A Universidade Federal do Espírito Santo foi criada em 1954, por meio da Lei Estadual n.º 806, de 7/5/54, tendo sido federalizada em 1961, por meio da Lei n.º 3.868, de 30/01/61, pelo então presidente da República Juscelino Kubitschek. Desde então, a UFES vem se expandindo e cumprindo a sua missão de ofertar ensino, pesquisa e extensão à comunidade espírito-santense, com reconhecido padrão de qualidade, no contexto das Instituições Federais de Ensino Superior – IFES.
A UFES possui quase 62 anos de fundação, com 98 cursos de graduação, 48 de mestrado e 16 de doutorado. Dados disponibilizados no portal dessa universidade informam a existência de quatro campi universitários: Goiabeiras, Maruípe, Alegre e São Mateus, com uma área territorial total de 4,3 milhões metros quadrados. Tal expansão já estava prevista no art. 60, § único, do ato das disposições transitórias
da Constituição Federal promulgada em 5/10/1988: "Nos dez primeiros anos da promulgação da Constituição (...) as universidades públicas descentralizarão suas atividades, de modo a estender suas unidades de ensino às cidades de maior densidade populacional" (BRASIL,1988).
Assim, nesse cenário e com a abertura de um período histórico marcado pela redemocratização política, a UFES, dá início a discussões e estudos que objetivaram em uma proposta de interiorização para o norte do Estado.
Nesse contexto, destaca-se:
[...] o trabalho de lideranças educacionais da Secretaria de Estado da Educação, Secretarias Municipais de Educação, do bispo da diocese de São Mateus e de membros das Comissões Pró-CEUNES de Nova Venécia e São Mateus, no ano de 1990, tem início a execução do Plano de Interiorização da UFES no Norte do Espírito Santo – PINES, o qual cria a Coordenação Universitária Norte do Espírito Santo – CEUNES (MORETO, 2006, p. 39).
De acordo com pesquisas sobre o plano de interiorização, algumas dificuldades podem ser apontadas em torno deste projeto:
1. a falta de condições de infraestrutura e a descontinuidade dos convênios assumidos pelos poderes públicos municipal e estadual, uma grande instabilidade, tanto política quanto financeira, foi gerada em torno desse projeto (FOERSTE, 2002 p.47);
2. a falta de investimentos à expansão dessa política e à universidade pública do Brasil, como um todo, fez com que, desde 1996, o plano de interiorização começasse a perder a sua eficácia e progressão (MORETO, 2006, p.30);
3. o Pines [...] demonstrou-se obsoleto, em função de sua eficácia e progressão, em termos de atendimentos regionais (NEGRAO e THOMPSON, 2001, p.13);
4. o modelo de interiorização utilizado, inicialmente, pela Ufes não avançou de forma a contemplar a grande demanda da população capixaba, residente no interior e historicamente desassistida pelo direito de acesso ao ensino superior público, gratuito e de qualidade (PEREIRA, 2014, p.42).
Em meio a esses problemas, a Universidade prosseguiu em estudos e ações que dinamizaram o referido programa criando uma Coordenação de Interiorização, por meio da Resolução do Conselho Universitário n.º 04, de 20/1/2000. A aprovação pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da UFES se deu por meio da Resolução 65/2000, de 27/11/2000, e também pelo Conselho Universitário, pela
Resolução 02/2001, de 31/1/2001, apontando como alternativa a utilização da modalidade EAD, tendo como suporte a utilização das novas TIC. Assim, o credenciamento da universidade para a oferta de cursos na modalidade EAD, junto ao Ministério da Educação, ocorreu em 2001.
Nesse contexto, Pereira (2014, p. 44) ainda ressalta que o programa de interiorização da UFES pode ser destacado em dois momentos distintos:
a) em 1990, com a criação da Coordenação Universitária Norte do Espírito Santo (Ceunes), no âmbito do Plano de Interiorização da Ufes no norte do Estado do Espírito Santo – Pines;
b) em 2000, com a reformulação do Plano de Interiorização e a criação da Coordenação de Interiorização, a qual deu origem ao Programa de Interiorização da Ufes na modalidade EaD.
Constata-se que as tentativas de colocar em prática o Plano de Interiorização contribuíram para alavancar a modalidade a distância, fazendo com que vários Municípios aderissem à parceria com a UFES, possibilitando a criação dos Polos presenciais UAB. Mas o que está por traz do Plano de Interiorização? Seria uma proposta de reestruturação das universidades com ênfase na EAD. O que atende as dimensões do modelo neoliberal que tem como finalidade:
a)Diminuir significativamente o números de professores e duplicar o número de alunos; b) baratear drasticamente os custos das universidades c) deslocar o foco da formação para o seu produto, desde que sejam utilizados testes adequados para aferir as competências-alvo, traduzidas no materiais “materiais educacionais que garantam larga utilização”, disponíveis em polos descentralizados (BARRETO, 2010, p.1305).
Para Faria (2014), tais políticas, destinadas a expansão do ensino superior, foram criadas como forma de propulsionar o desenvolvimento mediante ensino e pesquisas adaptadas a atender à economia e à sociedade em razão da competividade ocasionada pela globalização. Nesse sentido, percebe-se que a demanda por conhecimento e informações foi ampliada e consequentemente desencadeou na expansão da EAD.
Portanto, a realidade das universidades se torna um tanto preocupante, pois elas terão que adequar-se aos limites impostos pelo governo, expandindo a oferta de vagas com o apoio das TICs e da UAB
Dourado e Santos (2011) ao analisar as metas do PNE (2001-2010) propostas para a EAD, consideraram que na sua maioria, atingiram índices expressivos no que se refere à expansão da Educação Superior na modalidade. Todavia, argumentam que:
não era o balizador das ações desencadeadas, não foram alcançadas as metas fundamentais da expansão com qualidade, especialmente as que previam a articulação com os sistemas e as instituições de ensino, como o acompanhamento e a avaliação (DOURADO e SANTOS, 2011, p. 187).
Atualmente, na região norte do Espírito Santo, o Plano de Interiorização da Educação Superior a distância, infelizmente, não evoluiu, pois muitos cursos que atendiam a demanda do Município não receberam a liberação para serem ofertados novamente devido aos órgãos gestores não cumprirem com os investimentos prometidos. Muitos Polos não foram contemplados com editais para abertura de novos cursos, não há incentivos por parte do Governo Municipal e nem iniciativa por parte dos coordenadores para reivindicar seus direitos dos órgãos competentes.
A seguir, em termos burocráticos destaca-se o departamento responsável por realizar todas as ações administrativas desde o processo seletivo de alunos e tutores para ingresso nos cursos, matrícula, formação de tutores, entre outras atividades.