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Recherche et complément

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Exemple 11 Recherche et complément

Como já foi referido, o contexto educativo onde foi implementado o projeto de intervenção pertence a um Agrupamento de Escolas da zona de Aveiro. Trata-se de uma escola pública com Jardim-de-infância e 1.º CEB, com 4 anos de funcionamento. O seu horário global de funcionamento é das 9h às 17h30 e conta com 1 educadora, 1 auxiliar e 17 crianças no JI e 2 professoras, 1 auxiliar e 29 alunos no 1.º CEB. É de salientar que existem apenas duas turmas no 1.º CEB sendo a primeira constituída pelo 1.º e 2.º anos de escolaridade e a segunda pelos 3.º e 4.º anos de escolaridade. Esta última foi onde se

desenvolveu o projeto de intervenção contando com 11 alunos, 8 alunos no 3.º ano e 2 alunos no 4.º ano, tendo 5 alunos do sexo masculino e 6 do sexo feminino.

É um contexto onde também são desenvolvidas Atividades Extra Curriculares, como Música, Inglês e Atividade Física e Desportiva e, apesar de ser uma escola que se situa na periferia do concelho de Ílhavo, tem acesso facilitado a bastantes recursos, dos quais faz usufruto, entre eles: Piscinas Municipais, Pavilhão Desportivo do Illiabum, Junta de Freguesia de S. Salvador, Escola Segura, Comissão de Proteção de Crianças e Jovens do Concelho de Ílhavo, Centro Cultural, Museu Marítimo, Biblioteca Municipal e Fábrica da Vista Alegre.

Esta escola, embora pertença a um município com grandes dimensões, caracterizado, principalmente, pelo meio urbano, está integrada numa povoação maioritariamente rural. Neste sentido, a localidade onde se situa esta escola desde sempre esteve ligada à produção de cereais, sendo que as atividades desta comunidade se regem pela agricultura.

Há alguns anos, esta povoação começou a ser habitada por vários grupos de ciganos, podendo agora ostentar uma série de acampamentos desta etnia nos terrenos circundantes à instituição educativa. Por conseguinte, os alunos desta instituição são todos de etnia cigana, à exceção de uma aluna de nacionalidade brasileira. Logicamente, as suas famílias também pertencem a esta etnia e vivem em acampamentos comuns. A maior parte dos alunos estabelece relações de parentesco entre si, havendo vários irmãos e primos.

Relativamente às famílias dos alunos que participaram no projeto é de referir que aparentam ter muitas dificuldades financeiras e falta de recursos (transportes, alimentos, casas-de-banho), tornando-se complicado garantir as condições básicas de sobrevivência, como a alimentação e a higiene.

A maioria das famílias dos alunos tem dois, três ou mais filhos que frequentam este centro educativo. As idades dos pais estão compreendidas entre os 27 e os 44 anos, sendo a mãe, quase sempre, mais nova do que o pai, como é comum nesta etnia.

No que concerne às habilitações, e fazendo uma leitura global com base nos documentos disponibilizados, os pais possuem níveis de escolaridade um pouco mais elevados do que as mães, havendo pais com o 4.º, 6.º ou 9.º ano e mães com o 1.º e 3.º ano ou mesmo analfabetas. Atualmente, os pais destes alunos encontram-se desempregados, à

exceção de uma mãe, e estão a receber apoios do Estado, como o Rendimento Social de Inserção e o Abono Familiar.

No que respeita à sala do grupo em que foi desenvolvido o estudo pode-se afirmar que possui uma grande área, superior à mínima recomendada pelo Ministério da Educação (DGIDC, 1997), com bastante luminosidade natural e encontra-se bem organizada no que respeita à organização dos materiais, uma vez que as mesas estão dispostas formando grupos e os alunos têm um acesso facilitado aos armários onde se encontram os materiais. É um espaço acolhedor, agradável e colorido. Possui um quadro interativo e um computador com ligação à internet.

Importa referir que a pedagogia adotada em sala de aula prima pela diferenciação pedagógica, onde o modelo pedagógico utilizado é o Movimento da Escola Moderna. Esta pedagogia privilegia a implicação, a cooperação e a negociação por parte dos alunos, desvalorizando a compensação e a competição. Valoriza a individualização dos percursos dos alunos e assegura a gestão do desenvolvimento do currículo, compartilhada com os alunos. Estes participam no processo de ensino-aprendizagem e têm em consideração as dificuldades individuais presentes. As estratégias de ensino-aprendizagem e os conteúdos programáticos também marcam pela diferença, existindo momentos para a elaboração da Agenda Semanal, do Plano Individual de Trabalho e do Diário de Turma. Utilizando estes instrumentos, os alunos podem criar os Planos Diários, trabalhar em Tempo de Estudo Autónomo e negociar em Conselho de Cooperação (cf. Grave-Resendes & Soares, 2002; Niza, 2004). Assim, existe uma grande autonomia por parte dos alunos e todas as ações, decisões e acordos presentes em sala de aula têm a opinião e implicação dos mesmos.

Todo o trabalho que se realiza em sala de aula revela organização e existência de uma rotina. Todos os dias, os alunos têm a informação sobre o que irão fazer durante o dia, através da agenda semanal. Importa referir que esta agenda é definida, considerando as necessidades dos alunos, havendo períodos dedicados ao tempo de estudo autónomo. Se for necessário proceder a alguma alteração, os alunos são sempre informados e implicados. Ao recorrer ao plano de estudo autónomo, cada aluno sabe que tarefa tem de realizar, consoante as suas dificuldades/necessidades/interesses. Os alunos sabem onde estão todos os materiais de que necessitam e têm autonomia para usufruir deles quando precisam. As mesas encontram-se dispostas formando três grupos; dois grupos com 4 alunos e um grupo

com 3 alunos. Esta disposição é propositada, com o objetivo de reforçar a cooperação e as relações interpessoais entre os alunos.

Sendo uma escola do 1.º CEB existem horários estabelecidos para o tempo no exterior e para a hora de almoço. No entanto, existe alguma flexibilidade se assim se justificar, considerando as necessidades e o comportamento dos alunos.

Relativamente ao grupo propriamente dito é visível que os alunos gostam de ir à escola em detrimento de ficarem em casa. Note-se que a maior parte dos alunos se sente bem neste contexto escolar e se interessa por aprender novas coisas, principalmente quando estas são diferentes e desafiadoras. Resultante da pedagogia seguida, estes alunos também dão importância ao trabalho em equipa, sabendo que os mais velhos ou os que têm competências mais desenvolvidas podem ajudar os mais novos ou os que têm competências menos desenvolvidas. Nesta linha, os alunos apresentam igualmente a atitude de partilhar com os colegas o agrado ou desagrado de situações que aconteceram, que merecem ser discutidas.

No geral, os alunos mostram vontade de partilhar determinados aspetos próprios da sua cultura e são bastante recetivos quando há algum questionamento por parte das professoras, sobre algumas palavras ou costumes da sua cultura.

Estes alunos apresentam grandes dificuldades de aprendizagem, havendo oito alunos com currículo específico individual. As capacidades e os níveis de desempenho dos alunos são maioritariamente baixos, progredindo muito lentamente nas aprendizagens. De facto, estes alunos manifestam muitas dificuldades ao nível da aquisição de conhecimentos e da aprendizagem dos conteúdos lecionados. São alunos que demonstram uma grande dificuldade em memorizar, relacionar, transferir conhecimentos e compreender determinadas informações que lhes são dirigidas.

Exposta esta situação, e reconhecendo que a língua materna destes alunos não é a Língua Portuguesa, algo teve de ser feito, considerando as características e especificidades deste grupo. Revelou-se necessário proceder à elaboração de um Programa ajustado às capacidades e aos níveis de desempenho dos alunos, com base no documento Organização

Curricular e Programas: Ensino Básico – 1.º Ciclo. Dado que os alunos não apresentam as

competências esperadas para o respetivo nível de escolaridade, a elaboração deste Programa foi essencial, afigurando-se como um documento orientador face às características dos alunos.

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