Chapitre 3: Cas d’interactions anisotropes particulières : application aux
2.1 Recherche des conditions de synchronisme sur une large bande optique
A partir da revisão de literatura realizada, foi possível perceber algumas tendências do panorama científico debruçado sobre o fenômeno da prematuridade. Pesquisas realizadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e Pelo Ministério da Saúde, no ano de 2012, bem como os estudos realizados por Adreani, Custório e Aparecida (2006) e Linhares, Carvalho e Martinez (1999) se ocupam em definir a prematuridade e alocar a multiplicidade de condições clínicas de recém-nascidos pré- termo em classificações específicas como, por exemplo, as definições de very low birthweigth, para bebês nascidos com peso inferior a 1500g, e peso extremamente baixo extremely low birthweight, para bebês com peso inferior a 1000g na ocasião do nascimento. Além disso, tais estudos se debruçam na definição de aspectos clínicos e físicos de recém-nascidos de baixo peso.
Outras pesquisas realizadas por Feldman e colaboradores (2002) e Vettore e colaboradores (2013), tratam da associação entre prematuridade e mortalidade infantil, chegando à conclusão de que a prematuridade é responsável pelo maior índice de mortalidade neonatal e uma das principais causas de mortalidade infantil. Dados comprovados também pela OMS (2012). Silveira et al (2008), Ramos (2009), Scochi et al (2003), Adrani, Custódio e Aparecida (2006), Vettore et al (2013), Bittar, Francisco e Zugaib (2013), Perosa et al (2008), Patel e Prince (2006), Thiengo et al (2012), Araújo, Pereira e Kac (2007) trazem à tona fatores de risco relacionados ao nascimento pré- termo como, por exemplo: história de prematuridade – que diz respeito ao histórico materno de outros nascimentos prematuros, idade da mãe, uso de agentes teratogênicos, classe social, acesso à assistência médica e pré-natal de qualidade, alterações placentárias, ansiedade e depressão, dentre outros.
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A partir da definição do que é a prematuridade e do mapeamento de fatores de risco, estudos dedicam-se a estudar, basicamente, três dimensões relacionadas ao fenômeno em questão: 1) saúde mental materna – Raad, Cruz e Nascimento (2014), Piccinini et al (2004), Moreira et al (2009), Furlan et al (2003), Allen et al (2004), Schappin, Venema e Jongmans (2013), Kraljevic e Warnock (2013), Coppola, Cassiba e Constantinni (2007); 2) desenvolvimento do bebê pré-termo – Linhares et al (2000), Thomas, Lima, Tavares e Oliveira (2005), Vanderveen et al (2009), Fieldman e Eildman (2012), Fieldman et al (2002); 3) tipo de cuidado oferecido ao recém-nascido pré-termo – Fieldman et al (2002), Schappin, Venema e Jongmans (2013), Lamy et al (2005), Forcada-Guex et al (2010), Lawn et al (2010), Charpak et al (2005), Ludington-Hoe (2013), Nirmala, Recka e Washington (2006).
Embora o presente estudo se situe basicamente na terceira dimensão apresentada acima, a diferença de perspectiva é clara. Enquanto o campo científico mapeado tem como principal objeto de pesquisa a eficácia de cada método de cuidado a partir da medição de índices desenvolvimentais e taxas clínicas dos recém-nascidos pré-termo ao longo do tempo, e, também a verificação da relação da díade mãe-bebê a partir de uma perspectiva biologicista, com o auxilio de escalas e questionários estruturados para medição de constructos tais como responsividade, adesão da mãe ao tratamento ou cuidado do filho prematuro, dentre outros; ou assumem caminhos metodológicos semelhantes, promotores de resultados saturados, o presente estudo se propõe a olhar para a experiência materna do nascimento prematuro com outras lentes.
Ao utilizar a perspectiva da Psicologia Cultural, propôs-se a realização de uma análise microgenética do fenômeno, analisando processos de emergência semiótica compreendidos na construção de significados acerca da maternidade, diante da experiência disruptiva circunscrita no nascimento prematuro. Diante da literatura
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revisada, não foi possível encontrar nenhum estudo que se debruçasse sobre tal fenômeno através desta perspectiva teórico-conceitual.
Sabe-se que o ambiente circundante de uma situação vivenciada é componente de uma semiosfera repleta de recursos semióticos, que podem ser utilizados pelo indivíduo na construção de significados para sua experiência. Por tal motivo, essa pesquisa objetivou analisar como o processo de emergência semiótica se organiza em torno de modalidades de cuidado ao recém-nascido pré-termo, tão diferentes entre si e possuidoras de recursos semióticos específicos. Objetivou-se, portanto, compreender se e como as diferenças competidas pela UTIN e pelo MC influenciam no processo de construção de significados de maternidade. A partir de contextos distintos, são construídos significados de maternidade diferentes mediante a experiência de tornar-se mãe de um bebê prematuro? Ou, ainda, a semiosfera disponível em cada contexto de cuidado interfere no processo de construção desses significados? De que forma? Os níveis de ambivalência compreendidos na referida experiência são diferentes, dadas as condições específicas de cada modalidade de cuidado? A aparente dicotomia existente entre o MC e a UTIN é percebida pelas mães como tal? Que fatores estão envolvidos na apreensão e no enfrentamento do fenômeno ora imposto: a maternidade no contexto da prematuridade? Essas são algumas das questões que impulsionaram a proposição deste estudo.
Tem-se conhecimento, a partir do mapeamento da literatura disponível sobre o tema, que o MC já obteve uma diversidade de confirmações acerca de sua eficácia, tanto na ocasião do nascimento prematuro em si, quanto em longo prazo, verificando-se taxas desenvolvimentais muitas vezes superiores às taxas dos bebês que receberam somente o cuidado tradicional da UTIN. Nesse sentido, muitos estudos aqui mencionados comprovaram a eficácia do MC e identificaram uma hierarquia favorecedora de tal
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método, quando comparado ao cuidado tradicional (UTIN), no que diz respeito à estabilidade clínica e ao desenvolvimento do bebê prematuro.
Na cidade de Salvador – embora essa informação não seja fruto de uma pesquisa bibliográfica e sim de uma inserção no meio hospitalar – as maternidades particulares não oferecem o cuidado canguru, tendo como única alternativa o cuidado ofertado na UTIN. Já entre as maternidades públicas, é possível identificar algumas que oferecem o MC como alternativa de cuidado às mães e às famílias dos recém-nascidos pré-termo. É sabido que o MC prevê total disponibilidade da mãe – ou adulto responsável, já que a regulação térmica que o recém-nascido pré-termo precisa é ofertada pela premissa básica do cuidado canguru: o contato pele-a-pele. Esse contato diz respeito à posição canguru, que deve ser provida pela mãe 24h por dia, havendo a possibilidade de substituição por outro ente familiar nos momentos em que a mãe necessitar atender às suas próprias necessidades básicas.
Todavia, devido a uma série de fatores, dentre os quais estão a existência de mais filhos, a necessidade de trabalhar fora, o cuidado com a casa, muitas mães se recusam a prover tal cuidado ao filho recém-nascido. Talvez também por esse motivo, os hospitais não estabeleçam o MC como protocolo oficial, já que a missão de uma instituição de saúde é salvaguardar a vida de seus pacientes, garantindo sua sobrevivência. Além disso, ainda que o MC seja uma alternativa viável e mais eficaz para o cuidado com o recém-nascido pré-termo, o próprio método prevê o exame clínico e a estabilização do bebê antes de ser iniciado, e tais procedimentos são realizados no ambiente da UTIN.
Outra questão reside na possibilidade de haver a disseminação da crença que, de fato, a UTIN é mais segura e, portanto, mereça ser considerada como única e exclusiva alternativa de cuidado. Outra possibilidade diz respeito à questão econômica inerente ao
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sistema capitalista no qual estamos imersos: ao ofertar o cuidado tradicional a instituição de cuidado ganha mais dinheiro. É possível que isso explique porque somente os hospitais particulares da cidade não oferecem o canguru como alternativa viável de cuidado ao bebê prematuro, embora haja a possibilidade de conveniar-se ao HumanizaSUS e suas políticas públicas.
Contudo, embora todas essas questões tenham motivado a proposição deste estudo, a motivação primordial residia na compreensão do processo de construção de significados de maternidade a partir de contextos de cuidado tão distintos. Também, na apreensão de como esses significados reverberavam na constituição do self das mães acessadas. Tal curiosidade se justificou pelo desdobramento que essa experiência pode ter, tanto no que diz respeito ao período de internamento do bebê e à saúde mental da mãe, quanto no que diz respeito às consequências dessa vivência na relação mãe-bebê e, por conseguinte, no desenvolvimento do neonato pré-termo. Afora isso, a possibilidade de enxergar essa experiência em sua dimensão processual sugeriu a abertura de novas lentes complexificadoras fenômeno abordado. Sendo assim, a partir de um subtexto empírico, tornou-se possível fomentar uma discussão teórico-conceitual que, talvez, possa auxiliar no processo de coconstrução da perspectiva científica aqui empregada, a Psicologia Cultural.
Para além disso, houve uma justificativa social: considerou-se que a partir da narrativa das mães seria possível identificar elementos positivos e negativos de cada método de cuidado, inclusive no que diz respeito à adaptação e adesão ao cuidado com o recém-nascido pré-termo e à relação com a equipe multiprofissional. Assim, o estudo seria relevante para endossar a inclusão da política pública que preconiza o Método Canguru também em hospitais particulares, promovendo uma maior discussão a respeito da humanização da própria UTIN. Ademais, seria possível identificar novos elementos
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que favorecessem a criação ou o reforçamento de serviços de atendimento, cuidado e acolhimento de mães e famílias de recém-nascidos prematuros nas instituições hospitalares.
Outro ponto importante a ser referido situa-se na proposta inicial de identificar dinâmicas de atuação dos profissionais de saúde, a partir da perspectiva do receptor do serviço prestado. Nesse caso, a mãe do neonato pré-termo.
Por fim, a partir do processo compreendido na realização deste estudo, foi possível acessar a qualidade multifatorial do fenômeno abordado, identificando sua centralidade na experiência das mães acessadas que fazem parte da discussão do presente estudo, mas abrindo brecha para a relativização dessa disrupção como mais uma, dentre tantas, vivenciadas pelas mulheres ao longo de suas histórias de vida.
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