Chaos lagrangien Approche physique du m´ elange
1.2 Rappels de m´ ecanique classique Physique du m´ elangem´elange
O objetivo geral desta dissertação é identificar os elementos de Incubação para Cooperativas Sociais mediante análise dos processos de inclusão, gestão, produção/operacionalização e comercialização da COEPAD a partir dos Princípios do Cooperativismo e da Gestão Social. 1.2.1 Objetivos específicos
Para cumprir o objetivo geral foram delineados os seguintes objetivos específicos:
a) levantar o processo de inclusão social das pessoas com deficiência intelectual na COEPAD;
b) averiguar os processos: gerencial, de produção/operacionalização e comercialização da COEPAD;
c) analisar os processos da COEPAD a partir dos Princípios do Cooperativismo e da Gestão Social; e,
d) verificar a possibilidade de utilizar a Teoria da Delimitação de Sistemas Sociais e a abordagem da Paraeconomia de Ramos (1989) como suporte para a análise da identificação de elementos para incubação social da COEPAD.
1.3 JUSTIFICATIVA
Ao longo da história as organizações atravessaram grandes mudanças na sua concepção, diretrizes e estruturas, principalmente após a Revolução Industrial. Essas organizações para continuarem competitivas no mercado utilizaram os processos da gestão estratégica como o procedimento mais apropriado para a obtenção do desenvolvimento empresarial e o alcance do crescimento oriundo de ações voltadas ao ganho econômico (TENÓRIO, 2008).
Dentro desse modelo de gestão com a valorização do chamado “capital humano” surgiram normas para proporcionar aos trabalhadores melhores condições de trabalho, como o avanço das leis trabalhistas por meio do Estado (previdência social) e pela modernização das organizações por meio de práticas como a responsabilidade social que visa à qualidade de vida do trabalhador e melhoria do bem-estar da sociedade (FISCHER, 2002). O termo responsabilidade social envolve
um conceito vasto no qual a organização, com o intuito de resguardar suas obrigações comerciais, elabora recursos, estratégias e ações, para que de modo interno e externo, possa favorecer os anseios de igualdade e legitimidade da sociedade, indo além das obrigações convencionado em lei e os seus benefícios econômicos (FISCHER, 2005).
Tais aspectos beneficiaram a sociedade num todo, mas arestas precisam ser preenchidas, pois o pensamento é predominantemente estratégico nas ações de capital humano, conforme Sen (2010) envolvem as tomadas de decisões organizacionais. Esse contexto envolve essencialmente uma nova abordagem das capacidades humanas, que trata-se do reconhecimento da ampliação da autonomia do ser humano (liberdade substantiva), por meio de uma abordagem inclusiva para o seu desenvolvimento (SEN, 2010).
Baseado nesse cenário a gestão social apresenta um novo olhar para o interesse do bem comum ao trazer práticas de ordem democrática, participativa e inclusiva de modo a priorizar a coletividade na elaboração de ações que envolvam a sociedade civil (TENÓRIO, 2008).
O cooperativismo pode ser visto como uma alternativa que pode incorporar os fundamentos da gestão social, visto que, os métodos advindos da gestão estratégica são insuficientes para contemplar as necessidades humanas e sociais propagadas pelas entidades do terceiro setor. Desta maneira, a gestão social pode ser interpretada como complementar a gestão estratégica de modo a conduzir processos que beneficiem os atores sociais.
Portanto, essa dissertação justifica-se pela importância e representatividade que o cooperativismo social apresenta na atualidade, sendo que a gestão que o envolve é uma temática com diversas dimensões a serem exploradas para a sua maior utilidade na geração de trabalho e renda, associados a princípios de democracia, diálogo e respeito humano, sobretudo, em relação às pessoas com deficiência intelectual.
Entretanto, a gestão do cooperativismo social apresenta bases insuficientes para atender as necessidades de cooperação das pessoas com deficiência intelectual. A legislação do cooperativismo social, Lei nº 9.867, de 10 de novembro de 1999, cita o ramo especial, o qual se enquadra a COEPAD, mas não aprofunda a legislação para pessoas com deficiência intelectual (BRASIL, 2013b). Na atualidade, para incentivar ações direcionadas ao desenvolvimento de cooperativas sociais o Governo Federal instituiu o Programa Nacional de Apoio ao Associativismo e Cooperativismo Social (Pronacoop Social) conforme o
Decreto nº 8.163 de 20 de dezembro de 2013 (BRASIL, 2014). Devido a sua recente regulamentação ainda não há registros da sua aplicabilidade. A escolha do tema origina da pretensão de identificar elementos primordiais para a incubadora social à luz da gestão social a partir do estudo de caso da COEPAD, devido ao seu diferencial único de trabalhar com pessoas com deficiência intelectual, como seus cooperados. Esta pesquisa vem ao encontro de um objetivo almejado pela COEPAD, de acordo com vice-presidente da Cooperativa, Sr. Aldo Brito (Informação Verbal2).
Portanto, a identificação dos elementos de incubação ocorreu por meio de estudos dos processos da COEPAD executados na área de inclusão, gestão, produção/operacionalização e comercialização de suas atividades. Também esse estudo teve o objetivo de proporcionar informações para a composição vindoura do primeiro projeto de incubação social do Grupo de Estudos em Gestão Social da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ao julgar que a Universidade necessita de projetos sociais que fortaleçam a interação entre instituição e sociedade.
Esta Cooperativa é um exemplo de inclusão social, pois vai além das atividades compensatórias realizadas pela maioria das organizações, com mérito reconhecido pelas premiações do filme “Fibra” no Prêmio Júri Oficial de Melhor Filme na Mostra Catarinense do FAM (Florianópolis Audiovisual Mercosul) e pelo Prêmio Itapema FM de melhor filme. (DOC DOIS FILMES, 2012).
A cooperativa COEPAD possui características que demonstram ações de cunho inovador dentro da conjuntura do cooperativismo social aliado a práticas de gestão social, o que faz com que a cooperativa seja o elemento de estudo precursor nesse segmento do cooperativismo. “A COEPAD é a primeira cooperativa no Brasil, e uma das poucas no mundo, formada por pessoas com deficiência intelectual. Com papel reciclado, a COEPAD produz agendas, cadernos, blocos, risque- rabisque, canudos de formatura, bolsas ecológicas, entre outros produtos” (DOC DOIS FILMES, s/p. 2012).
Estudos sobre a COEPAD foram objetos de dissertação de mestrado em administração na UFSC, como a acadêmica Karin Vieira
2Notícia fornecida por Paulo Otolini Garrido, que participou juntamente com
Prof. Luís Moretto Neto, do diálogo com Prof. Aldo Brito, tratando da possibilidade de realizar a incubação da COEPAD, ocorrido ao final da defesa da Dissertação de Luiz Roberto Barbosa, realizada na UFSC/CSE, em 2012 (BARBOSA, 2012).
da Silva, que teve por objetivo analisar a participação dos atores organizacionais nos processos de tomada de decisão, à luz da gestão social (SILVA, 2013). E o acadêmico Luiz Roberto Barbosa, com o objetivo analisar o papel UFSC em ações junto às pessoas com deficiência intelectual em fase adulta, em especial, junto à COEPAD (BARBOSA, 2012). Resta, portanto, dar continuidade aos estudos já realizados, visando à multiplicação da iniciativa empreendedora da COEPAD, por meio de processos adequados de incubação social.
É relevante salientar a ação de pesquisar a COEPAD pela sua singularidade dentro do cooperativismo social, visto que o setor do cooperativismo tem migrado para a gestão de processos sob a direção estratégica, como alternativa competitiva para a permanência no mercado (SESCOOP, 2013). Perante a condução do cooperativismo no Brasil é pertinente verificar como tem ocorrido os processos de gestão cooperativista, influenciados pela gestão estratégica, aliado ao marco legal do cooperativismo e seus princípios, principalmente num ambiente cooperativo social que lida com pessoas com deficiência intelectual. Assim, esta dissertação justificou-se pela oportunidade de avançar num assunto que retrata a importância da inclusão social de indivíduos com características diferenciadas na sociedade civil.
Além disso, o empreendimento da COEPAD merece ser pesquisado e disseminado, para as Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAEs) e outras cooperativas sociais que aspirem adotar semelhante referência. A problemática foi detectada pela própria acadêmica, junto ao Grupo de Pesquisa em Gestão Social3 da UFSC, a partir do conhecimento da COEPAD como uma cooperativa social de destaque, sendo seu objeto de estudo em publicações de artigos e como fruto de ações sociais da UFSC.
Dessa maneira o trabalho foi norteado com base em alguns valores sobre o cooperativismo, direcionados pelas diretrizes da gestão social, que tratou de aspectos relacionados à inclusão social de pessoas com deficiência intelectual. Tais aspectos culminaram na identificação de elementos para incubação social por meio do delineamento de processos da COEPAD .
Igualmente, esse trabalho permitirá ao meio acadêmico, novas discussões sobre o cooperativismo social, sobretudo para pessoas com deficiência, assunto pouco estudado no meio científico, visto que o estudo do terceiro setor no segmento cooperativo está mais voltado para cooperativas populares de geração de trabalho e renda, como por
exemplo, as Incubadoras de Tecnológicas de Cooperativas Populares (ITCP) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Em relação à oportunidade, essa dissertação vem dar continuidade aos estudos da COEPAD já realizados no Grupo de Estudos em Gestão Social, e por meio da reunião de informações significativas, criar no âmbito da UFSC futuramente o primeiro projeto de incubação social á luz da gestão social, como instrumento de legitimação da universidade perante a comunidade local e a sociedade civil.
Tal ocasião também permitirá o alcance de algumas recomendações para a melhoria no tratamento de pessoas com deficiência intelectual conforme o Relatório Mundial da Saúde, publicado pela Organização das Nações Unidas (ONU) (BRASIL, 2012c, p. 272-276):
1) Permitir o acesso a todas as políticas, sistemas e serviços;
2) Investir em programas e serviços específicos para pessoas com deficiência;
3) Adotar estratégia e plano de ação para deficiência em âmbito nacional;
4) Envolver as pessoas com deficiência; 5) Melhorar a capacidade de recursos humanos;
6) Oferecer financiamento adequado e melhorar a acessibilidade econômica;
7) Aumentar a conscientização pública e o entendimento das deficiências;
8) Aumentar a base de dados sobre deficiência; e,
9) Fortalecer e apoiar à pesquisa sobre deficiência.
Por outro lado, a COEPAD será beneficiada pela visibilidade que a proposta de incubação social trará ao seu estilo cooperativo, permitindo aos interessados conhecer na prática esse modelo de gestão da entidade.
Quanto à viabilidade do trabalho, o pesquisador teve acesso à literatura disponível, o apoio da COEPAD à pesquisa pretendida e desenvolveu essas atividades no período do primeiro semestre de 2013 até o segundo semestre de 2013, viabilizando sua operacionalização. Além disso, foram agendadas entrevistas com o Conselho de
Administração para a coleta de informações sobre o contexto da indagação e demais membros da cooperativa, tais entrevistas ocorreram in loco, além do acompanhamento dos processos operacionais, produtivos e comerciais, aliado a consulta de documentos internos disponibilizados em materiais escritos e eletrônicos.
Por fim, para o próprio pesquisador que ao longo de sua trajetória acadêmica tem apreço pela linha social, para tal, cursou disciplina relevante ao tema no curso de pós-graduação, participações em seminários e congressos, aliado ao desenvolvimento de pesquisas como membro participante do grupo nacional de pesquisa em gestão social. Essas pesquisas em coautorias com outros membros participantes geraram artigos aceitos e apresentados nos congressos: XXII Encontro Brasileiro de Administração (ENBRA)/VIII Congresso Mundial de Administração em 2012, VII Encontro Nacional de Pesquisadores em Gestão Social (ENAPEGS) em 2013 e no I Congresso de Inovação e Sustentabilidade (CiiS) também em 2013.
Destarte, o tema da dissertação foi estudado e analisado para respaldar o aspecto social no ambiente cooperativo contribuindo para a melhoria das relações humanas com a pretensão de proporcionar novas discussões acerca da inclusão social de pessoas com deficiência intelectual em entidades do terceiro setor à luz dos princípios da gestão social, com o intuito de ampliar a divulgação dessa temática no meio acadêmico e cooperativo.