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RCA Receiving Tube Manual

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É baseados neste princípio que expomos três traços distintivos, que a nosso ver classificam quer o Pentecostalismo, protestante, quer o Renovamento Carismático, católico, como herdeiros do Cristianismo primitivo. São elas a noção de Pisteno37, Cristo como um novo Adão, e a abundância nos Dons do Espírito Santo, em âmbito cultual e fora dele. Estas características representam por si só o resultado do entrecruzamento das Tradições Oriental e Ocidental no Cristianismo. Assim, a doutrina segundo a qual Cristo teria perecido na cruz em resultado da queda adâmica, só data do século IV. Uma criação essencialmente ocidental, e que, a princípio, só aí se revestiu de alguma importância. No entanto, ele é hoje essencialmente relevante, uma vez que justifica uma segunda Criação, pelo sacrifício de Jesus. Face aos pecados e ao falhanço da humanidade, em vez de um novo dilúvio temos antes uma mudança ontológica, acessível pela conversão: “ Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (II. Co.5.17).

O fluir em Dons no Espírito Santo não só está patente na Invocação e caracterização do mesmo nos respectivos Hinários; quer numa quer noutra Igreja, como na actuação, em sentido literal, dos mesmos. Quer se trate de Profetizar, falar em Línguas estranhas, curar pela imposição de mãos ou ter revelação de factos ocultos, tais manifestações são usuais, embora variáveis em escala e em oportunidade, na vida dos crentes das duas denominações. É absolutamente conforme às descrições que temos da vida da Igreja

37 “Creio” em Grego. Aqui como locução e não como revestindo a forma do Credo, enquanto oração

primitiva. O facto de os Carismáticos católicos terem como suporte um ritual organizado, com o suporte da Missa, e uma hierarquia proponente de normas fundadas na sua Tradição, não lhes retira esta característica, apenas ela aparece num contexto mais mediado. A reivindicação desta Parusia (Descida) e concomitante recebimento de tais Dons está amplamente apoiada nas Escrituras: Mc.16, versículos 15 a 20, Lc.24. 49, Jo. 15.26 e 16.7 a 15, At.2.1 a 36, I. Co. 12.1 a 11, entre outros.

Dizer Creio, como um comprometimento, uma injunção, reflecte mais um desejo místico, do que uma fria lógica reflexionada. É um mover em, é colocar-se sob a égide do Espírito Santo e aceitar plenamente que Ele «sopra onde quer». Há toda uma entrega do ser a Deus, trata-se de uma comunhão. Esta é ao mesmo tempo única e partilhada com todos aqueles que se identificam com ela, os Crentes. Encontra-se representada em ambos os grupos de forma intensa, quer sob a forma de um eu Crente, quer como um mecanismo identitário, o nós Crentes, grupal. Este último é expansivo, ou seja, pressupõe uma actividade proselitista própria, derivada das Sagradas Escrituras “ E este Evangelho do Reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes, e então virá o fim” (Mt. 24.14)

Chegou agora a altura de apresentarmos a visão Cristológica, numa formulação que permita o seu enquadramento teórico enquanto instrumento metodológico. A aferição da existência, ou não, dos seus elementos constitutivos no discurso recolhido pelos questionários presenciais, constitui um parâmetro basilar para a nossa análise.

A visão Cristológica da Bíblia é uma interpretação, não só das Sagradas escrituras, mas em última análise da própria vida do Crente, à luz perspectivada que faz dos seus ensinamentos. O enfoque dado ao texto correlaciona-se directamente com o

processo de reificação que lhe é inerente. Lê todos os acontecimentos anteriores e posteriores aí descritos à luz da vinda de Cristo. Esta visão é “evolutiva” espacio- temporalmente, ou seja todas as profecias, todos os acontecimentos anteriores prenunciam, são uma preparação para a Sua vinda, como bem assim todos os posteriores são lidos e estão marcados pelos seus ensinamentos e como tal são interpretados.

Esta visão é uma representação social de incrível complexidade. Tão poderosa que, não obstante o protestantismo norte-americano, através do “Biblical Theology Movement” (anos cinquenta do século XX) ter feito um esforço consciente para penetrar no imaginário hebraico, inclusive através do estudo da língua, tal corrente, embora tenha fornecido muitos aclaramentos situacionais, continuou e continua tão ortodoxamente Cristológica como sempre. Atente-se que o texto aqui é visto na sua fase final, aquilo que para um “naturalista” seriam interpolações, são consideradas como inspiradas. O todo é maior que a soma das partes, todo o texto é Revelação. Mais, aqueles que na exegese ocidental quase negam, por oposição, a Divindade de Cristo para o “humanizar” praticam também eles uma visão distorcida face ao texto, aqui essencialmente do Novo Testamento, ao tentarem transformar em Filantropia humanista um texto religioso. É aqui que reside precisamente a sua força, é um veículo transmissor de crença, de Fé, e é essa que move Montanhas, apesar do racionalismo. Como? Deus, em parte alguma da Bíblia diz “talvez”, é um facto analiticamente demonstrado, quer acreditemos ou não que se trata dum livro Revelado, as injunções ficam; “Faz”, “Terás”, “Olhai” ou “Não faças” são comuns no texto.

Os Evangelhos tidos como Canónicos são os de Mateus, Marcos, Lucas e João. Os três primeiros são conhecidos como sinópticos, o de São João é essencialmente simbólico. Admite-se como presumível a premissa que o texto base seja o de Marcos (João Marcos) no qual os outros se basearam. Este seria contemporâneo de Paulo e acompanhava Barnabé, tal como descrito nos Actos dos Apóstolos. No que respeita a esta sua primeira codificação (Marcos) admite-se uma data que equivale sensivelmente a 70 D.C.

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