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Résistance moyenne moyenne moyenne 40

5. IMPACTS ET MESURES D'ATTÉNUATION

5.1.1 RAVIN ET COURS D'EAU

Como mostram os dados, Poe e sua obra foram abraçados calorosamente por cineastas do mundo todo e mais de 150 filmes relacionam-se ou adaptam os seus contos. Isto implica, em outras palavras, que seu nome nunca foi esquecido por esse meio midiático e ele é lembrando anualmente. Desde o início da sétima arte, seus trabalhos literários em prosa foram adaptados quinze vezes pelo cinema mudo e onze pelo cinema sonoro. No cinema colorido, que acreditamos estar acontecendo até o nosso tempo presente, o resultado é maior que a soma de todos aqueles outros números: são noventa e dois filmes ao todo. Ao longo de todos esses anos do cinema, que recortamos de 1900 até 2011, podemos identificar que os contos mais recorrentes e comuns entre os cineastas são quatro. Eles estiveram presentes desde o primeiro ponto discutido até o último. O maior fenômeno de adaptações é sem dúvidas “The Tell-Tale Heart”, que contem cinquenta e sete adaptações. Os outros três contos apresentam- se como favoritos: “The Fall of the House of Usher” com dezoito, em seguida vem “The Black Cat” com quinze e, por fim, “The Murders in the Rue Morgue” com dez. “The Masque of the Red Death”, por sua vez, pode ser visto como terceiro favorito dos adaptadores, tendo ele sido trabalhado em onze momentos diferentes. Em números poderia ser enquadrado no lugar de “The Murders”, mas isso se torna inviável pois não há adaptações no decorrer do cinema sonoro e nem entre os filmes elaborados para T.V.

O que faz de Poe um autor importante, de grande interesse e também valorizado no que concerne às duas formas midiáticas? O motivo inicial do qual acreditamos pode ser explicado através da trajetória das adaptações dos seus contos no decorrer do cinema mudo.

A escolha dos principais contos de Edgar Allan Poe por cineastas norte-americanos, alemães, franceses, italianos e russos parece ser justificável na medida em que eles se relacionam com desenvolvimento de uma linguagem dita propriamente cinematográfica. Gerbase, conforme citado anteriormente, tem parcialmente razão ao pontuar que são poucos filmes baseados em Edgar Allan Poe no decorrer da Classic Era, levando em consideração a quantidade de filmes que eram lançados na época. Entretanto, a baixa quantidade de filmes não ilegítima a sua relevância para com a arte cinematográfica nesse momento inicial, e é por isso que diretores e produtores de várias nações experimentaram através do cinema algumas de suas principais narrativas em prosa.

Primeiro, encontramos Griffith, que é considerado o pioneiro da narrativa cinematográfica de entretenimento. Graças aos seus modos de montagem, edição e de efeitos especiais, filmes tornaram-se ainda mais capazes de conduzir uma narrativa linear com

começo, meio e fim. A linearidade que também é uma das peculiaridades das narrativas de Poe. Em segundo, observamos as adaptações de Stellan Rye, Paul Wegener, Hanns Heinz Ewers, Otto Rippert, Fritz Lang e Richard Oswald, todos engajados sobretudo na vanguarda expressionista alemã, que além de atrair o público intelectual para as salas de cinema, também estavam sempre recorrendo ao gótico e ao fantástico para a elaboração de filmes. E o nome de Edgar Allan Poe, com sua obra como pertencente ao estilo gótico, era indispensável quando se fala em tais temas.

Em seguida, vem Jean Epstein na França, através da escola impressionista, tentando acima de tudo legitimar o cinema e sua linguagem enquanto manifestações artísticas tal como acontecem com a literatura, a pintura e a música. Por fim, notamos a proposta russa através de Edgar Allan Poe num filme de Vladimir Gardin. Após a revolução bolchevique nos país, os governantes viram no cinema e em sua linguagem um grande potencial de propagação ideológica e de convencimento das massas de maneira política e social.

Através de algum dos filmes que foram pontuados, e de uma ligeira comparação delas com as suas narrativas de origem, podemos chegar na seguinte conclusão: a grande maioria das adaptações se distanciaram dos temas e personagens dos contos de Edgar Allan Poe. Os críticos dos filmes baseados em narrativas do autor, nesse período, comentam como cada produtor tomou liberdade de lhes preencherem com mudanças tanto de tema, de espaço, de tempo, assim como também de personagens.

Em The Fall of the House of Usher (1928), por exemplo, Jean Epstein, na época do cinema mudo, fez com que Madaline fosse a esposa de Roderick. No conto, ela é a sua irmã gêmea (DA SILVA, 2008). Quanto ao filme Murders in the Rue Morgue (1932), no cinema sonoro, Mendoza (2007) diz que ele não é exatamente uma “adaptação fiel ao conto de Poe [...] pelo fato de o roteiro focar mais nas razões por trás dos assassinatos do que nas investigações para solucionar o caso”49. Já no que concerne às produções desenvolvidas no cinema colorido, podemos enfatizar os filmes de Roger Corman, na década de 60. Malin (2004), quando fala sobre Tales of Terror (1962), diz:

Basicamente uma boa antologia de histórias de terror. São bem produzidas, bem atuada e escrita. Só não espere nada parecido com os contos de Poe (especificamente

49

"’Murders in the Rue Morgue’ is not exactly a faithful adaptation of Poe's short story, as the script (written by Tom Reed, Dale Van Every and Robert Florey himself) focuses more on the reasons behind the murders than on the investigation done to solve the case.” (MENDONZA, 2007).

“Morella”). Com grande liberdade as histórias foram trabalhadas – eles só as usam como um ponto de partida e constroem outras a partir disso50. (MALIN, 2004).

Portanto, podemos observar que, mesmo que cineastas do mundo inteiro tenham trabalhado com a obra de Edgar Allan Poe da maneira que lhes convinha, não se pode negar que eles contribuíram tanto para a popularidade do autor, assim como também para a difusão de suas obras. Estas produções cinematográficas mostram que Edgar Allan Poe permite inúmeras formas de leituras.

Comparando a recepção literária e a recepção midiática de Poe, podemos dizer que a primeira custou um pouco mais a abraçá-lo. Ao mesmo tempo, ela foi mais profunda e mais cautelosa. Na crítica literária moderna não tem curso sem discussão das suas teorias do grotesco, arabesco, ou sobre contos. Além de ser estudado como um grande poeta da Era Clássica Romântica, como um grande escritor e pai da narrativa breve, também é inegável a sua contribuição e apreciação como um grande crítico. O mesmo não acontece no cinema. Como Poe escreveu e publicou suas narrativas há mais de 100 anos, atrás não existe nem direitos autorais e nem herdeiros ou editores para reclamar ou segurara a questão de fidelidade ou preservação do enredo, personagens, temas etc. quando eles são utilizados por outros meios de comunicação. Mas a liberdade com qual suas obras foram usadas pelos diretores e produtores no mundo inteiro, as vezes, nos leva questionar “cadê Poe?” ou “esse é Poe?”. Embora tais questionamentos sejam plausíveis, não podemos negar que o cinema foi um grande responsável por atrair a atenção de uma grande gama de público para seus trabalhos na literatura.

50

Basically this a good anthology of horror stories. They're well-produced, well-acted and written. Just don't expect them to be anything like the Poe tales (especially "Morella"). GREAT liberties have been taken with the stories--they just use them as a starting point and build on it.

CAPÍTULO II - APRESENTAÇÃO DE PERSONAGENS FEMININAS NOS CONTOS

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