenhas, balanços bibliográficos). Nestes próximos meses o website será reformado e ampliado com esse desenho, de modo a refletir mais de perto o trabalho dos diferentes grupos de pesquisa do Instituto.

Como podemos observar a partir deste material, cada relatório tem um estilo, alguns mais concisos e diretos e outros mais detalhados. Em razão das características diferenciadas, optamos por selecionar o que os 51 INCTs indicaram nos campos e depois passamos a reunir palavras sinônimas, o que gerou uma lista de mensagens (disponível no Apêndice C). Em seguida à fase de tratamento de dados com aproximação de ações semelhantes, descartamos repetições e classificamos as mensagens dos pesquisadores. Este procedimento é denominado por Bardin (2009) como análise categorial, onde desmembramos o discurso dos pesquisadores dos INCTs em categorias.

Embora compreendamos a divulgação científica como comunicação pública da ciência, que se situa no espaço público, tendo como público o cidadão, de acordo com o que vimos no capítulo 3, deste estudo, no processo de classificação desta pesquisa quantitativa procuramos agregar as atividades e indicar os títulos das

47 Público-alvo: comunidades extrativistas. 48 Publicação técnica.

categorias com base nas matrizes comunicacionais apontadas por Fadul (2003), quando analisou a produção acadêmica de um programa de pós-graduação em comunicação.

Esta autora criou a classificação das matrizes por grandes áreas do conhecimento, denominando-as por comunicação interpessoal, comunicação midiática, comunicação organizacional, a comunicação nos pequenos grupos e a retórica e a argumentação. A partir das grandes áreas, por meio do estudo da autora, foram gerados 14 macrodescritores ou grandes assuntos e descritores dos processos comunicacionais, estabelecidos com base no Thesaurus da Unesco e em enciclopédias, dicionários, manuais, livros e artigos citados na bibliografia final, […] com o objetivo de se ter uma visão das diferentes classificações e definições das áreas e subáreas” (FADUL, 2003, p. 99)

Da lista dos 14 macrodescritores49 e descritores, destacamos os quatro que foram utilizados para categorizar as ações de divulgação científica dos INCTs: comunicação e educação, comunicação científica, comunicação midiática e comunicação organizacional.

Na maior parte das situações, o público-alvo das atividades estava indicado pelos pesquisadores, mas nos casos em contrário foi possível inferir dada a natureza da ação. Por exemplo, ao mencionar como Educação e Divulgação da Ciência a “apresentação de trabalho em congressos”, entendemos se enquadrar na área "comunicação científica", tendo como público os pares, a comunidade científica pertencente à área do pesquisador. Os cursos de verão ou inverno, consideramos melhor agregar em comunicação e educação, como podemos constatar na Figura 6.

49 Comunicação midiática, comunicação científica, comunicação organizacional, comunicação e

educação, comunicação mercadológica, comunicação internacional, história da comunicação e da mídia, publicidade, comunicação e política, midiologia, comunicação e religião, mídia comunitária, comunicação, comunicação e mídia popular, mídia e etnia e comunicação e mídia: ecologia e sustentabilidade (FADUL, 2003, p. 102).

Figura 6 - Comunicação e Educação: formação e capacitação de intrapares e extrapares

Já na categoria Comunicação científica - eventos científicos (Figura 7), os pesquisadores dos INCTs citaram a realização de seminários, congressos, simpósios e workshops, palestras e cursos especializados, tendo os integrantes das suas equipes participado da organização ou apresentação de trabalhos/resultados

de pesquisas em eventos nacionais ou internacionais. Esta comunicação está direcionada ao público intrapares e extrapares, compreendida por Bueno como:

[...] a circulação de informações científicas, tecnológicas e de inovação entre especialistas de um campo ou de campos conexos. A comunicação extrapares diz respeito ao mesmo processo, mas tem como público-alvo especialistas que não se situam, por formação ou atuação específica, na área que é objeto da disseminação. São exemplos de comunicação intrapares a que se materializa por periódicos especializados ou por eventos científicos em áreas bem delimitadas, de tal modo que aqueles que não as freqüentam encontram dificuldades para acessá-los. (BUENO, 2010, p. 9)

Figura 7 - Comunicação científica – eventos científicos

Em Comunicação científica – publicações e periódicos (Figura 8), são mencionadas ações de difusão do conhecimento por meio de edições de livros, glossários, elaboração de capítulos de livro, publicação de artigos científicos em periódicos impressos e digitais no país e no exterior. Em relação a este último ponto, todos os INCTs mencionaram publicação de artigos em periódicos especializados. Estas publicações científicas e livros também têm por público os pares, portanto a comunidade científica.

É importante lembrar que procuramos conservar, da maneira possível, as mensagens/informações dos pesquisadores-coordenadores indicadas nos relatórios e descartamos os sinônimos, conforme mencionado no início deste capítulo.

Na Figura 8, incluímos também, a criação de galeria de imagens para pesquisadores, como sendo acessória à comunicação científica. Há também indicação de pedido de patentes no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) como Educação e Divulgação da Ciência, mas não classificamos em quaisquer das categorias, por entendermos que não se enquadra nessa área.

Notamos que as ações vinculadas à Comunicação e Educação (Figura 6) e Comunicação Científica (figuras 7 e 8) fazem parte do processo de produção e desenvolvimento da ciência, e os INCTs utilizaram canais informais50 de difusão da informação (cursos, webconferências, debates, simpósios, treinamentos, conversas e encontros entre pesquisadores da instituição e interinstitucionais, reuniões com integrantes governamentais etc.) e formais (publicação de artigos em revistas especializadas, livros, glossários, capítulos de livros, relatórios e material científico em sites especializados).

A nosso ver, estas atividades constituem finalidades para a educação superior, definidas no Capítulo IV, art. 43, da Lei no. 9.394, de 20 de dezembro de 199651, sobre as Diretrizes e Bases da Educação Nacional, principalmente os parágrafos

50 O conjunto de atividades formais e informais "constitui o sistema de comunicação científica de uma

determinada área da ciência A comunicação informal utiliza os chamados canais informais e inclui normalmente comunicações de caráter mais pessoal ou que se referem à pesquisa ainda não concluída, como comunicação de pesquisa em andamento, certos trabalhos de congressos e outras com características semelhantes. [...] A comunicação formal se utiliza de canais formais, como são geralmente chamadas as publicações com divulgação mais ampla, como periódicos e livros". (MUELLER, 2000, p. 22).

51 Capítulo IV - Da educação superior:

I - estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo; II - formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua; III - incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica, visando o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e difusão da cultura, e, desse modo, desenvolver o entendimento do homem e do meio em que vive; IV - promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicações ou de outras formas de comunicação; V - suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural e profissional e possibilitar a correspondente concretização, integrando os conhecimentos que vão sendo adquiridos numa estrutura intelectual sistematizadora do conhecimento de cada geração; VI - estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente, em particular os nacionais e regionais, prestar serviços especializados à comunidade e estabelecer com esta uma relação de reciprocidade; VII - promover a extensão, aberta à participação da população, visando à difusão das conquistas e benefícios resultantes da criação cultural e da pesquisa científica e tecnológica geradas na instituição.

III e IV, que tratam do incentivo à pesquisa e investigação científica e da criação e difusão da cultura e promoção da divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos e comunicação do saber por meio do ensino, de publicações ou de outras formas de comunicação. Nessas determinações, incluem-se empreendimentos pertinentes à graduação e pós-graduação, como também a formação de recursos humanos para pesquisa (iniciação científica, mestrado, doutorado, pós-doutorado e até o sabático52).

Entretanto, convém destacar que o compromisso dos institutos nacionais é "[…] estabelecer programas que contribuam para a melhoria do ensino de ciências e com a difusão da ciência para o cidadão comum" (grifo da autora).

Estas ações estão caracterizadas como comunicação pública da ciência, de interesse e do direito do cidadão, em que agentes públicos devem criar condições necessárias como capacitação e formação para que o indivíduo possa entender e lidar com as questões do mundo, pois para questionar, opinar e decidir é preciso antes conhecer (CARIBÉ, 2011; BUENO, 2010; OLIVEIRA, 2001; CALVO HERNANDO, 2003; CASTELFRANCHI, 2010).

De acordo com a Unesco, a educação em ciências tem o objetivo de:

"[...] desenvolver e expandir a alfabetização científica em todas as culturas e todos os setores da sociedade, bem como capacidade de raciocínio e habilidades e uma apreciação de valores éticos, de modo a melhorar a participação pública na tomada de decisões relacionadas com a aplicação de novos conhecimentos. (PORTAL DA UNESCO).53

Para Bueno (2010), a alfabetização científica deve ser um instrumento para promover a aproximação e o diálogo e estimular as pessoas aos "[…] debates amplos sobre a relação entre ciência e sociedade, ciência e mercado, ciência e democracia" (BUENO, 2010, p. 8).

Para atingir o público leigo (Figura 9), no qual se incluem tanto o cidadão como os professores de ensino fundamental e médio público e privado, os INCTs elaboraram textos didáticos para livros, capítulos de livros, cartilhas e material didáticos em sites. Empenharam-se em ministrar curso sobre o tema do INCT;

Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/l9394.htm

52 De acordo com o Dicionário Houaiss, "sabático é relativo a um período em que alguma atividade

regular é interrompida". Embora não haja uma definição específica, na academia utiliza-se esse período para realização de cursos e treinamento no país e no exterior (nota da autora).

forneceram orientações técnicas, pedagógicas e profissionalizantes presenciais e a distância para alunos e professores de escolas de ensino fundamental e médio; houve ainda a aplicação experimental de modelo de ensino; alguns institutos citaram o desenvolvimento de kits experimentais para distribuição em escolas públicas; organizaram e/ou realizaram feiras, exposições e oficinas de ciência; há ocorrências de atuação em programas universitários de divulgação científica em escolas (exemplo: ônibus itinerantes, cientistas vão à escola etc.); promoção de visitas de estudantes de ensino médio aos laboratórios universitários; desenvolvem no INCT programas de estímulo à vocação científica e busca de talentos; no site institucional publicam os resultados das pesquisas e disponibilizam comentários sobre os artigos científicos, produzem e apresentam peças teatrais sobre um tema vinculado à ciência; ministram palestras em livrarias, associações, sindicatos e empresas sobre ciência e assuntos relacionados ao tema da pesquisa; entre outras atividades.

53 Disponível em:

http://eventos.unesco.org.br/diadaciencia/index.php?option=com_content&view=article&id=36&Itemid =29

Figura 9 - Comunicação e educação - publicações e instrumentos de divulgação científica

Segundo Dornan (1990, apud De Oliveira, 2007), o conhecimento científico necessita do artigo de divulgação científica para circular na sociedade. No entanto, De Oliveira (2007) esclarece que o artigo científico e o de divulgação científica são dois produtos diferentes e que este último não é uma simplificação ou uma tradução do primeiro. Sobre esta questão, a autora complementa que "[...] cada um deles constitui uma forma de circulação do saber, articulando de forma específica

representações dos atores sociais envolvidos no processo de produção e divulgação do conhecimento” (CARIBÉ, 2007, p. 20).

A divulgação científica depende de que o cidadão domine a leitura, seja capaz de interpretar e entenda conceitos básicos de ciência adquiridos na educação infantil, em nível fundamental e médio, pois são requisitos para "[...] compreender e discutir aspectos relativos à aplicabilidade da ciência" (CARIBÉ, 2011, p.267). Quando o nível de conhecimento em ciência é avaliado, o “[...] Brasil tem se saído mal nos exames realizados internacionalmente", conforme afirma a autora.

Neste ponto, lembramos Luhmann (1993), quando sustenta que somente em conjunto os elementos compreensão, capacidade de recepção e resultados esperados podem criar comunicação, que ocorre quando é compreendida a diferença de expressão e informação, distinguindo-se da percepção, do contrário são encontradas as condições de improbabilidade da comunicação.

A divulgação científica alcança público restrito se estiver circunscrita a palestras, exposições, cursos, publicações e materiais didáticos destinados a alunos e professores de ensino fundamental e médio, mas também pode alcançar milhares de leitores e milhões de telespectadores se as informações forem difundidas pelos meios de comunicação para massas.

Para José Reis (1982)54, em países como o Brasil, a divulgação pela imprensa é muito importante, pois as "[...] dificuldades e as precariedades das escolas fazem com que estudantes e professores obtenham informações sobre os progressos da ciência através de artigos de jornais".

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