Com o objetivo principal de avaliar e acompanhar todos os alunos da rede de ensino municipal, a equipe da SME distribui-se de acordo com os níveis de ensino, ou seja, cada equipe responsabiliza-se por determinada(as) série(s)/ano(s). Elas serão as responsáveis por acompanhar as turmas no decorrer do ano letivo consoante o modo explanado à frente.
Inicialmente, reúnem-se para a elaboração de uma Matriz de Avaliação, baseada em diversas matrizes, dentre elas: a do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), a do Programa de Alfabetização na Idade Certa (Paic) e a do Sistema Permanente de Avaliação da Educação Básica do Ceará (Spaece). Em seguida, dão início à elaboração das avaliações, atividade conduzida pelos responsáveis de cada modalidade de ensino. Ao concluírem-nas, essas avaliações são apresentadas ao grupo, quando são discutidas, revisadas e refeitas, se for o caso.
Após essa etapa, elabora-se um calendário para sua aplicação nas escolas. Simultaneamente, são criadas planilhas contemplando os descritores que serão avaliados, os nomes dos aprendizes por séries/anos e escola e a descrição das questões. No dia da realização das avaliações, a equipe da SME comparece às unidades para aplicá-las. Ressalte- -se que os mesmos aplicadores atuarão como corretores. Já no momento da condensação dos dados nas tabelas e gráficos específicos, somente os responsáveis por essa etapa é que desenvolvem esse trabalho com as informações.
Vianna (2005, p. 133), ao discorrer sobre as avaliações em larga escala, esclarece que um programa de avaliação, mesmo não sendo em larga escala, “[...] exige o envolvimento de diferentes grupos em um trabalho de inter-relações, impondo-se, portanto, um gerenciamento competente [...]”. Segundo o autor, isso contribuiria para monitorar os problemas e conflitos de relações humanas e, desse modo, reduzir os riscos que podem levar ao fracasso das atividades.
Como explicitado anteriormente, na SME, cada um dos educadores que compõe a equipe responsabiliza-se por turmas específicas. Logo, tais profissionais atuam como responsáveis pelo acompanhamento e monitoramento dos referidos/as anos/séries. Existem ainda profissionais na equipe que ficam com a incumbência de elaborar as planilhas e gráficos, organizá-los por escolas e sintetizar os resultados das avaliações, os quais são organizados em tabelas, conforme se pode ver adiante.
Tabela 8 – Tabela de respostas de uma turma de Língua Portuguesa
Fonte: SME de Jijoca de Jericoacoara (2015).
Na tabela, os dados são tabelados por escola e turma. Contemplam-se não apenas as notas dos alunos, mas também os descritores por questões e o percentual de acertos em cada um dos descritores abordados. Segundo os integrantes do SAEMJJ, tais informações objetivam nortear o professor quanto às necessidades educacionais de seus discentes, uma vez que lhe possibilitam identificar em quais áreas e conteúdos seus educandos estão com maiores dificuldades de aprendizagem. Ao mesmo tempo, fornecem um panorama da turma por educando, que deve ter um acompanhamento mais individualizado a fim de que tenha condições de avançar.
Para que a turma seja visualizada como uma unidade, com avanços e dificuldades próprias, diferenciando-a das demais, é feito também um mapa de aproveitamento por turma, conforme expresso na imagem que segue. Este mapa pretende atuar como uma espécie de fotografia, em que se visualiza o desempenho dos estudantes em face dos descritores avaliados.
Gráfico 4 – Mapa de aproveitamento por turma
Fonte: SME de Jijoca de Jericoacoara (2015).
O referido gráfico condensa dados do rendimento da turma, dentre eles, o percentual de participação, o desempenho dos alunos por questões e por descritores e a média da turma. Almeja-se, com isso, direcionar não apenas o trabalho do professor, mas também o do coordenador pedagógico e o do diretor das escolas, uma vez que teriam uma visão mais abrangente de cada uma das turmas.
Após o lançamento dos dados no sistema, ocorre o cruzamento das informações anteriores com os dados obtidos. A equipe do SAEMJJ reúne-se para fazer uma análise interna por escola, por turma e por ano/série. Em seguida, o grupo discute maneiras de atuação junto à escola a fim de dar-lhe suporte e de auxiliar os professores. É feita também uma reunião com os núcleos gestores das escolas para repassar-lhes os resultados mais gerais, as notas, demonstrar a escola que cresceu, que precisa estar em alerta, etc. Nessas ocasiões, utilizam-se gráficos comparativos, conforme o expresso à frente.
Gráfico 5 – Comparativo entre os diagnósticos do SAEMJJ
Fonte: SME de Jijoca de Jericoacoara (2015).
O gráfico demonstra um comparativo entre os diagnósticos iniciais realizados em anos diferentes. São expressos os resultados por escola, conforme indicado por siglas, que seriam as abreviações dos nomes das referidas instituições. Ele propicia aos diretores uma visualização geral do município, demonstrando suas escolas em relação às demais. Elas são exibidas desse modo para servir de incentivo, pois, segundo a equipe do SAEMJJ, uma visão geral pode motivar-lhes a melhorarem seus resultados.
Nessa direção, Vianna (2000, p. 92) informa que “[...] Scriven defendeu e justificou plenamente a necessidade da realização de avaliações comparativas, que teriam um maior aporte de informações, permitindo uma tomada de decisão e o estabelecimento de juízos de valor de uma forma mais segura”. A respeito de avaliações comparativas, Pavão (1998, p. 25) argumenta que:
Seja qual for a concepção adotada, para que a avaliação se efetive, é necessário que, para cada aspecto da realidade educacional a ser avaliado, sejam definidos padrões de comparação. E é justamente no julgamento comparativo entre a ação educativa e os padrões previamente definidos que consiste a avaliação.
Para que as comparações entre os resultados das avaliações sirvam de estímulo e de norteamento para melhorias, a equipe do SAEMJJ visita às escolas com os dados oriundos dos diagnósticos que aplica.