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: Rapprocher les emplois et les compétences

As pessoas com deficiência auditiva pontuam o uso do aparelho auditivo, e da libras, mesmo sendo oralizadas. O E8 explica que apesar de não gostar de usar o aparelho auditivo, se não o usa, ele se sente um pouco revoltado, por não saber o que as pessoas estão falando (informação verbal)43. Sendo assim, a não compreensão da fala das pessoas pode levar o indivíduo a se sentir excluído das interações sociais, contribuindo para o surgimento de sentimentos negativos, o que confirma a influência da tecnologia nas relações sociais.

A E9 ressalta que gostaria que alguns locais lhe fornecessem seus contatos via e-mail, ao invés de números telefônicos (informação verbal)44.

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E8, Entrevistado. Entrevista 8. [20 de outubro, 2014]. Campinas, 1 arquivo .mp3. Entrevista concedida a Renata Ferreira dos Santos. A entrevista na íntegra encontra-se transcrita no Apêndice B desta dissertação.

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E9, Entrevistado. Entrevista 9. [25 de setembro, 2014]. Campinas, 1 arquivo .mp3. Entrevista concedida a Renata Ferreira dos Santos. A entrevista na íntegra encontra-se transcrita no Apêndice B desta dissertação.

O E7 não utiliza nenhum outro tipo de tecnologia além do aparelho auditivo, e considera que “Para alguns mais necessitados já tem tecnologia que ajudam eles, no meu caso, consigo pedir uma pizza por telefone sem precisar de ajuda” (informação verbal)45.

Podemos observar que diferentemente das pessoas com deficiência física e visual, as pessoas com deficiência auditiva são as que relataram utilizar menos tecnologia, nos casos apresentados, apenas o aparelho auditivo foi citado. Sendo assim, é de extrema importância considerar-se o tipo de deficiência, e o nível da lesão, para refletirmos sobre a influência da tecnologia sob a qualidade de vida dos indivíduos. A partir dos relatos, percebemos que enquanto um tetraplégico precisa do auxílio de vários adaptadores para realizar as suas atividades da vida diária, um surdo, de maneira diversa, conta com o auxílio de um único aparelho auditivo. Se o tipo de deficiência define quantas e quais serão as tecnologias necessárias à pessoa, os impactos em sua qualidade de vida podem ser mensurados considerando-se as atividades que são realizadas graças ao apoio da Tecnologia Assistiva.

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5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

As Tecnologias Assistivas geram impactos significantes na qualidade de vida de pessoas com deficiência. Elas são facilitadoras de atividades, mas principalmente, fazem com que a sua efetiva realização seja possível, promovendo a sua autonomia e independência.

Pessoas com deficiência podem se locomover com o auxílio de órteses e próteses, conseguem manusear objetos e equipamentos, mesmo na ausência de algumas funções do corpo, graças às adaptações. Elas têm oportunidade de se comunicar e manterem-se informadas via Internet, por meio de softwares e hardwares específicos, assim como todas as pessoas sem deficiência, e estes são apenas alguns exemplos das possibilidades oferecidas pelas Tecnologias Assistivas.

Com o auxílio destas tecnologias, as pessoas com deficiência têm mais oportunidades de frequentar locais públicos e privados, o que aumenta a sua participação social, seja possibilitando que uma pessoa com deficiência física, por exemplo, consiga se locomover em uma cadeira de rodas, ou mesmo pela acessibilidade encontrada em uma rampa.

O uso de tecnologia também gera efeitos positivos nas relações sociais das pessoas com deficiência. Alcançando uma maior autonomia, elas deixam de ser vistas como incapazes, e passam a ser consideradas como capazes de dirigir, trabalhar, praticar esportes, enfim, participarem plenamente de atividades sociais juntamente, e da mesma forma, que as outras pessoas sem deficiência. As Tecnologias Assistivas suscitam a inclusão social. Além disso, o acesso a computadores e celulares, a inclusão digital, possibilita que as pessoas com deficiência vinculem-se a Internet, que pode ser considerada atualmente como o maior meio de comunicação global, e de disseminação de conhecimento.

As Tecnologias Assistivas são eficazes quando simplificam atividades. Se a pessoa com deficiência considerar que a sua utilização é mais trabalhosa do que realizar a tarefa sem nenhuma adaptação, provavelmente ela irá optar por não utilizá-la. Sendo assim, as Tecnologias Assistivas estão sujeitas à aprovação de seu usuário, pois, antes deste executar uma atividade que será adaptada por uma tecnologia, ele precisa adaptar-se à própria tecnologia. Da mesma forma, se o indivíduo busca alternativas para a realização das atividades sem o uso da tecnologia, ele estará utilizando adequações, que são diferentes de adaptações.

Cabe destacar a importância da Tecnologia Assistiva durante o processo de reabilitação das pessoas com deficiência, pois permitem que elas façam aquilo que talvez pensassem que nunca mais voltariam a fazer. Em uma fase de difícil enfrentamento, principalmente após a aquisição da deficiência, as possibilidades encontradas na Tecnologia Assistiva, restauram a força e renovam a esperança. Porém, ainda hoje, muitas pessoas permanecem sem desfrutar dos serviços, por exemplo, de instituições de reabilitação, pela falta de conhecimento sobre estas, ou mesmo, por morarem em locais distantes, de difícil acesso. Apesar da ênfase na “reabilitação”, precisamos nos lembrar que a Tecnologia Assistiva auxilia o indivíduo voltar a fazer as atividades, porém de um jeito diferente, adaptado, e não da mesma forma que eram realizadas antes, de acordo com o significado da palavra.

Refletindo sobre os três tipos de deficiência abordados neste estudo, e suas relações com a qualidade de vida, percebemos que para as pessoas com deficiência física, a utilização da Tecnologia Assistiva está mais ligada à independência e autonomia para a realização de atividades da vida diária; às questões de saúde voltadas à postura e respiração, por exemplo; e à locomoção e acessibilidade a locais. Já para as pessoas com deficiência visual, o uso está mais relacionado à locomoção e ao acesso à informação. As pessoas com deficiência auditiva apresentaram um perfil que pode ser considerado menos restritivo em comparação às demais deficiências, o que não diminui a importância da Tecnologia Assistiva, neste caso, por meio do aparelho auditivo, para o aumento de sua qualidade de vida.

A Tecnologia Assistiva possibilita a ampliação das oportunidades, o que gera mudanças na vida das pessoas com deficiência. O que fica claro é que, cada indivíduo apresenta uma determinada condição (cada lesão é uma lesão diferente, nos casos de tetraplegia, por exemplo), necessidades específicas, assim como preferências que os levam a utilizar uma tecnologia, e talvez, outra não.

Apesar do livre-arbítrio de escolher o tipo e a forma de uso das tecnologias, deve-se pontuar que a sua apropriação social, ainda é muito dependente das leis de mercado, visto que as novas tecnologias, principalmente ao serem lançadas, apresentam-se muito caras, tornando-se baratas apenas com o passar do tempo. Esta realidade retrata que o mercado objetiva fins lucrativos, e não, fins de contribuir para o desenvolvimento humano. E se o acesso às tecnologias por todos não é priorizado, logo, elas podem estar voltadas para a exclusão. Isso ocorre, por exemplo, quando as pessoas não podem obter uma determinada tecnologia por limitações

econômicas, diante do seu alto custo. Sendo assim, não basta que as tecnologias sejam rapidamente constituídas, é necessário também que estas sejam acessíveis para toda a população, em todos os níveis. A velocidade em que são desenvolvidas, deveria ser semelhante à velocidade em que são apropriadas socialmente, principalmente quando nos referimos às Tecnologias Assistivas, que vão diretamente ao encontro das necessidades reais de pessoas com deficiência. Para alguns, a maior dificuldade não está em se adaptar a uma tecnologia, mais sim, em conseguir obtê-la. Ser de direito, é diferente de ser acessível.

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