Para relatar como se constitui o corpo na psicose, Levin (1995) assinala que na psicose na infância fica estabelecida uma relação unívoca, onde a criança fica enjaulada numa relação especular com a mãe. Nesta, a nomeação paterna ser ausente e a criança fica capturada como um signo por sua mãe. Mãe e bebê são um só, este último objeto, corpo-coisa, que não passou de signo a significante, de objeto a sujeito. Não há saída para a especularidade, pois a mãe, com sua certeza psicótica não decodifica nada, fixa a criança neste lugar de objeto sem corpo próprio, “a criança prolonga-se na mãe” (Levin, 1995, p.192), não há diferenciação. O corpo do bebê é o corpo da mãe.
A mãe supõe que há uma completude entre ela e o bebê que não pode ser desfeita, ambos devem permanecer ligados entre si. É a mãe quem fala e sabe sobre o bebê, impõe isso a ele, e não deixa espaço para que seja de outra forma,
12 Corpo-coisa é uma expressão usada por Esteban Levin.
13O gozo tem a ver com a posição em que o sujeito se coloca frente ao outro, tem a ver com
passividade, é um misto de satisfação e sofrimento, onde a tensão estabelecida é máxima. O gozo nem sempre se relaciona com prazer.
então, o bebê responderá deste lugar, segundo o saber materno, e acreditará ser mesmo aquilo que completa a mãe.
Como consequência desta ilusão de completude, o bebê não consegue reconhecer nem apropriar-se do seu corpo, pois a mãe não apresenta o corpo a ele e também não demarca os limites do mesmo, o bebê não sabe o que é dele ou é da mãe. Desta forma,
não havendo uma diferença (pela ausência de corte, pela ausência de terceiro e de alteridade), não há lugar no qual se identificar, e não se estabelece a diferenciação do Uno e do Outro, a diferença não se dá, o que se dá é a união gozosa com a mãe ou com aquele que está exercendo esta função. (Levin, 1995, p. 193)
Conseguimos perceber com esta afirmação, que não é somente a mãe que goza desta posição, mas também o bebê o faz. Talvez esta seja a única forma de o bebê fazer algo referente a esta relação, já que não é sujeito de desejo, sendo sua única saída gozar desta situação de completude.
Nesta relação, os significantes não se fazem presentes, mesmo a linguagem estando ali, o Outro não se utiliza dela para nomear e transformar o corpo-coisa em corpo simbólico. A linguagem também não é utilizada pelo Outro para instaurar a castração, deste modo, a inscrição no simbólico não pode ser totalmente completa. Devido a não passagem pela castração, não há a separação de objeto e a falta constituinte da subjetividade não surge, fazendo com que o sujeito não possa se apropriar imaginariamente de seu corpo, pois para isso ele necessita primeiro separar-se do mesmo. E essa separação só é possível quando a mãe se remete a uma perda de objeto, coisa que não acontece na psicose, pois a castração não efetuou-se.
É preciso que o Outro faça sua função de aceitar a castração, permitindo que o seu corpo e o do bebê se separem, fazendo com que o objeto caia, produzindo assim uma falta que fará surgir a subjetividade, tornando esse corpo- coisa em corpo-simbólico, de um sujeito. Aparece aqui, mais uma vez, a importância crucial da relação do bebê com o Outro.
Referindo-se a relação com os pais, podemos destacar a importância do que se espera da criança e das crenças que são depositadas nela, pois estas também fazem parte da construção da imagem. “Essas crenças simbolicamente imaginárias
que lhe conferem corpo de imagem à sua materialidade corporal, sem as quais se torna carnal” (Levin, 2005, p. 167). Sem este envolvimento e lugar dado ao corpo ele permanece como puramente carnal, corpo-coisa, não podendo ser visto e reconhecido pelo próprio sujeito. Este corpo carnal não diz sobre a imagem corporal.
Sabemos que antes mesmo de o bebê nascer estes ideais devem ser supostos pelos pais, ele deve ser antes de tudo desejado, isto deve continuar após o nascimento, incluindo aí, carinho, olhares, palavras. Sem deixar de considerar os gestos e movimentos feitos pela criança, e mais do que considerar, nomear, apresentar estes gestos e este corpo ao bebê. “O corpo se habilitará poeticamente no laço social (da ordem do familiar) instituindo como base no eu ideal de seus pais” (Levin, 2005, p. 167), vê-se que a participação da família e inclusão no laço social, feita pelo Outro tem relação com o modo como esse virá a se reconhecer.
Percebemos que não é somente neste corpo que se constitui o sujeito, mas nessa relação com o Outro, neste laço social, mediante crenças e ideais. A imagem corporal do sujeito também surge desta forma, nessa relação de alteridade do Outro, que inclui o sujeito no laço. Isto problematiza-se na psicose, pois o Outro não supõe nada no bebê, não antecipa-lhe nada, não o inclui nestas crenças simbolicamente imaginárias, ele fica resignado ao corpo, é somente este objeto.
Para o sujeito se sustentar nesta imagem é necessária a presença do Outro. Este Outro não pode ficar fora do que acontece, apesar de em algum momento se ausentar para fazer emergir o demanda e o desejo na criança. A criança precisa estar inserida no que acontece através de seu desejo, esta é a condição para que a constituição do sujeito como da imagem do mesmo seja realizada. Isto é o que acontece na neurose, entretanto, na psicose a presença e a relação com o Outro é diferente, há uma ilusão de completude, de preenchimento, a criança é tida e mantida como objeto pela mãe, assim, não há a tentativa de sustentação porque mãe e criança são uma só.
É o Outro que faz a apresentação do corpo e nomeação das partes à criança, para que depois, quando estiver no estádio do espelho possa se tornar possível fazer uma unificação das partes do corpo, que até então eram separadas, cada parte era como se fosse o corpo todo. Produz-se aqui “a assunção imaginária da unidade corporal em detrimento das partes” (Levin, 1995, p.198), é aqui que começa a e constituir a instância imaginária. Entretanto, na psicose isto não pode
ser assim realizado, pois anteriormente o corpo não foi apresentado a criança, e então ela não consegue reconhecer-se naquela imagem, nem fazer dela um todo.
A unificação das partes do corpo é representada pelo traço unário, que diz da noção de unidade imaginária do corpo, apoiado no que o Outro lhe apresenta e lhe devolve. Entretanto, não basta ter esta noção de unidade para que a criança se reconheça, para tanto ela necessita de uma sustentação simbólica, que mostre que há uma separação entre corpo do Outro seu próprio corpo, que apresente-o desta forma. Se a criança ficar na pura imagem – corpo Real-, não consegue articular nada para além disso, ficaria na questão especular, como puro reflexo do corpo materno, sem diferenciação, não supera esta fase do Estádio do Espelho. O Pai ficaria fora desta cena constitutiva da imagem. Isto é o que acontece na psicose, quando
no momento em que a criança virasse para confirmar a sua imagem, o Outro não estivesse ali, ou não referisse à sua imagem, e sim a uma posição de coisa sem qualquer caráter afetivo, ela ficaria refratada em uma posição de objeto sem se refletir em imagem nenhuma: restaria à criança apenas seu corpo como coisa, navegando no terreno pré-especular e pré- pulsional, próprio do autismo infantil. Teríamos então, uma pura refração sem imagem (autismo) ou uma pura imagem sem refração (psicose). (Levin, 2001, p.112)
Ou seja, se não for do desejo da mãe separar o seu corpo do corpo da criança, ela não instaurará a função simbólica que nomeia, apresenta e possibilita a criança de reconhecer-se naquela imagem, nem a partir dela fazer outra representação. O corpo fica como pura imagem Real – corpo coisa. Não passa totalmente pela cena, fica na imagem especular, não consegue chegar uma imagem virtual, que lhe dá infinitas possibilidades de representação.
Ainda sobre a ideia de unidade que a imagem fornece, pode se dizer que ela encobre a diferença entre corpo Real e representação. Entretanto, nesta fase é necessário que a criança se olhe e possa dizer que esta imagem é sua, mas ali não percebe que esta fazendo esta divisão entre o corpo representado na imagem e o corpo Real, para ela são a mesma coisa, porém não são unas. Apesar de ser a sua imagem, o importante é saber que aquilo é uma representação sua, não é ela que está no espelho.
No estádio do espelho, o bebê ainda não tem toda maturidade motora e é aí que entra a antecipação feita pelo Outro, que primeiro aliena para depois separar-se. É nesta falta que o sujeito começa a se tornar desejante, o Outro precisa deixar este
espaço e supor um sujeito independente de seu corpo para que o bebê venha a ser sujeito de desejo e assim, conseguir separar-se da especularidade da imagem da mãe.
O pai aparece na ausência, onde falta, quando se instala a dimensão simbólica, através da castração. A nomeação e apropriação do corpo pela própria criança só pode ser feita a partir da instauração do universo simbólico e, consequentemente, da dimensão significante. E isto só acontece quando o Nome- do-Pai faz função, quando sua entrada é permitida pelo Outro.
É necessário criar uma representação através da qual a criança possa se inserir no percurso do corpo libidinal e pulsional para criar esse corpo simbolizado e separar-se do puramente carnal, Real. Para isso é indispensável sempre passar pelo campo do Outro, é a partir dele que a criança poderá se perceber diferente. É no encontro com a demanda do Outro, que será encontrada a imagem especular com a qual a criança irá ser representada e a partir da qual poderá se reconhecer.
No estádio do espelho, é necessária uma cena para que se construa esta imagem do corpo. Levin (2001) situa a cena como sendo uma representação imaginária que apresenta o corpo e vai dizer dele simbolicamente. A cena é produzida fora, no Real, mas a criança deve se incluir nela, assim como o corpo na imagem, onde possa se refletir “na diferença, gerando um efeito de construção simbolicamente imaginário e de ligação com o real” (Levin, 2005, p.179). Este Real de que se fala, por exemplo, do corpo, não é o corpo orgânico, mas o que falta na imagem dele, o que fica preso no investimento libidinal no próprio corpo, que não é simbolizado. Apesar deste investimento ser necessário para que se tenha imagem, ele tem que modificar-se, e partir para outros objetos, não continuar somente preso ao corpo.
Levin (1997) fala de jogos de espelhos que montarão a cena para a constituição da imagem do corpo e das questões imaginárias. Para cada estrutura um tipo de jogo, pois a imagem especular se apresenta de diferentes formas entre as estruturas. A relação com o Outro é diferente e também os tempos de que Lacan situa no Estádio do Espelho, como é o caso da psicose. Nesta a criança fica presa a imagem especular da mãe, não passa ao estágio superior que seria a apropriação de sua própria imagem.
Na psicose a criança pode ficar apenas com sua imagem na ordem do Real – porque não passa pela simbolização. Este é um destino possível e quando
acontece o corpo da criança fica atrelado ao da mãe, como uma extensão deste, ele seria um objeto que supostamente completaria o corpo materno. O corpo fica preso ao corpo, deste modo ela não consegue diferenciar-se, criança e mãe são unas.
Para o autor, nesta situação, o corpo da criança fica situado antes do espelho ou preso nele sem conseguir atravessá-lo, pois fica presa ao corpo da mãe que tenta mantê-la como preenchimento do seu próprio corpo, devido a uma dificuldade na sua própria imagem narcísica.
No jogo dos espelhos completo existiria um espaço real, o espelho e o espaço virtual. O espaço virtual é o resultado do espelho simbólico, ou seja, é necessário que se faça o enlaçamento com o simbólico para passar a este espaço, se não acontecer, fica na fase anterior, que é a especular. Isto acontece na psicose, este encontro acontece no Real, fica-se nesta fase onde não há simbolização, onde se apresenta o corpo-coisa.
No jogo do espelho, primeiramente viria a mãe, reconhecendo-se no filho (filho como espelho da mãe), a partir disso teria a imagem virtual da mãe, em falta. Depois apareceria a criança no espaço real e a mãe funcionando como espelho (suporte) para que então se constituísse a imagem virtual do corpo da criança – que estaria em falta, pois foi separada do corpo materno. Isto é o que Levin (1997) denomina de “Jogo do duplo espelho”, pois primeiramente a mãe tem que se reconhecer no filho e se separar dele para que possa servir como suporte da imagem do corpo do filho separado do dela, em falta.
O que acontece na psicose é que não se cria este espaço virtual onde apareceria a imagem do corpo da criança. A mãe retém o corpo do filho na sua imagem gerada no espelho, não permite que ele a atravesse e tenha um corpo só seu.
Destacamos, mais uma vez, que a imagem olhada no espelho é uma representação da imagem do corpo. Entretanto, devemos salientar que o primeiro espelho na vida do bebê é a mãe (Outro), primeiro a criança está nela, depois começa a imitar, passa pela fase do transitivismo até ‘atravessar o espelho’ e se reconhecer numa imagem própria, diferenciando-se da imagem da mãe.
No momento em que a criança consegue negar seu corpo Real, para assumir sua imagem do corpo – imago (inconsciente), começa a ressignificá-lo, construindo assim seu esquema corporal (pré-consciente) como a representação do seu corpo no espaço. Por isso é possível dizer que sem a imagem do corpo não há
esquema corporal, é necessário que se tenha esta imago constituída para que se passe a representá-la, pois “o esquema corporal surge e se ressignifica no momento em que a criança começa a dar-se conta (apoiada em sua imagem) da diferença entre ela e seu reflexo” (Levin, 2001, p.126). Deste modo, ligada a esta impossibilidade de não identificar-se e apropriar-se da própria imagem, também se apresenta a impossibilidade da criança ter noção de seu esquema corporal.
No espelho através dos gestos que vai fazendo, a mãe vai lhe dizendo e apresentando-o, assim ele vai se reconhecendo com a imagem que vê, estes gestos e movimentos vão afirmando que aquela imagem é sua. E diferenciará também o que é sensitivo do que é motor.
Levin fala sobre o mistério da imagem do corpo, que não reside só no corpo Real, mas que é inconsciente, depende da história do sujeito e que, a partir dela é que vão se constituindo as identificações e funções do Eu. Para ele “a imagem é uma estranha isca que alicerça a crença de ‘si mesmo’” (Levin, 2001, p. 117), ou seja, ela serve de base para a constituição do eu, da subjetividade do sujeito.
Nesta constituição do Eu e da imagem do corpo, alguns aspectos se destacam como fundamentais nesta estruturação. A saber, o olhar, o toque, a voz e os movimentos.
O olhar se apresenta como uma primeira referência ao bebê, este olhar serve como se fosse um espelho, é através do olhar do Outro que tudo lhe é apresentado e a partir de onde pode se reconhecer. Na psicose, há uma problematização neste aspecto, pois o olhar é sempre o olhar do Outro, não há diferenciação, “é um olhar que atravessa, que invade o outro, sem deixar de olhar, estruturando-se num possível olhar sem sujeito, que não se vê a não ser nesse alinhamento sem diferenciação nem articulação” (Levin, 2001, p. 119), o sujeito não consegue ter um olhar próprio, com isso, também não conseguem ter uma representação e reconhecimento de si mesmo, haveria assim uma impossibilidade de construir a sua imagem corporal.
Outro aspecto fundamental, o toque, que já foi brevemente comentado mostra o modo como a mãe trata do corpo do bebê, se investe-o e significa-o, ou se simplesmente é um toque sem ter um viés significante, mantendo o corpo como corpo-coisa, objeto. Não acontece a delimitação do corpo do bebê, as marcas não são deixadas pelo Outro, porém sabemos da importância delas, pois são por estas
marcas que o desejo é veiculado. O corpo permanece como objeto do gozo do Outro, não delimitado e não podendo ser reconhecido pelo próprio sujeito.
Para que o corpo e a imagem corporal se constituam outro elemento importante na relação do bebê e o Outro é a voz. Ela faz a articulação entre o que o bebê faz com o mundo que o circula. A palavra que vai nomeando e sendo simbolizada faz com que seja possível separar o corpo do bebê dos outros objetos.
Como último elemento citado quando se fala dos fundamentos da estruturação do corpo, consequentemente do Eu, retomamos brevemente a questão dos movimentos. São eles que, através do discurso do Outro, apoiados nos significantes, transformam-se em gestos e dizem do desejo da criança. É por eles que a criança afirma e reconhece sua imagem do corpo frente ao espelho, e posteriormente leva isso para as representações no social. No funcionamento desta motricidade a criança consegue refletir-se no Outro, primeiramente, para depois notar-se diferente, mas isso só será conseguido após ter completado a constituição de sua imagem do corpo.
Este encontro entre corpo e imagem é uma ficção, criado por uma cena, simbolicamente imaginária, que a partir dela, permite que a criança constitua e se enlace no mundo do imaginário, onde poderá identificar o corpo e os objetos de diferentes formas, sabendo que são coisas diferentes de seu corpo. É com base nesta imagem do corpo que abre-se a possibilidade da criança usar todo o imaginário que quiser para moldar as funções do Eu, para poder criar outras coisas a partir do que lhe é oferecido.
Para que as crianças possam posteriormente transformar seus objetos em brinquedos através de seu imaginário, é preciso que tenham passado pelo espelho, onde este mesmo processo se dá, só que referindo-se ao seu corpo. Este corpo deve ser simbolizado para que possa vir a ter significação, identificação e depois conseguir separar-se daquela imagem, reconhecer-se diferente daquilo que vê.
Na brincadeira a criança poderá ser uma bruxa, mas só é capaz de sê-la se passou pelo processo do espelho, onde primeiro se identifica para depois separar-se daquela imagem, onde a simbolização foi instaurada. Para isso é preciso que o Outro sirva como espelho, sustentando a imagem do corpo da criança, ela “precisa apoiar-se numa imagem a partir da qual possa desdobrar-se e desconhecer-se, para brincar do que não é, por exemplo, ‘de ser papai, ser mamãe, ser adulto, ser médico’.” (Levin, 2001, p.106) Deste modo, no brincar, a criança é capaz de saber
que não é ela, cria um mundo imaginário, assim como no espelho. O imaginário começa a se constituir e a criança nota que ali é uma representação dela, e não propriamente ela. Na brincadeira a criança pode se dizer bruxa porque sabe que não é. Em se tratando de crianças psicóticas ela será a bruxa, no Real, pois como diz Lacan, o que não foi simbolizado volta no Real. Sem imagem não há o que representar.
No tratamento clínico, o psicólogo serve de espelho e sustenta a cena ficcional necessária para se constituir a simbolização e a imagem do corpo. Tem que haver investimento, desejo para fazer com que algo tenha representação para o sujeito, significar, mediação entre o que é produzido e sua significação.
Quando o gozo não é mediatizado pelo desejo do Outro acaba ficando enraizado no sensório-motor, não no corpo simbolizado, que aqui não existe. “Na ausência da instância normativa, da autoridade paterna, da interdição, a criança navega nesse gogo do Outro (não castrado), que a aliena e fusiona à sua sensório- motricidade” (Levin, 2001, p.161).
Pode-se dizer que é necessário que o Outro dê o suporte simbólico para que o sujeito possa se identificar primeiramente com a imagem deste Outro, para que constitua sua noção de unidade, e depois possa perceber-se diferente e separar-se daquela imagem (mas mantendo-a como referência), para que assim possa assumir a sua própria imagem do corpo. É a partir do Estádio do Espelho e construção do imaginário que a criança pode começar a representar, primeiro seus próprios gestos, e é isso o que vai permitir que posteriormente ela possa representar o que lhe é apresentado. É preciso abrir mão da imagem Real, e perceber a representação de sua imagem, simbolicamente imaginária.
CONCLUSÃO
O presente trabalho surgiu de questões que se colocaram durante meu percurso no curso de Psicologia, assim como da minha experiência clínica. Dentre as diversas questões que se colocaram algumas se mantiveram entre elas a função do espelho, a constituição do corpo e a questão de como o corpo se apresentava na psicose na infância.
Deste modo, a partir do estudo realizado gostaria de destacar alguns pontos. Primeiramente, a importância da instauração da metáfora paterna a qual permite que opere o Nome do Pai em substituição ao desejo da mãe, sem essa operação se apresentará um problema na separação entre a criança e a mãe, como se pode observar na psicose da criança. Na falta desta inscrição do Nome do Pai, e,