5. Conclusion
5.1.2 Les recommandations
Quando questionadas sobre a existência de colaboração entre aluna pesquisadora e professora regente, 15 (100,00%) dos sujeitos investigados afirmaram existir colaboração ou auxílio entre ambas, porém as respostas coletadas e as observações relatadas são diversas.
A colaboração ou auxílio são identificados em situações como:
auxiliar em atividades solicitadas no curso de graduação (AP02; 09); auxiliar na pesquisa para o trabalho de conclusão de curso (AP10); observar e atender os alunos com dificuldade (AP04; 06; 08);
orientar para lidar com os alunos (AP08; 11);
esclarecer dúvidas com informações advindas da faculdade (AP11); demonstrar ser útil e ter boa vontade (AP03; 14);
aprender com a professora regente e (AP13);
permitir a participação da aluna pesquisadora em sala de aula (AP15).
Nas observações de 03 (20,00%) dos alunos pesquisadores, tem-se o relato de que a colaboração depende muito de cada professor regente e que
“é preciso conquistá-lo”. (AP01)
Pois, no dizer das estudantes, no início, os docentes se sentem
“vigiados”. (AP05)
A fala de uma aluna pesquisadora exemplifica essas observações:
“Quando nós ingressamos no projeto, não éramos bem vista. Era como se fôssemos ameaçadoras, como se nós viéssemos para ficar investigando o professor e denunciar a prática dele.” (AP07)
Talvez o desconhecimento ou a pouca compreensão das funções das alunas pesquisadoras na sala de aula por parte das professoras regentes ocasionem algumas atitudes de reserva ou distanciamento inicial entre ambas, mas que, aos poucos, vão se convertendo em ações colaborativas que se caracterizam pelo auxílio, cooperação e co-participação nas ações docentes.
Há ainda uma aluna pesquisadora que informa que sua colaboração se entendeu às salas de aula de outras séries. Ela relata que durante um determinado ano letivo encontravam-se em uma única escola aproximadamente seis estudantes de uma mesma IES. E com isso, organizaram-se para desenvolver um projeto, afirmando que
“(...) os professores davam essa abertura pra gente estar participando numa sala e outra, muitas vezes eu não ficava só na minha sala... você não se limita só a sala que você está...” (AP12).
Cabe ressaltar que a participação do aluno pesquisador no Programa Bolsa Formação é restrita às classes de segundo ano e às classes que atendem alunos do PIC - Projeto Intensivo no Ciclo.
As classes do PIC - Projeto Intensivo no Ciclo são destinadas ao atendimento de alunos que chegaram à 3a e 4a séries sem se alfabetizarem e que
não teriam condições de prosseguir no Ciclo II, ou seja, de ingressar na 5a série, ou 6o ano, do Ensino Fundamental.
Destaca-se que a partir de 2010, conforme as orientações da Secretaria da Educação, as classes do PIC - Projeto Intensivo no Ciclo também passaram a ser atribuídas aos alunos pesquisadores para exercerem suas funções, além das classes de segundo ano, como já estava previsto desde o início do Programa em 2007.
Para garantirem um atendimento diferenciado essas classes possuem um número reduzido de alunos e contam com material didático específico. No entanto, nem sempre essas ações são suficientes para que os alunos que ainda não se alfabetizaram apresentem o desempenho esperado.
Dessa forma, como esclarece a Resolução e o Regulamento, a participação do aluno pesquisador não ocorre em classes regulares de 2a, 3a e 4a séries.
Convém esclarecer que no momento em que o aluno pesquisador é encaminhado por um responsável da Diretoria de Ensino para a unidade escolar em
que desempenhará suas atribuições, ele é informado em qual turma deverá permanecer; além disso, é fornecido ao estudante o documento de encaminhamento que deve ser apresentado à equipe gestora formalizando o ingresso na escola campo de atuação.
Assim, o que se observa no relato acima está em desacordo com as orientações do Programa.
Na presente tese, a possibilidade de o estudante de cursos de Pedagogia conhecer e acompanhar o cotidiano de uma sala de aula dos anos iniciais do Ensino Fundamental é essencial para a construção dos saberes necessários à docência, pois favorece a aproximação com o ambiente profissional em que atuará e com as situações de prática docente; porém, a alocação dos alunos pesquisadores “numa sala e outra” poderia ocasionar uma visão de descontinuidade dos processos de ensino e de aprendizagem dos alunos.
Em outras palavras, uma das características que se considera relevante no Programa Bolsa Formação e que poderia trazer elementos para se pensar na ressignificação dos estágios em cursos de Pedagogia é a continuidade, o acompanhamento diário das alunas pesquisadoras em uma sala de aula. E no entender desta pesquisadora, poderia ocorrer em todos os anos iniciais do Ensino Fundamental, mas esta não é a finalidade do Programa.
Além disso, alunos pesquisadores e profissionais das instituições envolvidas necessitam conhecer as atribuições que esses estudantes podem realizar nas escolas campo de atuação no sentido de acompanhá-los e orientá-los. Essas informações encontram-se disponíveis no site da Secretaria da Educação30.
Legalmente falando, nesta primeira etapa da análise, foi possível observar que em alguns casos ocorrem algumas irregularidades nas atribuições previstas para os alunos pesquisadores.
O importante a salientar é que os dados apresentados, tal como se verificaram até aqui, podem favorecer algumas reflexões ao se pensar a ressignificação dos
estágios em cursos de formação de professores, inclusive quanto às relações entre IES e as situações de prática docente, que serão abordadas no próximo item.
6.3 Relações entre os conhecimentos do curso de Pedagogia e as situações