Araraquara e São Carlos são cidades de porte médio, separadas por 30 km de distância, que se situam no interior do estado de São Paulo e possuem algumas características semelhantes em termos de quantidade populacional, ocupação socioespacial, tamanho do município, porcentagem de área urbanizada e bioma, dentre outras. A seguir, serão apresentadas algumas das características gerais desses municípios, ressaltando os aspectos relativos à arborização.
3.5.1 Araraquara – SP
Localizado no interior do estado de São Paulo (Figura 1), o município de Araraquara possui uma população estimada de 236.072 habitantes e área da unidade territorial de 1.003,625 km² (IBGE, 2019a), dos quais 84,60 km2 (8% do total) correspondem à área urbanizada (IBGE, 2015). Com altitude máxima de 740 m e mínima de 500 m em relação ao nível do mar, Araraquara apresenta um relevo de leve sinuosidade (BARBUGLI, 2004) e possui clima subtropical úmido (CWA) pelo sistema de Köppen.
Figura 1: Localização do município de Araraquara, com destaque à sua área urbana.
Fonte: Adaptada pela autora de Oliveira et.al. (2018).
Em relação ao processo de urbanização e seus padrões espaciais, autores analisam que Araraquara passou por uma expansão desordenada, ocasionando ocupações em áreas periféricas, gerando bairros muito distantes do centro (VALE, 2005). Incentivados pela especulação imobiliária, loteamentos desrespeitaram a legislação existente e foram aprovados mesmo fora do perímetro urbano, aumentando e formalizando a ocupação periférica e ocasionando inúmeros vazios urbanos (PERES, 2012).
Essa forma de expansão gerou alguns entraves para gerir o território e, além de outros conflitos, como custos de infraestrutura urbana e segregação social, originou impactos ambientais advindos da abertura de loteamentos em áreas de mananciais, trazendo irreversíveis transformações da paisagem (VALE, 2005).
A vegetação primária do município de Araraquara era constituída por floresta latifoliada tropical e cerrado (NEVES, 2014). Atualmente, apresentam-se dois tipos principais de biomas: Cerrado e Mata Atlântica (IBGE, 2019a).
Em relação aos aspectos de cobertura vegetal e áreas verdes urbanas, Araraquara é considerada bem arborizada (VALE, 2005). Em 2009, possuía uma média de 90.000 árvores distribuídas em praças, calçadas, rotatórias e canteiros centrais, perfazendo 34,2 m² de área verde por habitante (ARARAQUARA, 2015). Um bom indicador, segundo dados da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana (SBAU), que recomenda no mínimo de 15 m² de área verde por habitante (DE ARRUDA et al., 2013).
Todavia, a partir de dados da avaliação da população arbórea de calçadas, canteiros centrais e vias resultantes de novos parcelamentos de solo e processos de revitalização em Araraquara, constatou-se que, em praticamente todas as vias inventariadas havia, no mínimo, 80% de ocorrência de apenas uma espécie e, em outras vias, não se encontrou a presença de cobertura arbórea (OLIVEIRA, et. al., 2018). Esse estudo mostrou que a cobertura vegetal da cidade ainda é desigual e a variedade em termos de espécies é muito baixa.
3.5.2 São Carlos – SP
Localizado no interior do estado de São Paulo (Figura 2), o município de São Carlos possui uma população estimada de 251.983 habitantes e área da unidade territorial de 1.136,907 km2 (IBGE, 2019b), dos quais 81,59 km2 (7% do total) correspondem à área urbanizada (IBGE, 2015). Com altitude máxima de 1000 m e mínima de 520 m (PMSC, 2014) em relação ao nível do mar, possui topografia que varia entre plana à levemente montanhosa, contendo escarpas acentuadas e algumas regiões com declives, com clima classificado entre Cwa e Aw pelo sistema de Köppen (SOARES et. al., 2003), isto é, transita entre clima subtropical úmido e clima tropical com estação seca.
Figura 2: Localização do município de São Carlos, com destaque à sua área urbana.
Fonte: Scarpinella e Da Silva (2019).
O município de São Carlos, bem como Araraquara, teve seu processo de ocupação do território e formação do núcleo urbano impulsionados pelo crescimento da economia cafeeira e instalação da malha ferroviária no fim do século XIX (PERES, 2012).
O plano original da cidade desenhou, em meados do século XIX, praças adjacentes ao Córrego do Gregório, na região central da cidade, em regiões de fundo de vale. Ao longo dos anos, diversas obras foram realizadas buscando solucionar questões de mobilidade, mas que canalizaram extensos trechos dos córregos urbanos e trouxeram grande impermeabilização nessas áreas de vale sujeitas a enchentes, gerando conflitos com o ambiente físico do município. Ao mesmo tempo, áreas periféricas de solos frágeis foram ocupadas ao Sul da cidade acentuando fragilidades sociais e ambientais (SCHENK, et al., 2018).
Originalmente, a cobertura vegetal predominante em São Carlos era de florestas semidecíduas, florestas ripárias, cerrado, cerradão e floresta semidecídua com Araucaria
angustifólia (SOARES, et al., 2003). Atualmente, apresentam-se dois tipos principais de
biomas: Cerrado e Mata Atlântica (IBGE, 2019b), transitando entre o cerrado paulista e Floresta Estacional Semidecidual (SCHENK, et. al., 2018).
Em um estudo de caracterização das árvores da malha viária central urbana do município de São Carlos-SP, identificou-se, em termos de composição florística, um número significativo de espécies representadas apenas por um único exemplar. As ruas com menor índice de arborização foram as mais centrais, situadas em área comercial, com tráfego intenso de veículos e pedestres, o que normalmente leva a conflitos que geram a supressão dos espécimes (SUCOMINE; SALES, 2010).
Viana (2013) quantificou a cobertura arbórea da área urbana de São Carlos (SP), dividindo-a em 44 setores e utilizando o Índice de Floresta Urbana (IFU) e porcentagem. Um índice que considera a proporção entre o espaço livre arborizado e espaço livre impermeável, podendo assumir valores entre 0 e 2. O cálculo do IFU para a área urbana de São Carlos resultou num valor de 1,04, um bom indicador, considerando que acima de 1, esse índice sugere uma boa qualidade de floresta urbana. Porém, o cálculo realizado nos 44 setores, por porcentagem, mostrou que essa cobertura arbórea não é bem distribuída na cidade. As menores porcentagens de cobertura arbórea levantadas em São Carlos foram ao Sul, onde se encontram bairros de classe baixa e na região central. As maiores porcentagens foram em regiões de bairros de classe média e alta (VIANA, 2013).
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Nesta seção, serão apresentados os resultados e discussões resultantes da metodologia aplicada a pesquisa. As análises aqui apresentadas buscaram cumprir os objetivos específicos, gerados pelo objetivo geral que justificou o desenvolvimento do presente trabalho.