PART 2: ENHANCING LOCAL AUTHORITIES PARTICIPATION IN DEVELOPMENT
2.1. Recognizing the Local Authorities and the National Association of Local Authorities as
Uma empresa de saneamento necessita decidir como alocar uma verba para investimentos em automação nos sistemas de adução e distribuição de água, durante os próximos quatro anos. A captação de água e o seu tratamento não estão contemplados nesse problema devido à maior complexidade na automação do processo.
O problema envolve múltiplos objetivos e múltiplos decisores que divergem entre si quanto aos interesses na escolha das alternativas. Para facilitar o estudo, apenas dois critérios de avaliação serão adotados: a redução dos custos operacionais (pessoal, energia, manutenção, etc.) em unidade monetária, e o percentual de redução das perdas de água se todos os investimentos necessários forem feitos.
Geograficamente, o Estado atendido por essa empresa pode ser dividido em três regiões: R1, R2 e R3. Elas divergem em termos do número de habitantes, investimentos em indústrias e em agricultura, qualidade de vida dos habitantes, nível educacional, capacidade da infraestrutura de abastecimento de água já existente e disponibilidade de recursos hídricos. Por razões operacionais essas três regiões foram divididas em 20 (vinte) áreas menores (Ai), sendo que: A1 a A6 pertencem a R1; A7 a A13 pertencem a R2 e A14 a A20 pertencem a R3. Por razões políticas, pelo menos uma área de cada uma das três macroregiões deve ser atendida em cada ano e como não há verba para atender a todas as áreas, caberá aos decisores determinarem quais regiões serão beneficiadas e em que ano suas obras serão iniciadas.
Cada uma dessas 20 áreas possui uma capacidade operacional diferente que depende da quantidade de unidades operacionais (também conhecidas como “estações”) que nelas existem. Entende-se por estações: as estações de tratamento de água, as estações elevatórias,
os reservatórios e os poços profundos. Cada estação possui uma necessidade de automação diferente que depende do seu tipo, do seu porte, do estado atual dos equipamentos nela existente, das necessidades operacionais dos sistemas de abastecimento de água a que pertencem e das facilidades de comunicação com o Centro de Controle Operacional. Sendo assim, o valor do investimento necessário em cada área não é o mesmo.
A equipe técnica fez um levantamento dos custos necessários para automatizar e melhorar a operação do sistema nas 20 áreas do Estado. A Tabela 3.1 apresenta esses valores. Para essa empreitada, a empresa disponibilizou um recurso orçamentário de 100 unidades monetárias para ser distribuído ao longo dos quatro anos. As áreas foram avaliadas segundo os critérios acima mencionados e os valores são apresentados na Tabela 3.2. As áreas operacionais são as alternativas adotadas pelo modelo.
Tabela 3.1. Total de investimento necessário para cada área operacional da empresa (em unidades monetárias) ÁREA $ (unidade monetária) ÁREA $ (unidade monetária) A1 8 A11 9 A2 4 A12 4 A3 10 A13 3 A4 9 A14 10 A5 8 A15 5 A6 7 A16 5 A7 6 A17 7 A8 3 A18 3 A9 4 A19 2 A10 8 A20 10
Os decisores envolvidos nesse processo de decisão em grupo são três. Dois deles pertencem ao quadro funcional da empresa e o terceiro, ao governo. São eles:
• Gerente de Operações (DM1); • Gerente Financeiro (DM2);
Tabela 3.2. Avaliação das alternativas segundo os critérios adotados pelo modelo
Área Redução dos
custos operacionais (em unidades monetárias) Percentual de redução de perda de água (%)
Área Redução dos
custos operacionais (em unidades monetárias) Percentual de redução de perda de água (%) A1 2 4 A11 5 15 A2 10 40 A12 15 17 A3 5 18 A13 2 8 A4 15 15 A14 3 24 A5 2 9 A15 12 15 A6 3 18 A16 9 13 A7 6 5 A17 7 20 A8 15 12 A18 10 9 A9 5 21 A19 5 8 A10 9 16 A20 2 13
O maior objetivo do Gerente de Operações é melhorar a operação dos sistemas de abastecimento de água da empresa e identificar o quanto os mesmos serão afetados/melhorados quando as intervenções necessárias forem feitas. Trata-se de um decisor com grandes conhecimentos sobre a planta operacional da empresa e sobre o que deveria ser feito para melhorá-la. Ele tem consciência que outros tipos de investimentos, além da automação, necessitam ser feitos para se alcançar uma excelente eficiência operacional. Para esse decisor algumas áreas estão funcionando como um gargalo e precisam de atenção urgente, mesmo que isso não seja economicamente favorável no momento devido à necessidade de consumir um valor maior sobre a verba disponível.
O Gerente Financeiro entende o problema e a necessidade de investimentos nesse segmento da empresa, mas ele acredita que quanto mais áreas puderem ser atendidas, melhor. Seu interesse é reduzir o número de operadores e, assim, diminuir gastos. Ele discorda do Gerente de Operação quanto às áreas e a ordem com que devam ser atendidas.
Apesar de ser uma empresa pública e de seus dirigentes terem certa autonomia, o Governo do Estado pode influenciar na escolha de algumas áreas que sejam consideradas estratégica e politicamente interessantes. O Representante do Governo muita vezes não está preocupado com aspectos técnicos e operacionais na escolha das áreas beneficiadas nem com retornos financeiros à empresa.
Um analista/facilitador é necessário para condução do processo de decisão em grupo. Não se faz necessário que as elicitações de preferência dos decisores sejam feitas em grupo. Essa fase do processo poderia ser feita em encontros separados entre o analista/facilitador e cada decisor. Todavia é importante que no início dos trabalhos uma reunião com a presença de todos os decisores seja promovida com o intuito de esclarecer os objetivos do processo decisório e como funciona a metodologia adotada. É importante deixar explícito que não existe uma resposta certa ou errada e que todos os decisores são livres para expressar suas idéias e opiniões, sem julgamentos.
De posse dos resultados, o analista/facilitador convocará uma nova reunião para apresentação dos resultados. Nessa reunião os decisores podem entender mais sobre as perspectivas dos demais decisores, sobre o problema, e aceitar/rejeitar a recomendação de solução proposta pelo modelo. É importante ressaltar que num processo onde deve haver diálogo, é possível que alguns decisores revejam seus pontos de vista e alterem suas preferências. Trata-se de um processo cíclico, que pode ser revisto a qualquer momento e modificado caso seja necessário.