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Chapter I. Fluoride-ion batteries: introduction and state of the art

3. State of the art of fluoride-ion batteries

3.2. Recent work

A atividade lúdica envolvendo desenho e pintura é um método pedagógico atrativo e muito utilizado na Educação Infantil. O desenho é uma das maneiras mais

15 Termo utilizado para definir uma divisão étnica de indivíduos de pele clara (branca), com origem

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hábeis de comunicação, sendo utilizado de maneira eficaz desde os nossos ancestrais. Em se tratando da criança, tem um significado fundamental na construção e desenvolvimento do seu pensamento e comunicação. Para Derdyk (1994, p.24), “desenhar é conhecer, é apropriar-se”. A partir desse modo de expressão infantil, pode-se perceber que, ao mesmo tempo em que rabisca, a criança está se comunicando com o mundo e pessoas à sua volta.

Segundo o RCNEI V.III (1998, p.93), “para que a criança possa desenhar, é importante que possa fazê-lo sem intervenção do adulto, explorando-se de vários materiais”. Assim, é preciso que sejam oportunizadas a estes momentos, de maneira prazerosa e livre, para que possam expressar seus conhecimentos de mundo, seus pensamentos, desejos e frustrações, dando-lhes oportunidade de se comunicar.

Foi por este viés que a terceira atividade lúdico-pedagógica, intitulada: “Lápis cor-da-pele: da pele de quem?”, realizada no dia 4 de dezembro de 2017, foi pensada, tendo em vista a necessidade de observar, através do desenho, como as crianças representavam sua autoimagem. O título da atividade refere-se a um momento que aconteceu no decorrer da mesma, em que uma das crianças, a qual identificaremos como B. (uma menina negra), estava pintando seu desenho e pediu em voz alta à outra colega: “me empresta o lápis cor-da-pele”. Esse momento foi relatado no diário de campo. Poderemos observar na transcrição a seguir:

[...] Enquanto as crianças pintavam, uma delas levantou a mão e gritou: “me empresta o lápis cor-da-pele”. Nesse momento interferi e fui explicar que o lápis que ela estava se referindo como “cor-da-pele” tinha uma cor e se chamava bege. Mostrei o lápis marrom e perguntei se parecia da cor de algum deles, uns disseram “a minha”, outros apontaram colegas. Mostrei o preto e perguntei se conheciam alguém, um dos meninos respondeu: “Lelê, tia”. (Diário de campo da pesquisadora, 2017).

Crianças estigmatizadas pela cor da sua pele, pelo local em que moram ou pelos lugares onde estudam têm poucos exemplos que as representem. As imagens dos livros, as literaturas infantis, os desenhos e filmes de princesa, dentre tantos outros exemplos e modelos sociais formalizam, na cabeça de muitas delas, a ideia do perfeccionismo, o qual aparentam não estar presentes.

A proposta lançada foi através do desenho e da pintura. Solicitamos que as crianças se olhassem no espelho da sala, prestando atenção a cada detalhe, em seguida foram distribuídos papéis, lápis para desenho e pintura. À medida que os materiais foram entregues, lhes foi pedido que fizessem um desenho de si mesmos,

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recordando seus reflexos vistos no espelho ou como achassem melhor, usando sua imaginação para reproduzirem na folha em branco seu próprio desenho.

Uma das crianças, uma menina negra, a qual chamaremos de A., fez rapidamente o desenho, colorindo apenas o corpo (cf. figura 16), deixando em branco o rosto, como poderemos observar na transcrição do diário de campo:

[...] Alguns faltavam entregar os desenhos, A. me entregou sem pintar o rosto, perguntei o porquê e ela disse que não, porque gosta de ser branca. Perguntei: ‘você é branca?’, e ela disse que sim. Chamei uma criança branca e perguntei para A. ‘qual a cor dele?’, ela disse: ‘branco’, ‘suas cores são iguais?’, insisti, ela pensou, se olhou, olhou para o colega. Uma das suas amigas (menina negra), chegou no momento, então perguntei: ‘que cor você é, M?’ E ela logo respondeu: ‘sou preta, sou marrom’, nesse momento A. olhou para ela e para mim e disse: também sou marrom, tia. Sorriu e foi brincar. (Diário de campo da pesquisadora, 2017).

Ao que se percebe na citação do diário de campo, a menina A. ainda estava confusa, negando suas características, em contrapartida, M. já demonstrava reconhecimento e valorização da sua identidade, pensando nisso, essa atividade lúdico-pedagógica foi elaborada com o objetivo de verificar os resultados dos momentos anteriores, fossem eles positivos ou não. Percebidos, pois, através dos desenhos das crianças, como elas representavam suas imagens no papel.

Figura 16 – Representação de si mesma feita por A.

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Na figura abaixo, temos o desenho da criança que motivou a escolha do título dessa atividade, a qual, após a explicação e estimulação a refletir, percebeu que a cor bege não era a melhor opção para que ela fosse identificada. Uma criança negra, ao expressar desejo de se representar através do desenho, optando pela cor bege, traz consigo a negação de sua identidade e essa afirmativa nos faz refletir que discutir essas temáticas em sala de aula, desde a educação infantil, é um trabalho que necessita de atenção às minúcias presentes no cotidiano dessas instituições e os desenhos, muitas vezes, mostram aquilo que não conseguimos perceber.

Fonte: arquivo pessoal Jéssica de Sousa Barbosa

Aspectos como a fala, traços, rabiscos, cores, formas, autoimagem, autoestima, identidade, socialização, professores, preconceito, estereótipos, relações familiares, brincadeiras, dentre tantas outras manifestações, são sinais dados pela criança para expressar aquilo que sentem e que acreditam.

Ao que concerne a esta atividade lúdico-pedagógica, o desenho foi apenas uma dentre as muitas possibilidades de perceber e registrar a multiplicidade de relações que podem ser estabelecidas entre o que a criança representa ao desenhar e a construção da identidade étnica na educação infantil.

O processo de elaboração do desenho pela criança e a construção de sua identidade são produzidos nas fissuras da prática social, pois carregam em si a marca da tensão, do conflito, da influência e da interação entre o eu e o outro. Edith Derdyk (1989) nos apresenta que o desenho não pode ser pensado apenas como uma relação

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de lápis e papel. Para a autora, as manifestações gráficas se fazem presentes através de múltiplas possibilidades, ou seja, a partir dessa manifestação da criança, podemos perceber e compreender o que está por traz dos seus pensamentos com relação a si mesma e ao mundo. Abaixo, está mais um dos desenhos feitos no momento dessa atividade com as crianças.

Fonte: Arquivo pessoal – Jéssica de Sousa Barbosa

As imagens elaboradas pelas crianças negras nesta sala de aula, e a percepção que têm de si não são imunes aos valores e regras que circulam na sociedade a qual estão inseridas. Percebemos isto, claramente, na fala da criança negra ao demonstrar interesse em pintar seu desenho com a cor bege, ou através da outra criança, negando sua cor, ao expressar o desejo de não pintar o desenho, deixando-o em branco. Nessas circunstâncias, os responsáveis pela atuação em instituições de educação infantil precisam estar atentos para o fato de que o desenho infantil e a identidade étnica são elementos essenciais para se observar o desenvolvimento integral da criança negra.

Assim, essa atividade lúdico-pedagógica foi pensada e elaborada no sentido de refletirmos e percebermos que, pensando na Educação de crianças de 0 a 6 anos, os desenhos não podem ser deixados à margem, eles são carregados de significados, pois são uma linguagem na qual a criança representa experiências vividas e imaginadas, buscando perceber a si e significar a sua realidade. No momento em que

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ocorreram as situações, perceber que os diálogos, explicações e reflexões surtiram efeitos positivos, nos serviu de incentivo e impulso para a elaboração da próxima atividade, na busca de valorizar a beleza negra e suas características.

4.3 Brincando de salão de beleza: a criança negra e a liberdade de quebrar

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