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A “reaction function” estimation

Dans le document Essays on the political economy of migration (Page 102-107)

4.3 The political economy of …scal policy in a direct democracy: A framework . 95

4.4.3 A “reaction function” estimation

Os trabalhos que apresentam a perspectiva do campo dos Estudos Culturais, segundo Cary Nelson (2018), necessitam ser analisados, pois todas as formas de produção cultural precisam ser estudadas em relação a outras práticas culturais, bem como a outras estruturas sociais e históricas.

Desta forma, compreendemos que apresentar o discurso dos docentes é apresentar o lugar de fala de cada um deles, e que tal processo se torna necessário para interpretarmos o discurso desses sujeitos, assim como para identificarmos a concepção dos mesmos sobre o objetivo de uso das tecnologias digitais da informação e comunicação no contexto em que vivem.

Compreendemos que, ao significar a sua prática pedagógica com o uso das TDIC, o docente se significa. Em outras palavras, ao dar um sentido para o uso pedagógico das tecnologias digitais, de forma a contribuir para a melhoria do processo de ensino e aprendizagem, os docentes estão refletindo sobre a sua própria prática de ensino.

Ao fazer uso pedagógico das tecnologias digitais perante os estudantes, os docentes estão contribuindo para que os futuros profissionais construam para si uma imagem sobre a importância do uso significativo das tecnologias em sua carreira profissional, estando eles nos cursos de Licenciatura, ou não.

Para nós, não foi fácil trabalhar com a articulação desses discursos, dada a sua heterogeneidade, pois cada docente discursou a partir das suas concepções ideológicas e do contexto cultural no qual cada um está inserido, que são bastante diversificados. Entretanto, acreditamos que, mesmo diante de uma heterogeneidade discursiva, será possível identificarmos as concepções dos docentes sobre o uso das tecnologias digitais no Ensino Superior.

A seguir, apresentaremos alguns fragmentos do discurso dos docentes; em seguida, discutiremos sobre os aspectos em comum nos discursos dos mesmos, mas antes de apresentarmos esses fragmentos, ressaltamos que os docentes entrevistados estão em fases diferentes da sua carreira profissional: dois docentes já estão aposentados (os docentes (1) e (4), que ainda têm vínculo com as instituições de ensino referidas); e a docente (11) é a que tem menor tempo de carreira no magistério superior.

É importante frisar que a heterogeneidade dos docentes entrevistados em nossa pesquisa deu-se não apenas pelas diferenças territoriais em que habitam e trabalham (na capital, em zona rural, no Agreste), mas também pelas nacionalidades diferentes, por lecionarem em cursos diferentes, por terem tempos de magistério diferentes e por terem tipos de vínculo empregatício diferentes.

Nesse contexto, a grande questão para nós foi descobrir se, mesmo diante dessa heterogeneidade (também discursiva) que compõe a vida dos docentes, seria possível estabelecer pontos de aproximação entre eles. Para isso, contamos com o auxílio do software.

A seguir, apresentamos fragmentos do discurso de alguns docentes.

Quadro 12 - Objetivo de Uso das Tecnologias Digitais na Prática Pedagógica

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“Meu objetivo é para que o aluno faça uma otimização do tempo dele, né?, mas o objetivo maior é de tentar fazer com que ele possa também gostar tanto de tecnologia como a gente que está aqui do outro lado gosta, né?, e com isso ele consiga trazer para os alunos deles coisas diferentes, para que eles não caiam nesse mesmo caminho de reproduzir e reproduzir, então sempre quando a gente entra com uma aula diferente eu acho que fica também algo diferente para eles, né? Eu acredito que seja por aí”.

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“Desde o início da minha carreira, me apercebi da importância da imagem na formação cultural, estética e artística do cidadão. A formação académica e profissional permitiram a familiarização com estratégias de ensino através da imagem e das tecnologias. As razões são partilha, enriquecimento, conhecimento e compreensão da cultura. Com a finalidade de despertar a sua consciência crítica, alargar horizontes em termos de informação, explorar a criatividade. Considerando sempre a relação entre a investigação envolvida nos projetos que desenvolvem, a sua formação inicial e as relações com a globalização, a mudança e a transformação cultural. Por outras palavras, o uso da tecnologia surge como facilitador do acesso a recursos educativos, como ferramenta de comunicação, e acesso à informação. Os computadores, por exemplo, são usados para visitar museus virtuais, bibliotecas, documentos de todos os continentes, aproximando através dos chats, skype meetings e também possibilitam criação artística. Os estudantes registam a evolução das suas ideias, investigações, fazendo uso da fotografia, vídeo, computadores e registando situações reais, em contextos reais. Os registos em vídeo ajudam a captar aspetos visuais das ações. As fotografias registam dados relevantes sobre atividades e recursos utilizados no processo de ensino aprendizagem, permitindo a reflexão constante, a reavaliação de ações. O uso das tecnologias permite também indicar caminhos que conduzem a um processo de preservação e fortalecimento da cultura local, das identidades, a um contato e troca de experiências”.

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“Para mim é muito importante que o aluno saiba esquematizar ideias e as estruturar, e eu uso um software para que os alunos sejam capazes de estruturar ideias. Portanto, ideias que sejam para artigos, apresentação, até para uma tese que pode ser estruturada através desta ferramenta, uma ferramenta simples de estruturação de conteúdo”.

4 “O objetivo de uso dessas tecnologias é sobretudo a motivação, é engajar os alunos no processo de modo que eles aprendam a trabalhar em grupo, partilhar experiências e conhecimento”.

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“Nós não podemos esquecer que estamos a preparar os nossos alunos não é para o mundo de hoje, é para o mundo do amanhã, e portanto cabe a nós temos o papel de prepará-los para o que há de vir, e inovação é essencial, trazer coisas diferentes, tudo o que podemos fazer para chamá-los a atenção, vários e vários recursos podemos utilizar e trazer o mundo real para dentro da sala de aula eu acho que é essencial, acho que passa por aí. Portanto, compete ao professor saber que existe ferramentas e aplicações que se pode trabalhar com o aluno dentro ou fora da sala de aula, e escolher o melhor para aplicar aos conteúdos que vai lecionar ou que vai trabalhar.

Nem todos os aplicativos são indicados para trabalhar aquele objetivo, mas para um com certeza encontrará para ser o mais indicado, portanto compete a nós fazer essa seleção”.

5 “Trabalhar a colaboração entre os alunos é fundamental, pois nas plataformas eles decidem quem vai fazer o quê, estimula o pensamento crítico dos alunos, e a democratização dentro de um ambiente virtual não é, acho que é isso”.

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“É que o estudante aprenda da melhor forma, basicamente é isso, então se eu escolho utilizar ferramentas e metodologias ativas diferentes e até mesmo fazer essa escolha por esse projeto pedagógico que a gente construiu é para poder para a gente poder conversar com os estudantes em cada situação de aprendizagem. Então a técnica, ela pode ser utilizada para vários fins, então a gente tem que ter muita atenção que não é a metodologia ativa, não é o ambiente virtual, não é o Kahoot que vai ter a solução de tudo se você não tem o norte que você precisa, a gente precisa ter o nosso norte e olhar para o nosso todo, nossa sociedade precisa, no nosso caso a gente precisa formar mais médicos para a população, atender melhor as pessoas de forma mais humana, na capital, no interior, nas florestas, então a gente não pode perder esse norte, então a tecnologia deve servir para isto, para apoiar os processos de inovação. Eu acredito que ela serve para isto, para dar um pontapé na inércia institucional, que é muito difícil de ser rompida”.

11

“O professor precisa se reinventar, e eu não posso ficar com alunos de 17, 18 e 19 anos que quer seja pautada em Power Point, pautada numa aula onde somente o professor fala, eu preciso aproximar as tecnologias, então o celular é o meu aliado, eu preciso usar o celular em sala de aula, até mesmo pra gente fazer os grupos não somente em questões de usar o WhatsApp e o Facebook, não é nem para isso, é para fomentar a discussão e trazer o elemento que se aproximar, porque se eu deixar o celular ele vai ser um vilão na minha aula, então eu preciso utilizá-lo como meu parceiro, e como as minhas disciplinas são disciplinas de início de curso eu tenho alunos que estão vindo para a universidade que não fazem ideia do que é esse universo, então se eu não tentar utilizar e aproximar de recursos tecnológicos na minha aula não vai ter um atrativo, e lazer mexe muito com tecnologia, e se a gente não conseguir aliar o lazer à tecnologia eu estou ficando pra trás e eu vou deixando o aluno pra trás também, então eu não posso fazer isto”.

1

“Portanto a minha disciplina é sobre trabalho de campo e construção de técnicas digitais não é? Portanto, a coisa que me interessa é que os alunos, saber o que os alunos têm nas mãos: um celular? um gravador de som? ou um gravador de não sei o que lá... o que é que têm na mão? E programar essa função daquilo que os alunos têm, mas sobretudo eu tenho que... aprender a transformar o que quero... é isto. As ferramentas são aquelas ferramentas para eu trabalhar nas disciplinas”.

Fonte: Elaborado pela autora (2020).

Apesar da heterogeneidade dos discursos dos docentes, identificamos que as estratégias de uso pedagógico das tecnologias digitais adotadas objetivam engajar os estudantes em seu processo de aprendizagem, apresentando-lhes novos caminhos a

serem percorridos, que podem ajudá-los a ampliar o capital cultural e intelectual, com o auxílio das tecnologias. Podem, também, possibilitar aos docentes um melhor aproveitamento do seu tempo, proporcionando-lhes novas metodologias de ensino, que rompem com o modelo tradicional, na tentativa de garantir uma aproximação maior entre os colegas de turma e entre alunos e docentes.

Nas estratégias de uso pedagógico das tecnologias digitais adotadas existe o interesse por parte dos docentes em fazer com que os estudantes se sintam motivados a compartilhar as suas experiências e conhecimentos, despertar a consciência crítica, criativa e colaborativa nos mesmos, fazendo uso das ferramentas tecnológicas.

É objetivo de alguns professores proporcionar momentos de reflexão e reavaliação das ações nos estudantes, bem como refinar a capacidade dos mesmos em desenvolver e organizar suas ideias. Assim, os docentes podem auxiliar os alunos em sua formação acadêmica, desenvolvendo a competência de trabalhar em equipe, contribuindo para a aprendizagem dos estudantes da melhor forma possível, tornando as aulas mais dinâmicas e significativas, e assim preparar os sujeitos para um mundo no qual o futuro é incerto.

Ao nosso ver, este é o maior objetivo da adoção de uso pedagógico das tecnologias digitais pelos professores, para o processo de ensino e aprendizagem: preparar os futuros profissionais de áreas de conhecimentos diversos para uma sociedade que está em constante mudança. Este é um ponto de aproximação nos discursos dos docentes.

Ao analisarmos o discurso dos docentes do Curso de Pedagogia (professores (6) e (7)) da Universidade Federal Rural de Pernambuco, identificamos, acerca da adoção de estratégias para o uso pedagógico das tecnologias digitais da informação e comunicação, que o discurso dos mesmos está alinhado, e que tal discurso está mais no campo da garantia do acesso aos recursos tecnológicos e às ferramentas disponibilizadas por eles, o que nos leva a refletir sobre a disparidade ainda existente ao acesso aos recursos tecnológicos.

Os docentes informaram que, devido ao fato de nem todos os estudantes terem um computador com acesso à internet, um tablet ou smartphone, sentem dificuldade de trabalhar. Além disso, isso os preocupa, uma vez que esses futuros pedagogos vão se formar e entrar em um mercado que exige o mínimo de domínio dos recursos tecnológicos. Diante disso, os docentes criam algumas estratégias para que os

estudantes tenham o mínimo de acesso e domínio de ferramentas básicas que vão lhes ajudar em sua prática docente.

Vejamos o que relatou a docente (6):

Quadro 13 - Desafios Enfrentados Para com o Uso das TDIC

6 [...] “a gente tem que abrir essas coisas extras em horários extras, pensar outra forma de compartilhar esses documentos, por exemplo, o aluno que não tem o AVA, que não pode acessar em casa, às vezes ele pega no pen drive e leva, às vezes porque ele abre em algum computador do amigo ou numa lan house, enfim, temos que ter essas outras estratégias para ver se a coisa funciona.”

Fonte: Elaborado pela autora (2020).

Identificamos que o discurso dos docentes está alinhado com o seu lugar de fala, e que possui uma estreita relação com a construção de sentidos estabelecida por eles, no contexto em que estão inseridos.

Também identificamos um descompasso no discurso dos professores, com relação ao uso do Ambiente Virtual de Aprendizagem, pois, dos sete (7) docentes que disseram fazer uso do AVA, seis (6) deles informaram que tal ambiente serve mais como um repositório, ou seja, a versão atualizada da pastinha da xerox, segundo o docente (6). Os outros também relataram que o AVA funciona como um bloco de notas ou um quadro de avisos. Eles não o enxergam com maiores utilidades. Já o discurso do docente (8), no que diz respeito à utilização do AVA, é divergente.

Vejamos alguns fragmentos do discurso de docentes quanto ao uso do Ambiente Virtual de Aprendizagem.

Quadro 14 - Uso do Ambiente Virtual de Aprendizagem

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“Toda a minha atividade docente no curso de Medicina é apoiado pelo Ambiente Virtual de Aprendizagem, todo o registro de avaliação do estudante que eu faço, eu faço mediado pelo Ambiente Virtual de Aprendizagem, feedback, avaliação semanal, avaliação de teste de conhecimento, avaliação das habilidades e atitudes, portfólio tudo isso eu faço mediado pela tecnologia, não tem nada registrado fora, a não ser as conversas, as vivências que também são registradas e mediadas por um sistema. Hoje todo mundo é como se fosse obrigatório utilizar o AVA, mas eu vejo com bons olhos, porque as pessoas estão procurando, por meio do AVA, construir, customizar e a gente está no momento em que aquelas customizações que foram criadas no AVA já viraram regra em vários módulos, então tem ajudado, tem propiciado, tem possibilitado estratégias novas de avaliação. Isso é claro, formativa, integrativa, longitudinal,

multidimensional, porque tecnologia possibilita essa troca de informação mais rápida, precisa e dialogada. Eu acho que tem dinamizado as atividades de sala de aula mesmo, os professores utilizam muito o nosso PBL, a gente utiliza muito integrado ao AVA”.

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“Eu acho muito chato todo semestre fazer uma lista de e-mail, então eu comecei a utilizar o AVA, que eu posso passar atividades, às vezes eu colocava alguns links de notícias que eu queria que eles lessem para discutir na próxima aula e dizia para o monitor: olha avisa lá no grupo que tá no AVA”.

7

[...] “eu queria estar inclusive usando exclusivamente o AVA, mas a gente tá em um processo de transição... o AVA é usado na disciplina, para disponibilizar o material para eles... no espaço da turma disponibilizo, por exemplo, todo material de Metodologia Científica. Então, todos os livros que eu tenho PDF, artigos, normas ABNT, eu crio as pastas para eles, normas da ABNT, todas as normas ficam dentro de uma pasta da ABNT atualizada, ah... todos os livros de metodologia em outra pasta, tudo para eles terem acesso, os slides das aulas, eu pego e em cada final de aula tento colocar lá, já deixo no AVA para eles poderem ver depois de casa”.

Fonte: Elaborado pela autora (2020).

Identificamos um ponto de distanciamento entre os discursos dos docentes, que corresponde às concepções ideológicas dos sujeitos, bem como o contexto nos quais estão inseridos. Vale ressaltar que o docente (8), ao fazer as suas considerações a respeito do AVA, está dentro de um contexto de proposta pedagógica diferente, uma vez que o currículo do Curso de Medicina está pautado na Metodologia Ativa PBL.

Neste trabalho, não pretendemos discutir se as escolhas dos docentes são adequadas ou não, mas sim apresentar a concepção de cada um deles a partir do seu contexto sociocultural e ideológico, por meio dos discursos teóricos que fundamentam a presente pesquisa.

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