Esta pesquisa é do tipo experimental porque verifica a relação de causalidade que se estabelece entre variáveis designadas como independentes e dependentes. No caso deste estudo, temos o Orkut como variável independente e a aprendizagem dos alunos sobre o conteúdo variedades linguísticas, a variável dependente. Aplicamos a variável independente para investigar o que acontece com a dependente. "Na pesquisa experimental, o pesquisador manipula deliberadamente algum aspecto da realidade, dentro de condições anteriormente definidas, a fim de observar se produz efeitos" (RUDIO, 1986, p. 69).
Corroboramos com o pressuposto de que, "embora seja difícil realizar pesquisas experimentais nas escolas, elas podem revelar causa e efeito e conhecimento que nos capacita a predizer e controlar eventos" (MOREIRA; CALEFFE, 2006, p. 72). O objetivo de controlar as possíveis variáveis que possam interferir nos resultados é o grande desafio deste tipo de pesquisa no contexto educacional.
Os autores citados em nota anterior nos apresentam uma possibilidade de realizar uma pesquisa experimental em que se surgirem outras variáveis não isoladas na fase do projeto de pesquisa que estas possam também ser exploradas desde que não comprometam os dados. No caso específico desta pesquisa, não previmos, por exemplo, que a escola (local da pesquisa) entrasse em recesso antecipado por causa de problemas de infiltrações no teto, entre outras questões estruturais as quais resolvemos tratar como variáveis intervenientes ao processo experimental, na época, em andamento.
Em uma pesquisa experimental, coletam-se os dados de modo que todos participem e não somente um grupo experimental se beneficie. Isso exige que se forneça algum tratamento para todos os grupos de maneira a não promover desigualdades que provoquem danos a quaisquer dos sujeitos (CRESWELL, 2007).
É possível inferir a natureza distinta de uma pesquisa experimental da área das ciências sociais (caso deste estudo) e uma pesquisa da área das ciências naturais em que se visa o conhecimento rígido, objetivo e se exige do pesquisador um método de acordo com o paradigma positivista. Como a pesquisa experimental é característica das pesquisas naturais, e, no caso deste estudo, aborda um contexto preponderantemente social (a sala de aula), seus pressupostos epistemológicos nos encaminharam para um método misto1.
A propósito, a integração de dados de natureza mista pode ocorrer do seguinte modo:
[...] em diversos estágios do processo de pesquisa: na coleta de dados, na análise de dados, na interpretação ou em alguma combinação de locais. Integração significa que o pesquisador 'junta' os dados. Por exemplo, na coleta de dados, essa 'mistura' pode envolver a combinação de questões abertas com questões fechadas de um questionário (Id, Ibid, p. 215).
O procedimento de tratamento dos dados qualitativos e quantitativos desta pesquisa foi o que Tashakkori e Teddlie apud Creswell (Ibid) classificaram como concomitante. Assim, o pesquisador coleta os dados qualitativos e quantitativos simultaneamente e, depois, integra as informações na interpretação geral dos dados. No caso desta pesquisa, isso ocorreu principalmente nas análises.
Para efeito quantitativo dos dados, esta pesquisa considerou numa das etapas o percentual das categorias investigadas para efeito da elaboração do perfil sociolinguístico da turma. A abordagem de cunho qualitativo, por seu caráter estritamente interpretativo, mostrará através das descrições e análises feitas, a partir da observação participante, quais foram as estratégias de ensino e de aprendizagem efetivadas em sala de aula convencional e no Orkut sobre variação linguística para que os alunos apreendessem os conceitos, por exemplo, de norma-padrão versus variedades linguísticas e estabelecessem uma relação com o preconceito linguístico. Levantamos
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Os métodos mistos são relativamente novos nas ciências sociais e humanas. Sua definição consiste na necessidade de coletar e analisar dados quantitativos e qualitativos (CRESWELL, 2007).
um escopo para efeito de análise. Foram focados os eventos significativos para efeito do fenômeno, com o fim de serem analisados.
3.2 O percurso da pesquisa
Este estudo foi realizado em duas turmas de alunos do Ensino Médio de uma escola pública da rede estadual de ensino localizada na região metropolitana de Maceió2 no período equivalente a dois bimestres do ano letivo de 2008. Pretendíamos realizar a coleta de dados em dois meses, mas se interpolaram ao processo uma greve de funcionários administrativos e um recesso compelido por problemas estruturais no prédio da escola.
Para se ter acesso aos trâmites necessários à realização deste estudo, foi escolhida a escola na qual já havíamos feito outra pesquisa. A viabilidade e a pertinência de este trabalho ser realizado no referido local podem ser justificadas tanto pela nossa inserção natural na comunidade escolar (no caso, o ambiente da pesquisa), quanto pelo fato de a escola ser equipada com um laboratório de informática composto por 20 computadores conectados à internet, além de professores-facilitadores e um técnico em informática, que presta serviço regularmente à escola. Para tal, foi enviado um requerimento à direção da escola com o fim de se obter consentimento para a realização da pesquisa; também se fez ciência aos dirigentes da escola, da relevância do estudo para a própria escola, para os pesquisadores e para os alunos.
Nosso maior objetivo, ao transformarmos a sala de aula, ambiente natural em que estamos inseridas no dia-a-dia de nossa prática profissional, num constructo de dados de pesquisa, foi o interesse de investigarmos estratégias de abordagem do conteúdo variedades linguísticas em interface com a cibercultura. Entretanto, ao utilizarmos o Orkut, pretendíamos apenas verificar se os alunos se interessariam em interagir ali com propósito de aprendizagem. Mas, fomos além, ao alavancarmos a hipótese de os alunos apreenderem melhor o conteúdo se escrevessem suas idiossincrasias a respeito dos temas abordados numa comunidade no Orkut.
Propusemos uma estratégia de complementação à abordagem de sala de aula do conteúdo variedades linguísticas. Enfatizamos a ideia de complementaridade, não de substituição das aulas presenciais no Ensino Médio. É fundamental atentarmos para o
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fato de, embora o termo presencial direcionar-se para um entendimento contrário ao contato cara a cara, as atividades em sala de aula são, muitas vezes, realizadas distantes da face do professor. O contato dito cara a cara reserva-se aos momentos de menor ou maior interação (nas aulas expositivas e nos debates em sala de aula), mas os exercícios, trabalhos em grupo, em dupla, individuais muitas das vezes são feitos em outros locais.
O contato com os alunos enveredou-se em busca da constatação ou não de nossa hipótese voltada à abordagem das variedades linguísticas mediada pelo Orkut. Nesse ínterim, elegemos como questionamentos desta pesquisa, os pontos que, à priori,orientaram-nos aos resultados mais amplos deste estudo.
1) Quais são as ideias prévias dos alunos sobre o conteúdo variedades linguísticas? Eles utilizam a terminologia de acordo com os textos lidos? Ou são indiferentes?
2) De que modo os alunos revelam os novos conceitos em fase de apreensão ao longo das abordagens?
3) Até que ponto pode-se afirmar que um dos grupos obteve mais conhecimento do que o outro diante das estratégias utilizadas?