Partie 1 : Exonisation d’une séquence AluY liée à une anomalie de fixation de l’hnRNP C: un mécanisme
2. Rappels bibliographiques : les séquences Alu
Produzir conteúdos baseados em técnicas de Jornalismo de Dados exige o incremento de novas rotinas produtivas, que implicam um «saber fazer» distinto do jornalismo dito tradicional. Ao longo das entrevistas, dois pontos mostraram-se relevantes na formação dos profissionais para aquisição de competências: os cursos, maioritariamente citados como online; e a existência de entidades que dão suporte à capacitação e ao desenvolvimento da área.
No caso dos cursos, eles são citados com objetivos diferentes, para uns foi um acréscimo de habilidades, podendo ser um diferencial em futuros trabalhos, para outros, a realização dos cursos surge com a intenção de suprir a necessidade de trabalhar com dados e acompanhar a tendência.
Em Portugal, os três profissionais que hoje representam o Jornalismo de Dados no país, foram contratados, inicialmente pelas competências na análise de dados, e para desempenharem funções na área ainda que não em regime de exclusividade.
- Brasil
Apesar da consolidação do conceito de Jornalismo de Dados ser mais recente, Cristian Weiss, jornalista do Diário Catarinense, relembra o seu início de carreira, em 2009, no Jornal de Santa Catarina, e refere que faziam Jornalismo de Dados , sem saber que de facto toda aquela metodologia era JBD: “Lá fazíamos muitos trabalhos no dia a dia, que muitas vezes tínhamos que coletar dados porque o poder público não tinha dados para aquela situação. A gente nem sabia que era Jornalismo de Dados , como conceito isso ainda não era tão difundido”. Além do trabalho e do contato direto com a área na redação,
39 o Jornalista do Diário Catarinense investiu em formações, “muitas online”, algumas através da Abraji e do Knight Center da Universidade do Texas, referenciadas como “públicas e acessíveis”.
Para Juan Torres, jornalista do Correio, o termo Jornalismo de Dados era desconhecido mesmo quando já se seguia a lógica do trabalho com bases de dados: “Quando fizemos essa série, eu não sabia que eu estava fazendo Jornalismo de Dados , eu particularmente sempre gostei de trabalhar com planilhas, me formei em administração, tinha essa coisa que normalmente jornalista não gosta que é trabalhar com números e numa lógica mais cartesiana.” Ter sido finalista da primeira edição do Data Journalism Awards 2012 com a reportagem “1000 vidas” 8despertou o interesse do jornalista da publicação sediada em Salvador, que passou a fazer cursos, “a maioria foram cursos online”, a participar em eventos e hackathons: “Comecei a frequentar esses fóruns, o próprio Knight Center de Jornalismo das Américas, que é uma organização da Universidade do Texas, também oferece cursos de Jornalismo de Dados, online.(…) Eu fiz muitos cursos na área e hoje damos treinamento pela Escola de Dados no Brasil todo e desenvolvemos projetos em Jornalismo de Dados ”.
Kátia Brembatti, da Gazeta do Povo, conta que tomou conhecimento com o conceito de Jornalismo de Dados em 2008, num congresso da Abraji, onde participou numa oficina de Reportagem Assistida por Computador. Apesar de não relacionar o conceito à prática, a jornalista já havia publicado antes disso matérias com “perfil de Jornalismo de Dados”. “Eu já trabalhava com planilhas de Excel, mas de um jeito autodidata, eu não recebi nenhum tipo de treinamento, ou na faculdade, ou no jornal que trabalho, para trabalhar com isso, mas eu comecei a sentir necessidade de mexer nisso”, explica.
Para Daniel Bramatti, o autodidatismo e o interesse na área – que o fizeram publicar trabalhos com dados mesmo antes do projeto de dados do Estado de São Paulo ser criado em 2012 – foram as chaves para o desempenho atual como jornalista de dados: “Eu comecei a fazer matéria de política, não entrevistando pessoas, mas entrevistando bases de dados, foi um filão que eu fui explorando e isso acabou, naturalmente, me colocando
8 O “1000 vidas” é uma narrativa jornalística suportada pelo acompanhamento e análise de dados sobre
homicídios fornecidos pela Secretaria de Segurança Pública:
http://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/homicidios-em-salvador-e-rms-aumentam-27-com-relacao- a-2011
40 no Estadão Dados quando a ideia foi apresentada para a direção”. Segundo Bramatti, as habilidades que domina “aprendeu fazendo” ou através de “formações específicas”. Na visão de Raphael Hernandes, da Folha de São Paulo, “coisas de internet, aprende-se na internet” e considerando que iniciou a carreira num jornal local, a RBC, do interior do Paraná, essa via foi a mais natural, com cursos na Canvas Network e na Abraji. Antes de ser contratado pela Folha, fez três trainees, dois na atual entidade empregadora, sendo que o último foi determinante: “Durante esse trainee eu tentei focar no trabalho com dados, usei inclusive os dados para me vender no processo seletivo, eu era a única pessoa do grupo de que tinha essas habilidades, como a gente estava trabalhando com saúde pública, o uso de dados veio muito bem a calhar”.
Tal como Raphael Hernandes, o jornalista Marlen Couto, do O Globo, começou a trabalhar efetivamente com Jornalismo de Dados a partir de um trainee: “Nessa experiência como repórter trainee eu tive a oportunidade de fazer algumas reportagens que utilizavam levantamento de dados, acabou por se perceber que eu tinha um perfil para trabalhar com Jornalismo de Dados por essa minha capacidade de fazer análises estatísticas, cruzamentos de informações e até uma habilidade no Excel”. O jornalista do O Globo referiu que não possuía antecedentes em Jornalismo de Dados além de um curso técnico em Excel, que não foi voltado ao JBD.
Roberto Maleson trabalha com desporto, mais especificamente, com a cobertura estatística dos considerados clubes de maior expressão do futebol brasileiro. O jornalista do GloboEsporte (GE) fez mais de quatro cursos na área, o primeiro em 2014, um Massive
Open Online Course (MOOC) pelo Knight Center: “A partir disso que entrei no GE, eu
entrei especificamente por conta disso, pelo meu conhecimento em dados”. O profissional considera que o facto de estudar a área ajuda na melhoria da “performance” da equipa de dados do GE, que ainda possui metodologias um pouco rústicas.
- Portugal
Apesar de não possuir experiência anterior na área, Rita Costa, do Público, direcionou a sua formação para essa componente do jornalismo ao frequentar o curso de Comunicação Visual do Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE) e participar em cursos do Knight
Center: “Eu gosto dessa parte de estatística e da análise dos dados e comecei a investir, a
41 No caso de Raquel Albuquerque, do Expresso, a porta de entrada para o Jornalismo de Dados foi um projeto de investigação: “Eu comecei a perceber o que era, estava nessa equipa que tinha vários investigadores na área das engenharias e eu estava na redação do Público, que era um dos parceiros do projeto. À medida que ia descobrindo o que era o Jornalismo de Dados e como é que se fazia, íamos aplicando e os trabalhos iam sendo publicados”. Como complemento ao conhecimento adquirido no trabalho de campo, realizou formações extensivas e cursos online. Apesar de mencionar a ausência de cursos em Portugal, citou o Centro Protocolar de Formação Profissional para Jornalistas (Cenjor), que promove “alguns cursos pequenos” na área.
Rui Barros conta que o facto de acompanhar os trabalhos feitos lá fora, alimentou o seu interesse na área e fez parte do estágio realizado na Rádio Renascença, onde trabalha atualmente como Jornalista de Dados e de outros tópicos, na publicação online do meio. Nesse período, o jornalista refere que apresentou alguns trabalhos e isso “mostrou que havia algo de diferenciador”. No que se refere à capacitação, os conteúdos presentes na web acabaram por ser os meios de aprendizagem: “Eu aprendi online, fui seguindo o que os outros andavam a fazer, o meu primeiro contacto com ferramentas foi um dos cursos do Knight Center, depois fui seguindo, vendo tutoriais”.